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Uma Luta pelo Respeito

Olá meus amigos,


Algumas semanas fora mas estou de volta para falar do que vi nesses últimos dois meses.


Ontem foi o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia - 17 de maio.


Não há o que se comemorar... mas é bom para refletir sobre o quanto nosso pais e sociedade ainda desrespeita os direitos da comunidade LGBTI, mas não somente dessa população, mas crianças, negros, nordestinos, refugiados, portadores de necessidades especiais e afins...


É triste ainda escutar e ler muitos comentários dizendo que isso é “choradeira” ou “mimimi” de quem quer forçar benefícios para si só, mas quem pertence ou lida diretamente com essas minorias, sabe que está muito longe de ser isso.



Falando especificamente sobre a comunidade LGBTI, a cada 25 horas, uma pessoa é morta por conta de sua condição, com crimes ligados única e exclusivamente a sua orientação ou identidade de gênero.   Esse dado é gravíssimo, e estamos falando apenas dos crimes “notificados” (oficiais), sem ter idéia de tantos outros que ocorrem e não são reportados ou inclusos nessa triste estatística.


Quem me acompanha há algum tempo sabe da minha luta em defesa do respeito,  não só em relação à diversidade mas ao respeito incondicional para todas aquelas chamadas ”minorias” que,  de alguma forma,  ainda sofrem problemas e dificuldades quanto a sua inclusão efetiva na sociedade.


Depois de participar, no início do mês passado, de workshop sobre diversidade, que tratei no post anterior, conheci alguns movimentos que levantam essa bandeira e,  junto a esses movimentos,  pessoas que lutam pelo mesmo ideal que eu.


Entre esses grupos, conheci o “Mães pela Diversidade”, uma ONG de mães que lutam pelo direito de seus filhos em serem quem são.  Capitaneado nacionalmente pela Majú Giorgi, com representantes em diversas cidades do país (inclusive nossa Santos), participa e promove ações, palestras e encontros para discutir temas como a inclusão da população LGBT e o combate à homofobia e transfobia, com vistas a adequação da leis para esse segmento social e, principalmente a criminalização dos crimes contra LGBTI, a exemplo do que já existe hoje com a questão racial e crimes contra a mulher.
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Tambem pude participar como visitante convidada de duas comissões de Santos, com militância ativa na defesa dos direitos da população LGBT: a Comissão Municipal da Diversidade Sexual de Santos e a Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB Santos.



A Comissão Municipal, que busca ações junto ao poder público municipal em prol da população LGBT. Foi criada há cinco anos e é coordenada pela querida Taiane Miyake, militante histórica de nossa região e responsável por ações sociais e diversas conquistas para a população trans.   Dentre elas destaco a criação do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, que atende no Hospital Guilherme Álvaro, referência para transexuais e travestis de toda a Baixada Santista.   A Comissão trabalha agora em conjunto com a administração municipal, para a criação do Conselho Municipal de Políticas LGBT, o qual garantirá mais efetividade na representação da comunidade LGBT nos assuntos da cidade.


A outra comissão, da OAB Santos, é formada mormente por advogados, mas com a colaboração de diversos outros profissionais, e é presidida pela Dra. Rosangela Novaes. Atua na defesa dos direitos desse público, principalmente na parte de assessoria jurídica, mas também promovendo ações e palestras para esclarecimento da sociedade e dos advogados e profissionais do direito sobre o tema.   


Ambas as comissões interagem entre si, sendo que parte dos integrantes de uma participam da outra, e vice versa.   Essa interação tem promovido conquistas importantes para a inclusão e visibilidade dos assuntos voltados à diversidade e defesa dos direitos LGBTI.

Tive também o prazer de ter conhecido a Dra. Patricia Gorisch, outro nome de peso no cenário nacional, na defesa dos direitos da diversidade e refugiados, expoente nacional em cursos, aulas e palestras promovidas sempre no sentido da inclusão dessa população.


Enfim...   Nesse mês, descobri pessoalmente que o movimento pela inclusão e respeito da comunidade LGBTI está muito bem representada em nossa região.


