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Que País é Esse ? Uma necessária reflexão sobre o caso Marielle Franco.

" Nas favelas, no Senado

  Sujeira pra todo lado

  Ninguém respeita a Constituição

  Mas todos acreditam no futuro da nação

 

Olá pessoal,

 

Essa música escrita por Renato Russo em 1978, mas somente lançada com o álbum de mesmo nome pela Legião Urbana em 1987, ainda retrata bem o que estamos vivendo em nosso país

 

Muito me preocupa os comentários de parte da população a respeito do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, brutalmente executada dentro de um veículo, onde morreu também o seu motorista.

 

Não bastasse ser um crime horrível, mais horrível ainda está sendo a repercussão negativa daqueles que, por posicionamento ideológico ou político contrário, não concordavam com as posições da vereadora.

 

Coisas do tipo “morreu na dos bandidos que defendia” estão presente das redes sociais, em postagens e comentários de pessoas incomodadas com a repercussão que o caso ganhou na mídia.

 

Chegam ao absurdo de alegar que a defesa dos direitos humanos foi a sua sentença de morte... as vezes, lendo alguns desses textos, chego a temer ler o absurdo de que “a morte  dela foi algo bom... bem feito”.

 

Está na hora de pararmos para pensar para onde nosso país está indo.

 

Eu não conhecia o trabalho dessa vereadora, pois as notícias que chegam no Rio de Janeiro são sempre as piores possíveis, mas fato é que ela foi eleita por mais de 40 mil pessoas para exercer seu mandato e defendia em suas propostas os interesses de minorias negras, LGBT, as mulheres e os  pobres de sua comunidade.     Há quem diga que ela estimulava a divisão da sociedade através de discursos de ódio, então antes de me posicionar, procurei dconhecer sua atividade legislativa na Câmara e todos os discursos bem centrados.  Talvez com algumas falas mais contundentes, mas até ai, cada um na sua característica.  

 

Entretanto, falar sobre direitos humanos e inclusão de minorias, num contexto político de pessoas arraigadas com  suas intolerâncias e, porque não dizer, com a corrupção realmente gera um incômodo. 

 

E ela, por vezes criticou ações da polícia carioca, essa mesma polícia que hoje está sob intervenção devido a falência do controle da segurança naquela cidade.   Denunciou abusos de policiais nas comunidades onde ela tinha seu eleitorado.

Quanto a essas denuncias, se assim não fosse, esse não teria sido um dos motivos da intervenção militar no Rio.  Muitos policiais corruptos, milicianos entre outros estão sendo descobertos e exonerados da corporação, para o bem daqueles que realmente honram a farda e sentem-se incomodados com a situação que chegou tudo aquilo.

 

Esse foi o crime praticado pela vereadora. Levantar-se para defender os direitos humanos e aquilo que acreditava.   As vezes não concordo com falas e formas de atuação da esquerda mas, como já escrevi por várias vezes aqui no meu blog, nós não precisamos aceitar a ideologia ou verdade de ninguém, mas é necessário respeitar cada uma delas, pela civilidade e debate do contraditório.

 

Então vamos pensar um pouco…  a acusação que fazem a  Marielle (sim... acusam-na depois de morta) é de que estão dando repercussão para seu assassinato porque era vereadora, esquerdista e “amiga da mídia esquerdista”, e não deram atenção ao assassinato de um empresário e de outros policiais e pessoas que morrem todos os dias pela mão do crime, no Rio de Janeiro e em nosso país.

 

Que fique muito claro nesse meu artigo que todas as vítimas e suas famílias merecem as nossas condolências e que, igualmente, que os crimes sejam investigados, os culpados identificados, julgados e condenados.   Isso é óbvio dentro de nossa lei.  Não precisa estar na mídia pois é questão de Justiça.

