A empresária Margarete Soares, de 56 anos, reencontrou a família biológica depois de mais de 50 anos sem contato. A moradora de Praia Grande foi adotada aos 2 anos em São Paulo, após os pais adotivos a encontrarem em uma entrega de cesta básica.





“Meus pais tinham costume de realizar doações para pessoas carentes. Em uma das vezes, levaram um bebê, Claudenir, meu irmão. Eu pedi pão para ele e nós tivemos muita afinidade. Quando retornaram, meu pai biológico estava me doando, assim como minhas irmãs, após ter tido uma desavença com minha mãe biológica. Assim vim na bagagem”, disse Margarete em entrevista ao Santa Portal.





A infância e a adolescência foram épocas felizes. “Meu pai era espanhol e minha mãe, mineira. Ambos já tinham certa idade. Além de mim e do meu irmão, criaram outras crianças. Pegavam e devolviam para as famílias com educação e saúde. Eram caridosos demais”, disse.

















Margerete conta que em uma simulação no banco, para financiamento de troca de carro, encontrou dados da família biológica. Então, foi em busca dos parentes. Descobriu um perfil nas redes sociais e fez o primeiro contato.





“Chamei o José Roberto, um dos meus irmãos, pela internet, mas não me respondeu. Um tempo depois, Moacir, meu outro irmão, me chamou e perguntou quem eu era. Conversamos e descobri que minha família estava viva e morando em Bauru”, contou.





O primeiro contato foi em abril. Três meses depois, se encontraram pessoalmente. De acordo com a empresária, tudo foi feito de surpresa. Ela avisou um sobrinho e foi até Pirituba sem avisar. “Quase os matei. Foi muita informação, mas muito emocionante. Tenho quatro irmãos e já conheci três deles. O José Roberto só falou comigo por telefone. Tínhamos muitas perguntas e estamos nos conhecendo e reaproximando”, contou.





Contato da empresária com a mãe





Para Margarete, uma das partes mais difíceis foi se sentir dividida. “Eu tive uma vida maravilhosa. Tive muito carinho, afeto e sou muito grata aos meus pais e meu irmão. Fiquei dividida de reencontrar minha família biológica. O dia que fui oficialmente adotada foi lindo. Meu irmão disse que não fui abandonada, que me deram por necessidade”, relatou.





Durante o reencontro, descobriu que a mãe não sabia de seu paradeiro e que foi “doada” pelo pai. “No Dia das Mães, enviei uma mensagem para ela e a perdoei. Agradeci por ter me deixado ficar com a família. Fui feliz. E estou feliz de saber que meus irmãos também se reencontraram com os pais”, disse.  





A mãe biológica faleceu na última semana. E a moradora de Praia Grande se sente aliviada por ter perdoado. “Nós não tínhamos culpa. As crianças foram usadas como um meio de vingança. Meu pai morreu há anos, não sei muito dele”.   





Agora, a família está se reconectando e tentando recuperar o tempo perdido, depois de 54 anos lidando com a distância. “Converso com as minhas irmãs, estou marcando de conhecer o José Roberto e o Moacir é o mais animado, sempre agitando para nos vermos”, finalizou.