Peres quer time "comprometido", faxina na base, reforma administrativa e Pelé no Comitê Gestor


11 dias atrás
Por: Rodrigo Martins/#Santaportal - Em 05/12/2017 às 20:39
Peres quer time "comprometido", faxina na base, reforma administrativa e Pelé no Comitê Gestor Rodrigo Martins/#Santaportal

FUTEBOL - As eleições do Santos Futebol Clube estão marcadas para o próximo sábado (9). A Santa Cecília TV e o #Santaportal vão acompanhar toda a votação, na Vila Belmiro, de perto. Mas, antes disso, o #Santaportal traz para você uma série de entrevistas com os candidatos à presidência do Clube. O primeiro entrevistado, seguindo a ordem de inscrição das chapas ao pleito, é José Carlos Peres, da “Somos Todos Santos”.

Nesta entrevista exclusiva, Peres abordou os principais pontos e falou sobre os desafios que o candidato que for eleito o novo mandatário terá a frente do Peixe. Confira o que disse o candidato da chapa 1 na entrevista abaixo.

#Santaportal: O candidato que assumir o Santos após as eleições do dia 9 terá que contornar o fato de o pleito ser realizado após o final do Campeonato Brasileiro e correr com o planejamento para a próxima temporada. Caso eleito, como o senhor pretende tratar o planejamento para 2018, tendo em vista que a maior parte dos clubes já estão no mercado contratando?
José Carlos Peres: A minha proposta ao Conselho Deliberativo, de mudanças para o estatuto, pedi uma mudança na dinâmica para a eleição: trazer a eleição para outubro e a gente fazer o pleito com posse imediata. O correto é isso. Você teria um tempo melhor para trabalhar, com contas a curto prazo a serem pagar, e também para o Santos poder fazer um planejamento, coisa que o Clube nunca teve e está na hora de começar a se preocupar com isso. Além disso, temos a questão do inchaço da máquina administrativa e financeira. Não dá para resolver isso tudo, o tempo é curto. O que acontece é que dá para contornar, porque o brasileiro dá um jeito em tudo. Sou contrário à eleição em dezembro, sempre fui. Mas, seja como for, já estamos trabalhando. Porém, não podemos esquecer que, com essa cara, com essas denúncias todas, se a eleição não acontecer neste sábado, quando ela vai acontecer? As más administrações do Santos se sucedem, mas ninguém cria juízo. Se eleito for pretendo pedir a redução do meu mandato para o mês de outubro, com posse imediata para quem for eleito.

Com relação ao planejamento, qual será o perfil dos reforços da sua administração, caso seja eleito?
Peres: No departamento de futebol, a gente começa pelo princípio de ter um diretor executivo que fale com o jogador, que conheça o mercado e mostre a cara dele, bem diferente do atual (se refere ao superintendente de esportes, Dagoberto Fernando dos Santos). A gente necessita ter um diretor executivo habilitado para cuidar de todas as áreas esportivas, com o gerente de futebol e o gerente da base abaixo dele. O diretor vai pensar em tudo isso. Conversamos com dois nomes e um deles tem uma grande possibilidade de assumir o Clube. Vou ser o presidente, mas não sou a melhor cabeça em todas as áreas. Eu vou ter a melhor cabeça em cada área. Não vou querer centralizar o poder para mim em todas as áreas, como acontece atualmente. Todos terão a sua capacidade técnica, em seus departamentos. O perfil de jogadores é diverso. Pode ser um jogador novo, médio ou até com uma certa idade, mas tem que vir conhecendo o que é o Santos, sabendo qual camisa ele vai vestir. Muitos vêm e não sabem qual é o clube que eles vão defender. Então, o jogador que vier vai ter que conhecer o Clube, ter uma imersão de Santos Futebol Clube. Primeiro dia: imersão. Segundo dia: imersão. A questão é mostrar quem é o Santos, para ele entender qual camisa ele está vestindo. Vamos trazer ele também para entender qual é o nosso projeto, para ele abraçar a nossa ideia também. Tem que ser esse o perfil, não ser como a equipe atual, que no jogo contra o Avaí eles estavam tropeçando neles mesmos, loucos para acabar o jogo e irem para as suas casas, mesmo sabendo que ficariam em quarto lugar. Aliás, só foram para o terceiro lugar graças ao Atlético-MG, que virou para cima do Grêmio. Se não, nem isso eles conseguiriam, se dependesse do comprometimento dos jogadores. O Santos tem bons jogadores, mas eles precisam ser comprometidos com a instituição. O perfil que eu vejo é: o atleta precisa primeiro ser escolhido por quem conhece, por um bom diretor técnico. E o segundo aspecto é que esse jogador pense exclusivamente no Santos.

