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Transcendendo - Por uma visão mais aberta

Olá meus amigos. Divido com vocês nesse primeiro texto a alegria de conquistar esse espaço para compartilhar ideias e pontos de vista sobre diversos assuntos ligados a diversidade, música, estilo de vida, todos eles sob a ótica do RESPEITO como regra geral.

Um pouco sobre mim: sou santista de nascimento e coração, publicitária formada. Atuei por anos no segmento de logística e seguros e tenho como paixão a música. Tenho uma filha linda - razão da minha vida - e uma visão romântica sobre a vida, apesar das dificuldades.

Aos 42 anos me assumi transgênero e, desde então tenho levantado a bandeira do RESPEITO, algo que deveria ser tão natural em nossa sociedade como o é para qualquer criança, em sua sagrada inocência. É uma luta diária mas que, com perseverança e acima de tudo RESPEITO, vem sendo vencida.

Nesse espaço, assuntos sobre a diversidade serão sempre tratados, mas não me restringirei a esse tema apenas, pois vivemos um momento em que muita coisa errada e negativa está emergindo dos noticiários. Guerras, corrupção, “fobias” dos mais diversos tipos, intolerância... enfim, procurarei sempre trazer uma visão positiva, pensamentos e ensaios para dividir com vocês, pois acredito que precisamos SIM manter a esperança contra o descrédito que vivemos, de valores e instituições.

Portanto, meus amigos, o nome desse espaço não poderia ser mais oportuno: TRANSCENDENDO.

Pelo significado morfológico, transcender significa superar-se... ir além... ultrapassar algo. É um esforço inerente a todos aqueles que querem evoluir, melhorar, se tornar pessoas melhores.

Essa é a proposta deste nosso canal de comunicação: propor reflexões, discussões e uma visão positiva sobre vários assuntos que discutiremos ao longo das próximas semanas. Não há entendimento sem o conhecimento. Difundir ideias diferentes, promover discussões respeitosas e o esclarecimento de assuntos ou pontos de vista diversos é o caminho para combater a ignorância ou intolerância que existe, quanto ao chamado “diferente” ou aquilo que não conhecemos.

Venho portanto nesse espaço ofertar uma visão amiga, de alguém que quer dividir o que já vivenciou e aprendeu, consciente de que ainda há muito a aprender, com a interação com cada um de vocês.

Esse espaço é nosso. Sem caixinhas, rótulos ou crachás. Aberto a minorias, maiorias, seres humanos em geral, enfim... a todos que buscam TRANSCENDER para ser um pouco melhor a cada dia.

Fiquem a vontade para sugerir assuntos e darem sua visão sobre os temas aqui colocados, através do e-mail blog.transcendendo@gmail.com.

Obrigada a todos que viabilizaram a realização desse projeto. Que ele seja um espaço livre e aberto para continuarmos “transcendendo”...

Na próxima semana, um ensaio sobre RESPEITO em todas suas formas.

Beijos a todos,

Flávia Bianco

 

 

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  • Publicado por: Flávia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 08 dez 2017 17:20Atualizado em: sexta-feira, 08 dez 2017 17:45
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Vamos falar sobre Respeito ?

Olá amigos,

Essa semana vou falar sobre um tema de fundaSanta mental importância para mim: RESPEITO. Aliás esse é tema de uma palestra minha, ministrada em outubro desse ano, no auditório da Câmara Municipal de Santos.

 

Grande parte dos conflitos que vemos hoje, são decorrentes da questão “RESPEITO”, ou da falta dele mais especificamente.  

 

Podemos encontrar a tal “falta de respeito” em vários momentos de nossa atual sociedade:

- nos desvios de dinheiro público (corrupção impregnada em nossa política);

- nos ataques racistas que tem sido noticiados pela mídia;

- na intolerância quanto a questões de orientação sexual e identidade de gênero;

- no desrespeito à igualdade de gênero nas questões trabalhistas (e nesse item, mormente com relação à discriminação que mulheres em geral sofrem);

- no ataque a crenças religiosas diversas;

- nos conflitos e tensões que estão surgindo entre nações mundo afora; entre outros

 

Portanto, identificamos que a grande maioria dos problemas poderiam ser resolvidos ou nem existir se tivéssemos a bandeira do RESPEITO às diferenças de escolhas ou visões disseminada em nossa sociedade, em nossas escolas e em nossos lares.