Um aspecto que me deixou super esperançosa foi encontrar nesses movimentos diversos profissionais que não são gays, lésbicas, trans ou enquadrados no conceito “diversidade”, lutando por essa causa, levantando essa bandeira...  pessoas de várias idades, desde jovens até pessoal da “melhor idade”.  Isso mostra que para sermos simpáticos à luta de determinada classe, não precisamos pertencer a ela.  Basta termos (e usarmos) a EMPATIA de entender as dificuldades do outro e, acima de tudo, lutar pelo RESPEITO INCONDICIONAL.

Aqui na Unisanta, iniciou-se nesse mês o curso de Pós Graduação EAD “Direito Homoafetivo e de Gênero”, coordenado pelas Dras. Rosângela Novaes e Maria Berenice Dias,  o primeiro do gênero no Brasil, que conta com mais de 90 alunos inscritos de várias partes do Brasil. Maiores informações no site da Universidade (ced.unisanta.br).

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Por fim, destaco que Santos, na vanguarda mais uma vez, e antes mesmo da grande maioria das cidades do país, reconheceu o direito dos transgênero, assegurando o direito a retificação do prenome e gênero, graças ao entendimento humanizado do MM. Juiz Corregedor Frederico Messias.


Respeito!! 
Não é essa bandeira que sempre levantei?  Então... é essa bandeira que vejo tremulando em cada evento ou reunião que tenho a grata oportunidade de participar.


Muito há para se fazer pela causa LGBTI, dos negros, dos deficientes, dos refugiados, das mulheres, das crianças, dos idosos... mas tudo começa com pequenos passos e pequenas mudanças em nosso pensamento.  E um pequeno movimento, por menor que seja, já nos tira do lugar.  E sempre valerá apenas por um mundo mais inclusivo e mais próximo ao ideal, por mais longe que ainda pareça.


Sempre há o que se fazer... basta querermos ajudar, querermos TRANSCENDER.


Um forte abraço a todos e até a próxima!!

 

 

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Afetividade - sem prefixos, só afeto.

Olá  amigos.

 

Essa semana tive o prazer de participar de um painel sobre sexualidade, gênero e cidadania aqui na cidade de Santos e, entre vários convidados palestrantes, tive a grata satisfação de conhecer a dramaturga Maria Adelaide Amaral, autora de diversas peças de teatro, novelas (Ti-ti-ti, Anjo Mau e outras), além de diversas minisséries (A muralha, A Casa das Sete Mulheres, entre outras).

 

Em sua participação, embora tenha falado no início de sua exposição que não era especialista no tema, aquela senhora simpaticíssima, com os cabelos grisalhos denunciando seus quase 75 anos de idade, deu uma aula a todos os presentes sobre a forma de se tratar a inclusão social daqueles chamados “diferentes”, com uma visão absolutamente simples. Uma verdadeira lição de vida.

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Mas um dos trechos que quero destacar e trabalhar aqui no meu blog é com relação a uma questão bastante em voga, a da reação do público em geral quanto aos temas sobre a diversidade e relacionamentos “fora do padrão” mostrados pela  teledramaturgia brasileira.

 

É bem verdade que hoje em dia o assunto “homossexualidade/ transgeneralidade/ bissexualidade” e outras questões voltadas ao universo LGBTI+ está cada vez mais presente nas telas, seja em filmes, novelas, documentários ou até mesmo em discussões de programas especializados ou de auditório.

 

Fato é que a sociedade, embora muito mais esclarecida do que há alguns anos, começa a conhecer ou reconhecer a existência dessas minorias, antes escondidas da grande cultura de massa brasileira ou, quando existiam, eram estereotipadas.

 

Como muito bem apresentado por ela, ao longo dos tempos foram sendo inseridos temas como uma declaração de amor, um passeio de mão dadas, até que chegamos nas cenas de beijos entre pessoas do mesmo sexo que hoje, embora raras, já foram exibidas.  Recentemente tivemos a grande repercussão de uma personagem que se assumiu transgênero.

 

Tudo isso realmente causou grande discussão social, cada uma em sua época.  Algumas dessas discussões resultaram num maior conhecimento e entendimento dessas temáticas. Pessoas reforçaram o entendimento de normalidade, por tratar-se de relações ou escolhas de pessoas comuns, as quais têm esse seu direito garantido hoje por lei, mas ao mesmo tempo alimentou o discurso contrário dos intolerantes.