Dentro desse perfil, o torcedor santista pode esperar grandes contratações, caso o senhor seja eleito? O Robinho seria um dos alvos?
Peres: O Santos tem vários desafios pela frente, muitas ações, não tem como dizer que isso ou aquilo é prioridade absoluta. O futebol tem que ser priorizado, o departamento administrativo-financeiro também precisa ser priorizado, porque é um absurdo. Temos que enxugar despesas, além de uma série de providências a serem tomadas. Eu enxergo, uma questão que é muito importante, que é essa questão da priorização do futebol. Isso sempre será a prioridade. Trazer um ídolo é um sonho, pode ser qualquer um que seja. Mas para trazer o Robinho, o Diego, o Neymar, ou quem quer que seja, nós precisamos saber se temos essa possibilidade (financeira) e saber se esse diretor técnico acha uma boa ou não. Esse diretor será um cara que tem vivência em mercado, que tem histórico, e não é essa mesmice de Rodrigo Caetano (do Flamengo) e Alexandre Mattos (Palmeiras), não. Não é nada disso. É quem trabalha realmente e tem resultados na sua carreira, que venha para somar, dentro do nosso projeto. Não será contratado um profissional com salários absurdos, mas ele saberá que o salário pelo qual ele for contratado ele vai receber, e vai fazer jus a esse salário.

Ainda dentro do tema departamento de futebol do Santos, caso o senhor seja eleito, qual será o perfil do novo técnico?
Peres: Tem que ser um profissional que consiga dirigir o Clube não como um “paizão”, mas como um profissional de verdade. O Santos precisa ter comando. Isso ficou provado nessa reta final, que o Santos não tem comando, que hoje é a “casa da Maria Joana”, as “igrejinhas”, enfim, tudo aquilo que não pode ter. Vejo um perfil de treinador que pode ser jovem, mesclado com a experiência, mas que seja a cara do Clube, que tenha o DNA do Clube e isso a gente quer recuperar. O DNA ofensivo, que a torcida cobra, e eu também cobro, nós vamos começar desde a base. A base vai sofrer uma reformulação total, completa, absurdamente completa. A gente vai passar a vassoura e tem que ser assim. É a “coroa do Rei” e será tratada como tal. Então, a questão ofensiva tem que começar da base, porque sempre foi a base que salvou o Santos. Sempre que o Santos está apertado de dinheiro, recorre a base, vem jogador da base, equilibra as contas e depois vende. Não queremos ser vendedores. Nós queremos ter um jogador da base que suba para o profissional, aguente alguns bons anos jogando com a camisa do Clube e será vendido no momento certo. Mas voltando a sua pergunta, o perfil de técnico é esse: um profissional que tenha comando, acima de tudo.