 

Vejam que é uma bandeira que não apenas favorece as chamadas minorias, excluídos ou marginalizados.   É uma conquista em prol da sociedade para o bem de todos.

 

Em minha palestra, trago uma visão diferente do combate as “diverso-fobias" sociais e aos desrespeitos citados acima:  é preciso parar com essa tentativa de combater o “PRECONCEITO” !!

 

Antes de ser crucificada, eu explico...

 

Preconceito é um juízo preconcebido, sob determinado tema, assunto, pensamento ou coisa.  Esses conceitos prévios são formados com base na sociedade, família, religião, convenções legais, culturais e sociais, vivência pessoal entre outros.  E isso é inerente ao ser humano. Todos nós, pela acepção do termo, temos nosso preconceito sobre quase tudo nesse mundo.  E isso não é um problema em si.     Eu mesma tenho preconceitos com relação a tipos de música, alguns tipos de roupa, formas de atuação e dogmas de algumas religiões.  Isso é normal de cada um de nós.  É normal gostarmos ou não de qualquer coisa, comportamento, costumes, escolhas, etc...

 

O problema do “preconceito” na verdade não é ele em si, mas sua materialização, através da intolerância, discriminação, discurso de ódio e por final, e não menos grave, da violência.   Essa materialização é o ponto chave, que deve sim ser combatido e tipificado como o crime que é.

 

Sob essa ótica vemos que o preconceito nunca será mudado em cada um de nós por imposição, leis, pressão social ou o que quer que seja.  APENAS NÓS podemos mudar nossos conceitos, preconceitos e paradigmas, através da reflexão mais aprofundada sobre o assunto.

 

Portanto, a única ferramenta que nos permite alterar nossos preconceitos chama-se CONHECIMENTO.

 

Quando se aprofunda a discussão sobre um assunto, com toda a complexidade, prós, contras, dificuldades, realidades, enfim... acabamos por ter maior embasamento para aceita-lo ou não, lembrando que ter seus conceitos e preconceitos é legitimo.

 

Quando se entende sobre um determinado assunto, e a visão divergente é aceita, o RESPEITO está ai sedimentado, sem dificuldades.    O problema, e talvez grande exercício que todos nós temos de praticar diariamente, é RESPEITAR quando não aceitamos ou concordamos com o contraditório.  

 

Não somos obrigados a aceitar a verdade de ninguém, assim como ninguém é obrigado a aceitar a nossa.  Isso é fato!!!

 

As pessoas simplesmente precisam aprender a RESPEITAR o diferente, o controverso, o novo ou aquilo que não serve pra elas.   Isso é a prática do RESPEITO. 

 

Respeito deve ser, acima de tudo, uma característica inerente a todas as pessoas de bem, seja por questões religiosas, éticas, cívicas ou pelo amor fraterno universal.

 

E esse respeito não é uma via de mão única.  Ambos os lados precisam respeitar as posições contrárias.


Falando especificamente sobre a situação que vivencio, temos de entender que para algumas pessoas, o novo é impactante e a aceitação e entendimento de uma transição de gênero pode não ser tão fácil.

 

Portanto, temos de respeitar o tempo e discernimento dessas pessoas, não tentando impor nossa ‘verdade” a elas mas, ao mesmo tempo, merecemos receber o mesmo respeito por nossa condição “diferente” daquilo que elas entendem como “verdade”.

 

Não se trata entretanto de um vale tudo ou um “cada um por si”.  Condutas tipificadas como crime ou afrontas a legislação, devem ser combatidas. Não só quando praticadas por negros, homossexuais, transgeneros, moradores de rua ou outras pessoas enquadradas como “minorias”, mas quando cometidas por qualquer cidadão, independente de qualquer rótulo ou crachá que se atribua a ele.

 

Por isso meus amigos, convido todos a transcender sobre o tema RESPEITO.