 

Agora, toda a importância e repercussão internacional que o caso ganhou dá-se pelo fato de que a Marielle não era somente uma mulher, negra e de  origem pobre,  ou esquerdista como acusam... ela era vereadora eleita democraticamente.  A sua execução é uma afronta não só às pessoas a quem ela representava na Câmara ou à sua família,  mais uma afronta ao poder legislativo municipal, à cidade do Rio de Janeiro e ao país.   Seja quem for o responsável, mandou um recado muito claro para a sociedade, que precisa ser muito bem lido e compreendido, bem como respondido pelas autoridades,

 

Hoje vi uma postagem no Facebook, que me chamou bastante a atenção:

 Pelos comentários que estamos vendo sobre a morte da Mirella, conseguimos entender o apoio dos alemães a Adolf Hitler

 

Eu não sei quanto a vocês, mas isso para mim é assustador !

 

Em tempos que vivenciamos diariamente discursos de ódio sendo destilados sobre todos os temas, crescente intolerância, brigas e mortes por banalidades e o aumento da "simpatia" quanto à liberação do porte de armas, realmente é algo a se preocupar.

 

Infelizmente no  Brasil está acontecendo uma inversão de valores muito séria. Pessoas que defendem os direitos humanos,  ao invés de serem reconhecidas de forma positiva são atacadas e hostilizadas.  E é sempre a mesma ladainha: “defendem apenas o direito dos  manos“.    Essa visão é tão limitada quanto desrespeitosa. 

 

Respeitar os direitos humanos significa ser legalista.   Ser legalista é cobrar ações dentro do que garante a lei. 

Isso não deveria ser alvo de demérito ou despertar ódio em pessoas "ditas" de bem.    A mesma luta para preservação dos direitos humanos, erroneamente rotulada como "só protege os bandidos" é a base para nossa proteção individual nas leis e, um dia, pode ser usada para proteger-nos ou a alguém de nossa família.

 

É pacífico o entendimento de que bandidos e criminosos (de qualquer tipo ou origem) sejam presos e tenham o seu julgamento e condenação na forma da lei.  Se as leis são brandas e falhas, lutemos para sua revisão através de pressão nas casas legislativas,  mas achar que os fins justificam os meios e que vale tudo para se fazer uma “ suposta” Justiça, realmente não é o caminho de um país “justo”.

 

Mas Flávia - dirão - cadê o direito das vítimas que morrem na mão de bandidos?

 

Assim como no caso da Marielle e das pessoas que morrem aos montes no Rio de Janeiro e demais cantos de nosso país, cabe ao Estado reconstruir a segurança pública, com inteligencia, repressao a entrada de armas e drogas e tudo o mais que especialistas cantam em verso e prosa nos telejornais, para que os crimes sejam combatidos e os responsáveis punidos na forma da lei.

 

Ninguém e nenhum de nós temos o direito de fazer justiça com nossas próprias mãos…  não nos consideramos um país, embora laico, sendo de maioria Cristã?   Essa é a razão pela qual eu veementemente não concordo com o armamento da população.

 

Mas, fato é que se nossa sociedade não lutar contra o discurso de ódio cada vez mais presente em  nosso país, contra a intolerância com o outro e suas escolhas ou diferenças ( e agora não me refiro apenas às minorias), logo nossa pátria se transformará em algo muito pior.

 

Respeitar o próximo,  respeitar as lei,  respeitar nossos professores,  respeitar autoridades e instituições e, principalmente, respeitar o direito ao contraditório é fundamental para uma sociedade que deseja avançar, acabar com a corrupção e alcançar um novo de grau em sua história.    Sem o famoso e decantado RESPEITO, vamos repetir os erros de outras Nações que sofreram justamente por intolerância e desrespeito entre seus cidadãos.

 

Que as pessoas possam refletir melhor sobre os acontecimentos que nos rodeiam,  sobre os sinais que estamos recebendo,  para que comecemos hoje a mudar aquilo que queremos de melhor para o nosso amanhã e, quem sabe, o trecho da música citado no início, seja algo relegado as livros de história, como a escravidão e outras páginas sombrias de nossa história.

