Paramount alfineta a Netflix em nova tentativa de reverter compra da Warner Bros.
Por Folha Press em 05/02/2026 às 16:09
David Ellison, CEO da Paramount, publicou nesta quinta-feira (5) uma carta aberta aos profissionais da indústria criativa e aos consumidores do Reino Unido na qual assume uma série de compromissos, caso a empresa consiga adquirir a Warner Bros. Discovery.
A Warner fechou um acordo para vender seus estúdios e serviços de streaming para a Netflix, incluindo o respeitado canal HBO, por US$ 83 bilhões, cerca de R$ 440 bilhões.
Entre os compromissos estão o aumento da produção, a preservação da HBO como uma entidade independente e o lançamento de 30 filmes por ano. Segundo o documento assinado pelo CEO, os longas vão chegar primeiro aos cinemas, por um período mínimo de 45 dias, antes de serem disponibilizadas para compra em lojas digitais. Só depois disso entrarão nos serviços de streaming.
Ainda de acordo com a carta, a Paramount e a Warner vão licenciar as suas produções para as suas próprias plataformas e para as de terceiros, além de comprar conteúdo de outros estúdios e de produtores independentes.
A Paramount tem insistido em sua oferta pela Warner, argumentando com acionistas e grupos do setor que o aumento do poder de mercado da Netflix após um acordo para a aquisição da Warner gera preocupações em relação à legislação e deveria alarmar o setor.
Dirigida “aos amantes do cinema e da televisão, à indústria em geral e a todos que se preocupam profundamente com o futuro do cinema e das artes”, a carta aborda “o papel vital que a narrativa visual desempenha em nossa sociedade”.
“Filmes e televisão transcendem idade, etnia, política e condição socioeconômica, conectando-nos por meio de experiências compartilhadas. Eles nos entretêm e inspiram, nos transportam para novos mundos, preservam nossa história e expandem nossa percepção do que é possível”, afirma o documento. “Esta forma de arte é essencial e deve ser protegida e preservada para as gerações futuras.”
A fusão da Paramount com a Warner permitiria que as empresas contassem mais histórias e alcançassem públicos mais amplos, diz o documento. “Acreditamos que a comunidade criativa e o público são melhor servidos por um mercado que incentive todo o espectro da produção cinematográfica, da criação de conteúdo e da exibição em salas de cinema, e não um que elimine a concorrência significativa criando uma entidade monopolista ou dominante.”
Por fim, a carta argumenta que uma fusão entre a Paramount e a Warner criaria um rival capaz de concorrer com as plataformas dominantes, entre as quais a Netflix.