Quando pequena, sempre fui ensinada a respeitar para ser respeitada.   E essa é uma máxima que temos que ter em nossa sociedade, lares, escolas, locais de trabalho.     Se aprendermos e, principalmente, ensinarmos nossos filhos que o respeito tem de ser INCONDICIONAL, a aceitação do novo, do diferente será mais pacifica.

 

Nada de ideologia de gênero, religiosa, de clubes de futebol...   a ideologia do “respeito incondicional” é que deve ser levada em consideração e difundida aos quatro cantos.

 

Quanto mais diversa uma sociedade, em todos os seus aspectos culturais, de etnias, de liberdades individuais (dentro da lei), mais rica ela se torna. 

 

John Lennon, ícone da música mundial de todos os tempos, compôs em sua eterna canção “Imagine” de 1971:  

“Você pode dizer que sou uma sonhadora... mas não sou a única.   Espero que algum dia você se junte a nós e o mundo viverá como um só.”

 

Convido vocês a uma reflexão sobre esse sonho....

 

Um forte abraço e até nosso próximo encontro.

 

Flavia Bianco.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: quarta-feira, 13 dez 2017 13:39Atualizado em: quinta-feira, 14 dez 2017 16:38
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Que País é Esse ? Uma necessária reflexão sobre o caso Marielle Franco.

" Nas favelas, no Senado

  Sujeira pra todo lado

  Ninguém respeita a Constituição

  Mas todos acreditam no futuro da nação

 

Olá pessoal,

 

Essa música escrita por Renato Russo em 1978, mas somente lançada com o álbum de mesmo nome pela Legião Urbana em 1987, ainda retrata bem o que estamos vivendo em nosso país

 

Muito me preocupa os comentários de parte da população a respeito do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, brutalmente executada dentro de um veículo, onde morreu também o seu motorista.

 

Não bastasse ser um crime horrível, mais horrível ainda está sendo a repercussão negativa daqueles que, por posicionamento ideológico ou político contrário, não concordavam com as posições da vereadora.

 

Coisas do tipo “morreu na dos bandidos que defendia” estão presente das redes sociais, em postagens e comentários de pessoas incomodadas com a repercussão que o caso ganhou na mídia.

 

Chegam ao absurdo de alegar que a defesa dos direitos humanos foi a sua sentença de morte... as vezes, lendo alguns desses textos, chego a temer ler o absurdo de que “a morte  dela foi algo bom... bem feito”.

 

Está na hora de pararmos para pensar para onde nosso país está indo.

 

Eu não conhecia o trabalho dessa vereadora, pois as notícias que chegam no Rio de Janeiro são sempre as piores possíveis, mas fato é que ela foi eleita por mais de 40 mil pessoas para exercer seu mandato e defendia em suas propostas os interesses de minorias negras, LGBT, as mulheres e os  pobres de sua comunidade.     Há quem diga que ela estimulava a divisão da sociedade através de discursos de ódio, então antes de me posicionar, procurei dconhecer sua atividade legislativa na Câmara e todos os discursos bem centrados.  Talvez com algumas falas mais contundentes, mas até ai, cada um na sua característica.  

 

Entretanto, falar sobre direitos humanos e inclusão de minorias, num contexto político de pessoas arraigadas com  suas intolerâncias e, porque não dizer, com a corrupção realmente gera um incômodo. 

 

E ela, por vezes criticou ações da polícia carioca, essa mesma polícia que hoje está sob intervenção devido a falência do controle da segurança naquela cidade.   Denunciou abusos de policiais nas comunidades onde ela tinha seu eleitorado.

Quanto a essas denuncias, se assim não fosse, esse não teria sido um dos motivos da intervenção militar no Rio.  Muitos policiais corruptos, milicianos entre outros estão sendo descobertos e exonerados da corporação, para o bem daqueles que realmente honram a farda e sentem-se incomodados com a situação que chegou tudo aquilo.