 

Menos discursos de ódio e mais amor.

 

Às famílias de todas as vítimas dessa “guerra urbana” que vivemos, deixo minha solidariedade e minhas orações.  Que TRANSCENDER não seja o sonho de poucos, mas a vontade materializada de muitos.

 

Um forte abraço a todos.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 16 mar 2018 20:40Atualizado em: sexta-feira, 16 mar 2018 20:51
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O Direito de ter Direitos

Olá amigos,


Nessa semana tivemos uma conquista histórica para a sociedade, no tocante a retificação de prenome e sexo nos registros civis de pessoas transexuais.


Mas Flávia - dirão alguns - com tanta roubalheira acontecendo no país, tantos problemas estruturais acontecendo, o que essa decisão pode trazer de bom para a sociedade em si?


Para a grande maioria da sociedade, pode ser um assunto irrelevante ou até mesmo incomodante, mas não é.


Para dezenas de milhares de pessoas que vivem à margem de reconhecimento social, do acesso ao estudo e ao mercado de trabalho, isso é SIM de suma importância.


Quando falamos sobre reconhecer direitos, sejam eles de qualquer parcela de uma sociedade, falamos da diminuição da desigualdade, da injustiça e do fortalecimento da sociedade como um todo.


Cito como exemplo as leis de proteção aos trabalhadores Portadores de Necessidades Especiais.  O primeiro grande avanço foi serem denominados esses profissionais como PNE, retirando a pecha pejorativa de “deficientes físicos”.  Grande partes deles não tem nada de “deficientes” em suas capacidades e intelecto, aliás são muito mais “eficientes” do que muitos cidadãos em perfeitas condições laborativas.


Nesse caso, a lei atendeu à proteção e inclusão desse segmento da sociedade, promovendo a garantia de seus direitos.    Foi importante diretamente para as pessoas que não portam necessidades especiais ou não tem parentes ou conhecidos nessa situação?   Pode ser que não, mas aos PNE (principalmente) e para o coletivo da sociedade, tal garantia foi fundamental. Ou alguem tem dúvidas?


Uma outra conquista semelhante foi o reconhecimento, por esse mesmo STF em 2011, do casamento homoafetivo, substituindo o conceito de “união estável”, em que pese o fato de que apenas em 2013 o Conselho Nacional de Justiça, através da Resolução n. 175/2013, tenha normatizado esse entendimento junto aos cartórios de todo o país.


Da mesma forma ocorre agora com o reconhecimento dos direitos dos transgêneros, igualmente parte integrante da sociedade como os dois grupos que mencionei.  Essa aprovação ainda deverá ser objeto de normatização pelo CNJ, mas é uma vitória maiúscula dessa população, carente de respeito e reconhecimento de seus direitos.


Muito me emocionei com duas falas da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) - ministra Carmem Lúcia, antes do término da histórica votação:


“Somos iguais, sim, na nossa dignidade, mas temos o direito de ser diferentes em nossa pluralidade e nossa forma de ser”.


Em outro trecho, ainda afirmou que “...não se respeita a honra de alguém se não se respeita a imagem que [ela] tem”.


Isso não é uma vitória apenas de um grupo da sociedade.  É uma vitória da sociedade como um todo.     Já escrevi aqui que quanto mais diversa uma sociedade for, mais rica ela se torna. E isso é uma verdade absoluta.


Na prática, o reconhecimento dos transgêneros quanto a seu prenome e genero, sem a necessidade da judicialização do tema, além dos benefícios sociais e psicológicos, propicia ainda:


  • a desobrigação de toda a burocracia e custos de um processo judicial;
  • acesso dessa regularização de forma mais rápida, simplificada a todas as classes sociais;
  • regularização dos registros em escolas, faculdades, empresas;
  • inclusão social, civil e profissional, sem a necessidade desgastante (e por vezes humilhante) de ter que se explicar sobre documentos em desacordo com sua identidade, a cada apresentação;
  • menor incidência de bullying e discriminação, advindas da divergência no nome;

Ou seja, com o registro adequado à identidade do cidadão, a marginalização que muitas vezes é imposta às pessoas transgêneras, poderá ser amenizada, propiciando direitos mais igualitários, objetivo principal da decisão do STF.


