03/03/2026

Entrevista | Lynyrd Skynyrd “Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e carregar o legado”

Por Blog n' Roll em 03/03/2026 às 13:45

Reprodução
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Com mais de meio século de estrada, o Lynyrd Skynyrd transcendeu o rótulo de pioneiros do southern rock para se tornar uma verdadeira instituição da música mundial. Liderada há quase quatro décadas por Johnny Van Zant, irmão do saudoso vocalista original, Ronnie Van Zant, e contando com a energia do veterano Rickey Medlocke, a banda carrega a responsabilidade e a honra de manter vivo um legado inabalável. 

Mesmo após a partida do guitarrista Gary Rossington, o último membro da formação clássica, o grupo prova que a alma de hinos como Free Bird e Sweet Home Alabama segue pulsando forte, embalando gerações com apresentações 100% ao vivo, sem o uso de qualquer base pré-gravada.

É exatamente essa autenticidade crua que o público brasileiro poderá presenciar muito em breve. O Lynyrd Skynyrd desembarca no Brasil para uma série de apresentações em abril. O giro começa no dia 1º de abril, em Curitiba (Live Curitiba); segue para São Paulo no dia 4 de abril, como um dos grandes destaques do festival Monsters of Rock (Allianz Parque); desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril (Qualistage, com o Dirty Honey como convidado especial); e encerra a passagem pelo país no dia 7 de abril, em Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna).

A escalação do Skynyrd no Monsters of Rock, evento com DNA fortemente enraizado no heavy metal e no hard rock, promete ser um dos momentos mais catárticos do festival. Dividindo o line-up com nomes como Guns N’ Roses, Extreme e Halestorm, Johnny enxerga a mistura de gêneros com naturalidade e muito entusiasmo. 

Relembrando o sucesso da banda em festivais pesados como o Hellfest, na França, o vocalista reforça o poder de conexão de sua música e revela a expectativa de cruzar com Slash nos bastidores para agradecê-lo pessoalmente pelo tributo feito a Gary Rossington nos Estados Unidos.

Durante este bate-papo com o Blog n’ Roll, Johnny abriu o coração sobre a decisão de continuar na estrada após a perda de Gary. Longe de ser apenas para “pagar as contas”, ele encara a turnê como uma missão quase espiritual de honrar a memória de seu irmão e de seus antigos companheiros. A entrega no palco é um compromisso inegociável para a banda, que faz questão de explodir a cabeça do público, especialmente em países como o Brasil, onde os fãs esperaram décadas por uma turnê mais extensa.

Além de celebrar a emoção de tocar para a quarta geração de admiradores e observar que a paixão dos fãs permanece a mesma de 50 anos atrás, o vocalista revelou que o baú da banda ainda guarda surpresas. Existem composições inéditas escritas por ele, Rickey e Gary “na lata”, aguardando o momento certo para verem a luz do dia. Contudo, o foco do momento é celebrar o catálogo histórico e a conexão visceral com a plateia.

Confira a seguir a entrevista completa.

Na última vez que nos falamos, o foco foi principalmente em São Paulo. Desta vez, a turnê se expandiu para Rio, Curitiba e Porto Alegre. Depois de 50 anos, como é a sensação de ainda estar descobrindo novas cidades e sentindo a energia de públicos que esperaram décadas por este momento?

Na primeira vez que fomos, fizemos São Paulo, apenas um show, e pensamos: “uau, isso não é nada. Vamos voltar e fazer mais”. Aí, na segunda vez, acho que fizemos uns três ou quatro. Nem tenho certeza. Talvez dois. Mas desta vez são quatro. Então, na próxima serão cinco, dez, 11, 12. Precisamos fazer uma turnê completa por aí, para ser sincero. 

Nós nos divertimos muito na última vez que estivemos aí. Conhecemos muita gente incrível. Todos os fãs que conhecemos estavam tão felizes por estarmos lá. E, acredite ou não, assim que saímos daí, já estávamos tipo: “precisamos voltar”. Então é questão de tentar organizar tudo, fazer os promotores agirem e vamos lá, fazer de um jeito que todos possamos ir, pagar as contas e ver os fãs.

Incrível. E o Brasil é enorme. Está empolgado para o Monsters of Rock?

Sim, com certeza. Estou ansioso pelo Monsters of Rock. Vai ser muito interessante tocar com todas as bandas. Nós nunca fizemos um show com o Guns N’ Roses, então será ótimo. O Slash fez um tributo aqui nos Estados Unidos depois que o Gary Rossington faleceu, e eu nunca consegui apertar a mão dele. Então, espero conseguir apertar a mão dele e agradecê-lo por ter feito aquilo por nós.

Incrível. Vai ser muito emocionante.

Sim, vai ser divertido.

Falando sobre o Monsters of Rock em São Paulo, o evento tem um DNA enraizado no heavy metal e no hard rock. Como o southern rock do Skynyrd se conecta com esse público mais “pesado”? Como isso acontece?

Sabe de uma coisa? Eu estava dizendo a outras pessoas hoje: anos atrás, fomos para a Europa e fizemos um evento chamado Hellfest, na França. E eram todas aquelas bandas de heavy metal, bandas realmente pesadas. Todo mundo lá no mosh pit. E eu pensei: “como vamos nos encaixar nisso? Como vamos nos encaixar em todo esse gênero?”. E foi incrível. Já fizemos esse festival umas três vezes agora.