Por falar em categorias de base, quais são os seus planos para o departamento de base do Clube, caso seja eleito?
Peres: Em primeiro lugar: mudar o conceito. Hoje temos conceitos errados na base. Alguns clubes da capital e de outros lugares já estão mudando esse conceito aos poucos. Hoje, nós temos muitos técnicos da base que colocam uns meninos grandes, uns trogloditas para jogar na defesa, para ser campeão. “Ah esse técnico é bom, ele foi campeão”. Na minha visão isso é errado. Técnico de base bom não é aquele que é campeão, é aquele que revela. Primeiro tem que mudar essa cultura. O bom trabalho gera frutos, e esses frutos têm que gerar as revelações do clube. Depois, até ser campeão, que é o ideal: revelar e ganhar títulos. Mas o exigido é que se faça esse trabalho de revelação de jogador e comece desde a base a implantar uma nova cultura, com o DNA santista, e todo esse tipo de coisas que têm de se fazer. A base do Clube, eu diria, precisa antes de tudo ter as pessoas certas no lugar certo. Ou seja, técnicos bons, no lugar certo. Treinadores comprometidos com o Santos e não técnicos por indicação. Atualmente, nós temos técnicos que foram indicados por não sei quem. Isso vai acabar no Clube. Comissão técnica fixa vai acabar, vai ser comissão fixa indicada. Isso tem que acabar. É um choque de gestão, e o choque não é só na despesa, é na qualificação, no comprometimento, no trabalho, nos objetivos e na cultura, que é o mais importante de tudo. O futebol precisa mudar a partir da base, do Brasil inteiro. Mas como nós também vamos trazer jogadores de fora, é ver se esse jogador de fora também consegue se adaptar a realidade do Santos Futebol Clube.

Ainda falando de categorias de base, o senhor aprova a criação do time B do Santos? Acredita que o trabalho com uma equipe B é importante para o Clube?
Peres: O Santos B deve ser mantido até porque ele é o aspirante. Na verdade, o time B, ou como queiram dizer que é o sub-23, ele é o aspirante. O que não pode ter é goleiro de 35 anos. O que não pode ter é você usar jogador mais velho como o Marquinhos, que deveria estar no profissional. Nada contra esses atletas que eu citei, pelo amor de Deus, eles são profissionais. Alguém contratou e colocou-os lá. Mas a base, o sub-23, não pode ser “ninho de empresários”. O sub-23 deveria ser ninho da base e não de empresários. Então, sou a favor do sub-23. Mas vamos fazer uma análise de todos os contratos, vamos analisar do sub-11 até o máximo, se é federado ou não, etc. Vamos fazer um trabalho bem apurado nesse sentido. E no Santos B, vamos acabar com esse negócio de ser time de empresário, esse time tem que ser nosso. Se a gente tiver que buscar um jogador de 20 anos que esteja fazendo sucesso, nós temos que ter alguém com essa capacitação técnica para buscar o jogador. O cara foi lá, viu oito jogos e realmente achou que ele joga. O jogador pode mentir em um jogo, dois jogos. Aliás, dirigente é louco por isso. Por isso empresário nada de braçada, justamente por causa disso. Falta critério nas contratações. Você foi assistir oito partidas, o cara é bom? Faz um relatório e recomenda a contratação. Aí a gente traz ele, ele vem, como contratado do Santos e não como um atleta colocado por empresário. Aliás, tem jogador do sub-23 do Santos que foi embora do clube sem ter estreado. O Santos fez um contrato, o cara nem jogou aqui e já foi para a Europa ou outros lugares do exterior. Então é tudo que não está no manual da boa gestão.

Caso seja eleito, como o senhor pretende trabalhar a área do marketing?
Peres: A área do marketing sofrerá um choque de gestão e de princípios também. Primeiro: não dá para você ter marketing em Santos. Marketing e uma área comercial nós vamos criar em São Paulo e vai trabalhar em uma unidade de negócios, não na sub-sede. O marketing do Santos tem que respirar negócios 24 horas. Não pode pegar um interessado em patrocinar o Clube ou ser parceiro e fazê-lo descer a serra. Chega aqui, um está almoçando, volta às 15h. O outro volta às 17h. Não dá mais isso. Tem que ter disciplina. Uma área de unidade de negócios, embalando e empacotando o produto, e o comercial vendendo. É assim que funciona em qualquer Clube do mundo. A gente quer mudar isso no Santos. Vamos ter um pessoal de retaguarda, um ou dois aqui para trabalhar, que vão atender a região. Queremos ampliar os nossos negócios em São Paulo. Hoje, em São Paulo, já existem unidades de negócios do Internacional-RS, do Grêmio, do Flamengo, do Fluminense e de vários outros Clubes, mas não tem do Santos. O Santos, mais do que uma sub-sede, ele tem que ter uma unidade de negócios em São Paulo, que é o que vai trazer receita, receita e receita. Defendemos que (o marketing) esteja em São Paulo, com uma unidade de marketing de negócios, estruturada, de acordo com o princípio básico do que é o marketing, e não o que é hoje. Ou o cara vem fazer o patrocínio ou ele não entra para conversar conosco.

