Juiz intima chefe do ICE e critica despreparo do governo Trump durante operação em Minnesota
Por Manoella Smith/Folhapress em 27/01/2026 às 13:14
Um juiz federal de Minnesota, nos Estados Unidos, intimou o chefe do ICE, a agência de imigração americana, a comparecer ao tribunal nesta semana para explicar o que o magistrado descreveu como falhas repetidas no cumprimento de ordens judiciais relacionadas às operações no estado.
Segundo o juiz, o governo de Donald Trump não cumpriu as ordens de realizar audiências para imigrantes detidos pelo ICE nas operações realizadas no estado. “A paciência do tribunal chegou ao fim”, afirma o juiz distrital Patrick J. Schiltz na petição protocolada na noite de segunda-feira (26), segundo a imprensa americana.
O diretor interino do ICE, Todd Lyons, deve comparecer pessoalmente ao tribunal na próxima sexta-feira (30). Minnesota tem sido palco de embate entre o governo democrata local e a Casa Branca após dois americanos terem sido mortos a tiros por agentes federais durante duas operações em menos de um mês.
O juiz ameaçou instaurar possíveis procedimentos por desacato contra Lyons após, segundo o magistrado, a agência ter deixado de realizar audiências de fiança a imigrantes detidos, apesar de determinações judiciais emitidas por magistrados.
Manifestações em larga escala têm dominado as ruas de diferentes cidades do estado, em especial de Minneapolis, palco das operações que resultaram nos dois óbitos.
A ordem judicial ocorre logo após Trump vai enviar a Minneapolis o encarregado das fronteiras, Tom Homan, que deve assumir o comando do ICE na cidade -hoje, é a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, quem controla os agentes federais no local.
Segundo a imprensa americana, Trump também demitiu o comandante de operação do ICE em Minneapolis. Gregory Bovino, conhecido como um defensor da truculência das operações de deportação e por usar roupas que suscitaram comparações a vestes nazistas.
Especialistas veem Bovino como a peça central da ofensiva de Trump. Agora, ele voltará ao cargo que tinha antes do governo Trump, como oficial do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) na Califórnia.
No sábado (24), o enfermeiro Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação do ICE em Minnesota. Poucos minutos depois do caso, o governo Trump afirmou que Pretti havia ameaçado os policiais. Vídeos da cena não comprovam essa versão.
No último dia 7, a poeta Renee Nicole Good, uma mãe de três filhos, de 37 anos, também foi morta a tiros em seu próprio carro. A Casa Branca também tentou culpá-la pelo episódio.
Em enfrevista à Folha de S. Paulo, o comissário de Segurança Comunitária de Minneapolis, Todd Barnette, criticou a atuação dos agentes ferais e disse que batidas, detenções e agressões conduzidas pelo ICE estão fazendo com que imigrantes revivam traumas de seus países de origem.