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Inclusão Inclusiva


Olá amigos,

Estou de volta depois de um período de mudanças em minha vida pessoal, mas de muito trabalho, palestras e eventos sobre respeito, diversidade e inclusão.

Após minha participação no projeto do Curso On Line “LGBT+ Conceitos e Histórias”, idealizado pela Veduca.org em parceria com a SERASA EXPERIAN, tive a oportunidade de conhecer diversas iniciativas do mundo corporativo para a inclusão, não só de LGBTs, mas das chamadas minorias, as quais merecem igualmente a atenção e ações efetivas, por uma sociedade mais igualitária em todos os sentidos.

Nesse meu artigo, falarei um pouco sobre o que tenho visto nesses últimos meses, em contato mais direto com essa temática: INCLUSÃO.

Nessa semana participei do lançamento do IDIS – Instituto pela Diversidade e Inclusão no setor de Seguros, criado por iniciativa de profissionais da área de seguros para a discussão de assuntos ligados às minorias e sua inclusão no segmento.

No painel, onde tive a honra de participar como mediadora, cinco renomadas empresas do ramo securitário apresentaram suas iniciativas para contratação e valorização de profissionais da diversidade, bem como ações internas para a mudança de paradigmas quanto a conceitos arraigados há décadas, não só no ambiente empresarial, mas na sociedade como um todo.

Para um melhor entendimento e conceituação, a diversidade não se trata exclusivamente de LGBTs, mas sim de todos aqueles que são “diversos” ao padrão social/ cultural da sociedade.  Nesse sentido as ações de inclusão são voltadas a gênero, etnia, gerações, PCD, jovens de baixa renda, refugiados e LGBTs.

Nesse painel, as empresas apresentaram seus “cases” referentes à inclusão e adequações de seus quadros quanto à diversidade, e todas foram unânimes em afirmar, cada uma de sua forma, que os resultados foram extremamente positivos.


Então vamos transcender um pouco?

Incluir um profissional da chamada diversidade, deveria ser algo tão comum mas, infelizmente não é.    Poderia me ater a aspectos sociais, de empatia, de amor ao próximo... mas prefiro me ater ao velho e conhecido tema principal desse blog:  RESPEITO.

Incluir e acolher alguém no mundo corporativo por sua competência e mérito, é um sinal de inteligência empresarial.   Quando esse alguém é considerado diferente ou minoria, também o é da mesma forma.

Empresas que acolhem e incluem esses profissionais, criam um ambiente favorável para que a pessoa “seja ela mesma” e, com isso, tenha melhor desempenho.    


Um colaborador satisfeito com seu ambiente de trabalho, além da questão de performance, tende a “vestir a camisa da empresa”, o que entre outros fatores, dá um melhor feedback ao mercado, certificações, pesquisas, etc... além de pensar duas vezes antes de eventualmente trocar de emprego.

Isso não é opinião ou teoria.  São números trazidos por consultorias especializadas, nos mais diversos segmentos. Quem milita na área de recursos humanos acompanha essa tendência.

Iniciativas de inclusão de minorias, criação de grupos temáticos ou de inclusão, pilares de sustentabilidade, entre outros modelos, estão ganhando cada vez mais espaço no mercado formal de trabalho.  E tem sido fundamental nesse processo a participação de ONGs e outros institutos, responsaveis ou mediadores na parte de qualificação e, eventualmente, fazem intermediação na abertura de processos seletivos especificos.

Embora exista a política de cotas para PCDs (e que fique claro que não estou aqui questionando isso), o que se busca na verdade, por tudo que tenho visto e conversado nesse meio corporativo, não é a estigmatização das minorias por categorias, mas sim a abertura do mercado a essas pessoas, de forma que seja o MÉRITO e adequação à vaga o fator de contratação, promoção e reconhecimento, ao invés de fatores como etnia, gênero, orientação sexual, necessidades especiais ou qualquer outra característica pessoal do profissional.

Cada um de nós é muito mais do que um simples crachá e nossos limites não podem ficar restritos a “caixinhas” ou “gavetas”.   O mérito deve ser o guia para nos permitir ocupar o espaço que podemos, de acordo com nossas expectativas e qualificação.

E quando se fala em QUALIFICAÇÃO, entramos em um outro campo da INCLUSÃO:  a FORMAÇÃO.

Me permito falar agora sobre o universo em que me insiro, o das pessoas TRANS.   Como já escrevi em artigo anterior, a formação escolar e profissional de pessoa trans, em sua maioria, é comprometida no momento em que a pessoa assume sua identidade de gênero.

