Trabalho no Porto de Santos impede que alimentos cheguem com problemas ao consumidorDivulgação Vigiagro
PORTO - Imagine encontrar pragas e doenças das mais diversas em frutas e peixes. E ainda se tratar de algo que não se conheça no Brasil, por se tratar de produtos vindos do exterior. Nada disso foi colocado na mesa do consumidor em função do trabalho da Vigilância do Trânsito Agropecuário Internacional (Vigiagro) no Porto de Santos, órgão ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Para se ter uma ideia, em 2019 foram encontradas 2100 toneladas em aproximadamente 75 partidas com algum tipo de problema, das quais 30 se relacionavam a questões específicas de pragas e doenças exóticas.

"Entendemos que o número demonstra que é preciso alerta constante às cargas que chegam ao Brasil, pelos mais diversos motivos: evitar a entrada de pragas e doenças que afetem nossa produção, garantias dos insumos da produção nacional e garantia da identidade e qualidade dos produtos que chegam ao consumidor", afirma André Minoru Okubo, auditor fiscal federal agropecuário, engenheiro agrônomo e chefe do Serviço de Vigilância Agropecuária no Porto de Santos. "Não vamos fazer comparativo com outro ano, pois haviam algumas diferenças metodológicas", emenda.

Além de prevenir a introdução de pragas e doenças em território nacional, a Vigiagro garante os insumos que abastecem a produção nacional (sementes, fertilizantes, agroquímicos, alimentos para animais, medicamentos veterinários e outros), certificar os produtos agropecuários e garantir o acesso ao mercado internacional e garantir a identidade dos produtos que vão para quem os consome.

"A gama de controles da Vigiagro é extensa e muitos desses controles são feitos de formas particulares, mas no geral a maior parte passa por uma análise risco. Existem grandes programas de monitoramento. Eu citaria o PACPOA (Programa de Avaliação de Conformidade de Produtos de origem animal) em que se monitora a qualidade de alguns produtos de origem forma amostral (queijos, embutidos, pescados e outros). Eventuais não conformidades verificadas colocam determinado fabricante estrangeiro em Regime de Alerta, aumentando para 100% de análises laboratoriais durante um período. Se após este período não forem localizados problemas, ele volta para os procedimentos normais. Outro grande Programa é o PNCRC (Programa Nacional de resíduos e Contaminantes) em que se verifica a conformidade de produtos vegetais tanto importados quanto os nacionais, verificando-se por exemplo a presença de agrotóxicos não autorizados ou acima do limite tolerado", explica André.

O chefe da Vigilância Agropecuária no Porto de Santos também conta que o tempo para conclusão das análises é variável, levando em conta a complexidade. "Boa parte delas são feitas por Agentes e Auditores localmente, nas estruturas existentes dentro dos próprios recintos alfandegados de Santos. As outras que demandam resultados laboratoriais são enviados para os LFDAs (Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária) ou para a rede privada credenciada. As análises variam de acordo com a complexidade, mas no geral levam em torno de uma semana".