Santos exerce papel de destaque no novo ciclo de ouro do cinema nacional

Por Laura Andrade em 20/06/2026 às 07:00

Reprodução/Unsplash
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O cinema brasileiro vive um período de consagração e reencontro com o público. Produções nacionais de ficção e documentários têm conquistado marcos históricos e alcançado projeção internacional em festivais de prestígio, como o recente barulho feito ao redor de longas como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Nesse cenário de efervescência cultural, Santos se consolida não apenas como um cenário cobiçado, mas como um polo estratégico para o audiovisual do país.

A vocação cinematográfica santista ultrapassa as telas. Desde 2015, Santos integra a seleta Rede de Cidades Criativas da Unesco na categoria Cinema, sendo a primeira cidade de todo o continente americano a conquistar esse selo. O município atrai frequentemente produções de séries, novelas, longas-metragens e campanhas publicitárias de grande porte, impulsionado pela diversidade arquitetônica e pela logística urbana local.

Aliado a isso, o ecossistema da região se fortalece com a presença de cursos técnicos e superiores voltados à área, que qualificam a mão de obra local e alimentam o mercado com novos profissionais. O calendário cultural da cidade também pulsa forte com mostras consagradas, como o Santos Film Fest e o Curta Santos.

Curta Santos celebra 24 anos focando na formação de público

Para Raquel Pellegrini, diretora técnica do Curta Santos e mestre em cinema e audiovisual, as mostras competitivas locais exercem uma função social indispensável.

“O Curta Santos foi o pioneiro na cidade e, neste ano, completa 24 anos de história. Ao longo desse período, o festival se consolidou como uma das janelas de exibição mais importantes para a produção independente, dando visibilidade e voz para o que é produzido na Baixada Santista e em outras regiões do Brasil”, pontua Raquel.

Além do impacto nas telas, o festival cumpre uma missão essencial de caráter educativo e formativo. Durante a sua realização, o Curta promove oficinas práticas, painéis de debate, palestras e fóruns setoriais em cooperação com órgãos públicos e entidades culturais.

“O nosso objetivo central nunca foi apenas colocar os filmes para rodar nas salas, mas sim formar novos públicos e incentivar a criação de novos projetos. Sempre buscamos trazer profissionais renomados do mercado para compartilhar suas vivências práticas e debater as diretrizes e os rumos do setor com a nossa comunidade”, complementa a diretora técnica.

Como o público pode apoiar e fortalecer a produção nacional

Para além dos incentivos governamentais, Raquel Pellegrini aponta que o fomento ao audiovisual brasileiro depende diretamente do envolvimento ativo da população. O público pode atuar na ponta do processo de três formas práticas:

  • Prestigiar: Consumir e assistir ativamente a filmes e séries nacionais nos circuitos comerciais e de streaming;
  • Frequentar: Ocupar festivais independentes e mostras locais gratuitas;
  • Cobrar: Exigir que as salas de cinema comerciais da região respeitem a cota de tela e mantenham produções brasileiras em seus horários de exibição principais.

Santos oferece uma rede de infraestrutura pública exemplar para esse consumo cultural. Entre os destaques estão o Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), o tradicional Cine Arte Posto 4 (na orla da praia) e as salas de cinema comunitárias instaladas nas diversas Vilas Criativas espalhadas pelas áreas periféricas da cidade.

Desafios regionais

Apesar do panorama favorável em Santos, o fortalecimento sustentável do mercado audiovisual na região esbarra em assimetrias políticas e financeiras entre as cidades vizinhas.

Santos já possui um terreno consolidado, com salas públicas ativas, capacitação gratuita e fomento garantido por editais municipais de cultura (como o Facult). O grande gargalo atual é estender esse modelo de sucesso para os demais municípios da Baixada Santista.

“Temos profissionais técnicos e realizadores extremamente qualificados espalhados por toda a região. O nosso grande desafio para os próximos anos é fazer com que as outras prefeituras e municípios reconheçam o potencial econômico e cultural do audiovisual, criando políticas públicas integradas e editais de fomento que incentivem e fixem a produção de cinema local por toda a Baixada”, conclui Raquel.

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