09/02/2026

SP Escola de Teatro vira faculdade de artes cênicas e oferece curso gratuito

Por Cristina Camargo/Folhapress em 09/02/2026 às 09:56

Divulgação
Divulgação

Após 16 anos de funcionamento, a SP Escola de Teatro vai ser transformada em uma nova faculdade de artes cênicas na capital paulista. A escola, que oferece cursos livres desde 2010 e técnicos desde 2017, foi credenciada pelo Ministério da Educação para funcionar como SP Escola Superior de Teatro – Faculdade das Artes do Palco.

A mudança ocorre já no primeiro semestre deste ano. O curso superior de tecnologia em produção cênica será gratuito, com duração de dois anos.

A instituição faz parte da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e é administrada pela Adaap , a Associação dos Artistas Amigos da Praça, localizada na praça Roosevelt, na região central da capital.

A seleção dos alunos será realizada por meio de provas de redação, entrevistas e atividades específicas por área, como já acontece na SP Escola de Teatro. Serão mantidos os períodos de ingresso de novas turmas, no início do ano e no segundo semestre.

Também continuam as oito linhas de estudo —atuação, cenografia e figurino, direção, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco— e o sistema pedagógico.

“É uma escola onde todas as áreas trabalham de uma maneira coletiva”, destaca Ivam Cabral, diretor-executivo e um dos fundadores da Cia. de Teatro Os Satyros.

O desejo de criar a graduação nas artes cênicas é antigo, mas enfrentou quase uma década de burocracias até ser consolidado.

“Foram anos de planejamento e implementação, com a vantagem de termos mantido todo o nosso sistema pedagógico, nosso maior lastro, uma vez que tem resultado em altos índices de empregabilidade e também serve de inspiração para reformulações e currículos de outras instituições”, afirma Cabral.

Os estudantes das oito linhas trabalham de forma colaborativa em cada semestre para criar experimentos teatrais, sob a supervisão dos professores.

“Essa abordagem holística do fazer teatral é única, tornando-se ainda mais significativa através da abordagem não hierárquica inspirada por uma aplicação robusta dos princípios de Paulo Freire”, afirma o diretor e dramaturgo indiano Rustom Bharucha, que participou de atividades na escola em outubro do ano passado.

A professora Sanna Ryynänen, da Universidade do Leste, na Finlândia, pesquisadora das artes performáticas, define o sistema como ousado e emancipador —e diz usá-lo como referência.

A escola tem atualmente 400 alunos matriculados e deverá criar regras para que eles também obtenham o diploma de nível superior, mesmo tendo feito a seleção quando a instituição ainda não era uma faculdade.

“Essa definição é nossa. A escola é responsável por criar normativas para isso”, explica Cabral. Entre março e abril serão abertas as inscrições para a seleção de novos alunos, agora já para a graduação.

“A criação da SP Escola Superior de Teatro é uma decisão estratégica do governo de São Paulo para ampliar o acesso ao ensino superior público e reconhecer as artes do palco como um campo estruturante de formação, trabalho e desenvolvimento”, afirma Marília Marton, secretária de Cultura, Economia e Indústria Criativas.

A maior parte do orçamento anual da instituição —R$ 13 milhões— vem da secretaria. Outros R$ 3 milhões são oriundos de parcerias, convênios e emendas parlamentares.

Além do curso superior, a SP Escola de Teatro seguirá oferecendo 20 cursos livres e gratuitos de extensão cultural, residências artísticas com espetáculos abertos ao público, bolsas-auxílio para estudantes de baixa renda e intercâmbios por meio de parcerias internacionais.

Entre novembro e dezembro de 2025, por exemplo, dez alunos participaram de um intercâmbio em Portugal, o que resultou na apresentação do espetáculo “Pororoca: O Encontro das Águas”, sobre a confluência entre brasileiros e portugueses.

loading...

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.