É claro que isso não irá resolver a questão da intolerância, violência e discriminação que os trans ainda sofrem, mas indiscutivelmente é um primeiro passo para que haja o RESPEITO à pessoa humana, livre de rótulos, estigmas ou segregações.


RESPEITO é a base de tudo... a base de uma sociedade que respeita a diferença entre seus iguais.   


É claro que tenho consciência de que ainda há muito o que se conquistar, principalmente para que se vença a intolerância e a transfobia, essa última que ainda gera centenas de mortes inaceitáveis em nosso país todos os anos.


Conceitos pré formulados, vergonha alheia, visões religiosas equivocadas… ainda há necessidade de muita luz do esclarcimento no entendimento da sociedade, mas quando vemos a Suprema Corte decidindo de forma unânime e com uma clareza fantástica de argumento no discurso dos ministros, fico com a impressão de que, apesar da estrada ser longa, estamos no caminho certo para que sejamos uma sociedade com respeito às leis e as liberdades individuais.


Como escrevi em artigo anterior, não se trata de aceitar ou não qualquer escolha diversa de nenhum cidadão… apenas respeitar a escolha do outro, por mais diferente que seja de nossos conceitos.


Aos criminosos, aplique-se sempre a pena da lei, mas aos cidadãos de bem, nada mais justo do que permitir que gozem de sua liberdade e, principalmente, de seus direitos.     E vejam que usei o termo “liberdade” o que é diferente de libertinagem, coisas que as pessoas por vezes confundem.


Essa é a idéia de uma sociedade de bem, a qual acredito que um dia nos tornaremos, com a ajuda de decisões históricas como essa.


Respeitar para ser respeitado… respeitar os direitos de todos, para que nossos direitos também o sejam.


Feliz de ver que a idéia do Respeito está presente cada vez mais em nosso dia a dia,  


Façamos nossa parte para TRANSCENDER cada vez mais rumo ao que sonhamos.


Uma boa semana a todos.

 

 

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Qual o seu lugar no mundo?

Olá amigos

Hoje quero falar um pouco sobre a liberdade de cada um em alcançar os seus objetivos e metas simplesmente por seus méritos e esforços pessoais, independente de quem somos, como somos ou de como querem que sejamos.

 

Quantas vezes escutamos, lemos ou ouvimos falar frases preconceituosas e absurdas do tipo: 

- “lugar de mulher é na cozinha”

- “lugar de negro é na senzala”

- “Ah que bom seria se todo baiano voltasse para Bahia”


Essas são algumas entre tantas outras atrocidades do gênero...

 

Hoje em dia estamos vendo a mesma situação acontecendo com a comunidade LGBTI,  principalmente com os transgêneros, onde muitos ainda tem questionado seu direito a exercer suas profissões em pé de igualdade.  Há muita sobre sua inserção no mercado de trabalho e quanto ao direito de poderem exercer sua atividade profissional e os seus estudos de acordo com seus esforços pessoais, capacidade e méritos.

 

Dia desses foi veiculado pela mídia uma matéria sobre as forças armadas e a não aceitação de transgêneros em seus quadros.  Pessoas que tiveram uma vida inteira de serviços prestados e que por assumirem sua condição eram “gentilmente elegíveis” para serem reformadas,  como se sua identidade impossibilitasse tecnicamente a continuidade da prestação de seus serviços e a realização de sua atividade profissional, da mesma forma como sempre foi executada.