Pela própria pressão social e incompreensão de boa parte de nossa sociedade, crianças e jovens trans sofrem todo tipo de preconceito e discriminação, para não se falar em violência, seja por parte de suas famílias, nas vivência escolar ou na busca de um início profissional.

O abandono dos estudos, a saída ou expulsão de casa e a falta de oportunidade profissional para pessoas trans acaba sendo uma realidade para uma boa parcela dessa população.  E as estatísticas são cruéis: cerca de 90% das mulheres trans acabam trabalhando nas ruas, como profissionais do sexo, devido a exclusão social que ocorre pelos mais diversos fatores.

Isso acaba se tornando um círculo vicioso:  muitas trans não conseguem emprego no mercado de trabalho, além daqueles mais estigmatizados, por não terem formação ou qualificação, ao mesmo tempo que não tem acesso a essa formação por conta do preconceito ainda opressor em nossa sociedade, nas escolas e nas universidades, que acaba por "repelir" sua presença na maioria desses centros.

É lógico que temos exemplo de trans que conseguem quebrar essa escrita, mas são a minoria dentro da minoria.

Portanto, é preciso que se acabe com os ataques, desconhecimento e falta de respeito aos transgeneros, para que todos tenham o DIREITO CONSTITUCIONAL de ter acesso a educação, saúde e demais benefícios de qualquer outro cidadão.    E isso só será possível quando formos respeitadas em nossas identidades de gênero, estejamos com os documentos retificados ou não.  Isso é respeito... isso é humanidade... isso é amor!

Esse respeito, incondicional e irrestrito que me refiro acima, deve ser aplicado não só as pessoas transgêneras, mas também a toda e qualquer minoria inclusa no conceito de diversidade, listada mais acima, e deve começar em nossas casas, nas escolas... na formação de nossos pequenos para um novo momento.

Então é isso.   Respeito!!   Essa é a chave para a “inclusão inclusiva”.  Me permiti a redundância no título propositalmente, pois a inclusão por exigência, e não por entendimento, pode causar o fenômeno da “inclusão exclusiva”.

E tenho a grata satisfação de ver que a "inclusão inclusiva" já começou em diversos segmentos, em passos lentos, mas passos firmes rumo a um futuro mais inclusivo, mais respeitoso e mais harmônico, afinal quanto mais diversa uma sociedade (ou uma empresa), mais rica ela se torna!

Isso é fato.

Um abraço “inclusivo” a todos.

 

 

  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: quinta-feira, 13 dez 2018 18:09Atualizado em: quinta-feira, 13 dez 2018 18:12

Comentários (3)

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Daniella Stazack

• 14/12/2018 00:57

Me representa
Muitos bom texto! Me representa e fica claro suas ideias e afirmações sobre o tema.fiovo feliz de estar participando de sua vida de perto ! Meu orgulho e meu amor beijos da sua Danny

Santa Portal

• 14/12/2018 00:59

Obrigada por compartilhar minhas ideias na prática. Juntas somos mais fortes.

Mônica Ferreira

• 13/12/2018 23:30

Inclusão inclusiva!
Parabéns Flávia, seu artigo está perfeito! Ainda estamos trabalhando por uma "inclusão inclusiva",e estamos cada vez mais próximos dela! Um grande abraço!

Santa Portal

• 14/12/2018 00:57

Obrigada Mônica. Incluir é um ato de Respeito... de amor ao próximo. Acredito que se fizermos nossa parte, venceremos pelo exemplo. Obrigada pela contribuição.

Claudio Silva

• 13/12/2018 20:24

Conhecer para Compreender...
É mais do que natural temer aquilo que não se conhece, em especial quando o que se propõe busca mudar séculos de crenças e ensinamentos no seio das familias e demais organizações, o respeito e em especial a compreensão, virá quando as pessoas tiverem não só a capacidade mas a boa vontade de ouvir a todos, e a partir disto fazer a análise do que é certo ou errado, muito embora a liberdade e o direito à livre condução de suas vidas seja um direito inalienável, desta forma, respeito e compreensão é o que espera de seres humanos conscientes e abertos mudanças, concordando com elas ou não.

Santa Portal

• 14/12/2018 00:55

Esse é o caminho. Não se trata de aceitar, gostar, concordar ou não. Isso é foro íntimo. Se o respeito estive presente, a aceitação ou não é mero detalhe. Essa é a bandeira... essa é a luta. Obrigada pela contribuição.

     
Sobre
Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com