07/01/2026

Com inovação tímida, 'Metroid Prime 4' faz pouco além da nostalgia

Por Tiago Ribas/Folhapress em 07/01/2026 às 19:30

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O jogo “Metroid Prime 4: Beyond”, para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, aposta forte na nostalgia. Decisão compreensível tendo em vista a espera de cerca de 18 anos por um novo lançamento da série de games de tiro em primeira pessoa protagonizada pela heroína Samus Aran. As boas lembranças, porém, logo se esvaem quando o jogador percebe que as novas ideias que o título apresenta são, nos melhores casos, irrelevantes e, nos piores, entediantes.

Nada exemplifica isso melhor do que a introdução da moto Vi-O-La. A novidade poderia dar nova dimensão à exploração e ao combate, mas acaba se perdendo em uma série de decisões ruins. A começar pela escolha de ter um deserto como hub central do jogo.

A área, chamada de Sol Valley, é explorada em sua maior parte de moto. No entanto, por quase não conter obstáculos -exceto por algumas pedras aqui e acolá- e inimigos esparsos, as viagens são quase sempre entediantes. O número de vezes que o jogador vai se surpreender com alguma estrutura diferente que mereça ser explorada pode ser contado nos dedos.

E pior. Já na porção final da história, o jogador é obrigado a explorar a área mais monótona de todo o jogo em busca de itens com benefícios irrisórios, que funcionam apenas para estender a aventura de forma artificial -mesmo com isso, é possível chegar aos créditos facilmente em menos de 15 horas.

O combate no veículo também fica aquém das expectativas. Com a ajuda de uma mira automática e a capacidade de atingir vários inimigos em um único disparo, as batalhas se tornam quase protocolares. Mesmo contra chefões, as disputas sobre duas rodas são mais um exercício de paciência do que de habilidade.

Não quer dizer que tudo seja ruim. Dentro dos cinco grandes “dungeons” o game encontra seu ritmo. Nesses momentos, brilham elementos que fizeram da série um sucesso. São os casos dos mapas labirínticos, que obrigam o jogador a retornar para áreas já exploradas após destravar novos poderes, e dos chefões, que funcionam como grandes quebra-cabeças.

Infelizmente, essa experiência é constantemente interrompida pelo próprio jogo com dicas incessantes sobre para onde ir ou o que fazer. É compreensível a tentativa de deixar o game mais acessível -especialmente em uma série conhecida pela dificuldade de seus jogos-, no entanto, a intromissão dos personagens secundários cobra um alto preço para quem quer desvendar os mistérios do planeta Viewros por conta própria.

O constante direcionamento do jogador ajuda a fazer de “Metroid Prime 4” um dos títulos mais lineares da série. Ainda que existam incentivos para voltar a áreas já visitadas e a possibilidade de jogar “dungeons” em ordens diferentes, é muito raro se perder no jogo -como costuma acontecer na franquia.

O enredo também é bastante previsível e não gera interesse suficiente para motivar o jogador a ler as centenas de registros que ajudam a montar o universo de “Metroid Prime” -feito necessário para completar 100% do jogo e desbloquear um final secreto. Apoiado em tropes conhecidas de fantasia e ficção científica, não há grandes reviravoltas e mesmo as surpresas causam pouco impacto.

Em relação aos controles, a maior novidade é a possibilidade de utilizar o joy-con do Switch 2 como mouse para controlar a mira. A tecnologia até está bem implementada, mas a dificuldade de encontrar uma superfície confortável para jogar desta forma faz com que ela fique em segundo plano.

Ainda que seja capaz de matar a saudade dos fãs, “Metroid Prime 4: Beyond” falha em suas tentativas de inovação e pouco agrega à franquia. Fica a esperança de que não tenhamos que esperar outros 18 anos por um game que eleve a série a um novo patamar.

Metroid Prime 4: Beyond

Avaliação: Bom
Preço: R$ 349 (Switch), R$ 439,90 (Switch 2)
Classificação: 14 anos
Produção: Nintendo
Desenvolvimento: Retro Studios
Consoles: Nintendo Switch e Nintendo Switch 2

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