 

Essa situação lembra e muito a discriminação que mulheres já sofreram e, em alguns segmentos, ainda sofrem nos mais diversos ramos profissionais,  assim como a segregação e discriminação que os negros sofreram em  regimes racistas como nos Estados Unidos e na África do Sul,  onde Independente de sua capacidade ou mérito tinham o seu lugar pré-definido por uma sociedade que não conseguia  enxergá-los como profissionais ou pessoas como mesmo poder laboral ou intelectual,   simplesmente por ser diferente de determinados padrões impostos.

 

Para provar o absurdo que era essa visão, hoje temos vários exemplos de mulheres que são brilhantes empresárias,  tivemos um  negro no cargo mais importante da política mundial…  e salvo resquícios de preconceitos e intolerância,   até mesmo aqueles que ainda se julgam acima de mulheres e negros,  não podem deixar de reconhecer as realizações alcançadas por eles.


E eles alcançaram seus postos por cotas, imposição ideológica ou “pena”???   Não mesmo!!  Alcançaram pela chamada meritocracia.

 

Então, o que podemos esperar para a população trans, que busca simplesmente a mesma coisa?

 

Buscam sim apenas ser reconhecidos por sua capacidade e pelo mérito que seus esforços e conquistas, e que o acesso a formação cultural e profissional seja igualitário e respeitoso.

 

Já temos hoje diversos exemplos de profissionais trans que estão sendo reconhecidos em suas áreas de atuação,  aceito por empresas e pelo mercado de trabalho liberal, tendo seus direitos reconhecidos.

 

Em outros casos, temos ainda uma pressão de preconceitos materializado, como o caso da jogadora de vôlei Tiffany Abreu.

Muito embora tenha laudos médicos e o apoio da Confederação Brasileira e Internacional da categoria, ainda é desrespeitada,  com comentários do tipo “homem vestido de mulher”.  A discussão sobre esse tema recentemente novo nos  esportes é válida sim, entretanto o desrespeito... não!!

 

Mas é fato que ainda é muito  grande o número de pessoas transgêneras que sequer tem acesso ou direito à educação básica, o que prejudica em muito sua formação e melhor qualificação profissional.

 

Quando escrevo “sequer tem direito à educação”,  não me refiro tão somente a não conseguir vagas em escolas e universidades,  mas a forma em que são tratadas por colegas e muitas vezes pelo próprio estabelecimento de ensino,  o quê por muitas vezes desestimula a continuidade de sua formação, pela pressão psicológica, perseguição, agressões e bullying que, na grande maioria das vezes se aplica sobre elas.   Meu artigo anterior falando sobre bullying ilustra bem o que é passar por isso e como as pessoas reagem de forma diferente quanto a essa violência.   E não se trata de ser forte ou fraco para aguentar...  apenas quem passou por isso sabe o tamanho do problema.

 

Com baixa instrução dos trans, a sociedade acaba por rotular os empregos ou atividades em que essa população possa trabalhar,  reforçando que lugar de trans é “aqui”... lugar de trans é “ali”…  O mesmo que vimos acontecer num passado não muito  distante com mulheres e negros  e que hoje já é consenso da maioria ser um absurdo.

 

Portanto cabe transcendermos sobre esse tema…

 

Qual é o lugar de alguém no mundo?    Será que características inatas,  sexo,  raça,  religião,  ideologia política,   identidade de gênero e orientação sexual devem determinar o que alguém deve ser  profissionalmente?  

 

Somos quem podemos ser, somos quem queremos ser !!
Partindo do princípio que todos somos iguais, mas nenhum idêntico ao outro, seremos aquilo que nos prepararmos para ser, em todos os aspectos da vida, inclusive no profissional.  

 

Isso não significa que tenhamos de ter cotas para essa ou aquela minoria. Não concordo com essa ideia, mas respeito os que tem opinião contrária.

