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Região de Champagne: Borbulhas e muito mais

Ano Novo, casamento, aniversário, conquista de campeonato, promoção no emprego, nascimento de filho, formatura na faculdade e outros tantos momentos alegres nos remetem a qual bebida? Champagne, por óbvio. E por quê? Porque esta bebida e suas maravilhosas borbulhas (o perlage) estão associadas a felicidade. Ou seja, em momentos felizes, que merecem uma comemoração, bebemos champagne.

Esta conexão entre champagne e bons momentos é o resultado de uma muito bem sucedida estratégia de marketing dos produtores da região francesa de mesmo nome, única que pode utilizar esta denominação no mundo inteiro, muito embora alguns produtores mundo afora insistam em se apropriar indevidamente desta.

A bebida foi paulatinamente sendo adotada pelos produtores da região desde o século XVII, mais especificamente 1668, quando o monge beneditino Dom Pierre Pérignon teria descoberto a fórmula para se produzir vinho espumante, ao menos pelo método hoje conhecido como champenoise. Há, contudo, muita controvérsia sobre se de fato o citado religioso teria sido o precursor das borbulhas, posto que alguns apontam o ano de 1531 como sendo aquele em que monges, também beneditinos, da Abadia de Saint-Hilaire, perto de Carcassonne, teriam feito o primeiro espumante. Hoje, quase 100% da região vitivinícola se dedica à produção de champagne.

São cerca de 100 prestigiadas maisons e algo em torno de 19.000 pequenos produtores (vignerons), sendo que grande parte delas podem visitadas. Todavia, algumas se destacam, seja pela excelência da bebida que desenvolvem, seja pela beleza de suas instalações, aí incluídas suas caves.

Na seleta lista de prestigiados produtores, e que recebem visitação, encontram-se a Möet & Chandon, Veuve Clicquot, Bollinger, Taittinger, Pommery, Jacques Selosse, Louis Roederer, Pol Roger, Gosset, Billecart-Salmon, Charles Heidsieck, Perrier-Jouët, Laurent-Perrier, Ruinart, Henriot, Drappier, Duval-Leroy e Ayala. Certamente esta é uma lista reduzida, pois tantas outras poderiam ser mencionadas. A Krug, infelizmente, não recebe turistas.

Quem pensa, entretanto, que só de champagne vive a região, está muito enganado, pois muitas outras atrações lhe esperam, a começar pela importantíssima cidade de Reims (pronuncia-se Rãns), que foi fundada por gauleses, conquistada pelos romanos, prestigiada pela monarquia francesa e palco de muitas guerras, inclusive a II Grande Guerra Mundial (lá foi assinado o ato de rendição dos alemães em 07 de maio de 1945 perante os líderes dos exércitos aliados, dentre eles o general americano Dwight Eisenhower).

Esta bela cidade tem como principais atrações a imponente catedral de Notre-Dame de Reims, do início do século XIII, onde eram coroados os reis da França; o Porte de Mars, um arco que se constituía em um dos quatro portais da cidade na época de dominação romana; o Palais de Tau, um palácio do fim do século XV, que serviu de moradia de reis da França; e a Basílica de Saint Remi.

Não deixe de visitar, também, as cidades de Epernay (vale passar um dia inteiro), Avize, Aÿ e Châlon-en-Champagne. Todas elas, além de bucólicas e com algumas boas atrações turísticas, são sede de grandes vinícolas.

No campo da gastronomia, a região também não deixa a desejar. Não bastasse o fato de estar na França, o que, por si só já é garantia para comer bem, Champagne guarda alguns tesouros que valem muito para quem estiver disposto a gastar algumas centenas de euros. Falo dos restaurantes L’Assiette Champenoise e Le Parc, ambos localizados em hoteis.

Com relação ao L’Assiette Champenoise, trata-se de um 3 estrelas Michelin, localizado no interior do hotel de mesmo nome, em Tinqueaux (cidade grudada em Reims) e comandado pelo chef Arnaud Lallement. Ao entrar, aceite tomar um drink no bar do hotel, moderno e de muito bom gosto. Escolha um champagne em taça na imensa carta que será apresentada. Sem nenhum custo, lhe serão servidos alguns canapés que darão a noção do que está por vir no restaurante. O menu é sazonal, mas não deixe de provar a homard bleu (lagosta azul da Bretanha), que está sempre no cardápio. Peça para o sommelier harmonizar toda sua refeição com champagnes. É incrível descobrir como é possível tomar esta maravilhosa bebida desde a entrada até a sobremesa.

Já quanto ao Le Parc, restaurante do Hotel Les Crayères, é um 2 estrelas Michelin, mas que você não consegue entender como não alcançou a terceira, ainda. Está localizado numa propriedade esplêndida, que fica entre as maisons Veuve Cliquot e Pommery. Portanto, aconselho reservar para o almoço, agendando visita a ambas vinícolas, uma antes e uma depois da refeição (deixe um bom espaço de tempo para o almoço, pois você precisará). Nem pense em dispensar o convite para se sentar em uma das mesas do jardim, para um drink antes do almoço. Tome umas duas taças de champagne antes de entrar no lindo salão, onde você será paparicado até dizer “chega”, mas com uma discrição por parte dos atendentes, que você terá a impressão de que eles nem estão por perto. O menu degustação no almoço custa € 69.

Em resumo, vale muito uma esticada à região da Champagne, que está a cerca de 130 km de Paris, e perto de outra “joia da coroa”, que é a Borgonha. Portanto, faça as malas e prepare para brindar muitas vezes. Santé!!!!

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:56Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:58
  • VINHO   BORBULHAS   CHAMPAGNE