 

Os chamados “Haters” (odiadores numa tradução livre), decantam em verso e prosa, na maioria das vezes protegidos pelo sigilo das redes sociais, os seus discursos de ódio, a sua intolerância, a sua discriminação, muitas vezes tentando usar como argumento “questões religiosas” ou uma suposta tradição de “pessoas de bem”.

 

A ação desses “Haters” não se restringe apenas ao universo LGBTI+...  mas detenho-me nesse foco em meu artigo de hoje.

 

Quando falamos da inclusão de homossexuais ou transexuais em uma novela, filme série ou o que quer que seja, existe todo um contexto histórico e psicológico de formação da personagem mas, como todo a obra de entretenimento, sempre haverá relacionamento envolvidos na trama, ou seja, a AFETIVIDADE.

 

Por conta de uma necessidade que a maioria dos seres humanos tem de classificar as informações que obtém, temos nessas novelas então situação de relacionamentos heteroafetivos e, dependendo do caso, homoafetivos.  

 

A reação das pessoas a um relacionamento heteroafetivo, por força da nossa bagagem cultural e social, é super normal,  inclusive no dia-a-dia de nossa vida cotidiana.  Quando falamos de relacionamento homoafetivo, ai sim temos um estranhamento do público em geral,  por ser algo fora do “padrão”, portanto se sujeitando a aceitação ou não do público.   

 

Nesse caso, quando trazemos essa situação para a vida real, não muito difícil escutamos as pessoas falando não toleram ver homens de mãos dadas ou mulheres de  mãos dadas.   Que isso é ”ofensivo”  na visão deles.    Eu não entro nem na discussão sobre beijo…  isso daria muita discussão.   Me atenho apenas a figura das “mãos dadas”.

 

Quando vemos duas pessoas de mãos dadas o que podemos pensar?  Existe afeto ali. Fato!

 

Se vemos um casal (homem e mulher), dois homens ou duas mulheres de mãos dadas,  O que podemos pensar?  Existe, da mesma forma, afeto ali.

 

MAS,,,  na cabeça das pessoas que precisam separar as informações em “caixinhas”, teremos duas  situações distintas: Possivelmente se trata de um casal heteroafetivo e dois casais homoafetivos.  

 

Bingo!!!!   Ai é que está o problema da nomenclatura e enquadramento.   Vamos transcender?

 

Após a  exposição da dramaturga Maria Adelaide,  tive a oportunidade de apresentar para ela um ponto de vista de que, em verdade, precisamos aprender a interpretar as relações e os relacionamentos simplesmente como “afetividade” ou “afetivos”,  sem os prefixos ”hetero” e “homo”.   Na parte jurídica entendo a necessidade por questão técnica, mas para nós... em nossa convivência no dia a dia, é um termo técnico e absolutamente dispensável.

 

Quando falamos de sentimento compartilhado por duas pessoas, isso não muda de acordo com o gênero, orientação sexual, cor da pele, a religião, características físicas…  é tão somente uma relação afetiva, amor, carinho...    Não há necessidade de se categorizar uma relação afetiva em grupinhos.

 

Por que eu escrevo isso?    Quando você categoriza relações especificamente falando por questões de gênero (homossexuais no caso), as pessoas intolerantes ou os chamados “haters”  identificam, no caso citado de mãos dadas entre dois homens,  o enquadramento na questão homoafetiva, onde o “homo” soa maior que o “afetivo”.   

 

Isso é ruim para a população LGBTI+?    Claro que é... mas também é ruim para as pessoas heterossexuais que podem ser incluídas na cegueira da intolerância.  

 

Quantas vezes vimos noticiadas histórias de um pai que foi agredido com seu filho, confundidos como homossexuais, pelo simples fato de estar de mãos dadas na rua.

 

O mesmo já aconteceu com mães e filhas, amigas, irmãs...   E qual crime que eles cometeram para serem agredidos?    Ter “AFETIVIDADE” por quem quer que seja, mesmo que a mais pura delas?

 

Então pessoal, no meu humilde entendimento, precisamos parar com essa segregação em “caixinhas”…  

 

Respeitar as pessoas por sua essência.   Respeitar o seu direito a orientação sexual e identidade de gênero, assim como hoje (teoricamente) já se respeita a liberdade de credo, a igualdade racial entre outros Direitos Humanos já reconhecidos.   Chega de criar, colocar e cobrar “crachás” onde não é necessário.  