 

Se tivermos o RESPEITO a todos os cidadãos indiscriminadamente,  possibilitando igualdade de condições para sua formação e realização de suas atividades e Inserção no mercado de trabalho exclusivamente pelos seus méritos e capacidade,  já é o suficiente do que se espera de uma sociedade justa, onde a igualdade de direitos, o respeito as diferenças e a meritocracia  caminhem de mãos dadas.

 

Reconhecer o mérito das pessoas trans, assim como os de mulheres, negros, deficientes e outras minorias no mercado de trabalho,  deve ser o caminho de uma sociedade mais inclusiva e mais justa com todos os seus cidadãos.

 

Quanto mais diversa uma sociedade, mais rica ela se torna... e não se trata de concordar ou aceitar uma diferença ou escolha...  Isso seria o ideal,  mas se houver apenas o RESPEITO a elas,  já estaremos no caminho certo.

 

Não é este o país que queremos para nós?   Onde  o RESPEITO seja maior do que nossas visões pessoais?

Existem sempre, no mínimo, três verdades... a minha, a sua e a verdade verdadeira, portanto respeitemos a verdade de cada um como queremos ter a nossa respeitada.

 

Eu acredito e  luto por isso,  levantando esta Bandeira:  RESPEITO


Pensemos nisso...


Um forte e respeitoso abraço a todos e até o próximo artigo.


Flávia Bianco

 

 

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Pela essência... pela vida

Olá amigos. 

 

Hoje trago pra vocês em meu blog uma história que ganhou espaço na internet semana passada, que uniu uma família e uma drag queen, ambas de Vicente de Carvalho, no Guarujá, em um momento que ficará marcado na vida deles, e na das pessoas que conheceram essa lição de respeito e vida.

 

Na noite do último dia 13, sábado, Clodoaldo Mello estava indo a Santos utilizando-se da catraia que faz a travessia entre Vicente de Carvalho e Santos, lindamente caracterizado como a drag queen Klô, personagem com a qual anima festas e eventos diversos, quando por conta da intervenção divina, a vida dele e da família de Edjane - grávida entrando em trabalho de parto -  se cruzaram. 

 

No meio da travessia, ao perceber a situação e, em meio a indiferença dos demais, Klô deu toda a atenção e suporte à Edjane, sem pensar duas vezes mesmo tendo seu compromisso profissional o aguardando.   Chamou um taxi e acompanhou a família até o Hospital dos Estivadores, onde o pequeno Robynson nasceu. 

 

Logo após deixar a família em segurança, Klô seguiu ao seu compromisso e, por conta dessas coisas que acontecem com quem faz parte da corrente do bem, chegou a tempo de animar o evento, com a maestria de sempre.

 

Como faz parte há 18 anos de trabalhos voluntários e atualmente participa do grupo Doutores da Alegria, Clodoaldo esteve dias depois no hospital e conheceu o bebê, a quem ajudou em sua chegada ao mundo, e postou um vídeo muito emocionado pelo momento e pelo desfecho dessa história.

 

Conversei com a Edjane, mãe da criança, sobre essa linda história a qual fez questão de ressaltar que as pessoas na barca não se preocuparam em ajudar e que quando foi ajudada pela Klô, não se importou de como estava vestida, pois foi de um amor com ela. “Cada um tem a vida que quer. Isso faz ele feliz então está ótimo” disse ela.

 

“Sou muito grata. Nunca vou ter palavras para agradecer a pessoa especial que ele foi e sempre vai ser. Se não fosse ele nem sei o que seria de mim naquele dia que eu estava indo pro médico. Nem andar eu conseguia e ele me ajudo em tudo.  Eu e meu esposo sempre vamos ter uma gratidão sem fim com ele”, concluiu a nova mamãe, em belíssima atitude de respeito e reconhecimento.

 

É ou não é uma história para TRANSCENDER??

 

Eu consegui conversar com o Clodoaldo e parabeniza-lo por ter protagonizado uma das mais belas histórias de nossa região nesse começo de ano.

