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Qual o seu lugar no mundo?

Olá amigos

Hoje quero falar um pouco sobre a liberdade de cada um em alcançar os seus objetivos e metas simplesmente por seus méritos e esforços pessoais, independente de quem somos, como somos ou de como querem que sejamos.

 

Quantas vezes escutamos, lemos ou ouvimos falar frases preconceituosas e absurdas do tipo: 

- “lugar de mulher é na cozinha”

- “lugar de negro é na senzala”

- “Ah que bom seria se todo baiano voltasse para Bahia”


Essas são algumas entre tantas outras atrocidades do gênero...

 

Hoje em dia estamos vendo a mesma situação acontecendo com a comunidade LGBTI,  principalmente com os transgêneros, onde muitos ainda tem questionado seu direito a exercer suas profissões em pé de igualdade.  Há muita sobre sua inserção no mercado de trabalho e quanto ao direito de poderem exercer sua atividade profissional e os seus estudos de acordo com seus esforços pessoais, capacidade e méritos.

 

Dia desses foi veiculado pela mídia uma matéria sobre as forças armadas e a não aceitação de transgêneros em seus quadros.  Pessoas que tiveram uma vida inteira de serviços prestados e que por assumirem sua condição eram “gentilmente elegíveis” para serem reformadas,  como se sua identidade impossibilitasse tecnicamente a continuidade da prestação de seus serviços e a realização de sua atividade profissional, da mesma forma como sempre foi executada.

 

Essa situação lembra e muito a discriminação que mulheres já sofreram e, em alguns segmentos, ainda sofrem nos mais diversos ramos profissionais,  assim como a segregação e discriminação que os negros sofreram em  regimes racistas como nos Estados Unidos e na África do Sul,  onde Independente de sua capacidade ou mérito tinham o seu lugar pré-definido por uma sociedade que não conseguia  enxergá-los como profissionais ou pessoas como mesmo poder laboral ou intelectual,   simplesmente por ser diferente de determinados padrões impostos.

 

Para provar o absurdo que era essa visão, hoje temos vários exemplos de mulheres que são brilhantes empresárias,  tivemos um  negro no cargo mais importante da política mundial…  e salvo resquícios de preconceitos e intolerância,   até mesmo aqueles que ainda se julgam acima de mulheres e negros,  não podem deixar de reconhecer as realizações alcançadas por eles.


E eles alcançaram seus postos por cotas, imposição ideológica ou “pena”???   Não mesmo!!  Alcançaram pela chamada meritocracia.

 

Então, o que podemos esperar para a população trans, que busca simplesmente a mesma coisa?

 

Buscam sim apenas ser reconhecidos por sua capacidade e pelo mérito que seus esforços e conquistas, e que o acesso a formação cultural e profissional seja igualitário e respeitoso.

 

Já temos hoje diversos exemplos de profissionais trans que estão sendo reconhecidos em suas áreas de atuação,  aceito por empresas e pelo mercado de trabalho liberal, tendo seus direitos reconhecidos.

 

Em outros casos, temos ainda uma pressão de preconceitos materializado, como o caso da jogadora de vôlei Tiffany Abreu.

Muito embora tenha laudos médicos e o apoio da Confederação Brasileira e Internacional da categoria, ainda é desrespeitada,  com comentários do tipo “homem vestido de mulher”.  A discussão sobre esse tema recentemente novo nos  esportes é válida sim, entretanto o desrespeito... não!!

 

Mas é fato que ainda é muito  grande o número de pessoas transgêneras que sequer tem acesso ou direito à educação básica, o que prejudica em muito sua formação e melhor qualificação profissional.

 

Quando escrevo “sequer tem direito à educação”,  não me refiro tão somente a não conseguir vagas em escolas e universidades,  mas a forma em que são tratadas por colegas e muitas vezes pelo próprio estabelecimento de ensino,  o quê por muitas vezes desestimula a continuidade de sua formação, pela pressão psicológica, perseguição, agressões e bullying que, na grande maioria das vezes se aplica sobre elas.   Meu artigo anterior falando sobre bullying ilustra bem o que é passar por isso e como as pessoas reagem de forma diferente quanto a essa violência.   E não se trata de ser forte ou fraco para aguentar...  apenas quem passou por isso sabe o tamanho do problema.

 

Com baixa instrução dos trans, a sociedade acaba por rotular os empregos ou atividades em que essa população possa trabalhar,  reforçando que lugar de trans é “aqui”... lugar de trans é “ali”…  O mesmo que vimos acontecer num passado não muito  distante com mulheres e negros  e que hoje já é consenso da maioria ser um absurdo.

 

Portanto cabe transcendermos sobre esse tema…

 

Qual é o lugar de alguém no mundo?    Será que características inatas,  sexo,  raça,  religião,  ideologia política,   identidade de gênero e orientação sexual devem determinar o que alguém deve ser  profissionalmente?  

