Eduardo Moscovis ganha Prêmio Shell e celebra
Por Cristina Camargo/Folhapress em 19/03/2026 às 09:02
Eduardo Moscovis, 57, ganhou na noite desta quarta-feira (18) o Prêmio Shell de Teatro pela atuação em “O Motociclista no Globo da Morte“, um monólogo com texto de Leonardo Netto. Foi a primeira premiação teatral do ator em 37 anos de carreira.
“Tô muito amarradão”, disse no palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, onde foi realizada a cerimônia de premiação. “É muito importante ganhar um prêmio como esse. O teatro norteia a minha vida. Estar em cartaz faz com que eu acorde já pensando em estar no palco”.
O espetáculo, dirigido por Rodrigo Portella, está em cartaz no Teatro Vivo, na capital paulista, após temporada lotada no Rio. Moscovis interpreta o matemático Antônio, cuja vida é transformada após ele testemunhar um ato extremamente cruel.
A 36ª edição do Shell premiou também outra peça dirigida por Portella, “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”, do Grupo Galpão. O diretor, um dos grandes nomes do teatro contemporâneo, prepara uma nova versão de “Fim de Partida”, de Samuel Beckett, estrelada por Marco Nanini.
Ao agradecer, ele disse que ser diretor é “brincar de Deus” e ao mesmo tempo exercer uma função teatral solitária. Portella contou que a mãe sempre pergunta o que ele “faz de verdade”, pois não vê o filho nos palcos. O premiado dedicou a homenagem ao Grupo Galpão, especialmente à atriz Teuda Bara, fundadora da companhia, morta aos 84 anos no final de 2025.
Outros destaques da noite foram as peças “Lady Tempestade”, solo de Andrea Beltrão, com a premiação da dramaturga Silvia Gomez, pelo júri de São Paulo, e “Vinte”, com dramaturgia assinada por Maurício Lima e Tainah Longras, pelo júri do Rio.
Espetáculo da Cia Única de Teatro, de Feira de Santana (BA), “Akoko Lati Wa Ni Tempo de Ser” venceu na categoria destaque nacional, que reconhece produções fora do eixo Rio-São Paulo. Na montagem, três jovens negros preparam uma peça de formatura enquanto questionam como farão para envelhecer em uma sociedade estruturalmente racista.
A cerimônia foi apresentada por Débora Falabella, vencedora como melhor atriz no ano passado, e Silvero Pereira. Foram mais de 70 profissionais e coletivos indicados, distribuídos em 40 espetáculos.
Homenageada da noite, a atriz e cantora Zezé Motta, 81, lembrou a carreira de seis décadas no teatro, desde a estreia profissional em “Roda Viva”, de Chico Buarque, no final da década de 1960.
“Com Roda Viva eu apanhei da censura, levei porrada do Comando de Caça aos Comunistas, fomos xingados, humilhados, mas resistimos”, disse, bastante emocionada. Ela lembrou também da turnê nos Estados Unidos, com a peça “Arena Conta Zumbi”, de Augusto Boal, quando aprendeu a enfrentar o racismo ao ver os negros americanos de cabeça erguida.
A artista dedicou a homenagem a Maria Clara Machado, fundadora do Tablado, no Rio, à atriz Marília Pêra, a Boal e a Zé Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina.
CONHEÇA TODOS OS PREMIADOS
Vencedores pelo júri de São Paulo:
- Dramaturgia
Silvia Gomez “Lady Tempestade”
- Direção
Rodrigo Portella “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”
- Ator
Renato Livera “Deserto”
- Atriz
Sirlea Aleixo “Furacão”
- Cenário
Luh Maza “Carne Viva”
- Figurino
Eder Lopes “Pai Contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo?”
- Iluminação
Wagner Antônio e Dimitri Luppi “Filoctetes em Lemnos”
- Música
Clara Potiguara “Tybyra Uma Tragédia Indígena Brasileira”
Energia que Vem da Gente
Leda Maria Martins pesquisa e orientação artística
Vencedores pelo júri do Rio de Janeiro:
- Dramaturgia
Mauricio Lima e Tainah Longras “Vinte”
- Direção
Camila Bauer “Instinto”
- Ator
Eduardo Moscovis “O Motociclista no Globo da Morte”
- Atriz
Larissa Luz “Torto Arado O Musical”
- Cenário
Cachalote Mattos “À Vinha d’Alhos”
- Figurino
Ananda Almeida e Raphael Elias “Negra Palavra – Poesia do Samba”
- Iluminação
Marina Arthuzzi “Velocidade”
- Música
Muato “Vinte”
Energia que Vem da Gente
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