Na gestão Modesto Roma Júnior, o Santos fechou um acordo com a Esporte Interativo, para a transmissão de seus jogos na TV fechada. O senhor acredita que foi um bom acordo para o Clube ou pretende rever essa questão? O torcedor santista reclama bastante da exposição da equipe na TV aberta e, atualmente, o Clube negocia um novo contrato com a Rede Globo no que diz respeito às transmissões no sinal aberto. O tratamento que o Santos recebe é justo?
Peres: Vamos negociar com a Globo, sim. Mas ela vai ter que respeitar a nossa marca, o nosso Clube. Se ela respeitar a nossa marca e o nosso clube, nós não vamos ter nenhum problema, vai ser uma maravilha. Nós queremos entrar na grade direta também, não quero ficar fora da grade também. Acontece que a gestão atual e a anterior também não foram tão boas nesse sentido. Eles brigaram com a Globo. E não é brigar, você tem que negociar. Um exemplo é o São Paulo, que estava com o Santos na questão do Esporte Interativo, e em um determinado momento, a Globo chamou o Santos e o São Paulo para conversar, cobrindo a proposta do Esporte Interativo. O que aconteceu? O São Paulo falou que iria assinar com a Globo na TV fechada, mas que queria alguns privilégios na TV aberta. O que houve? Na transmissão direta, você pode ver que o São Paulo entrou nove vezes na TV aberta nesse segundo turno do Brasileirão. Se você parar pra pensar, isso é metade do returno, é um absurdo. O São Paulo apareceu em todas as transmissões esportivas, mesmo estando muito abaixo do Santos na tabela e lutando contra o descenso. Mesmo brigando para não cair, eles apareceram mais que o Santos, que sumiu da mídia. Apagaram o Santos do mapa. Por quê? Porque foi feita uma negociação desastrada, com uma novidade que é o Esporte Interativo, que nem canal de televisão tem, pois eles alugam horários. Então, esse foi um grande erro, que foi feito porque entrou 40 milhões e o cara (presidente Modesto Roma Júnior) ficou louco e esqueceu de fazer uma boa negociação. O São Paulo pegou R$ 90 milhões para a TV fechada da Globo e, além do que, conseguiu entrar ainda mais na grade da TV aberta. Eles entraram nove vezes no returno e a gente nenhuma. Só entramos quando jogamos com o adversário que interessava para a Globo - no caso, o clássico com o Corinthians, disputado na Vila Belmiro. Eu preciso ler o contrato, pois tudo o que essa gestão fala, não dá para você acreditar. Eles falam uma coisa, mas quando você vai ver é outra. Nós vamos pegar o contrato, entender o contrato, e vamos na Esporte Interativo. Se eles nos pagarem o que nós merecemos, nós iremos cumprir o que foi acordado. Caso contrário, nós vamos discutir o contrato. Não podemos deixar de cumprir. Contrato assinado, é contrato que não pode deixar de ser cumprido. A gente tem que parar com esse negócio de não cumprir contrato. Agora, uma revisão do acordo, tudo é questão de negociar. Até porque, pelo andar da carruagem, pode ser que a Esporte Interativo nem continue no Brasil. A direção da Turner, de Nova York, esteve aqui no Brasil e disse que não alcançaram a meta que eles esperavam. A Esporte Interativo pretendia fechar com 10 clubes da Série A, para equilibrar com a Globo, mas pegou um só: o Santos. Agora tem outro, que é o Internacional-RS, que está subindo de volta para a primeira divisão. Ele e mais oito da Série B. Pelo amor de Deus, o Santos foi o único clube da Série A que ficou lá! O Palmeiras fez que ia, mas não foi. O São Paulo caiu fora, depois fez um baita negócio.

