A técnica em enfermagem Suzi Mirian dos Santos, que mora em Santos, se indignou ao presenciar uma manifestação em frente a sua casa em que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estimulavam o uso da cloroquina como prevenção à covid-19. Ela, que perdeu colegas de profissão na pandemia para a doença, decidiu se infiltrar na manifestação, pedir a palavra e, no microfone, estimular a vacinação contra a covid-19. A Polícia Militar esteve no local.





Com o apoio de pedestres e funcionários de loja que estavam na região da Praça da Independência no momento da manifestação, a técnica em enfermagem foi filmada sem saber, aplaudida, e nas redes sociais, o vídeo já tem mais de 16 mil visualizações.





“Eu moro na Praça da Independência e é comum ter manifestações, isso é democracia. Mas esse grupo vem todo domingo. Independente de quem eles tenham votado ou não, eles colocam um cartaz com a figura do presidente Bolsonaro, e reivindicam o não uso da máscara, e ficam incentivando as pessoas a não tomarem vacina sem dados científicos, dizendo que a vacina causa mortes”, conta.









Ela, que é profissional da área da saúde e possui comorbidades, conta que perdeu parentes e colegas de profissão para a covid-19. “Tenho parentes e colegas que morreram, e colegas de trabalho que estão lá na linha de frente e se sentem desrespeitados pela fala deles. Isso não chega a lugar nenhum. Por ser um ato democrático, eu me achei no direito de ir até lá, falei com a polícia que iria pedir direito de resposta, porque o rapaz estava dizendo que ninguém morre de covid e isso é invenção da mídia.”





A técnica em enfermagem conta que a manifestação reuniu cerca de oito adultos e algumas crianças, e como havia a presença da Polícia Militar, ela se sentiu segura o suficiente para proferir a favor da vacinação em meio aos manifestantes. “Para poder chegar até eles vesti uma camiseta verde. Não sou favorável a nenhum político, eu sou a favor do país e da saúde. Pedi licença educadamente e discordei de tudo que eles estavam falando. Fui aplaudida por várias pessoas e, quando eles viram, tiraram o microfone da minha mão.”





Suzi diz que em nenhum momento houve falta de respeito da parte dela e nem dos manifestantes, mas eles a confrontaram sobre sua fala. “Um senhor veio me dizer que não usa máscara e não tomou a vacina, e eu expliquei que ele estava colocando a vida dos outros em risco. Eu já tomei as três doses, graças a Deus, e ainda assim eu sigo o que preconiza a OMS.”





Como havia fiscalização da Polícia Militar sobre a manifestação, ela relata que não se sentiu desprotegida. “Eu avisei e perguntei se poderiam me proteger porque iria responder as perguntas daquele cidadão que estava se contrariando, dizendo que nunca viu alguém ter covid em Santos. Aí eu falei como profissional da área da saúde que iria lá.”





Funcionárias de uma loja que fica nas proximidades da Praça da Independência filmaram todo o ocorrido e apoiaram a fala da técnica em enfermagem. Ela não sabia que estava sendo filmada, mas diz ter ficado feliz com a repercussão.





“Não tive medo porque eu estava amparada na minha fala, não fui agressiva. Não ofendi ninguém e nem fui ofendida. Eu não planejei nada, não sabia que estavam me filmando, mas me incomodou, fui lá e fui falar. Não me importa de qual partido eles fossem, mas quando falaram para ninguém tomar vacina e ninguém usar máscara, foi por isso que fui falar”, finaliza.