Mulher morre e tinha sintomas semelhantes aos do coronavírus; Estado e Município falamArquivo pessoal
CORONAVÍRUS - Cleide Renata Marques, de 43 anos, morreu na madrugada de ontem e possuía sintomas semelhantes ao do coronavírus. Ela, que é moradora de São Vicente, estava internada desde o dia 16 na UTI do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, diagnosticada com um quadro de pneumonia, mas fez testes para COVID-19 e H1N1, enviados para o Instituto Adolfo Luz e com resultados ainda não conhecidos. Cleide havia estado em São Paulo para ajudar familiares.

"Faz exatamente um mês que eu perdi uma tia e ela tinha três filhos pequenos, menores de idade. E minha mãe sempre foi muito família. Ficou duas semanas ajudando meu tio", conta a filha Bruna Marques, que disse ainda ter sido uma parada respiratória, em razão de pneumonia aguda e complicações respiratórias que causou a morte, segundo teria ouvido dos médicos. "Ela chegou em Santos no dia 14, às 21 horas, para uma festa surpresa para o meu aniversário, dizendo que tinha só uma gripe. Ela nem chegou a cantar parabéns para mim. Comeu deitada um pedaço de bolo", relembra, acrescentando que ela tinha febre e falta de ar.

Antes de ficar no Guilherme Álvaro, a auxiliar de enfermagem, que estava grávida, havia passado pela maternidade do Hospital São José e transferida de imediato para o Hospital Municipal de São Vicente, onde ficou quatro horas em atendimento, sendo medicada e liberada, inclusive, com o acesso venoso no braço, de acordo com Bruna. "Não tinha máscara, álcool gel nem médicos, mas havia uma aglomeração de pessoas que ninguém sabia o que cada um tinha. Minha mãe não estava bem", emendou a moça, sobre o Hospital de São Vicente.

Já no Guilherme Álvaro, Bruna lembra que a mãe estava muito emotiva e só conseguia ter contato pelo vidro que separavam as duas do lado de dentro e de fora da UTI. "Na quinta-feira, entubaram e sedaram minha mãe. Ficou até sábado. No sábado, último dia que tivemos comunicação com o médico, ele disse que tentaria tirar a sedação na segunda-feira (hoje). A pneumonia estava muito forte. Mesmo sedada, ela buscava a respiração. Ela já tinha perdido o bebê. E veio a parada respiratória de sábado para domingo, quando ela morreu".

Traumatizada e aguardando por respostas, a família aguarda em isolamento residencial o resultado do teste vindo do Instituto Adolfo Lutz. "

Estado e Município
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado informou que o Hospital Guilherme Álvaro mantém 22 leitos para assistir casos de COVID-19, incluindo 10 de UTI. Todo e qualquer paciente que dá entrada na unidade é assistido do ponto de vista clínico, independentemente do diagnóstico. A paciente citada pela reportagem tinha outras comorbidades e foi colhida amostra para análise laboratorial, visando confirmação ou descarte para o novo coronavírus.

Cabe esclarecer que a investigação epidemiológica de casos suspeitos da doença, bem como orientações e condutas para eventuais contatantes, é responsabilidade do município de residência do paciente.

Já a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), informa que a paciente citada, em nenhum momento, recebeu alta hospitalar. Ela deu entrada no Hospital Municipal às 15h10, encaminhada da Maternidade de São Vicente por meio do SAMU. A mulher apresentava bronco espasmo e foi medicada, além de passar por exames laboratoriais na Emergência. Após melhora clínica, ela foi orientada a aguardar na Sala de Espera dos consultórios pelo resultado dos exames, para dar andamento no atendimento médico.

Em momento nenhum, a paciente recebeu alta hospitalar. Ela deveria ter aguardado o resultado dos exames, conforme orientação. Por isso, ainda estava com o acesso venoso, o que comprova que não estava de alta. A paciente se evadiu com a ficha de atendimento.

Quanto ao teste do coronavírus, ele segue o protocolo do Governo do Estado de São Paulo. Nessa época, eram aceitos somente testes de pessoas que vieram de outros países ou tiveram contato com casos suspeitos, o que não era o caso desta paciente.
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