Outra questão importante é a presença de público na Vila e o mando de jogos do Santos no Pacaembu? Caso eleito, o senhor pretende tratar como essas questões? Como atrair de novo o torcedor santista ao estádio? Na sua opinião, o arrendamento do Pacaembu é uma hipótese viável?
Peres: Eu acho que está faltando muita coisa, mas temos que ficar atentos a uma coisa: o torcedor não tem hospitalidade nenhuma na Vila e não tem hospitalidade nenhuma no Pacaembu. São dois estádios com problemas. E outra, são problemas que se repetem e outros que aparecem. Para trazer o torcedor na Vila, você tem que dar uma arrumada na Vila. Não temos dinheiro para fazer um estádio, uma Arena só vai ser feita se tiver investidor. Então, precisamos tentar fazer uma forma de criar uma hospitalidade para o torcedor, para que ele consiga comparecer nos jogos. Fazer com que ele tenha um banheiro limpo, que ele tenha a sua cadeira reservada e que ele tenha uma lanchonete decente para comer. Nem o Pacaembu e nem a Vila Belmiro possuem uma lanchonete decente. Você precisa ter uma lanchonete de fato, com uma marca lá dentro. Um lugar que você leve a sua família, a criança peça um lanche e você tenha isso. O problema do público nos jogos do Santos começa por aí. A hospitalidade é ruim e a gente tem que melhorar esse ponto. Se o preço estiver ruim para o torcedor, a gente vai diminuir. Qual é o problema? Nós precisamos de estádio lotado. O dinheiro é importante, isso é óbvio, mas eu não posso jogar para 7 mil pagantes e o São Paulo para 23 mil. O São Paulo jogou três partidas no Pacaembu e levou 120 mil pessoas ao estádio, mas abaixou o preço. Quando você vai lá e vê o ranking dos públicos, o São Paulo está lá em cima e a gente lá embaixo. Estamos em penúltimo, antepenúltimo, e isso porque jogamos algumas vezes no Pacaembu. O que estamos propondo? Para melhorar esse quadro, 50% dos jogos na Vila Belmiro e os outros 50% no Pacaembu. De forma justa, estamos estudando os critérios que serão adotados. Dependemos da Federação Paulista e da CBF. Quando você fala para a Federação, falando que quer metade dos jogos lá e metade aqui, o critério de escolha é dela. Depois nós vamos discutir se o critério dela está certo. Vamos batalhar para ser algo bem equilibrado, com um clássico aqui e outro clássico lá, por exemplo. Agora, nós precisamos ter um time forte e vencedor, que tenha atrações. Aí você pode jogar sexta, sábado, domingo ou segunda-feira que vai lotar sempre. O importante é que metade seja lá e metade aqui. Estamos caminhando pelas ruas e o importante é que os sócios aqui de Santos estão entendendo a nossa ideia, isso que é legal. Eles estão entendendo que o Santos precisa buscar dinheiro. Da mesma forma que na (Rodovia) Imigrantes de manhã, sobem aí 10 mil carros que vão trabalhar em São Paulo. Quantas mil pessoas trabalham em São Paulo que são de Santos e não deixaram de ser santistas por causa disso? O dinheiro que elas ganham, gastam aqui. A mesma coisa vai acontecer com o Santos, que vai lá ganhar R$ 1 milhão ou R$ 2 milhões de arrecadação e vai trazer esse dinheiro para Santos. Esse dinheiro vai ser gasto na Cidade. É isso que precisa ser bem colocado para o torcedor, que precisa haver um equilíbrio. Obviamente que não é só dividir em 50%. Nós vamos motivar e criar condições para aumentar o público nos jogos aqui na Vila e no Pacaembu também. É isso que a gente pretende fazer. Arrendar o Pacaembu, por três anos, é algo eleitoreiro. Outro dia, o secretário responsável (da Prefeitura de São Paulo) emitiu uma nota explicando isso. Eles estão negociando com quatro empresas, que agora estão conversando e querendo se unir para formar o consórcio. Já está em andamento, fizeram propostas. O que significa isso? Como é que eu posso alugar alguma coisa que está sendo licitada, fala pra mim? Primeiro que isso é fraude. O que eu vou fazer e o secretário já explicou? Vamos jogar até onde dá. Vamos pagar o aluguel e descer a serra. Sou um inquilino lá, por enquanto, até que termine essa licitação. Depois, vamos sentar com as empresas e ver se interessa a bandeira do Santos lá. Eu acho que o Santos é o principal para eles, mas de repente para eles pode não ser também. Você não sabe o que se passa na cabeça deles. Então, o Pacaembu é jogar por aluguel. Se o consórcio que pegar falar que não vai alugar, que não quer o Santos, ótimo. Nós vamos jogar no Morumbi. Ou então vamos jogar no Canindé. Não existe só o Pacaembu, a cidade de São Paulo é grande. Acho até que o Santos deveria participar da licitação e o povo de Santos ter orgulho de ter o Santos aqui, em Santos, e em São Paulo também. Até porque, o Santos é um só. O Santos não pode ser dividido entre Santos, São Paulo e outras praças. O Santos é do Brasil e do mundo, é isso que as pessoas precisam entender. Ele é de Santos, de São Paulo, do Brasil e do mundo.