 

Somos quem podemos ser, somos quem queremos ser !!
Partindo do princípio que todos somos iguais, mas nenhum idêntico ao outro, seremos aquilo que nos prepararmos para ser, em todos os aspectos da vida, inclusive no profissional.  

 

Isso não significa que tenhamos de ter cotas para essa ou aquela minoria. Não concordo com essa ideia, mas respeito os que tem opinião contrária.

 

Se tivermos o RESPEITO a todos os cidadãos indiscriminadamente,  possibilitando igualdade de condições para sua formação e realização de suas atividades e Inserção no mercado de trabalho exclusivamente pelos seus méritos e capacidade,  já é o suficiente do que se espera de uma sociedade justa, onde a igualdade de direitos, o respeito as diferenças e a meritocracia  caminhem de mãos dadas.

 

Reconhecer o mérito das pessoas trans, assim como os de mulheres, negros, deficientes e outras minorias no mercado de trabalho,  deve ser o caminho de uma sociedade mais inclusiva e mais justa com todos os seus cidadãos.

 

Quanto mais diversa uma sociedade, mais rica ela se torna... e não se trata de concordar ou aceitar uma diferença ou escolha...  Isso seria o ideal,  mas se houver apenas o RESPEITO a elas,  já estaremos no caminho certo.

 

Não é este o país que queremos para nós?   Onde  o RESPEITO seja maior do que nossas visões pessoais?

Existem sempre, no mínimo, três verdades... a minha, a sua e a verdade verdadeira, portanto respeitemos a verdade de cada um como queremos ter a nossa respeitada.

 

Eu acredito e  luto por isso,  levantando esta Bandeira:  RESPEITO


Pensemos nisso...


Um forte e respeitoso abraço a todos e até o próximo artigo.


Flávia Bianco

 

 

Comentários (6)

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MARIA LUCIA MACIEL OLIVA

• 13/02/2018 18:44

RESPEITO E LIBERDADE PARA TODOS
Flavinha, vamos manter a esperança de que um dia o sonho de que haja respeito e liberdade entre os seres se torne realidade !!! Belo texto. Parabéns !!!

Santa Portal

• 13/02/2018 23:50

Obrigada Lu. A cada compartilhamento dessa ideia, ficamos mais perto desse sonho. Beijos

Renan Du Valle

• 13/02/2018 00:34

Apoio de opinião
Parabens grande Flavinha adorei tudo que você opinou só mostra o quanto você alem de grande é super inteligente um forte abraço e um super beijo viu fica com Deus !!!!

Santa Portal

• 13/02/2018 23:52

Obrigada meu amigo. Que minha voz possa ser ouvida, na música e no campo das ideias também.

Luis Crossdresser

• 12/02/2018 23:17

O importante é o carater...
Não importa o que somos, mas quem representamos de bem para as pessoas

Santa Portal

• 13/02/2018 23:50

Que sejamos vistos por nossos méritos. Obrigada pela contribuição.

Nicia Weiss

• 12/02/2018 16:59

Meritocracia
Quando a sociedade dita civilizada acordar para as verdades ensinadas há dois mil anos , haveremos de viver em paz uns com os outros , na família, no convívio social , profissional e nas suas praticas religiosas. Respeito é fundamental por. Todos os que você incluiu no seu comentário, mas também guardemos respeito pelos que não aceitam as situações que a modernidade quase quer impor a todos....Parabéns pelo texto !

Santa Portal

• 12/02/2018 17:50

Sim. Respeito a quem aceita ou não nossas verdades ou escolha e fundamental. Respeitar para sermos respeitados. Como escrevi, existem três verdades sempre... aprendamos a conviver e respeitar a verdade dos outros, sem imposição ou ideologia. Obrigada pelo comentário e contribuição.

Araceli

• 12/02/2018 16:09

Perfeito
Minha amiga, adoro ler seu blog! A forma que esclarece seu ponto de vista é maravilhosa .. Desejo que sua caminhada seja repleta de coragem e fé! Um grande beijo ???

Santa Portal

• 12/02/2018 17:47

Obrigada amiga... fico feliz de ler seu feedback. Procuro sempre passar a minha visão da forma mais clara possível. Foco e fé minha amiga é o que precisamos para transcender. Beijos

Clarissa

• 12/02/2018 10:51

Meritocracia
Sábias palavras ... tomara que um dia nossa sociedade possa deixar de julgar as pessoas e classifica-las por rótulos e utilidades ... ?????

Santa Portal

• 12/02/2018 11:43

Sim. Essa é a ideia. É uma luta árdua mas as sementes plantadas hoje, semearão amanhã. Obrigada pelo comentário.

     
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: [email protected]