O governador João Doria anunciou nesta quarta-feira (24) que, a partir do dia 11 de dezembro, não haverá mais a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos. O Santa Portal ouviu dois infectologistas e os especialistas divergiram sobre o assunto.





Segundo o médico Evaldo Stanislau, os indicadores favoráveis nas cidades paulistas dão respaldo para a medida tomada pelo governo estadual. “Acho os indicadores em geral bons e sustentados. Dessa forma, defendo a medida. O risco em ambientes abertos e com distanciamento é zero”, disse.





No entanto, o infectologista reforça que, mesmo ao ar livre, as pessoas devem se proteger caso estejam em aglomerações. “Sem dúvida esse tipo de cuidado é fundamental (no caso de aglomerações). O alerta que faço, entretanto, é que o vírus ainda circula e a vacinação isoladamente não evita a infecção. Então em ambientes fechados ou abertos com aglomeração a máscara segue essencial”, afirmou Stanislau.





Na direção contrária, o médico Marcos Caseiro acredita que a medida é precipitada. “Vejo essa decisão como errada e inoportuna. É só você observar o que está acontecendo lá fora. Na Europa vários países estão fechando tudo de novo. Lá eles estão vivendo a quarta onda e isso pode acontecer aqui. Até mesmo em países que apresentam bons índices tivemos aumento de casos e internações. Era algo para ser discutido mais para frente”, comentou.





Para Caseiro, o percentual de vacinação da população não deveria ser considerado no momento de liberar o público do uso de máscaras. De acordo com o governo estadual, 75% da população adulta de São Paulo estará vacinada nesta quinta (25).





“Não se trata de porcentagem (de vacinação), temos uma pandemia global, esses números sofrem mutação o tempo inteiro. Enquanto todo mundo não tiver sido vacinado e as pessoas circularem por aí, o vírus estará circulando. Só seria seguro se estivesse todo mundo vacinado, inclusive o público infantil. As crianças acabam levando a doença para dentro de casa. Por isso, acho inoportuno as pessoas tirarem a máscara. As pessoas vão ficar mais expostas e podem se contaminar”, concluiu Caseiro.





Apesar da liberação ao ar livre, o uso das máscaras continua obrigatório em ambientes fechados e no transporte público, de acordo com as regras estabelecidas pelo governo estadual.