Como o senhor vê a atual situação financeira do Santos? Caso eleito, quais serão as suas providências no que diz respeito a essa área?
Peres: Como sou do Conselho Deliberativo e os meus parceiros também, nós já estamos vendo mais ou menos como está a situação. Até o terceiro trimestre, nós tínhamos uma dívida de R$ 400 e poucos milhões, e há coisas que eles estão esperando para complementar os três meses. Quando eu digo fechar os três meses, quando eu falo isso, estou falando do Conselho Fiscal. Nós já estamos em dezembro. A hora que chegar tudo isso, será decidido em janeiro ou fevereiro o balanço. Mas ainda que contando com algumas receitas, o Santos vai fechar com uma dívida astronômica. Então, o que precisa ser feito? A primeira coisa é estancar a dívida, fazer estancamento mesmo. Delimitar: “Aqui acabou a festa”. E vamos propor ao Conselho Deliberativo que o presidente que aumentar a dívida pague com o bolso dele. Se a dívida é R$ 300 milhões e ele aumentar para R$ 320 milhões, ele vai pagar os R$ 20 milhões junto com o Comitê Gestor. Isso vai trazer reputação, credibilidade, porque isso agrega a sua marca e o parceiro vê: “Eles estão com boa vontade”. O Santos tem que se aprofundar nesses contratos todos, cortar e enxugar despesas. O Santos tem que ser um clube viável, um time viável, pois hoje o Santos não é. O Santos gasta todo mês mais do que ele ganha. Isso acontece há várias administrações. A regra é que administrações sérias e fortes são aquelas que têm os melhores times. Administrações que não sérias e nem fortes, os times são esses aí: a equipe joga e de repente para de jogar. Aí você pergunta: o que aconteceu? Caiu de produção? Não! É porque não estão recebendo os salários. O jogador tem uma cabeça pequena, com todo o respeito a todos os jogadores do Brasil. Estou dizendo a maior parte, não todos, é claro.