 

Finalizando... que possamos ter mais pessoas como as grandes Maria Adelaide Amaral e Glória Perez, entre outros, inserindo em suas obras esses conceitos e discussões sobre inclusão social e, principalmente, disseminando a necessidade do respeito a qualquer forma de diversidade. 

 

Quanto mais discutimos um tema, menos estranho ele parecerá para a grande maioria e, consequentemente, melhor entendido vai ser pela sociedade.

 

Respeito: o princípio de tudo.   Sou redundante nesse papo, mas acredito de verdade nessa ideia, e compartilho com vocês.

 

Fiquem em paz e até o próximo encontro.    A todos minha afetividade incondicional !!!

 

 

 

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Que País é Esse ? Uma necessária reflexão sobre o caso Marielle Franco.

" Nas favelas, no Senado

  Sujeira pra todo lado

  Ninguém respeita a Constituição

  Mas todos acreditam no futuro da nação

 

Olá pessoal,

 

Essa música escrita por Renato Russo em 1978, mas somente lançada com o álbum de mesmo nome pela Legião Urbana em 1987, ainda retrata bem o que estamos vivendo em nosso país

 

Muito me preocupa os comentários de parte da população a respeito do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, brutalmente executada dentro de um veículo, onde morreu também o seu motorista.

 

Não bastasse ser um crime horrível, mais horrível ainda está sendo a repercussão negativa daqueles que, por posicionamento ideológico ou político contrário, não concordavam com as posições da vereadora.

 

Coisas do tipo “morreu na dos bandidos que defendia” estão presente das redes sociais, em postagens e comentários de pessoas incomodadas com a repercussão que o caso ganhou na mídia.

 

Chegam ao absurdo de alegar que a defesa dos direitos humanos foi a sua sentença de morte... as vezes, lendo alguns desses textos, chego a temer ler o absurdo de que “a morte  dela foi algo bom... bem feito”.

 

Está na hora de pararmos para pensar para onde nosso país está indo.

 

Eu não conhecia o trabalho dessa vereadora, pois as notícias que chegam no Rio de Janeiro são sempre as piores possíveis, mas fato é que ela foi eleita por mais de 40 mil pessoas para exercer seu mandato e defendia em suas propostas os interesses de minorias negras, LGBT, as mulheres e os  pobres de sua comunidade.     Há quem diga que ela estimulava a divisão da sociedade através de discursos de ódio, então antes de me posicionar, procurei dconhecer sua atividade legislativa na Câmara e todos os discursos bem centrados.  Talvez com algumas falas mais contundentes, mas até ai, cada um na sua característica.  

 

Entretanto, falar sobre direitos humanos e inclusão de minorias, num contexto político de pessoas arraigadas com  suas intolerâncias e, porque não dizer, com a corrupção realmente gera um incômodo. 

 

E ela, por vezes criticou ações da polícia carioca, essa mesma polícia que hoje está sob intervenção devido a falência do controle da segurança naquela cidade.   Denunciou abusos de policiais nas comunidades onde ela tinha seu eleitorado.

Quanto a essas denuncias, se assim não fosse, esse não teria sido um dos motivos da intervenção militar no Rio.  Muitos policiais corruptos, milicianos entre outros estão sendo descobertos e exonerados da corporação, para o bem daqueles que realmente honram a farda e sentem-se incomodados com a situação que chegou tudo aquilo.

 

Esse foi o crime praticado pela vereadora. Levantar-se para defender os direitos humanos e aquilo que acreditava.   As vezes não concordo com falas e formas de atuação da esquerda mas, como já escrevi por várias vezes aqui no meu blog, nós não precisamos aceitar a ideologia ou verdade de ninguém, mas é necessário respeitar cada uma delas, pela civilidade e debate do contraditório.

 

Então vamos pensar um pouco…  a acusação que fazem a  Marielle (sim... acusam-na depois de morta) é de que estão dando repercussão para seu assassinato porque era vereadora, esquerdista e “amiga da mídia esquerdista”, e não deram atenção ao assassinato de um empresário e de outros policiais e pessoas que morrem todos os dias pela mão do crime, no Rio de Janeiro e em nosso país.

