Se você já viu um caracol pequeno, de concha marrom transparente, corpo arroxeado e "chifre" na porção exterior, tome cuidado: é um caracol indiano, espécie que prejudica não só plantações, mas também a saúde de humanos e animais.





A pesquisadora do Laboratório de Ambientes Insularizados (Labin) da Unesp, Larissa Teixeira, conta que o primeiro registro do caracol, pessoalmente, foi feito no final de 2019 pelo coordenador de sua equipe de pesquisas, em Maringá (PR). Ele foi localizado semanas depois, também, em Santos, e Larissa o identificou como um Macrochlamys indica.





"Por acreditar ser registros pontuais, não trabalhamos na questão à época. Recentemente me deparei com ela novamente ao verificar registros do animal no aplicativo iNaturalist", conta Larissa.





Então, ela entrou em contato com as pessoas que submeteram os registros e decidiu fazer uma postagem para procurar o caracol, em novembro. Desde então, diz, o grupo tem recebido diariamente registros fotográficos da espécie em vários cantos do país.





"O post viralizou em poucas horas e tivemos que tirar do ar para conseguir lidar com as notificações, pois estávamos no meio de um trabalho de campo. Não esperávamos que ia ser tão rápido", relata.





Até o momento, 11 estados, além do Distrito Federal, já registraram a espécie: Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiânia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.





Na Baixada Santista, eles foram encontrados em Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Itanhaém e Cubatão. "Em Cubatão, visitamos uma casa em que, apenas uma hora, nós removemos 267 caracóis do quintal".





Caracóis encontrados em quintal, em Cubatão. (Foto: Larissa Teixeira)




A pesquisadora diz que a suspeita é que o animal esteja se espalhando com o comércio de plantas e terra.





"Eles podem atuar como praga de plantas ornamentais e de interesse comercial. Por conta do hábito herbívoro e os ovos de tamanho diminuto, não é difícil que os ovos e juvenis sejam transportados e colonizem novos lugares", explica.





Segundo ela, há vários casos de gastrópodes (classe animal a qual pertencem os caracóis) que entraram no Brasil pela mesma via: a importação de plantas e produtos para horticultura e agricultura.





"Em Cubatão, visitamos uma casa em que, apenas uma hora, nós removemos 267 caracóis do quintal".

Larissa Teixeira, pesquisadora




O caso mais recente, ela lembra, foi o caracol-saltador (Ovachlamys fulgens), identificado primeira vez na Baixada Santista pelo grupo de pesquisa do qual faz parte, em 2017.





Riscos do caracol para a saúde





"Nós temos a preocupação de que ele possa ser vetor de um verme causador da meningite eosinofílica em humanos e angiostrongilíase em animais. Estamos estabelecendo uma parceria que nos auxiliará na análise desta questão", diz.





Caso encontre caracóis desta espécie em casa: mantenha cuidado.





"Nós desaconselhamos a tomada de atitudes independentes, uma vez que eles podem ser confundidos com espécies nativas". Por isso, a pesquisadora recomenda o contato com os especialistas para que possa ser feita a identificação, e assim, irá receber instruções de como prosseguir.





O grupo de pesquisas de Larissa está fazendo uma triagem dos registros e preparando documentações para entregar aos órgãos sanitários. Por isso, caso veja um animal com essas características, fotografe e entre em contato pelo e-mail: larissa.teixeira@unesp.br.