Como o senhor vê o acordo feito recentemente pelo Santos com a Umbro: é bom ou o senhor pretende rever esse contrato?
Peres: A gente sabe pelo mercado. Primeiro que não é válido um contrato assinado no apagar das luzes de uma gestão. Ele enfrentou o estatuto do Clube, mais uma vez. Só que tem uma coisa nesse acordo: a empresa sabe que não é legal o que foi feito. O presidente, que está no apagar das luzes, impedido pelo estatuto de assinar documentos que não aprovados pelo Conselho Deliberativo, assinou algo que não é válido. Primeiro: eu ouço falar do contrato pela televisão, pela mídia, que seria um acordo de R$ 7,5 milhões por três anos. Isso daria R$ 2,5 milhões por cada ano de contrato. O Grêmio, que também tem o seu material fornecido pela Umbro, ganha R$ 18 milhões pelo mesmo período. Ele ganha várias vezes mais do que o Santos. Já tivemos uma proposta encaminhada de R$ 40 milhões por três anos. É isso que eu não entendo. Será que é só incompetência? Não dá para acreditar que é só incompetência. Isso é impressionante. Se já tem empresa querendo fazer negócio com o Santos, como é que você assina agora por R$ 7,5 milhões por três anos? É inadmissível! Mas vamos, caso a nossa chapa vença a eleição, rever esse acordo. Não sou obrigado a cumprir um acordo que foi feito de maneira ilegal. Ele foi feito ilegalmente porque foi feito fora do prazo que rege o estatuto do Clube. Esse acordo não foi apresentado para o Conselho. Eu estou lá em todas as reuniões e esse contrato nunca nos foi mostrado. Tanto que ele marcou essa apresentação para abril, contando que ele ganhe a eleição. Ele já estava contando com isso. Mas é errado, de qualquer maneira. Ele não pode assinar uma coisa importante como essa faltando um mês para as eleições. Se ele vem e fala que tem a proposta, mas não assinou porque tem a eleição, seria mais legítimo. “Olha, veio essa proposta e estou impedido de assinar”. Vamos rever esse contrato, mas se a Umbro cobrir a proposta que a gente tem, sem dúvidas faremos com a Umbro. A Umbro tem até prioridade, preferência nesse caso. Mas não vamos cumprir contrato no qual o Santos é lesado. Falar em R$ 7,5 milhões por três anos, quando o São Paulo ganha R$ 25 milhões por ano, e outros clubes ganham um caminhão de dinheiro, é absurdo. Não é possível que uma das maiores marcas do mundo ainda, como é a nossa, e quando você agrega a do Pelé ela se torna a primeira, você aceitar um tipo de negócio desses. Mas ainda é cedo. A eleição é sábado e eu conto com o voto do eleitor. E se eleito for, na segunda-feira (11) já estaremos debruçados em cima de todas essas questões, para darmos uma resposta prática para o torcedor e o associado do clube.

Maior jogador da história do Santos e do futebol, o Rei Pelé está muito distante do Clube nos últimos anos. Caso seja eleito, o senhor tem algum plano para que o Pelé volte a ter destaque dentro do Santos, fora dos gramados?
Peres: Acho que vai da transparência e credibilidade do Clube. Outro dia eu até liguei para o Pepito (assessor pessoal do Rei), dizendo que ser eleito for, o Pelé terá uma cadeira no Comitê de Gestão. Essa cadeira, com o nome “Pelé”, vai ser eterna para ele. Enquanto o Pelé for vivo, essa cadeira vai ficar reservada para ele. E quando um dia ele se for, pois todos nós um dia iremos, essa cadeira vai continuar lá. Faremos questão disso. Isto porque, o Pelé tem que estar de corpo e alma com o Santos, mas ele tem que ser um de nós. Não dá para contratar o Pelé. O Pelé é uma marca fantástica, não é para entregar pizza como fizeram com ele (quando Pelé era contratado do Clube, em uma ação de marketing). O Pelé é a maior marca do mundo. As duas maiores marcas do mundo hoje são: Coca Cola e Pelé. Pode pegar, a Coca Cola e o Pelé são conhecidos no mundo inteiro. Então, o Pelé a gente vai trazê-lo para que ele seja um de nós. O dia em que o Pelé for na Vila, nós vamos fazer questão de colocar um tapete vermelho para que todo mundo saiba que o Pelé vai visitar o Santos. Lá no CT, nós vamos fazer uma sala pro Pelé. Para ele ir no dia que ele quiser. Ele não terá contrato com o Santos, ele não terá salário. Mas ele terá, acima de tudo, o nosso reconhecimento como um dos maiores responsáveis pelo Santos ser o que é até hoje, no mundo inteiro. O Pelé será, e eu faço isso aqui publicamente, caso eu seja eleito, ele será o presidente do Santos. Eu terceirizo isso a ele. Eu vou cuidar da parte administrativa, financeira, do futebol, de tudo, agora o presidente do Santos nas recepções, nas viagens e nos encontros que ele terá no mundo inteiro. Ele terá o cartãozinho de presidente do Santos Futebol Clube. Eu vou outorgar isso a ele, no meu lugar. Então, o Pelé será o presidente do Santos para o mundo, para a imprensa, com autoridade. Nós vamos apenas administrar o Clube, humildemente. Vamos fazer o Santos voltar a ser reconhecido no mundo inteiro, o Santos voltar a não ter esse cabide de emprego que tem nos dias atuais. Isso nós faremos. Isso não é promessa de campanha, é um compromisso que eu assumo com o torcedor e o associado do Santos. E nós vamos fazer.

