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Vamos falar sobre Respeito ?

Olá amigos,

Essa semana vou falar sobre um tema de fundaSanta mental importância para mim: RESPEITO. Aliás esse é tema de uma palestra minha, ministrada em outubro desse ano, no auditório da Câmara Municipal de Santos.

 

Grande parte dos conflitos que vemos hoje, são decorrentes da questão “RESPEITO”, ou da falta dele mais especificamente.  

 

Podemos encontrar a tal “falta de respeito” em vários momentos de nossa atual sociedade:

- nos desvios de dinheiro público (corrupção impregnada em nossa política);

- nos ataques racistas que tem sido noticiados pela mídia;

- na intolerância quanto a questões de orientação sexual e identidade de gênero;

- no desrespeito à igualdade de gênero nas questões trabalhistas (e nesse item, mormente com relação à discriminação que mulheres em geral sofrem);

- no ataque a crenças religiosas diversas;

- nos conflitos e tensões que estão surgindo entre nações mundo afora; entre outros

 

Portanto, identificamos que a grande maioria dos problemas poderiam ser resolvidos ou nem existir se tivéssemos a bandeira do RESPEITO às diferenças de escolhas ou visões disseminada em nossa sociedade, em nossas escolas e em nossos lares.

 

Vejam que é uma bandeira que não apenas favorece as chamadas minorias, excluídos ou marginalizados.   É uma conquista em prol da sociedade para o bem de todos.

 

Em minha palestra, trago uma visão diferente do combate as “diverso-fobias" sociais e aos desrespeitos citados acima:  é preciso parar com essa tentativa de combater o “PRECONCEITO” !!

 

Antes de ser crucificada, eu explico...

 

Preconceito é um juízo preconcebido, sob determinado tema, assunto, pensamento ou coisa.  Esses conceitos prévios são formados com base na sociedade, família, religião, convenções legais, culturais e sociais, vivência pessoal entre outros.  E isso é inerente ao ser humano. Todos nós, pela acepção do termo, temos nosso preconceito sobre quase tudo nesse mundo.  E isso não é um problema em si.     Eu mesma tenho preconceitos com relação a tipos de música, alguns tipos de roupa, formas de atuação e dogmas de algumas religiões.  Isso é normal de cada um de nós.  É normal gostarmos ou não de qualquer coisa, comportamento, costumes, escolhas, etc...

 

O problema do “preconceito” na verdade não é ele em si, mas sua materialização, através da intolerância, discriminação, discurso de ódio e por final, e não menos grave, da violência.   Essa materialização é o ponto chave, que deve sim ser combatido e tipificado como o crime que é.

 

Sob essa ótica vemos que o preconceito nunca será mudado em cada um de nós por imposição, leis, pressão social ou o que quer que seja.  APENAS NÓS podemos mudar nossos conceitos, preconceitos e paradigmas, através da reflexão mais aprofundada sobre o assunto.

 

Portanto, a única ferramenta que nos permite alterar nossos preconceitos chama-se CONHECIMENTO.

 

Quando se aprofunda a discussão sobre um assunto, com toda a complexidade, prós, contras, dificuldades, realidades, enfim... acabamos por ter maior embasamento para aceita-lo ou não, lembrando que ter seus conceitos e preconceitos é legitimo.

 

Quando se entende sobre um determinado assunto, e a visão divergente é aceita, o RESPEITO está ai sedimentado, sem dificuldades.    O problema, e talvez grande exercício que todos nós temos de praticar diariamente, é RESPEITAR quando não aceitamos ou concordamos com o contraditório.  

 

Não somos obrigados a aceitar a verdade de ninguém, assim como ninguém é obrigado a aceitar a nossa.  Isso é fato!!!

 

As pessoas simplesmente precisam aprender a RESPEITAR o diferente, o controverso, o novo ou aquilo que não serve pra elas.   Isso é a prática do RESPEITO. 

 

Respeito deve ser, acima de tudo, uma característica inerente a todas as pessoas de bem, seja por questões religiosas, éticas, cívicas ou pelo amor fraterno universal.

 

E esse respeito não é uma via de mão única.  Ambos os lados precisam respeitar as posições contrárias.


Falando especificamente sobre a situação que vivencio, temos de entender que para algumas pessoas, o novo é impactante e a aceitação e entendimento de uma transição de gênero pode não ser tão fácil.

 

Portanto, temos de respeitar o tempo e discernimento dessas pessoas, não tentando impor nossa ‘verdade” a elas mas, ao mesmo tempo, merecemos receber o mesmo respeito por nossa condição “diferente” daquilo que elas entendem como “verdade”.

 

Não se trata entretanto de um vale tudo ou um “cada um por si”.  Condutas tipificadas como crime ou afrontas a legislação, devem ser combatidas. Não só quando praticadas por negros, homossexuais, transgeneros, moradores de rua ou outras pessoas enquadradas como “minorias”, mas quando cometidas por qualquer cidadão, independente de qualquer rótulo ou crachá que se atribua a ele.

 

Por isso meus amigos, convido todos a transcender sobre o tema RESPEITO.


Quando pequena, sempre fui ensinada a respeitar para ser respeitada.   E essa é uma máxima que temos que ter em nossa sociedade, lares, escolas, locais de trabalho.     Se aprendermos e, principalmente, ensinarmos nossos filhos que o respeito tem de ser INCONDICIONAL, a aceitação do novo, do diferente será mais pacifica.

 

Nada de ideologia de gênero, religiosa, de clubes de futebol...   a ideologia do “respeito incondicional” é que deve ser levada em consideração e difundida aos quatro cantos.

 

Quanto mais diversa uma sociedade, em todos os seus aspectos culturais, de etnias, de liberdades individuais (dentro da lei), mais rica ela se torna. 

 

John Lennon, ícone da música mundial de todos os tempos, compôs em sua eterna canção “Imagine” de 1971:  

“Você pode dizer que sou uma sonhadora... mas não sou a única.   Espero que algum dia você se junte a nós e o mundo viverá como um só.”

 

Convido vocês a uma reflexão sobre esse sonho....

 

Um forte abraço e até nosso próximo encontro.

 

Flavia Bianco.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: quarta-feira, 13 dez 2017 13:39Atualizado em: quinta-feira, 14 dez 2017 16:38
     
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com