E acho que a música do Skynyrd… sabe, o Metallica gravou Tuesday’s Gone. E um senhor me disse hoje que o Axl Rose é um grande fã de Skynyrd. Então, é incrível para mim como toda essa música meio que se encaixa. E estou ansioso por isso. Vai ser divertido para nós. Eu estou sorrindo, então, sempre que estou sorrindo, é algo bom.

E além do Lynyrd Skynyrd, o festival conta com Guns N’ Roses, Extreme, Helloween, Deep Purple, Dirty Honey, você está familiarizado? Você já nos contou sobre o Guns N’ Roses.

Sim, Extreme, claro. Sabe, alguns deles eu não conheço. Odeio dizer isso, mas não conheço, mas vou vivenciar no dia. Serei um fã. Então isso será bom.

Sem membros originais na formação atual, a responsabilidade de manter a banda tão viva recai pesadamente sobre você e o Rickey (Medlocke). Como vocês garantem que a música continue soando autêntica?

Bem, nós não continuaríamos se não fosse assim. E sabe o que as pessoas não entendem é que o Ronnie era meu irmão. Nós dormíamos no mesmo quarto, assistíamos aos mesmos filmes e pensávamos… bem, como irmãos fazem. E o Rickey estava na banda muitos, muitos anos atrás. E quer saber? Nós nunca deixaremos a integridade da banda e da música cair. 

E para ser bem sincero, quando o Gary faleceu, o último membro original, nós pensamos: “Ok, vamos parar”. Mas, antes de partir, ele queria que continuássemos. Eu estou na banda desde 1987, 40 anos no ano que vem. Ano que vem será meu 40º aniversário na banda. E nós nunca “fingimos”, sabe? Tipo, “ah, estamos aqui só para ganhar um dinheiro”. Nós sempre fomos tipo “vamos com tudo”. 

Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e vamos carregar o legado. E vamos manter isso enquanto o bom Deus nos der saúde. Eu dizia a um senhor mais cedo: nada é mais gratificante do que ver um fã vir a um show do Skynyrd e dizer “uau, nunca pensei que pudesse vivenciar isso”. E essa é a parte legal de ir ao Brasil. Vocês não nos viram tanto assim. Então, precisamos ir aí e explodir a cabeça de vocês.

Na sua última entrevista para o Blog n’ Roll, você mencionou ver a quarta geração de fãs nos seus shows. Você nota diferença no que um jovem de 18 anos procura em um show do Skynyrd hoje em comparação ao que o público queria nos anos 70 ou 80?

Sabe, acho que se você é um fã de Skynyrd, você é basicamente o mesmo tipo de pessoa, não importa se você é do Brasil ou aqui da minha cidade natal, Jacksonville. E para mim, novamente, nós não usamos nenhum tipo de dispositivo de gravação no palco (playbacks). Nós somos o negócio real. Estamos tocando naquele momento. E não são muitas bandas que fazem isso hoje em dia. Nós vamos dar o nosso melhor. 

Quanto aos fãs antigos, eu os amo. Eles são a razão de estarmos aqui, junto com as pessoas que nos deram o pontapé inicial, que foram Ronnie, Allen e Gary. E para nós, trazer novas gerações de fãs significa muito. Realmente significa. Mostrar para os garotos novos o que estava acontecendo 40, 50 anos atrás… e que ainda continua hoje.

E vocês têm lançado muitas gravações ao vivo de arquivo e materiais de legado ultimamente. Isso influenciou o setlist atual de vocês? Existe algum “lado B” que vocês desenterraram recentemente que os fãs brasileiros podem esperar?

Sim, sabe, há muitas músicas que eu, Gary e Rickey escrevemos que ainda estão “na lata”, como eu digo. Músicas de antes do Gary falecer. E quer saber? Algum dia vamos gravar essas músicas e lançá-las para os fãs. Mas a última performance do Gary conosco foi em um show que está em DVD e passou na TV, chamado Live from the Ryman. Foi uma apresentação no Ryman Auditorium, o famoso auditório de música country aqui na América, em Nashville. Foi uma noite incrível. Estou tão feliz que ele conseguiu participar. A saúde dele estava bem debilitada naquela época. E para ele sair e conseguir tocar, foi uma noite maravilhosa para nós.

Embora o foco recente tenha sido em material histórico, existe algum esboço, riff ou ideia que você e o Rickey discutiram para material original futuro? Ou o foco é estritamente celebrar o catálogo existente?

Johnny: Bem, nós sempre vamos celebrar as coisas antigas, sabe, isso é algo que começamos em 1987 e vamos continuar fazendo. Vamos continuar tocando Sweet Home AlabamaFree Bird e todas aquelas músicas excelentes. E, novamente, veremos o que acontece no futuro.

Sempre digo que sou muito espiritualizado. Digo que tudo está nas mãos de Deus, então veremos para onde ele nos guia. Mas sei que ele está nos guiando para o Brasil e estaremos lá muito, muito em breve.

Autor: Blog n’ Roll

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