O Santa Portal entrevistou o porteiro Cláudio José Santana Claudino, que encontrou Tom, o border collie que desapareceu no último sábado (10), em Guarujá, mas recusou receber uma recompensa de R$ 5 mil por ter localizado o cachorro. Ele explicou a razão pela qual não quis aceitar o dinheiro estabelecido pelos tutores do animal para quem ajudasse a encontrá-lo.






“A gente que tem um animalzinho em casa sabe como é. O Caio (tutor) queria me dar uma recompensa, mas eu recusei. Falei para ele que a maior recompensa que eu poderia ter era ele e a esposa dele terem recuperado o Tom. Falei para eles que ao invés de me darem esse valor usassem o dinheiro para cuidar da saúde do Tom”, disse Cláudio José, em entrevista exclusiva.






O porteiro contou que não sabia do desaparecimento de Tom até ter sido avisado por sua esposa. No caminho para entrar no trabalho, Cláudio José acabou encontrando o border collie perdido, próximo da entrada do condomínio no Morro do Sorocotuba, em Guarujá, onde ele é porteiro.






“Antes de sair de casa, a minha esposa tinha falado para mim sobre o Tom, eu não tinha visto a publicação. Ela me falou para tomar cuidado quando eu subisse o morro para não assustá-lo. Até pensei: ‘ela está achando que eu vou encontrar o cãozinho’. Eu estava vindo trabalhar, começo às 6h no serviço. Sempre chego com antecedência. Quando eu estava subindo o morro, acelerando o carro, vi um cão no meio do caminho. Fui chegando mais perto e vi que era o mesmo que a minha esposa tinha me mostrado na foto”, contou.






Após localizar Tom, a tarefa mais difícil para o porteiro foi conseguir acalmá-lo. Isto porque, Tom parecia assustado e não deixava que ele se aproximasse. “Eu fui subindo com o carro e filmando com o celular, a minha ideia era mostrar para os donos. Uma hora eu desci do carro e tentei pegá-lo, mas quando eu me aproximava, ele fugia. Estava com uma bolachinha que eu sempre levo para o café da manhã, tentei dar para ele, mas não deu certo. Ele não quis. Então tive a ideia de acelerar o carro e tentar guiá-lo para dentro do condomínio onde eu trabalho. Não sei se fui eu quem guiou ele ou ele que me guiou. Mas eu sabia que lá dentro ficaria mais fácil de cercá-lo e impedir que ele fugisse de novo”, explicou Cláudio.














Depois de algumas tentativas, o porteiro conseguiu deixar o cão protegido dentro do condomínio e passou a fazer contato com os tutores dele. “Avisei o outro porteiro que trabalha comigo para que abrisse o portão e, conforme fui andando com o carro, consegui fazer com que ele entrasse no condomínio. Fiquei 20 minutos tentando pegar ele, mas não consegui. Tentei ligar para os donos, mas um dos telefones estava desligado. Continuei ligando, acho que telefonei umas 100 vezes ou mais para a tutora dele. Graças a Deus, ela retornou a minha ligação. Mostrei o vídeo, ela confirmou que se tratava do Tom. Então pedi para que eles viessem o mais rápido possível. Felizmente, eles chegaram muito rápido e foi uma alegria quando eles se reencontraram. Fiquei muito feliz”, comentou.






Surpreso com a repercussão que o caso teve, Cláudio reafirmou que a sua motivação não era financeira para encontrar Tom. O porteiro revelou que alguns amigos chegaram a fazer brincadeiras com ele por não ter aceitado o dinheiro, mas ele garante que não se importa com os comentários maldosos.





“Jamais imaginei que isso teria tanta repercussão. Foi uma alegria ter ajudado o casal a encontrar o Tom. Mas, infelizmente, o ser humano automaticamente parece que se preocupa primeiro com a parte financeira. Muitos amigos meus fizeram chacota, me chamaram de ‘besta’, disseram que se fosse eles teriam aceitado o dinheiro. Mas isso (recompensa) não iria me fazer mais feliz. Nem a mim, nem a minha família. A minha esposa e a minha filha se emocionaram quando eu contei. Isso não tem dinheiro no mundo que pague. O que muitas pessoas não entendem é que o dinheiro não era meu, não posso perder nada porque simplesmente não era meu. Eu ganhei ao ajudar uma família, fui abençoado. Eu faria isso tudo novamente mil vezes se fosse preciso”, concluiu.













tom, encontrado - border collie
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal





O que aconteceu





Tom foi encontrado na manhã desta quinta-feira (15). O tutor do cachorro, Caio Moro Justo, de 27 anos, compartilhou no Instagram a notícia.






“Finalmente, em casa. Muito obrigado por toda ajuda de todos vocês. Podem ter certeza que todo o amor e carinho não serão esquecidos”, escreveu.





Rapidamente, a publicação ganhou comentários positivos, ainda mais por conta da comoção na Internet nos últimos dias.





“Meu Deus, estou chorando. Melhor notícia do dia! ”, dizia um dos comentários. “O tanto que estávamos agoniados todos esses dias. Amém, que benção terem encontrado. Agora é só alegria”, falou outro seguidor.

Em entrevista ao Santa Portal, Caio disse que mora em Santos e precisou viajar para Curitiba. Ele deixou o border collie com a adestradora em um condomínio, perto do Acapulco. No entanto, após ouvir barulho de fogos, Tom se assustou e saiu correndo.