 

Que fique muito claro nesse meu artigo que todas as vítimas e suas famílias merecem as nossas condolências e que, igualmente, que os crimes sejam investigados, os culpados identificados, julgados e condenados.   Isso é óbvio dentro de nossa lei.  Não precisa estar na mídia pois é questão de Justiça.

 

Agora, toda a importância e repercussão internacional que o caso ganhou dá-se pelo fato de que a Marielle não era somente uma mulher, negra e de  origem pobre,  ou esquerdista como acusam... ela era vereadora eleita democraticamente.  A sua execução é uma afronta não só às pessoas a quem ela representava na Câmara ou à sua família,  mais uma afronta ao poder legislativo municipal, à cidade do Rio de Janeiro e ao país.   Seja quem for o responsável, mandou um recado muito claro para a sociedade, que precisa ser muito bem lido e compreendido, bem como respondido pelas autoridades,

 

Hoje vi uma postagem no Facebook, que me chamou bastante a atenção:

 Pelos comentários que estamos vendo sobre a morte da Mirella, conseguimos entender o apoio dos alemães a Adolf Hitler

 

Eu não sei quanto a vocês, mas isso para mim é assustador !

 

Em tempos que vivenciamos diariamente discursos de ódio sendo destilados sobre todos os temas, crescente intolerância, brigas e mortes por banalidades e o aumento da "simpatia" quanto à liberação do porte de armas, realmente é algo a se preocupar.

 

Infelizmente no  Brasil está acontecendo uma inversão de valores muito séria. Pessoas que defendem os direitos humanos,  ao invés de serem reconhecidas de forma positiva são atacadas e hostilizadas.  E é sempre a mesma ladainha: “defendem apenas o direito dos  manos“.    Essa visão é tão limitada quanto desrespeitosa. 

 

Respeitar os direitos humanos significa ser legalista.   Ser legalista é cobrar ações dentro do que garante a lei. 

Isso não deveria ser alvo de demérito ou despertar ódio em pessoas "ditas" de bem.    A mesma luta para preservação dos direitos humanos, erroneamente rotulada como "só protege os bandidos" é a base para nossa proteção individual nas leis e, um dia, pode ser usada para proteger-nos ou a alguém de nossa família.

 

É pacífico o entendimento de que bandidos e criminosos (de qualquer tipo ou origem) sejam presos e tenham o seu julgamento e condenação na forma da lei.  Se as leis são brandas e falhas, lutemos para sua revisão através de pressão nas casas legislativas,  mas achar que os fins justificam os meios e que vale tudo para se fazer uma “ suposta” Justiça, realmente não é o caminho de um país “justo”.

 

Mas Flávia - dirão - cadê o direito das vítimas que morrem na mão de bandidos?

 

Assim como no caso da Marielle e das pessoas que morrem aos montes no Rio de Janeiro e demais cantos de nosso país, cabe ao Estado reconstruir a segurança pública, com inteligencia, repressao a entrada de armas e drogas e tudo o mais que especialistas cantam em verso e prosa nos telejornais, para que os crimes sejam combatidos e os responsáveis punidos na forma da lei.

 

Ninguém e nenhum de nós temos o direito de fazer justiça com nossas próprias mãos…  não nos consideramos um país, embora laico, sendo de maioria Cristã?   Essa é a razão pela qual eu veementemente não concordo com o armamento da população.

 

Mas, fato é que se nossa sociedade não lutar contra o discurso de ódio cada vez mais presente em  nosso país, contra a intolerância com o outro e suas escolhas ou diferenças ( e agora não me refiro apenas às minorias), logo nossa pátria se transformará em algo muito pior.

 

Respeitar o próximo,  respeitar as lei,  respeitar nossos professores,  respeitar autoridades e instituições e, principalmente, respeitar o direito ao contraditório é fundamental para uma sociedade que deseja avançar, acabar com a corrupção e alcançar um novo de grau em sua história.    Sem o famoso e decantado RESPEITO, vamos repetir os erros de outras Nações que sofreram justamente por intolerância e desrespeito entre seus cidadãos.

 

Que as pessoas possam refletir melhor sobre os acontecimentos que nos rodeiam,  sobre os sinais que estamos recebendo,  para que comecemos hoje a mudar aquilo que queremos de melhor para o nosso amanhã e, quem sabe, o trecho da música citado no início, seja algo relegado as livros de história, como a escravidão e outras páginas sombrias de nossa história.

