Três ataques de tubarão a banhistas foram registrados no Litoral Paulista nas últimas duas semanas. O registro de tubarões em Ubatuba e Ilha Comprida levantou um alerta sobre o aparecimento dos animais na Baixada Santista e especulação das razões pelas movimentações.





O engenheiro agrônomo, com doutorado em Zoologia pela Unesp e pesquisador do Instituto de Pesca de Santos há 47 anos, Alberto Ferreira de Amorim, explicou que embora tubarões representem perigos, o número de ataques é mínimo.





“Há 50 mortes por ano no mundo inteiro. Austrália e África do Sul têm maior incidência por conta da presença do tubarão branco, que é muito agressivo. Por perto, só identifiquei a espécie em Cananéia, em 1992, mas passa longe da costa”, disse em entrevista ao Santa Portal.





De acordo com ele, a ocorrência dos ataques em um curto espaço de tempo se dá, provavelmente, pelo aumento de pessoas se banhando. “Na temporada e, principalmente quando a água esquenta, tomo mundo decide entrar no mar e a probabilidade é maior, especialmente por conta de movimentação brusca”.





Incrível percepção de olfato





Amorim esclareceu que os tubarões têm visões boas e uma incrível percepção de olfato. Sendo assim, ao notarem movimentação brusca na água, pode parecer um cardume de peixes e, quando se fala de olfato, pode notar a presença de sangue, fezes ou urina.





“Os animais podem perceber uma gota de sangue em um milhão de gotas de água. É atrativo para eles. Eles ocupam uma posição no topo da cadeia alimentar e possuem uma função muito importante. São cerca de 350 espécies, presentes em diversas localidades, mas não existem ataques registrados de boa parte”, falou.





Dessa maneira, os ataques podem acontecer na Baixada Santista, mas com chances mínimas. “A probabilidade de ataques é a mesma em todo o litoral. O único litoral brasileiro mais arriscado é Recife. Em todas as praias, temos as arrais e tubarões, então o risco sempre vai existir, mas é pequeno. As espécies mais comuns aqui são as costeiras, especialmente galha-preta e o tintureira. Os ataques costumam ser relacionadas com essas, mas há uma lista um pouco maior. Tubarão-cabeça-chata também é comum, mas não tem ocorrência de ataque”, destacou.





Como evitar ataques de tubarões nas praias





Amorim deixa algumas dicas para minimizar ainda mais as chances de ataques de tubarões:





  • Não entrar na água com sangramentos – o risco de infecção é grande e o animal pode sentir facilmente;
  • Não fazer necessidades fisiológicas na água – estudos revelam que tubarões podem perceber a presença de outro animal e fezes e urinas são atrativos para eles. É necessário observar com mais cautela o comportamento de crianças, pois estas não conseguem “segurar”;
  • Evitar movimentos bruscos na água – tubarões podem confundir com cardumes de peixes;
  • Observar a sinalização – é importante checar se há condições para nadar pelos avisos e alertas presentes no local.




O coordenador de Ciências Biológicas da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Jorge Luís dos Santos, enfatizou que tubarões estão presentes na fauna da região e que em termos de prevenção, há coisas que podem ser feitas, mas a “situação ainda é complicada”.





“A água da Costa do Litoral é turva, escura, o que impossibilita a visualização de algo se aproximando. Então é difícil que os banhistas ou os salva-vidas observem a movimentação para sair da água”, comentou.





Análise dos últimos ataques





Só neste mês, a população se surpreendeu com, pelo menos, três supostos ataques de tubarões no Litoral Paulista. Os acidentes ocorreram nos dias 3 e 15, em Ubatuba e Ilha Comprida. Um terceiro caso está sendo apurado e teria ocorrido com uma idosa, também em Ubatuba.





No dia 3 e no dia 15 deste mês, pessoas acabaram feridas após ataques em Ubatuba e em Ilha Comprida, respectivamente. Um terceiro caso, também em Ubatuba no dia 15, está sob apuração.





Em nota, a Prefeitura de Ubatuba solicitou laudos técnicos junto a especialistas que confirmem que se trata de ferimentos provocados por tubarão. 





“Até o momento, não obtivemos resposta, portanto, não é possível afirmar que se trate de tubarões. Seguimos alerta e tomaremos as devidas providências a partir de definições técnicas, amparadas no diálogo com pesquisadores acadêmicos vinculados à universidade e demais órgãos que atuem na área de biologia marinha”, dizia o comunicado.





No caso de Ilha Comprida, a equipe técnica do Projeto Elasmocategorias, que analisou o caso do menino de 11 anos ferido, concluiu que o ferimento é compatível com um cardume de raia ou outro peixe ósseo.





Para Santos, é importante esclarecer é preciso esperar a conclusão do inquérito policial científico para confirmar os ataques. “No caso do menino, imagens obtidas e divulgadas no dia do ataque mostram que não são tubarões. Há a possibilidade dos casos se tratarem de tubarões, mas afirmar é prematuro”, defendeu.





Além disso, ele lembrou que os supostos ataques não têm relação. “Foram ocorrências distantes 350 km uma da outra e possivelmente, não são iguais em termos de espécies de peixes ou até mesmo a causa”, concluiu.