 

Esse foi o crime praticado pela vereadora. Levantar-se para defender os direitos humanos e aquilo que acreditava.   As vezes não concordo com falas e formas de atuação da esquerda mas, como já escrevi por várias vezes aqui no meu blog, nós não precisamos aceitar a ideologia ou verdade de ninguém, mas é necessário respeitar cada uma delas, pela civilidade e debate do contraditório.

 

Então vamos pensar um pouco…  a acusação que fazem a  Marielle (sim... acusam-na depois de morta) é de que estão dando repercussão para seu assassinato porque era vereadora, esquerdista e “amiga da mídia esquerdista”, e não deram atenção ao assassinato de um empresário e de outros policiais e pessoas que morrem todos os dias pela mão do crime, no Rio de Janeiro e em nosso país.

 

Que fique muito claro nesse meu artigo que todas as vítimas e suas famílias merecem as nossas condolências e que, igualmente, que os crimes sejam investigados, os culpados identificados, julgados e condenados.   Isso é óbvio dentro de nossa lei.  Não precisa estar na mídia pois é questão de Justiça.

 

Agora, toda a importância e repercussão internacional que o caso ganhou dá-se pelo fato de que a Marielle não era somente uma mulher, negra e de  origem pobre,  ou esquerdista como acusam... ela era vereadora eleita democraticamente.  A sua execução é uma afronta não só às pessoas a quem ela representava na Câmara ou à sua família,  mais uma afronta ao poder legislativo municipal, à cidade do Rio de Janeiro e ao país.   Seja quem for o responsável, mandou um recado muito claro para a sociedade, que precisa ser muito bem lido e compreendido, bem como respondido pelas autoridades,

 

Hoje vi uma postagem no Facebook, que me chamou bastante a atenção:

 Pelos comentários que estamos vendo sobre a morte da Mirella, conseguimos entender o apoio dos alemães a Adolf Hitler

 

Eu não sei quanto a vocês, mas isso para mim é assustador !

 

Em tempos que vivenciamos diariamente discursos de ódio sendo destilados sobre todos os temas, crescente intolerância, brigas e mortes por banalidades e o aumento da "simpatia" quanto à liberação do porte de armas, realmente é algo a se preocupar.

 

Infelizmente no  Brasil está acontecendo uma inversão de valores muito séria. Pessoas que defendem os direitos humanos,  ao invés de serem reconhecidas de forma positiva são atacadas e hostilizadas.  E é sempre a mesma ladainha: “defendem apenas o direito dos  manos“.    Essa visão é tão limitada quanto desrespeitosa. 

 

Respeitar os direitos humanos significa ser legalista.   Ser legalista é cobrar ações dentro do que garante a lei. 

Isso não deveria ser alvo de demérito ou despertar ódio em pessoas "ditas" de bem.    A mesma luta para preservação dos direitos humanos, erroneamente rotulada como "só protege os bandidos" é a base para nossa proteção individual nas leis e, um dia, pode ser usada para proteger-nos ou a alguém de nossa família.

 

É pacífico o entendimento de que bandidos e criminosos (de qualquer tipo ou origem) sejam presos e tenham o seu julgamento e condenação na forma da lei.  Se as leis são brandas e falhas, lutemos para sua revisão através de pressão nas casas legislativas,  mas achar que os fins justificam os meios e que vale tudo para se fazer uma “ suposta” Justiça, realmente não é o caminho de um país “justo”.

 

Mas Flávia - dirão - cadê o direito das vítimas que morrem na mão de bandidos?

 

Assim como no caso da Marielle e das pessoas que morrem aos montes no Rio de Janeiro e demais cantos de nosso país, cabe ao Estado reconstruir a segurança pública, com inteligencia, repressao a entrada de armas e drogas e tudo o mais que especialistas cantam em verso e prosa nos telejornais, para que os crimes sejam combatidos e os responsáveis punidos na forma da lei.

 

Ninguém e nenhum de nós temos o direito de fazer justiça com nossas próprias mãos…  não nos consideramos um país, embora laico, sendo de maioria Cristã?   Essa é a razão pela qual eu veementemente não concordo com o armamento da população.