 

Como ator e drag, muitas vezes Klô tem de cruzar essa travessia, seja por barca ou por catraia, lindamente paramentada, devido a sua profissão, digna e honesta como tantas outras.  E como a maioria dos pertencentes a grupos diversos do padrão social dito “norma”, sofre com olhares de discriminação, intolerância e por vezes desrespeito, bastando para isso estar produzido com roupas e maquiagens lindas.

 

Pois bem... na história em questão, não importou para a moça grávida quem estava por detrás das roupas, peruca e maquiagem.   Para ela, bastou a pessoa “em essência” que fez o que PESSOAS DE BEM fariam: ajudar o próximo.    Nessa hora, Klo não pensou se chegaria a tempo ou se perderia seu evento...  não deu tempo para isso.  A HUMANIDADE dentro dele falou mais alto.  A mesma humanidade que faltou para aqueles que talvez olharam para a Klô e apenas rotulam da forma como bem entenderam ao invés de perceber que algo estava errado com a moça grávida.

 

Klô nos dá um exemplo daquilo que também defendo.   Muitas vezes somos rotulados, discriminados e as vezes atacados por sermos quem somos, mas nossa essência sempre deve estar no comando.     Seria aceitável ele cuidar de seu evento e sua vida, por conta de tantas vezes que foi hostilizado por ser “diferente”?    Claro que não.   E ele fez justamente o correto.   Foi quem é, independente de como o mundo reage a sua presença, em respeito a sua essência, em respeito a moça que precisava de amparo e, principalmente, em respeito à vida.

 

Sermos quem somos, nossa melhor versão, nossa essência...  isso nos dignifica e nos faz sermos diferentes, dar o exemplo de que podemos apanhar da vida, mas se quisermos podemos devolver amor... amor ao próximo... amor a quem não nos tem amor.  Essa é a máxima do cristianismo.   O resto tudo são convenções e conveniências.

 

Somos mais que rótulos, somos mais que roupas, perucas e maquiagens, somos mais que nossas escolhas e opções, somos mais que nossas crenças e religiões.

 

Somos ESSÊNCIA...  somos #todosKlô

 

Abaixo o link com o vídeo divulgado na Internet sobre essa linda história.  Vale a pena conferir:

https://www.facebook.com/ViveremSantos/videos/1860299427336998/?hc_ref=ARRmyZlLAuboVw_7k4wphkrCBUEm7W8eqQWeIVd374eODSn7A8VxU7kz_CAyT917JKk

 

Agradeço ao amigo Clodoaldo por me permitir dividir essa bela história.

 

Uma linda semana a todos e até o próximo encontro.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: quinta-feira, 25 jan 2018 15:15Atualizado em: quinta-feira, 25 jan 2018 15:16
  • Klô   Flavia Bianco   Transcendendo   
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De repente... a hora da colheita

Olá amigos...

 

Como estamos hoje? Como estamos no aqui e agora?

 

Recebi essa sugestão de tema da leitora Maria Lúcia e é uma grande oportunidade para pensarmos um pouco.

 

Nossa vida atual é resultado de nossas conquistas, nossas construções, daquilo que semeamos durante nossa caminhada, assim como é também resultado dos nossos erros, escolhas, inobservâncias e negligências.

 

Há um proverbio chinês que diz: “o plantio é livre, opcional... mas a colheita é obrigatória” ou então outro mais popular que fala: “quem planta, colhe

 

Isso significa que, salvo em algumas condições imponderáveis, nossa vida é construída por aquilo que somos, fazemos, escolhemos, plantamos e colhemos.   Não se pode querer que as coisas caiam do céu se não dermos uma força para que elas se materializem ou aconteçam.

 

O "de repente" não existe.  O sucesso que às vezes enxergamos nos outros, em sua absoluta maioria, veio com uma boa dose de perseverança, investimento, esforço, foco e outros requisitos.  Muitas vezes isso tudo é invisível para a grande maioria, menos para àquele que se empenhou.

