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Afetividade - sem prefixos, só afeto.

Olá  amigos.

 

Essa semana tive o prazer de participar de um painel sobre sexualidade, gênero e cidadania aqui na cidade de Santos e, entre vários convidados palestrantes, tive a grata satisfação de conhecer a dramaturga Maria Adelaide Amaral, autora de diversas peças de teatro, novelas (Ti-ti-ti, Anjo Mau e outras), além de diversas minisséries (A muralha, A Casa das Sete Mulheres, entre outras).

 

Em sua participação, embora tenha falado no início de sua exposição que não era especialista no tema, aquela senhora simpaticíssima, com os cabelos grisalhos denunciando seus quase 75 anos de idade, deu uma aula a todos os presentes sobre a forma de se tratar a inclusão social daqueles chamados “diferentes”, com uma visão absolutamente simples. Uma verdadeira lição de vida.

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Mas um dos trechos que quero destacar e trabalhar aqui no meu blog é com relação a uma questão bastante em voga, a da reação do público em geral quanto aos temas sobre a diversidade e relacionamentos “fora do padrão” mostrados pela  teledramaturgia brasileira.

 

É bem verdade que hoje em dia o assunto “homossexualidade/ transgeneralidade/ bissexualidade” e outras questões voltadas ao universo LGBTI+ está cada vez mais presente nas telas, seja em filmes, novelas, documentários ou até mesmo em discussões de programas especializados ou de auditório.

 

Fato é que a sociedade, embora muito mais esclarecida do que há alguns anos, começa a conhecer ou reconhecer a existência dessas minorias, antes escondidas da grande cultura de massa brasileira ou, quando existiam, eram estereotipadas.

 

Como muito bem apresentado por ela, ao longo dos tempos foram sendo inseridos temas como uma declaração de amor, um passeio de mão dadas, até que chegamos nas cenas de beijos entre pessoas do mesmo sexo que hoje, embora raras, já foram exibidas.  Recentemente tivemos a grande repercussão de uma personagem que se assumiu transgênero.

 

Tudo isso realmente causou grande discussão social, cada uma em sua época.  Algumas dessas discussões resultaram num maior conhecimento e entendimento dessas temáticas. Pessoas reforçaram o entendimento de normalidade, por tratar-se de relações ou escolhas de pessoas comuns, as quais têm esse seu direito garantido hoje por lei, mas ao mesmo tempo alimentou o discurso contrário dos intolerantes.

 

Os chamados “Haters” (odiadores numa tradução livre), decantam em verso e prosa, na maioria das vezes protegidos pelo sigilo das redes sociais, os seus discursos de ódio, a sua intolerância, a sua discriminação, muitas vezes tentando usar como argumento “questões religiosas” ou uma suposta tradição de “pessoas de bem”.

 

A ação desses “Haters” não se restringe apenas ao universo LGBTI+...  mas detenho-me nesse foco em meu artigo de hoje.

 

Quando falamos da inclusão de homossexuais ou transexuais em uma novela, filme série ou o que quer que seja, existe todo um contexto histórico e psicológico de formação da personagem mas, como todo a obra de entretenimento, sempre haverá relacionamento envolvidos na trama, ou seja, a AFETIVIDADE.

 

Por conta de uma necessidade que a maioria dos seres humanos tem de classificar as informações que obtém, temos nessas novelas então situação de relacionamentos heteroafetivos e, dependendo do caso, homoafetivos.  

 

A reação das pessoas a um relacionamento heteroafetivo, por força da nossa bagagem cultural e social, é super normal,  inclusive no dia-a-dia de nossa vida cotidiana.  Quando falamos de relacionamento homoafetivo, ai sim temos um estranhamento do público em geral,  por ser algo fora do “padrão”, portanto se sujeitando a aceitação ou não do público.   

 

Nesse caso, quando trazemos essa situação para a vida real, não muito difícil escutamos as pessoas falando não toleram ver homens de mãos dadas ou mulheres de  mãos dadas.   Que isso é ”ofensivo”  na visão deles.    Eu não entro nem na discussão sobre beijo…  isso daria muita discussão.   Me atenho apenas a figura das “mãos dadas”.

