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Para toda Páscoa, uma oportunidade de recomeço!

Eu sou de uma família de Italianos e Portugueses, mais católica impossível. Tínhamos que pedir benção, uma educação rigorosa dentro de padrões e costumes Europeus. Era tanta gente falando junto, alto a cada domingo, que nem sei explicar se não for movimentando meus braços...

Era uma família grande, a parte Italiana era sim, tinha muitos irmãos, primos de 1o. e 2o. grau, tinha de cantores de sanfona aos contadores de “causos”, e cada história que daria para fazer um livro poético ou de suspense.

Foi uma infância feliz, uma adolescência complicada e rebelde, sim eu era a ovelha negra da família e adorava Os Mutantes e Rita Lee, e também uma ópera e um clássico de Vivaldi ou outros tantos, deu para me imaginar?

Eu não entendia bem por que, para poder ir a uma matinê da discoteca do salão de um clube em São Caetano do Sul, lá pelos anos 70 (Os famosos embalos do sábado a noite), a família reunida no almoço do domingo tinha que fazer um “petit comitê” para decidir se eu poderia ir ou não.

Nesta época, onde eu morava, as pessoas perguntavam de que família eram meus amigos, sim o sobrenome delas, e se não fosse de acordo com os padrões de minha educação, a resposta era não. E tinham comentários de várias naturezas, nem vem ao caso falar, porque hoje consigo entender que tudo aquilo era amor por mim. Todos queriam cuidar de mim, mas naquela época eu pensava ao contrário, e aos 19 anos me casei para fugir disto e, claro, me aprisionei a todas as “obrigações” que um matrimônio cristão nos trás.

Deus em sua eterna bondade, me trouxe duas lindas Páscoas, dois renascimentos e novos propósitos de vida, o maior amor do mundo, um amor que eu jamais havia sentido, o Leonardo e a Ana Carolina, hoje adultos, seguindo suas vidas e sabendo que meu maior desejo é a felicidade deles. Acho que eles tomam suas decisões pensando nisto, pelo menos quero acreditar que sim.

A cada Páscoa, eu repasso este filme da vida em minha cabeça, às vezes choro pela tristeza de não ter entendido aquele amor da minha família, obedecido mais, ou pelo menos ouvido e respeitado a sabedoria dos mais velhos, de quem sabe o que está dizendo, com certeza eles sabem. Fico imaginando como teria sido diferente a minha vida, como mais tranquila ela teria sido, e como hoje, talvez eu não tivesse me afastado de todos eles depois que me casei. Teria uma família enorme, falando alto e todo mundo junto, com as mãos, rindo alto e se metendo todo mundo na vida do outro. Hoje, ou já há algum tempo, entendo que isto se chama amor!

Choro, porque fui tão egoísta pensando somente no meu prazer, naquele prazer momentâneo de dançar, sem pelo menos argumentar com eles que eu queria ir para dançar, não para namorar, nem ficar, ou qualquer cosia assim. Falar para eles que eu adorava dançar, que dançar, a música, as luzes, me deixava feliz e quem sabe alguém poderia me acompanhar. Eu não soube conversar, explicar meus sentimentos. Em vez disto, eu ficava muito brava, batia portas e falava muito alto. Eu foquei nas coisas e sentimentos errados a vida toda e até hoje, ainda faço muito isto. Faço menos, muito menos, mas, sim, ainda faço. Terá que haver muitas Páscoas para eu me perdoar por tantas atitudes e comportamentos que me trouxeram à minha vida atual. É mais fácil perdoar do que me perdoar. Assim são minhas Páscoas, um eterno renascer após este filme se repetir ano a ano.

Há um outro lado da Páscoa, o que me faz sorrir e respirar suavemente. Pelos caminhos que trilhei, como disse, Deus me abençoou com dois filhos. Eles são bênçãos. Quando celebro a Páscoa, penso, Deus obrigada por me perdoar e ter enviado dois anjos, que hoje cuidam amorosamente de mim. Que me amam como eu sou, e que os amo como eles são, porque são perfeitos, eles são amor. Isto já faz 35 anos. Deus me perdoou lá e até hoje me perdoa e demonstra seu amor, pois agora serei avó e ele me permitiu sentir uma amor ainda, infinitamente maior, ele nem cabe no peito, ele transborda e me sinto quase chegando à dádiva de entender o que é o amor da tríplice santidade, Deus, Pai e o Espírito Santo.

Ao final de tudo, mesmo quando tomamos caminhos adversos, não seguimos pelo caminho do respeito e do amor ao próximo, Deus está lá, sempre está lá, para nos recolocar no caminho de novo quantas e quantas vezes forem necessárias, até que eu, você, nós, por fim, consigamos entender que somos pessoas do bem, somos quem somos, mas que precisamos usar todos os dons a nós concedidos para o bem, para o amor, falar as mesmas coisas, só que pelo lado positivo, pela energia da luz, pela vida que segue mesmo após a morte física ou da Paixão de Cristo. Renascer na Páscoa celebrada todos anos para lembrar que Jesus morreu e renasceu, não há morte, só passagem, mesmo morrendo permanecemos no coração, nos exemplos, nos legados, na aparência física até mesmo, dos que aqui permanecem.

Que sejamos bons exemplos, que cuidemos de nossa saúde e da do próximo, cuidemos de nossas gestos e palavras, que doemos o nosso melhor para que ele se eternize de geração a geração.

Feliz Páscoa!

Elisabeth Victorazzi
Profissional de Educação Física, pós-graduada em fisiologia do exercício; biomecânica dos exercícios; 4º. Generation of Training Teachear – Contrology, J.H. Pilates.

E ... futura avó de uma abençoada menina

 

 

  • Publicado por: Elizabeth Vitorazzi
  • Postado em: quarta-feira, 22 abr 2020 14:12

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