 

Por vezes, nós alcançamos um sonho, uma meta e um objetivo e ouvimos: “nossa... fulano teve sorte na vida”.   Muitas vezes não fazem idéia do empenho que foi dispendido em sua realização.

 

Mas o mesmo acontece em situações inversas e adversas, quando reclamamos de uma melhor sorte que não veio.

 

Quantas vezes empenhamos nossos melhores esforços para realizar ou conquistar algo que as vezes não dá certo?   Será que nossos esforços foram em vão ou o planejamento seguiu por um caminho errado?    Será que não precisávamos rever o curso no meio da jornada?

 

E quando o assunto são relacionamentos que não deram certos, empregos ou oportunidades que perdemos, projetos pessoais que não foram realizados, amigos que se afastam...


Nada acontece de repente.

 

Assim como um projeto para ter sucesso requer um bom planejamento e o acompanhamento dos indicadores para correção de eventuais desvios, em nosso campo pessoal, psicológico e até de saúde acontece o mesmo.

 

Ninguém inicia um relacionamento com alguém pensando na frustração. Ninguém comete abusos ou negligencia sua saúde pensando em morrer ou em uma invalidez futura.  Não nos aplicamos a um projeto, atividade ou emprego, pensando em sermos descartados ou no fracasso.

 

Dessa forma, por que as desventuras acontecem?   De forma abrupta?   Não mesmo...

 

Em um emprego, projeto, banda de rock ou qualquer outra coisa que participamos, os eventos e situações acontecem de forma gradativa e acumulativa. O fim da linha, salvo alguns casos, normalmente está ligado direta ou indiretamente a essa sequência de eventos não observados, considerados ou corrigidos.

 

Quando falamos em saúde, um bom acompanhamento médico pode nos levar a evitar a grande parte das doenças crônicas, salvo as atribuídas à fatalidade ou questões genéticas e afins...

 

Amizades e relacionamentos são vias de mão dupla.  A todo o momento é possível perceber desvios na rota e buscar a correção, desde que seja vontade de ambas as partes, mas não é algo que se rompa ou deteriore de uma hora para outra.

 

E em todas as três situações citadas, temos o mesmo motivo: a "inobservância".

 

Se conseguirmos observar o nosso caminho, identificar os erros e corrigi-los, talvez o final da história possa ser outro.   Em situações onde não podemos fazer nada para mudar, aceitemos e façamos sempre nosso melhor.    Temos de ter coragem para mudar o que podemos, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir ambas situações... lembram?

 

Mas na grande maioria dos casos, está em nossas mãos... o plantio e a colheita.   Plantemos nossas cenouras, mas não esperemos colher morangos.   A lei é bem simples.  Semeie coisas boas e a vida - cedo ou tarde - te brindará com o que é seu.    

 

Teremos nossos frutos, uns bons e outros não tão bons assim.   Mas acreditem: nunca será “de repente”, mas no tempo certo, de acordo com o cultivo e nosso merecimento.

 

Que aprendamos a melhorar a qualidade de nossas sementes, para que nossos frutos sejam vistosos e saudáveis no futuro.

 

Termino esse artigo com um trecho da oração de São Francisco de Assis, que ilustra perfeitamente a idéia desse pensamento do plantio e colheita:

Ó mestre, fazei que eu procure mais
  consolar que ser consolado
  Compreender, que ser compreendido
  Amar, que ser amado
  Pois é dando que se recebe
  É perdoando que se é perdoado...


E, levantando minha bandeira pessoal, completo com “É RESPEITANDO QUE SE É RESPEITADO”. 

Que a semana seja de bons plantios e colheitas a todos!!!


Um abraço fraterno a todos a até o próximo artigo.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: quinta-feira, 11 jan 2018 16:59Atualizado em: quinta-feira, 11 jan 2018 17:01
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com