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Uma Luta pelo Respeito

Olá meus amigos,


Algumas semanas fora mas estou de volta para falar do que vi nesses últimos dois meses.


Ontem foi o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia - 17 de maio.


Não há o que se comemorar... mas é bom para refletir sobre o quanto nosso pais e sociedade ainda desrespeita os direitos da comunidade LGBTI, mas não somente dessa população, mas crianças, negros, nordestinos, refugiados, portadores de necessidades especiais e afins...


É triste ainda escutar e ler muitos comentários dizendo que isso é “choradeira” ou “mimimi” de quem quer forçar benefícios para si só, mas quem pertence ou lida diretamente com essas minorias, sabe que está muito longe de ser isso.



Falando especificamente sobre a comunidade LGBTI, a cada 25 horas, uma pessoa é morta por conta de sua condição, com crimes ligados única e exclusivamente a sua orientação ou identidade de gênero.   Esse dado é gravíssimo, e estamos falando apenas dos crimes “notificados” (oficiais), sem ter idéia de tantos outros que ocorrem e não são reportados ou inclusos nessa triste estatística.


Quem me acompanha há algum tempo sabe da minha luta em defesa do respeito,  não só em relação à diversidade mas ao respeito incondicional para todas aquelas chamadas ”minorias” que,  de alguma forma,  ainda sofrem problemas e dificuldades quanto a sua inclusão efetiva na sociedade.


Depois de participar, no início do mês passado, de workshop sobre diversidade, que tratei no post anterior, conheci alguns movimentos que levantam essa bandeira e,  junto a esses movimentos,  pessoas que lutam pelo mesmo ideal que eu.


Entre esses grupos, conheci o “Mães pela Diversidade”, uma ONG de mães que lutam pelo direito de seus filhos em serem quem são.  Capitaneado nacionalmente pela Majú Giorgi, com representantes em diversas cidades do país (inclusive nossa Santos), participa e promove ações, palestras e encontros para discutir temas como a inclusão da população LGBT e o combate à homofobia e transfobia, com vistas a adequação da leis para esse segmento social e, principalmente a criminalização dos crimes contra LGBTI, a exemplo do que já existe hoje com a questão racial e crimes contra a mulher.
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Tambem pude participar como visitante convidada de duas comissões de Santos, com militância ativa na defesa dos direitos da população LGBT: a Comissão Municipal da Diversidade Sexual de Santos e a Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB Santos.



A Comissão Municipal, que busca ações junto ao poder público municipal em prol da população LGBT. Foi criada há cinco anos e é coordenada pela querida Taiane Miyake, militante histórica de nossa região e responsável por ações sociais e diversas conquistas para a população trans.   Dentre elas destaco a criação do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, que atende no Hospital Guilherme Álvaro, referência para transexuais e travestis de toda a Baixada Santista.   A Comissão trabalha agora em conjunto com a administração municipal, para a criação do Conselho Municipal de Políticas LGBT, o qual garantirá mais efetividade na representação da comunidade LGBT nos assuntos da cidade.


A outra comissão, da OAB Santos, é formada mormente por advogados, mas com a colaboração de diversos outros profissionais, e é presidida pela Dra. Rosangela Novaes. Atua na defesa dos direitos desse público, principalmente na parte de assessoria jurídica, mas também promovendo ações e palestras para esclarecimento da sociedade e dos advogados e profissionais do direito sobre o tema.   


Ambas as comissões interagem entre si, sendo que parte dos integrantes de uma participam da outra, e vice versa.   Essa interação tem promovido conquistas importantes para a inclusão e visibilidade dos assuntos voltados à diversidade e defesa dos direitos LGBTI.

Tive também o prazer de ter conhecido a Dra. Patricia Gorisch, outro nome de peso no cenário nacional, na defesa dos direitos da diversidade e refugiados, expoente nacional em cursos, aulas e palestras promovidas sempre no sentido da inclusão dessa população.


Enfim...   Nesse mês, descobri pessoalmente que o movimento pela inclusão e respeito da comunidade LGBTI está muito bem representada em nossa região.


Um aspecto que me deixou super esperançosa foi encontrar nesses movimentos diversos profissionais que não são gays, lésbicas, trans ou enquadrados no conceito “diversidade”, lutando por essa causa, levantando essa bandeira...  pessoas de várias idades, desde jovens até pessoal da “melhor idade”.  Isso mostra que para sermos simpáticos à luta de determinada classe, não precisamos pertencer a ela.  Basta termos (e usarmos) a EMPATIA de entender as dificuldades do outro e, acima de tudo, lutar pelo RESPEITO INCONDICIONAL.

Aqui na Unisanta, iniciou-se nesse mês o curso de Pós Graduação EAD “Direito Homoafetivo e de Gênero”, coordenado pelas Dras. Rosângela Novaes e Maria Berenice Dias,  o primeiro do gênero no Brasil, que conta com mais de 90 alunos inscritos de várias partes do Brasil. Maiores informações no site da Universidade (ced.unisanta.br).

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Por fim, destaco que Santos, na vanguarda mais uma vez, e antes mesmo da grande maioria das cidades do país, reconheceu o direito dos transgênero, assegurando o direito a retificação do prenome e gênero, graças ao entendimento humanizado do MM. Juiz Corregedor Frederico Messias.


Respeito!! 
Não é essa bandeira que sempre levantei?  Então... é essa bandeira que vejo tremulando em cada evento ou reunião que tenho a grata oportunidade de participar.


Muito há para se fazer pela causa LGBTI, dos negros, dos deficientes, dos refugiados, das mulheres, das crianças, dos idosos... mas tudo começa com pequenos passos e pequenas mudanças em nosso pensamento.  E um pequeno movimento, por menor que seja, já nos tira do lugar.  E sempre valerá apenas por um mundo mais inclusivo e mais próximo ao ideal, por mais longe que ainda pareça.


Sempre há o que se fazer... basta querermos ajudar, querermos TRANSCENDER.


Um forte abraço a todos e até a próxima!!

 

 

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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com