Por fim, gostaria que o senhor fizesse suas considerações finais e desse uma mensagem final ao associado, sobre por que ele deve escolher a sua candidatura para a presidência do Santos pelos próximos três anos?
Peres: Primeiro eu posso dizer que me preparei para isso durante 20 anos. Chegou um momento que eu confesso que eu nem queria mais. Na última eleição, eu perdi por 182 votos, fui o segundo colocado. Garanto para você que o Santos estaria melhor. Não é porque eu sou mais inteligente do que os outros, mas seria porque eu teria as melhores cabeças em cada área. Posso dizer para o associado que, mais do que nunca, estou comprometido comigo mesmo e eu falo isso de coração, do fundo da minha alma, em ser o melhor presidente da história do Clube. Não por mim, mas pelas pessoas que eu estou trazendo para o Clube. Quero formar um Santos com pessoas comprometidas. O elenco tem que ser comprometido, a base tem que ser comprometida, todo mundo vai se comprometer. É um Santos em um grande projeto. É o projeto da inovação, da modernização e da transformação. O Santos precisa se transformar. E quando eu digo que o Santos precisa se transformar, é que todo mundo tem que se dar as mãos. O Santos hoje é uma ilha, que para chegar no Santos, você tem que atravessar um rio ou atravessar em volta da ilha, com barquinho e o barquinho é do rei. Se você não atravessar no barquinho do rei você não chega. Temos que destruir esse emparedamento e construir pontes, para que todo mundo possa chegar no Santos, não ter que pedir por favor ou pagar pedágio. Tem que chegar para fazer negócios com o Clube. Eu acho que a grande oportunidade para o sócio do Clube é agora, pra gente mudar o Santos para valer. E quando eu digo mudar para valer, eu falo de coração, de alma. É pra valer mesmo. Eu convido o eleitor, o associado do Santos, que ele cumpra a sua missão, que é a mesma que nós temos: a missão de depositar o seu voto. Eu espero que ele vote na nossa chapa, a chapa 1, que irá fazer as grandes mudanças que o Clube precisa. Quero dizer para vocês o seguinte: dos candidatos que estão disputando a eleição, eu sou o único que pode unir o Santos. Eu posso juntar todo mundo. Hoje, o Santos é um vazo, que caiu do sexto andar e quebrou. São 250 grupos, grupo de dois, de três, de cinco sócios, etc. É um absurdo isso. A hora agora é de juntar o Clube, todo mundo junto, de mãos dadas e em um barco só, no grande barco da transformação, para a gente arrumar o Clube. Vamos dar credibilidade e essa marca vai voltar a ser respeitada no mundo todo. Não só no Brasil, como no exterior também. Mas tudo isso depende exatamente do que vai acontecer no dia 9 de dezembro. Eu espero que o associado do Santos se comprometa dessa vez e vá votar na Vila Belmiro. E para finalizar, gostaria de dizer que serei o presidente de todos os santistas, mesmo aqueles que não votarem em mim. Se eleito for, mesmo os que não votarem em mim, serei o presidente deles também. Ou seja, é o presidente da grande união, no lema: menos ódio, mais união.