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Crianças e jovens também precisam fazer exercícios físicos - mas com limites!

Crianças e adolescentes de 0 a 19 anos devem praticar atividade física diariamente e passar o menor tempo possível em frente a telas de tablets, computadores ou televisão. A recomendação está no guia lançado hoje (27) pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com orientações inéditas para promover a atividade física desde a infância e combater a obesidade e outros problemas de saúde decorrentes do sedentarismo.

O objetivo do guia é facilitar a orientação dos pediatras, profissionais de saúde, educadores, pais e professores de educação física no encaminhamento das crianças e adolescents para o exercício físico diário e alertar sobre os riscos da inatividade.

O guia lembra que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente garantem às crianças e jovens o direito ao lazer, esportes e diversão, assim como o acesso à saúde. E destaca que o Brasil firmou em março deste ano, junto a Organização das Nações Unidas, o compromisso de combater a obesidade infantil.

“A obesidade na infância e na adolescência é um problema mundial que acarreta custos elevados aos sistemas de saúde. Jovens obesos apresentam maiores probabilidades de desenvolverem fatores de risco que podem causar doenças como diabetes, hipertensão, depressão, alterações ortopédicas e articulares, por exemplo”, disse Luciana Rodrigues Silva, presidente da SBP.

Segundo a agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), mais da metade da população brasileira está com sobrepeso. Entre as crianças menores de cinco anos, estima-se que 7,3% delas estão acima do peso.

Mais brincadeiras, mais saúde
O manual da SBP foi elaborado com base no alerta de estudos e protocolos internacionais e pela primeira vez traz informações sistematizadas sobre diferentes tipos de atividades mais adequadas para cada faixa etária entre 0 e 19 anos, considerando as etapas de crescimento e desenvolvimento físico e cognitivo.

“Os pediatras vão ter tabelas bem indicativas, em que você acessa ali a faixa de zero a dois anos, de três a cinco anos, depois de seis a 19. Então, ele tem na mão o que pode indicar e como ele vai indicar. Isso facilita muito durante a consulta no serviço publico e no serviço privado de saúde”. explicou Ricardo Barros, pediatra e coordenador do grupo de trabalho que elaborou o guia.

De acordo com o documento, é recomendável que as crianças e adolescentes sejam fisicamente ativos todos os dias e que devem praticar atividades prazerosas e lúdicas.

“A criança gosta do lúdico, ela vai ter habilidade entre 5 e 7 anos, nessa idade você coloca numa escolinha, pode ser de natação, judô, o que achar mais interessante, mas tem que ter uma boa orientação e a criança tem que gostar, não adianta levar a criança chorando”, recomenda o pediatra.

Os bebês, por exemplo, devem ser estimulados a se movimentarem várias vezes ao dia, seja engatinhando, buscando objetos ou movendo os membros do corpo, sob supervisão e estímulo dos pais. E até os dois anos de idades não devem ser expostos a tablets ou outro tipo de telas eletrônicas, como celulares e televisão.

As crianças de três a cinco anos, podem se exercitar por 180 minutos ao longo do dia, andando de bicicleta, com brincadeiras de perseguir ou jogos com bola, por exemplo. A partir dessa faixa etária, as crianças também podem começar a nadar, fazer dança, praticar lutas ou esportes coletivos, de maneira gradativa.

Entre seis e 19 anos de idade, as crianças e adolescentes podem se exercitar por pelo menos uma hora por dia com atividades mais intensas, como correr, nadar, pedalar, saltar ou com brincadeiras que trabalhem com o peso corporal e acelerem mais a respiração e o batimento cardíaco. Atividades que estimulem a flexibilidade e o desenvolvimento de músculos e ossos, como a musculação, podem ser feitas pelo menos três vezes na semana com acompanhamento profissional.

Se for necessário, os pediatras encaminharão as crianças para avaliação cardiológica antes da prática da atividade física. Eles alertam ainda que o tempo de exposição às telas não deve ultrapassar duas horas diárias para não prejudicar o tempo de exercício das crianças.

Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, feita pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), 65,5% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental não realizavam 300 minutos de atividades físicas na semana, e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que essa frequencia chegue a pelo menos 420 minutos.

“Infelizmente, as telas ocuparam o lugar da atividade física, então a criança de qualquer nível social, de qualquer idade, já entra no consultório teclando um iphone, ipad, uma maquininha. Nós temos que acabar com isso, que é, digamos assim, o virus mais nocivo contra a atividade física. Quando você está numa tela, você tem o isolamento social, você não está brincando, jogando, não tem nenhum tipo de convivência com outras crianças”, alerta Barros.

Exemplo
A iniciativa visa ainda promover hábitos saudáveis inclusive no meio médico. Para sensibilizar os profissionais e alertá-los de que eles também precisam se exercitar, o lançamento do guia ocorre no Dia Nacional do Pediatra, celebrado hoje.

“Primeiro, o pediatra também  deve fazer algum tipo de atividade física para ser um exemplo e passar melhor as informações sobre tempo de exercício, hidratação e nutrição. E, segundo, para eles indicarem a hora certa para a criança se exercitar. A ideia é estimular o pediatra a dar uma informação mais adequada e depois isso ser replicado pela família.”, explicou Barros.

No guia, os pediatras tambem são orientados a conversar com os pais sobre a pandemia da obesidade e estimulá-los a educar seus filhos a terem um modo de vida mais ativo, com hábitos alimentares mais saudáveis.

Para as escolas, as principais orientações são no sentido de desenvolver ações pedagógicas que incluam mais participação dos alunos nas aulas de educação física. O guia também propõe a formulação de políticas públicas de promoção da atividade física na infância e adolescência.

As recomendações serão distribuídas para quase 30 mil pediatras de todo o país, que disseminarão as informações para pais, educadores físicos e a comunidade escolar. O guia pode ser acessado no site da SBP.

 

 

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