 

Menos discursos de ódio e mais amor.

 

Às famílias de todas as vítimas dessa “guerra urbana” que vivemos, deixo minha solidariedade e minhas orações.  Que TRANSCENDER não seja o sonho de poucos, mas a vontade materializada de muitos.

 

Um forte abraço a todos.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 16 mar 2018 20:40Atualizado em: sexta-feira, 16 mar 2018 20:51
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O Direito de ter Direitos

Olá amigos,


Nessa semana tivemos uma conquista histórica para a sociedade, no tocante a retificação de prenome e sexo nos registros civis de pessoas transexuais.


Mas Flávia - dirão alguns - com tanta roubalheira acontecendo no país, tantos problemas estruturais acontecendo, o que essa decisão pode trazer de bom para a sociedade em si?


Para a grande maioria da sociedade, pode ser um assunto irrelevante ou até mesmo incomodante, mas não é.


Para dezenas de milhares de pessoas que vivem à margem de reconhecimento social, do acesso ao estudo e ao mercado de trabalho, isso é SIM de suma importância.


Quando falamos sobre reconhecer direitos, sejam eles de qualquer parcela de uma sociedade, falamos da diminuição da desigualdade, da injustiça e do fortalecimento da sociedade como um todo.


Cito como exemplo as leis de proteção aos trabalhadores Portadores de Necessidades Especiais.  O primeiro grande avanço foi serem denominados esses profissionais como PNE, retirando a pecha pejorativa de “deficientes físicos”.  Grande partes deles não tem nada de “deficientes” em suas capacidades e intelecto, aliás são muito mais “eficientes” do que muitos cidadãos em perfeitas condições laborativas.


Nesse caso, a lei atendeu à proteção e inclusão desse segmento da sociedade, promovendo a garantia de seus direitos.    Foi importante diretamente para as pessoas que não portam necessidades especiais ou não tem parentes ou conhecidos nessa situação?   Pode ser que não, mas aos PNE (principalmente) e para o coletivo da sociedade, tal garantia foi fundamental. Ou alguem tem dúvidas?


Uma outra conquista semelhante foi o reconhecimento, por esse mesmo STF em 2011, do casamento homoafetivo, substituindo o conceito de “união estável”, em que pese o fato de que apenas em 2013 o Conselho Nacional de Justiça, através da Resolução n. 175/2013, tenha normatizado esse entendimento junto aos cartórios de todo o país.


Da mesma forma ocorre agora com o reconhecimento dos direitos dos transgêneros, igualmente parte integrante da sociedade como os dois grupos que mencionei.  Essa aprovação ainda deverá ser objeto de normatização pelo CNJ, mas é uma vitória maiúscula dessa população, carente de respeito e reconhecimento de seus direitos.


Muito me emocionei com duas falas da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) - ministra Carmem Lúcia, antes do término da histórica votação:


“Somos iguais, sim, na nossa dignidade, mas temos o direito de ser diferentes em nossa pluralidade e nossa forma de ser”.


Em outro trecho, ainda afirmou que “...não se respeita a honra de alguém se não se respeita a imagem que [ela] tem”.


Isso não é uma vitória apenas de um grupo da sociedade.  É uma vitória da sociedade como um todo.     Já escrevi aqui que quanto mais diversa uma sociedade for, mais rica ela se torna. E isso é uma verdade absoluta.


Na prática, o reconhecimento dos transgêneros quanto a seu prenome e genero, sem a necessidade da judicialização do tema, além dos benefícios sociais e psicológicos, propicia ainda:


  • a desobrigação de toda a burocracia e custos de um processo judicial;
  • acesso dessa regularização de forma mais rápida, simplificada a todas as classes sociais;
  • regularização dos registros em escolas, faculdades, empresas;
  • inclusão social, civil e profissional, sem a necessidade desgastante (e por vezes humilhante) de ter que se explicar sobre documentos em desacordo com sua identidade, a cada apresentação;
  • menor incidência de bullying e discriminação, advindas da divergência no nome;

Ou seja, com o registro adequado à identidade do cidadão, a marginalização que muitas vezes é imposta às pessoas transgêneras, poderá ser amenizada, propiciando direitos mais igualitários, objetivo principal da decisão do STF.