 

Mas, fato é que se nossa sociedade não lutar contra o discurso de ódio cada vez mais presente em  nosso país, contra a intolerância com o outro e suas escolhas ou diferenças ( e agora não me refiro apenas às minorias), logo nossa pátria se transformará em algo muito pior.

 

Respeitar o próximo,  respeitar as lei,  respeitar nossos professores,  respeitar autoridades e instituições e, principalmente, respeitar o direito ao contraditório é fundamental para uma sociedade que deseja avançar, acabar com a corrupção e alcançar um novo de grau em sua história.    Sem o famoso e decantado RESPEITO, vamos repetir os erros de outras Nações que sofreram justamente por intolerância e desrespeito entre seus cidadãos.

 

Que as pessoas possam refletir melhor sobre os acontecimentos que nos rodeiam,  sobre os sinais que estamos recebendo,  para que comecemos hoje a mudar aquilo que queremos de melhor para o nosso amanhã e, quem sabe, o trecho da música citado no início, seja algo relegado as livros de história, como a escravidão e outras páginas sombrias de nossa história.

 

Menos discursos de ódio e mais amor.

 

Às famílias de todas as vítimas dessa “guerra urbana” que vivemos, deixo minha solidariedade e minhas orações.  Que TRANSCENDER não seja o sonho de poucos, mas a vontade materializada de muitos.

 

Um forte abraço a todos.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 16 mar 2018 20:40Atualizado em: sexta-feira, 16 mar 2018 20:51
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Afetividade - sem prefixos, só afeto.

Olá  amigos.

 

Essa semana tive o prazer de participar de um painel sobre sexualidade, gênero e cidadania aqui na cidade de Santos e, entre vários convidados palestrantes, tive a grata satisfação de conhecer a dramaturga Maria Adelaide Amaral, autora de diversas peças de teatro, novelas (Ti-ti-ti, Anjo Mau e outras), além de diversas minisséries (A muralha, A Casa das Sete Mulheres, entre outras).

 

Em sua participação, embora tenha falado no início de sua exposição que não era especialista no tema, aquela senhora simpaticíssima, com os cabelos grisalhos denunciando seus quase 75 anos de idade, deu uma aula a todos os presentes sobre a forma de se tratar a inclusão social daqueles chamados “diferentes”, com uma visão absolutamente simples. Uma verdadeira lição de vida.

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Mas um dos trechos que quero destacar e trabalhar aqui no meu blog é com relação a uma questão bastante em voga, a da reação do público em geral quanto aos temas sobre a diversidade e relacionamentos “fora do padrão” mostrados pela  teledramaturgia brasileira.

 

É bem verdade que hoje em dia o assunto “homossexualidade/ transgeneralidade/ bissexualidade” e outras questões voltadas ao universo LGBTI+ está cada vez mais presente nas telas, seja em filmes, novelas, documentários ou até mesmo em discussões de programas especializados ou de auditório.

 

Fato é que a sociedade, embora muito mais esclarecida do que há alguns anos, começa a conhecer ou reconhecer a existência dessas minorias, antes escondidas da grande cultura de massa brasileira ou, quando existiam, eram estereotipadas.

 

Como muito bem apresentado por ela, ao longo dos tempos foram sendo inseridos temas como uma declaração de amor, um passeio de mão dadas, até que chegamos nas cenas de beijos entre pessoas do mesmo sexo que hoje, embora raras, já foram exibidas.  Recentemente tivemos a grande repercussão de uma personagem que se assumiu transgênero.

 

Tudo isso realmente causou grande discussão social, cada uma em sua época.  Algumas dessas discussões resultaram num maior conhecimento e entendimento dessas temáticas. Pessoas reforçaram o entendimento de normalidade, por tratar-se de relações ou escolhas de pessoas comuns, as quais têm esse seu direito garantido hoje por lei, mas ao mesmo tempo alimentou o discurso contrário dos intolerantes.

 

Os chamados “Haters” (odiadores numa tradução livre), decantam em verso e prosa, na maioria das vezes protegidos pelo sigilo das redes sociais, os seus discursos de ódio, a sua intolerância, a sua discriminação, muitas vezes tentando usar como argumento “questões religiosas” ou uma suposta tradição de “pessoas de bem”.

