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Mindfulness em nome da qualidade de vida

Mindfulness é uma prática de meditação oriunda de tradições como o Budismo, e que foi adaptada para o ocidente, sendo muito estudada por pesquisadores como o Dr. Herbert Benson da Universidade de Harvard, Richard Davidson da Universidade de Winsconsin e Jon Kabatt Zin da Universidade de Massachussets, John Teasdale, da Universidade de Cambridge, dentre outros, que comprovaram seus efeitos benéficos na saúde e qualidade de vida. Pode ser definida como um estado de atenção plena no aqui e agora, quando estamos totalmente presentes naquilo que estamos fazendo, o estado chamado de presença, o que ocasiona uma percepção alterada de tempo, e modificações em nossa fisiologia.

Meditar regularmente altera a química cerebral, reduzindo o nível dos hormônios do estresse e da ansiedade como a adrenalina e o cortisol, e aumentando os neurotransmissores do prazer e bem estar como as encefalinas e a serotonina. Quando meditamos eliciamos a conhecida Resposta de Relaxamento, estudada desde a década de 70 pelo médico americano de Harvard, Dr. Herbert Benson, criador do Instituto Corpo e Mente (Body Mind Institute) dessa conhecida Universidade. Acontece o relaxamento físico e mental, reduzindo os pensamentos repetitivos e negativos, e se estabelece um padrão de tranquilidade, foco e atenção.

A técnica MBSR (Mindful Based Stress Reduction) ou terapia da redução de estresse é baseada na meditação Mindfulness da tradição oriental budista, adaptada para o ocidente, e criada por Dr. Jon Kabatt Zin há mais de 3 décadas, como método complementar para o tratamento de pacientes com câncer e dor crônica.

A Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness ou MBCT (Mindfulness Based Cognitive Therapy) foi desenvolvida por Zindel Segal, Mark Williams e John Teasdale e é uma adaptação e utiliza um formato semelhante à MBSR do Dr. Jon Kabatt Zin, , funcionando como um treinamento de oito semanas em formato de retiro, com educação em temas psicológicos, práticas de meditação e movimentos como Ioga, discussões, práticas e exercícios diários.

Diversas outras formas de terapias baseadas na meditação mindfulness de terceira geração foram criadas nos últimos anos focadas em tratamentos de patologias específicas, por diversos autores. Fazem parte das práticas integrativas e complementares, e integram diversas técnicas para ajudar na prevenção e tratamento das doenças crônicas.

Como a meditação Mindfulness pode também ser realizada com a intenção de prevenir doenças, é importante que se estimule as crianças a praticarem desde cedo, e isso deve acontecer de uma forma especial, devido às características comportamentais da infância. Podem ser feitas atividades como brincadeiras, dando nomes como “olhar para o coração” ou “respirar com o coração”, para estimular a criança a relaxar e focar a atenção. Também o uso de aparelhos como o biofeedback que tem jogos gráficos que mostram uma evolução natural de fases conforme a criança consegue relaxar e aumentar a coerência cardíaca, sem que ela nem perceba que se trata de uma técnica de meditação.

Quando a criança é pequena, poucos minutos é o tempo indicado para praticar a meditação através de forma lúdica.  Com a idade o tempo pode aumentar para práticas mais longas e sofisticadas. O uso de músicas, mantras, imagens e jogos pode ajudar a criança a concentrar a atenção e focar na prática com mais facilidade e naturalidade. Podem ser usadas posturas, meditar caminhando, observar a natureza, equipamentos que simulam jogos como o biofeedback, desenhos, e outras que captem a atenção da criança de maneira lúdica e divertida.

A prática reduz o nível de estresse experimentado pelas pessoas, com aumento da atividade cerebral na região da amígdala e cíngulo anterior cortical, relacionadas a essa resposta de estresse, e com diminuição da atividade na região pré frontal, que é a responsável pelo planejamento, raciocínio e pensamento consciente. Por isso, nos momentos em que estamos estressados ou ansiosos, não conseguimos pensar e raciocinar corretamente, e agimos mais no instinto. Outro benefício é o aumento da atividade na região pré-frontal, o que nos coloca novamente no controle dos pensamentos e reduz a resposta do organismo ao estresse.

Trabalhos científicos demonstram que, após treinamento de oito semanas de mindfulness, há alterações não somente na atividade do cérebro mas também ocorrem alterações na estrutura anatômica do cérebro, com aumento da massa cinzenta na região do córtex auditivo e sensorial, ampliando a atenção na experiência presente, e no córtex frontal, no giro do cíngulo posterior, hipocampo, região temporoparietal, que são regiões relacionadas à memória, aprendizado, cognição, regulação das emoções, empatia e compaixão.

Estes estudos vêm sendo feito em diversas áreas e atuação e comprovam o efeito da meditação mindfulness com os seguintes resultados: Melhora a resposta aos tratamentos de doenças cardiovasculares como a hipertensão arterial. melhora a atenção e a concentração; melhora a ansiedade e o desempenho em testes, diminuindo a ansiedade, melhora a imunidade e a resistência à doenças e a recuperação aos tratamentos; amplia a consciência e traz um maior senso de conexão.

Dr. Jon Kabatt Zin, médico do Center for Mindfulness - UMass Medical School (Universidade de Massachussets), vêm pesquisando e desenvolvendo há mais de 3 décadas a técnica MBSR (Mindful Based Stress Reduction) ou terapia da redução de estresse, baseada na meditação Mindfulness da tradição oriental budista,  como método complementar para o tratamento de pacientes com câncer e dor crônica.

A meditação Mindfulness faz parte do PNPIC, o Programa Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde - SUS, mas na prática ainda não há muitos centros oferecendo essas atividades. Diversos hospitais privados como Einstein, e Universidades como a UNIFESP têm núcleos de Práticas Integrativas, que a oferecem como método complementar aos tratamentos convencionais. Procure a orientação de um profissional habilitado e pratique, sua saúde e qualidade de vida agradecerão.

* Roberto Debski é médico, psicólogo, coach e trainer em Programação Neurolinguística

 

 

  • Publicado por: Roberto Debski
  • Postado em: quarta-feira, 29 nov 2017 12:39Altualizado em: quarta-feira, 29 nov 2017 12:43

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