Joesley acusa Temer de chefiar "organização criminosa" e usar Geddel para comprar silêncio de Cunha


126 dias atrás
Por: #Santaportal - Em 17/06/2017 às 13:41
Joesley acusa Temer de chefiar "organização criminosa" e usar Geddel para comprar silêncio de Cunha Reprodução/ANSA

POLÍTICA - Pivô da mais grave crise enfrentada pelo governo do presidente Michel Temer, o empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, fez graves revelações em entrevista para a Revista Época. Segundo Joesley, Temer seria chefe de uma organização criminosa e o ex-ministro Geddel Vieira Lima era o intermediário do mandatário sobre a suposta “mesada” que era paga ao ex-deputado Eduardo Cunha para que ele se mantivesse em silêncio.

“Geddel (era o mensageiro de Michel Temer). De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado”, disse o empresário para a publicação, fazendo referência também ao caso de Lúcio Funaro, doleiro que a exemplo de Cunha foi preso no final do ano passado pela Operação Lava Jato.

“Toda hora o mensageiro do presidente (Geddel Vieira Lima) me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema”, afirmou Joesley Batista, que garante não ter dúvidas quanto a participação do presidente da República no esquema.

“Sem dúvida (Temer sabia dos pagamentos aos dois). Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo”, contou o empresário.

Após a saída de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo, demitido por Michel Temer após denúncias de corrupção feitas pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, Joesley destacou que acabou se afastando do Planalto. “Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução”, ressaltou.

No entanto, o empresário é claro ao destacar o papel de Michel Temer, dizendo que ele tinha forte ascendência sobre Eduardo Cunha, além de chefiar uma organização criminosa. “A pessoa à qual o Eduardo sempre se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. O Temer é o chefe da Orcrim (sigla para organização criminosa) da Câmara”, disparou.

Joesley prosseguiu no tema e citou nomes daqueles que seriam os auxiliares do presidente desta suposta organização. “Temer, Eduardo (Cunha), Geddel, Henrique (Alves), (Eliseu) Padilha e Moreira (Franco). É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muito perigosa. Não pode brigar com eles”, revelou.

Durante a entrevista, o empresário também citou que o presidente uma vez pediu a ele que pagasse o aluguel do seu escritório na Praça Panamericana, em São Paulo. Joesley Batista teria negado o pedido de Temer.

O sócio da J&F ainda afirmou que Eduardo Cunha e Lúcio Funaro lhe faziam vários pedidos de propina. Em um destes casos, Cunha lhe solicitou um pagamento de R$ 5 milhões para evitar a abertura de uma CPI, que poderia afetar os negócios da JBS. Joesley disse, mais uma vez, que não atendeu ao pedido do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

PT e PSDB
Em sua entrevista para a Revista Época,Joesley Batista não poupa acusações contra o PT. De acordo com o empresário, o Partido dos Trabalhadores inaugurou o esquema que foi mantido por Michel Temer. Porém, ele conta que a abordagem por parte dos petistas era “menos agressiva”.

Joesley reafirma que o ex-ministro Guido Mantega era o seu intermediário com o PT. “Quando era efetivado o negócio, saía uma parcela, e eu creditava o valor da propina na conta do Guido na Suíça”, comentou.

Apesar das acusações contra o PT, o empresário nega uma relação próxima com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Joesley Batista garante que nunca teve uma conversa “não republicana” com Lula.

Fora isso, ele também falou sobre a sua relação com o PSDB e explicou a razão pela qual gravou o senador mineiro Aécio Neves, atualmente afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Ele teve 48% dos votos dos brasileiros (na última eleição). E tinha entrado no governo do Temer”, lembrou Joesley.