 

A ação desses “Haters” não se restringe apenas ao universo LGBTI+...  mas detenho-me nesse foco em meu artigo de hoje.

 

Quando falamos da inclusão de homossexuais ou transexuais em uma novela, filme série ou o que quer que seja, existe todo um contexto histórico e psicológico de formação da personagem mas, como todo a obra de entretenimento, sempre haverá relacionamento envolvidos na trama, ou seja, a AFETIVIDADE.

 

Por conta de uma necessidade que a maioria dos seres humanos tem de classificar as informações que obtém, temos nessas novelas então situação de relacionamentos heteroafetivos e, dependendo do caso, homoafetivos.  

 

A reação das pessoas a um relacionamento heteroafetivo, por força da nossa bagagem cultural e social, é super normal,  inclusive no dia-a-dia de nossa vida cotidiana.  Quando falamos de relacionamento homoafetivo, ai sim temos um estranhamento do público em geral,  por ser algo fora do “padrão”, portanto se sujeitando a aceitação ou não do público.   

 

Nesse caso, quando trazemos essa situação para a vida real, não muito difícil escutamos as pessoas falando não toleram ver homens de mãos dadas ou mulheres de  mãos dadas.   Que isso é ”ofensivo”  na visão deles.    Eu não entro nem na discussão sobre beijo…  isso daria muita discussão.   Me atenho apenas a figura das “mãos dadas”.

 

Quando vemos duas pessoas de mãos dadas o que podemos pensar?  Existe afeto ali. Fato!

 

Se vemos um casal (homem e mulher), dois homens ou duas mulheres de mãos dadas,  O que podemos pensar?  Existe, da mesma forma, afeto ali.

 

MAS,,,  na cabeça das pessoas que precisam separar as informações em “caixinhas”, teremos duas  situações distintas: Possivelmente se trata de um casal heteroafetivo e dois casais homoafetivos.  

 

Bingo!!!!   Ai é que está o problema da nomenclatura e enquadramento.   Vamos transcender?

 

Após a  exposição da dramaturga Maria Adelaide,  tive a oportunidade de apresentar para ela um ponto de vista de que, em verdade, precisamos aprender a interpretar as relações e os relacionamentos simplesmente como “afetividade” ou “afetivos”,  sem os prefixos ”hetero” e “homo”.   Na parte jurídica entendo a necessidade por questão técnica, mas para nós... em nossa convivência no dia a dia, é um termo técnico e absolutamente dispensável.

 

Quando falamos de sentimento compartilhado por duas pessoas, isso não muda de acordo com o gênero, orientação sexual, cor da pele, a religião, características físicas…  é tão somente uma relação afetiva, amor, carinho...    Não há necessidade de se categorizar uma relação afetiva em grupinhos.

 

Por que eu escrevo isso?    Quando você categoriza relações especificamente falando por questões de gênero (homossexuais no caso), as pessoas intolerantes ou os chamados “haters”  identificam, no caso citado de mãos dadas entre dois homens,  o enquadramento na questão homoafetiva, onde o “homo” soa maior que o “afetivo”.   

 

Isso é ruim para a população LGBTI+?    Claro que é... mas também é ruim para as pessoas heterossexuais que podem ser incluídas na cegueira da intolerância.  

 

Quantas vezes vimos noticiadas histórias de um pai que foi agredido com seu filho, confundidos como homossexuais, pelo simples fato de estar de mãos dadas na rua.

 

O mesmo já aconteceu com mães e filhas, amigas, irmãs...   E qual crime que eles cometeram para serem agredidos?    Ter “AFETIVIDADE” por quem quer que seja, mesmo que a mais pura delas?

 

Então pessoal, no meu humilde entendimento, precisamos parar com essa segregação em “caixinhas”…  

 

Respeitar as pessoas por sua essência.   Respeitar o seu direito a orientação sexual e identidade de gênero, assim como hoje (teoricamente) já se respeita a liberdade de credo, a igualdade racial entre outros Direitos Humanos já reconhecidos.   Chega de criar, colocar e cobrar “crachás” onde não é necessário.  

