Baixada Santista ganha rede de apoio para mulheres vítimas de violência


68 dias atrás
Por: #Santaportal - Em 17/07/2017 às 15:41

APOIO - A Baixada Santista conta com mais uma rede de apoio na violência contra a mulher. O Projeto Cinderela, lançado ontem (16), em Santos pretende prestar auxílio às vítimas e combater este crime, que atinge hoje milhares de mulheres.

O projeto teve início dia 16 de abril deste ano, após a fundadora do projeto Alexandra Oliveira escapar de um ataque em um viaduto em Praia Grande. A agressão, em plena luz do dia, deixou marcas em seu corpo e em sua alma.

“Quando eu estava voltando do serviço e passei de baixo do túnel. Pegaram-me pelo pescoço. Foi um só no caso. Ele me segurou e tentou tirar minha roupa”, relembra. A auxiliar de enfermagem ainda conta que a princípio pensou que estivesse sendo vítima de um assalto, mas quando percebeu o que estava acontecendo, se esquivou do agressor e conseguiu escapar.

Não estamos só
Depois de relatar nas redes sociais sobre o ocorrido, Alexandra recebeu mensagens de outras vítimas, que decidiram contar suas histórias. A partir daí, nascia o Projeto Cinderela que Atualmente conta com ampla assistência, podendo atender qualquer caso de abuso, nas áreas de saúde, assistência social e jurídica junta.

“Nosso objetivo é acolher e elevar a autoestima e mostrar que elas não estão sozinhas. Além disso, é necessário conscientizar as outras pessoas a identificarem sinais de abuso”, explica a fundadora.

Mais uma
Alexandra faz parte do triste cenário de mulheres vítimas de abuso no Brasil. Somente no ano passado uma em cada três mulheres sofreram algum tipo de violência no país, isso inclui agressão sexual, física e psicológica.

A pesquisa do Datafolha, encomendada pelo fórum brasileiro de segurança, ainda aponta que em 61% dos casos, os agressores eram alguém conhecido da vítima. E isso possivelmente pode ser um fator que faz com que apenas 11% dessas vítimas prestem queixa na delegacia e 13% peçam auxilio a família.

A situação é ainda mais crítica quando em 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes. O Levantamento é do Ipea, feito com base nos dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan).

Jovana Nunes faz parte desses números. Ela foi estuprada pelo padrasto dos 12 aos 15 anos. A jovem que hoje apoia o Projeto Cinderela desabafou sobre sua triste história pela primeira vez com nossa equipe. “Sempre morei só eu e minha mãe. Ele se aproximou e viu essa fragilidade”, explica a estudante. Ela conta que a agressor a drogava e depois de cometer o crime ameaçava a jovem e sua mãe, que na época não sabia de nada.

“Sempre quando ele ia fazer os abusos ele me dava os remédios de depressão da minha mãe. Então eu dormia e nunca me lembrava de nada, mas eu sabia o que acontecia... Ele falava sempre que se eu contasse pra alguém ou se imaginasse que eu havia contado ele iria matar eu e minha mãe, que ninguém ficaria sabendo”, relata a jovem.

Depois de três anos sofrendo abusos, sem perspectiva, foi na irmã, que morava em outra cidade, que a adolescente encontrou o apoio necessário para se livrar da violência que sofria.

“A minha irmã que mora em São Paulo ela veio passar um final de ano na minha casa, em 2015. E ele sempre ficava por perto e eu não conseguia contar, mas ela percebeu que tinha algo estranho acontecendo em casa. e ai ela me disse só uma frase que foi o que abriu todos os caminhos para que eu pudesse me livrar de tudo o que acontecia: “Sempre que precisar a porta da minha casa estará aberta” conta a jovem. Depois de denunciar, o criminoso foi preso.

Hoje , Jovana, é casada e ressalva a importância do Projeto Cinderela e principalmente da vítimas falarem sobre o abuso. “Essas mulheres têm que saber que sempre tem alguém com quem contar. Não precisa ter medo, seja por uma denuncia anônima. É necessário contar. As feridas ficam, mas agente aprender a conviver”, incentiva.

Não se cale
A advogada Natália Matos é uma das voluntárias do ProjetoCinderela. Ela aponta que a campanha pode ser um começo para mudar essa triste realidade e que falar sobre a violência é importante.

“que as pessoas tenham esperança, porque as coisas estão mudando. Nós estamos buscando conscientizar as mulheres, vítima de abuso, e informá-las do direito que elas possuem, mas para isso a mulheres precisam vir à tona, seja na delegacia, no fórum", fria a advogada.

Para denunciar qualquer caso de violência contra mulher, disque 180.

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