 

Quando vemos duas pessoas de mãos dadas o que podemos pensar?  Existe afeto ali. Fato!

 

Se vemos um casal (homem e mulher), dois homens ou duas mulheres de mãos dadas,  O que podemos pensar?  Existe, da mesma forma, afeto ali.

 

MAS,,,  na cabeça das pessoas que precisam separar as informações em “caixinhas”, teremos duas  situações distintas: Possivelmente se trata de um casal heteroafetivo e dois casais homoafetivos.  

 

Bingo!!!!   Ai é que está o problema da nomenclatura e enquadramento.   Vamos transcender?

 

Após a  exposição da dramaturga Maria Adelaide,  tive a oportunidade de apresentar para ela um ponto de vista de que, em verdade, precisamos aprender a interpretar as relações e os relacionamentos simplesmente como “afetividade” ou “afetivos”,  sem os prefixos ”hetero” e “homo”.   Na parte jurídica entendo a necessidade por questão técnica, mas para nós... em nossa convivência no dia a dia, é um termo técnico e absolutamente dispensável.

 

Quando falamos de sentimento compartilhado por duas pessoas, isso não muda de acordo com o gênero, orientação sexual, cor da pele, a religião, características físicas…  é tão somente uma relação afetiva, amor, carinho...    Não há necessidade de se categorizar uma relação afetiva em grupinhos.

 

Por que eu escrevo isso?    Quando você categoriza relações especificamente falando por questões de gênero (homossexuais no caso), as pessoas intolerantes ou os chamados “haters”  identificam, no caso citado de mãos dadas entre dois homens,  o enquadramento na questão homoafetiva, onde o “homo” soa maior que o “afetivo”.   

 

Isso é ruim para a população LGBTI+?    Claro que é... mas também é ruim para as pessoas heterossexuais que podem ser incluídas na cegueira da intolerância.  

 

Quantas vezes vimos noticiadas histórias de um pai que foi agredido com seu filho, confundidos como homossexuais, pelo simples fato de estar de mãos dadas na rua.

 

O mesmo já aconteceu com mães e filhas, amigas, irmãs...   E qual crime que eles cometeram para serem agredidos?    Ter “AFETIVIDADE” por quem quer que seja, mesmo que a mais pura delas?

 

Então pessoal, no meu humilde entendimento, precisamos parar com essa segregação em “caixinhas”…  

 

Respeitar as pessoas por sua essência.   Respeitar o seu direito a orientação sexual e identidade de gênero, assim como hoje (teoricamente) já se respeita a liberdade de credo, a igualdade racial entre outros Direitos Humanos já reconhecidos.   Chega de criar, colocar e cobrar “crachás” onde não é necessário.  

 

Finalizando... que possamos ter mais pessoas como as grandes Maria Adelaide Amaral e Glória Perez, entre outros, inserindo em suas obras esses conceitos e discussões sobre inclusão social e, principalmente, disseminando a necessidade do respeito a qualquer forma de diversidade. 

 

Quanto mais discutimos um tema, menos estranho ele parecerá para a grande maioria e, consequentemente, melhor entendido vai ser pela sociedade.

 

Respeito: o princípio de tudo.   Sou redundante nesse papo, mas acredito de verdade nessa ideia, e compartilho com vocês.

 

Fiquem em paz e até o próximo encontro.    A todos minha afetividade incondicional !!!

 

 

 

Comentários (2)

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Filha do Sol

• 29/05/2018 18:45

Expandindo consciências
Que bom ler o contido aqui. A diversidade afetiva encanta! Pelo menos a mim, toca c ternura qdo vejo seres se relacionarem afetuosamente! E q bom q essas dignas autoras têm o dom de fazer dessa realidade humana, arte! Q bom Flávia , flua!

Santa Portal

• 22/06/2018 00:23

Obrigada pelo apoio e pela visão. Por um mundo mais afetivo, simples assim""

marcia lawant atik

• 28/03/2018 09:51

transcender
Muito o bom o blog em geral e o ultimo texto em particular..Transcender. Bjocas.

Santa Portal

• 28/03/2018 23:06

Agradeço o apoio Márcia. Esse espaço esta aberto justamente para isso... transcender para uma visão mais aberta. Beijos.

     
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: [email protected]