Após abortos e perda de filha recém-nascida, jornalista supera traumas e realiza sonho de ser mãe


136 dias atrás
Por: Rodrigo Martins/#Santaportal - Em 13/05/2018 às 11:25 - alterado em 15/05/2018 às 00:52
Após abortos e perda de filha recém-nascida, jornalista supera traumas e realiza sonho de ser mãe Reprodução/Arquivo Pessoal

DIA DAS MÃES - No Dia das Mães, o #Santaportal traz uma história de superação. A jornalista Anne Campos De Luca passou por diversas provações em seu caminho para realizar o sonho de ser mãe. Foram dois abortos e a perda de uma filha ainda recém-nascida, antes do nascimento de Davi, de 3 anos, e Ester, de 2.

Nesta entrevista, Anne conta como a fé foi o que a sustentou durante os momentos mais difíceis. “Na verdade, eu nunca me liguei muito no Dia das Mães, porque a minha família sempre foi muito unida, sem precisar de nada. E achava que datas assim não deveriam ser tão celebradas, pois sempre acabava pensando nas pessoas que não tinham mãe viva, ou presente. Mas esses dias li uma frase de um amigo que falava que a data não deveria ser motivo de mais uma tristeza, e que as mães eram eternas. Hoje com as crianças, aproveito o dia para refletir e agradecer muito por algo que parecia estar tão distante. Nunca pensei em desistir. A minha fé sempre foi maior do que qualquer dúvida”, disse.

Mas, antes da chegada de seus dois filhos, a jornalista de Santos, que em razão de seu trabalho mora na capital paulista, passou por diversas provações. “Foram dois abortos e na minha terceira gestação descobri que era portador de um tipo de Trombofilia (Fator V Leiden), que poderia ser a causa dos dois abortos”, relembrou.

A terceira gravidez que a jornalista se refere é a de Alice. A pequena nasceu com uma cardiopatia chamada Tetralogia de Fallot. Anne se recorda que o diagnóstico trouxe ainda mais preocupação a ela, após dois abortos sofridos ainda no começo das gestações.

“Durante um ecocardiograma fetal descobri quase aos sete meses de gravidez que a Alice tinha essa cardiopatia e que se não tivesse alteração no cariótipo, ela teria um bom prognóstico. Após exames para saber se o cariótipo era normal, descobrimos que ela tinha triploidia. Esse era o pior diagnóstico possível, pois não havia perspectiva nenhuma de vida fora do útero. Um bebê assim chegar vivo até o fim da gestação é muito raro”, afirmou.

Desesperada com a possibilidade de perder a filha, a jornalista passou por momentos difíceis nos dias que antecederam o parto. Quando Alice nasceu, a luta pela vida de sua filha ganhou contornos ainda mais dramáticos. “A Alice nasceu com 37 semanas e faleceu após dois dias do nascimento. Foi muito difícil, não tem como explicar. A dor e o amor que sinto por ela serão eternas”, declarou.

Com a dor por mais uma perda, Anne Campos poderia ter pensado em desistir, para evitar ainda mais sofrimento. Essa ideia poderia passar pela cabeça de diversas mulheres, porém não foi o caso dela.

Determinada, a jornalista não abandonou os planos de ser mãe. “Depois (da morte de Alice), eu fui aos melhores especialistas em mapeamento genético, infectologista e hematologista atrás de respostas. E a única explicação para as perdas era o que a minha obstetra já havia descoberto, pois o restante estava completamente normal. A alteração cromossômica na Alice foi uma fatalidade”, detalhou.

Pouco tempo depois, Anne estava grávida de Davi. Cerca de um ano e meio depois veio Ester. “Não precisei de tratamento nenhum, engravidei naturalmente do Davi e tive uma gestação saudável apenas com o uso de anticoagulantes injetáveis diariamente. Quando ainda amamentava o Davi, eu engravidei novamente. Desta vez, era a Ester a caminho. Não tive nem tempo de pensar em tudo, às vezes parece que foi um sonho”, explicou.

Segundo a jornalista, todos esses acontecimentos lhe deixaram ainda mais forte e preparada para o desafio de ser mãe. “Os dois tem apenas 1 ano e 5 meses de diferença. A sucessão de acontecimentos não deixou que eu prolongasse o sofrimento, mas hoje eu vejo que valorizo mais a minha família, tenho mais empatia pelas pessoas, e sempre que posso divido as minhas experiências. Sempre descubro alguma novidade, alguém que me procura para contar que conseguiu engravidar, outras que já tiveram bebê. Enfim, nada foi em vão”, comentou.

Anne ressalta a importância das mulheres que têm dificuldade em engravidar ou que passaram por alguma perda semelhante à dela se informarem a respeito e procurarem ajuda. “Gostaria que todas as mulheres que tem esse sonho, não desistam. Pesquisem, busquem ajuda, abram a mente e não sofram caladas. E acima de tudo, se fortaleçam, tenham fé! Em breve, vocês estarão aqui para contar uma história bem parecida com a minha”, disse.

Por fim, ela admite que a maternidade mudou a sua forma de ver o mundo. “Após o nascimento dos meus filhos - os três - eu sou mais forte, tenho uma fé inabalável, pois provei de um amor inesgotável. Sei que amor de mãe não divide, só multiplica”, concluiu.

Pois é, a trajetória de Anne Campos nos mostra que vale a pena lutar pelos seus sonhos e, como diz o ditado: coração de mãe nunca se engana!