 

Finalizando... que possamos ter mais pessoas como as grandes Maria Adelaide Amaral e Glória Perez, entre outros, inserindo em suas obras esses conceitos e discussões sobre inclusão social e, principalmente, disseminando a necessidade do respeito a qualquer forma de diversidade. 

 

Quanto mais discutimos um tema, menos estranho ele parecerá para a grande maioria e, consequentemente, melhor entendido vai ser pela sociedade.

 

Respeito: o princípio de tudo.   Sou redundante nesse papo, mas acredito de verdade nessa ideia, e compartilho com vocês.

 

Fiquem em paz e até o próximo encontro.    A todos minha afetividade incondicional !!!

 

 

 

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É Natal? Então... é Natal.

Olá amigos... chegou o Natal !!


Bolas enfeitando lindas árvores, luzes nas fachadas de residências e comércios, vias públicas iluminandas, Papai Noel nos shoppings recebendo os pequenos...  sim, já é Natal.

 

A magia desse momento, tão lúdica e que encanta principalmente os mais novos, nada mais é do que um chamado, um lembrete para o verdadeiro significado dessa data.  O nascimento do Mestre Jesus.

 

Nos cultos cristãos ele sempre é lembrado, em diversos lares, mas também, mesmo entre os cristãos, as vezes passa batido.


Não vou falar aqui sobre o lado comercial da data, pois isso sempre é debatido em verso e prosa nessa data.  
Minha mensagem de Natal para esse ano é uma proposta diferente:


Além dos presentes, cartões, mensagens e refeições fartas, vamos dar um presente ao aniversariante?

 

Mas qual seria o melhor presente?   Ouro, Incenso e mirra, como os ofertados ao menino Jesus pelos três Reis Magos??   Acho que não...

 

Algumas religiões pregam que Jesus morreu na cruz para salvar a humanidade... um ato vivenciado de AMOR.

 

Em sua passagem por esse planeta, o maior ensinamento que nos deixou foi AMAR a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

 

Então... por que não lhe damos de presente o aprendizado e aplicação de sua lição: o AMOR?

 

E não significa com isso AMAR a Jesus apenas.    No sentido amplo, significa amar o próximo, os aflitos, os doentes, as criancinhas, os nossos inimigos... enfim, amar incondicionalmente todos aqueles, inclusive os DIFERENTES de nossas convicções, conceitos e/ou verdades.

 

Quem sou eu para falar em nome dele, nem tenho essa pretensão mas sei, com a certeza que carrego em mim, que Ele certamente AMARIA receber esse presente, o AMOR difundido entre todos, de forma indiscriminada.  

 

Amar quem nos ama é fácil.   A prática do AMOR e RESPEITO por aqueles que pensam diferentes ou que nos tenham ofendido... essa sim é a maior prova de AMOR e o maior presente que podemos dar a Ele. 

 

É difícil???  claro que sim!! 

 

Mas que tal começar a transcender com:

. dar um abraço naquele vizinho que tivemos um desentendimento tempos atrás;

. uma reconciliação com alguém quem brigamos;

. olhar com mais carinho para o problema do outro, que passa por dificuldades;

. respeitar (sem julgamentos), as escolhas, crenças, etnias, características ou condições de nossos irmãos considerados "diferentes";

 

Isso é uma tarefa árdua.. e nem poderia ser diferente.  É um burilamento constante de nosso espírito.   Ninguém conseguirá isso da noite para o dia, mas se dermos um primeiro passo com efetiva boa vontade, acredito que já faremos o Aniversariante muito feliz!

 

Desejo um Natal de luz e paz a todos que acreditam nessa data, na magia e no real significado do Natal.   Para aqueles que tem outras crenças ou simplesmente não acreditam, ficam meus sinceros votos de que a energia positiva emanada nessa data alcance o lar de cada um de vocês.

 

Um abraço fraterno a todos!

 

Flavia Bianco.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: quinta-feira, 21 dez 2017 11:22Atualizado em: quinta-feira, 21 dez 2017 11:24
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com