É claro que isso não irá resolver a questão da intolerância, violência e discriminação que os trans ainda sofrem, mas indiscutivelmente é um primeiro passo para que haja o RESPEITO à pessoa humana, livre de rótulos, estigmas ou segregações.


RESPEITO é a base de tudo... a base de uma sociedade que respeita a diferença entre seus iguais.   


É claro que tenho consciência de que ainda há muito o que se conquistar, principalmente para que se vença a intolerância e a transfobia, essa última que ainda gera centenas de mortes inaceitáveis em nosso país todos os anos.


Conceitos pré formulados, vergonha alheia, visões religiosas equivocadas… ainda há necessidade de muita luz do esclarcimento no entendimento da sociedade, mas quando vemos a Suprema Corte decidindo de forma unânime e com uma clareza fantástica de argumento no discurso dos ministros, fico com a impressão de que, apesar da estrada ser longa, estamos no caminho certo para que sejamos uma sociedade com respeito às leis e as liberdades individuais.


Como escrevi em artigo anterior, não se trata de aceitar ou não qualquer escolha diversa de nenhum cidadão… apenas respeitar a escolha do outro, por mais diferente que seja de nossos conceitos.


Aos criminosos, aplique-se sempre a pena da lei, mas aos cidadãos de bem, nada mais justo do que permitir que gozem de sua liberdade e, principalmente, de seus direitos.     E vejam que usei o termo “liberdade” o que é diferente de libertinagem, coisas que as pessoas por vezes confundem.


Essa é a idéia de uma sociedade de bem, a qual acredito que um dia nos tornaremos, com a ajuda de decisões históricas como essa.


Respeitar para ser respeitado… respeitar os direitos de todos, para que nossos direitos também o sejam.


Feliz de ver que a idéia do Respeito está presente cada vez mais em nosso dia a dia,  


Façamos nossa parte para TRANSCENDER cada vez mais rumo ao que sonhamos.


Uma boa semana a todos.

 

 

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Qual o seu lugar no mundo?

Olá amigos

Hoje quero falar um pouco sobre a liberdade de cada um em alcançar os seus objetivos e metas simplesmente por seus méritos e esforços pessoais, independente de quem somos, como somos ou de como querem que sejamos.

 

Quantas vezes escutamos, lemos ou ouvimos falar frases preconceituosas e absurdas do tipo: 

- “lugar de mulher é na cozinha”

- “lugar de negro é na senzala”

- “Ah que bom seria se todo baiano voltasse para Bahia”


Essas são algumas entre tantas outras atrocidades do gênero...

 

Hoje em dia estamos vendo a mesma situação acontecendo com a comunidade LGBTI,  principalmente com os transgêneros, onde muitos ainda tem questionado seu direito a exercer suas profissões em pé de igualdade.  Há muita sobre sua inserção no mercado de trabalho e quanto ao direito de poderem exercer sua atividade profissional e os seus estudos de acordo com seus esforços pessoais, capacidade e méritos.

 

Dia desses foi veiculado pela mídia uma matéria sobre as forças armadas e a não aceitação de transgêneros em seus quadros.  Pessoas que tiveram uma vida inteira de serviços prestados e que por assumirem sua condição eram “gentilmente elegíveis” para serem reformadas,  como se sua identidade impossibilitasse tecnicamente a continuidade da prestação de seus serviços e a realização de sua atividade profissional, da mesma forma como sempre foi executada.

 

Essa situação lembra e muito a discriminação que mulheres já sofreram e, em alguns segmentos, ainda sofrem nos mais diversos ramos profissionais,  assim como a segregação e discriminação que os negros sofreram em  regimes racistas como nos Estados Unidos e na África do Sul,  onde Independente de sua capacidade ou mérito tinham o seu lugar pré-definido por uma sociedade que não conseguia  enxergá-los como profissionais ou pessoas como mesmo poder laboral ou intelectual,   simplesmente por ser diferente de determinados padrões impostos.

 

Para provar o absurdo que era essa visão, hoje temos vários exemplos de mulheres que são brilhantes empresárias,  tivemos um  negro no cargo mais importante da política mundial…  e salvo resquícios de preconceitos e intolerância,   até mesmo aqueles que ainda se julgam acima de mulheres e negros,  não podem deixar de reconhecer as realizações alcançadas por eles.


