22/05/2026

Virada Cultural tenta se reafirmar como principal evento de cultura da cidade

Por Manoela Mourão/Folha Press em 22/05/2026 às 19:16

Cristina Granato/Folha Press
Cristina Granato/Folha Press

Por um fim de semana, São Paulo tenta interromper a própria lógica. A cidade se transforma em um grande circuito cultural a céu aberto, atravessando a madrugada entre shows gratuitos, museus e multidões indo de um lado para o outro da cidade.

A Virada Cultural chega à edição deste ano nos dias 23 e 24 de maio com uma operação espalhada por praticamente toda a capital. Serão mais de 1.200 apresentações gratuitas distribuídas em 21 palcos e mais de 200 equipamentos culturais, em uma tentativa da Prefeitura de reafirmar o evento como a principal vitrine cultural pública da cidade.

No Vale do Anhangabaú, palco central da Virada, nomes como Marina Sena, Seu Jorge, Péricles, Luísa Sonza e o franco-espanhol Manu Chao devem concentrar algumas das maiores plateias. A avenida São João receberá um palco dedicado ao brega, com apresentações de Joelma, Gaby Amarantos, Johnny Hooker e Sidney Magal. No Bom Retiro, a forte presença coreana inspirou uma programação com o grupo de k-pop 1Verse.

Pela primeira vez, o Masp permanecerá aberto gratuitamente durante todas as 24 horas do evento, das 18h de sábado até o mesmo horário no domingo. O Theatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade também funcionarão sem interrupção ao longo da madrugada. No Municipal, estão previstos shows como “Cartão Postal”, com Evinha, “Di Melo”, interpretado pelo próprio cantor, além de Simoninha revisitando o repertório de Wilson Simonal e Mundo Livre S/A tocando “Samba Esquema Noise”.

Nos últimos anos, a Virada passou a investir na distribuição dos palcos pelas periferias, na tentativa de reduzir aglomerações e ampliar a circulação para além do eixo central da cidade.

Na zona sul, artistas como Duquesa, Gustavo Mioto e Filho do Piseiro lideram a programação. A zona leste recebe shows de Thiaguinho e Michel Teló. Já as regiões norte e oeste terão apresentações de Mumuzinho, CPM 22, Black Pantera e Biquini Cavadão.

Parte dessa expansão acontece graças às parcerias firmadas pela Prefeitura com instituições como Sesc, Masp e Instituto Moreira Salles (IMS), que passaram a absorver parte da programação cultural. A colaboração também ajuda a reduzir custos de produção em uma edição que, segundo a administração municipal, custará cerca de R$ 40 milhões —abaixo dos mais de R$ 50 milhões investidos no ano anterior.

O evento consome mais recursos em infraestrutura urbana do que necessariamente em cachês artísticos. Segurança, montagem de palco, limpeza, monitoramento e operação logística acabam representando uma boa parte do investimento público.

O metrô terá catraca livre entre meia-noite e 4h da manhã de domingo e os ônibus circularão com frota reforçada na madrugada.

A expectativa é reunir cerca de 4,8 milhões de pessoas, gerando mais de 20 mil empregos diretos e indiretos e movimentar mais de R$ 500 milhões.

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