E eles alcançaram seus postos por cotas, imposição ideológica ou “pena”???   Não mesmo!!  Alcançaram pela chamada meritocracia.

 

Então, o que podemos esperar para a população trans, que busca simplesmente a mesma coisa?

 

Buscam sim apenas ser reconhecidos por sua capacidade e pelo mérito que seus esforços e conquistas, e que o acesso a formação cultural e profissional seja igualitário e respeitoso.

 

Já temos hoje diversos exemplos de profissionais trans que estão sendo reconhecidos em suas áreas de atuação,  aceito por empresas e pelo mercado de trabalho liberal, tendo seus direitos reconhecidos.

 

Em outros casos, temos ainda uma pressão de preconceitos materializado, como o caso da jogadora de vôlei Tiffany Abreu.

Muito embora tenha laudos médicos e o apoio da Confederação Brasileira e Internacional da categoria, ainda é desrespeitada,  com comentários do tipo “homem vestido de mulher”.  A discussão sobre esse tema recentemente novo nos  esportes é válida sim, entretanto o desrespeito... não!!

 

Mas é fato que ainda é muito  grande o número de pessoas transgêneras que sequer tem acesso ou direito à educação básica, o que prejudica em muito sua formação e melhor qualificação profissional.

 

Quando escrevo “sequer tem direito à educação”,  não me refiro tão somente a não conseguir vagas em escolas e universidades,  mas a forma em que são tratadas por colegas e muitas vezes pelo próprio estabelecimento de ensino,  o quê por muitas vezes desestimula a continuidade de sua formação, pela pressão psicológica, perseguição, agressões e bullying que, na grande maioria das vezes se aplica sobre elas.   Meu artigo anterior falando sobre bullying ilustra bem o que é passar por isso e como as pessoas reagem de forma diferente quanto a essa violência.   E não se trata de ser forte ou fraco para aguentar...  apenas quem passou por isso sabe o tamanho do problema.

 

Com baixa instrução dos trans, a sociedade acaba por rotular os empregos ou atividades em que essa população possa trabalhar,  reforçando que lugar de trans é “aqui”... lugar de trans é “ali”…  O mesmo que vimos acontecer num passado não muito  distante com mulheres e negros  e que hoje já é consenso da maioria ser um absurdo.

 

Portanto cabe transcendermos sobre esse tema…

 

Qual é o lugar de alguém no mundo?    Será que características inatas,  sexo,  raça,  religião,  ideologia política,   identidade de gênero e orientação sexual devem determinar o que alguém deve ser  profissionalmente?  

 

Somos quem podemos ser, somos quem queremos ser !!
Partindo do princípio que todos somos iguais, mas nenhum idêntico ao outro, seremos aquilo que nos prepararmos para ser, em todos os aspectos da vida, inclusive no profissional.  

 

Isso não significa que tenhamos de ter cotas para essa ou aquela minoria. Não concordo com essa ideia, mas respeito os que tem opinião contrária.

 

Se tivermos o RESPEITO a todos os cidadãos indiscriminadamente,  possibilitando igualdade de condições para sua formação e realização de suas atividades e Inserção no mercado de trabalho exclusivamente pelos seus méritos e capacidade,  já é o suficiente do que se espera de uma sociedade justa, onde a igualdade de direitos, o respeito as diferenças e a meritocracia  caminhem de mãos dadas.

 

Reconhecer o mérito das pessoas trans, assim como os de mulheres, negros, deficientes e outras minorias no mercado de trabalho,  deve ser o caminho de uma sociedade mais inclusiva e mais justa com todos os seus cidadãos.

 

Quanto mais diversa uma sociedade, mais rica ela se torna... e não se trata de concordar ou aceitar uma diferença ou escolha...  Isso seria o ideal,  mas se houver apenas o RESPEITO a elas,  já estaremos no caminho certo.

 

Não é este o país que queremos para nós?   Onde  o RESPEITO seja maior do que nossas visões pessoais?

Existem sempre, no mínimo, três verdades... a minha, a sua e a verdade verdadeira, portanto respeitemos a verdade de cada um como queremos ter a nossa respeitada.

 

Eu acredito e  luto por isso,  levantando esta Bandeira:  RESPEITO


Pensemos nisso...


Um forte e respeitoso abraço a todos e até o próximo artigo.


Flávia Bianco

 

 

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Sobre
Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com