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Beaujolais: Do preconceito às excelência

A Borgonha é reconhecida como uma das mais importantes regiões vitivinícolas, sendo certo que alguns dos vinhos nela produzidos estão entre os mais respeitados do mundo, notadamente aqueles produzidos na Côte des Nuits, que fica entra as cidades de Dijon e Nuits Saint Georges. Ali se encontram vinícolas e produtores do calibre de Romanée Conti, Domaine Ponsot, Domaine Faiveley, Domaine Meo Camuzet e Joseph Druhin, dentre inúmeros outros produtores de excelência.

São seis as subrregiões, a saber, Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise, Mâconnais e Beaujolais. Esta última, muitas vezes esquecida e localizada ao sul da Borgonha, tem ao longo do tempo sofrido injusta crítica com relação aos vinhos que produz, muito em razão dos produtos que no passado foram importados ao Brasil.

Numa época em que pouquíssimos vinhos eram importados, surgiram alguns exemplares dos Beaujolais Noveau, da mais inferior qualidade da região, mas que é vendido mundo afora a partir de uma excepcional estratégia de marketing, que faz com que as vendas se iniciem em data única (terceira quinta-feira de novembro). Este vinho, assim como os demais Beaujolais é feito 100% com uvas Gamay, mas segue uma técnica de vinificação mais simples, além das uvas não serem provenientes dos melhores vinhedos da região. O resultado final não poderia, realmente, ser o melhor, e isso acabou por deixar uma marca negativa nos vinhos da região, que estes, sinceramente, não merecem.

Com efeito, há muito tempo que Beaujolais é uma respeitada região produtora de vinhos da França, situação solidificada a partir de 1937, quando passou a ser uma Apelação de Origem Controlada – AOC ou appellation d’origine contrôlée.

Os vinhos Beaujolais podem ser divididos em Beaujolais Noveau, Beaujolais, Beaujolais Village e Beaujolais Cru.

O primeiro tipo, como já acima anotado, é de uma qualidade inferior, pois se trata de um vinho extremamente jovem, que não passa por envelhecimento em barricas de madeira, dado que é comercializado pouco tempo depois de sua fermentação.

O segundo tipo, o Beaujolais, é pouco envelhecido, e também suas uvas não proveem de vinhedos prestigiados. É um vinho de mesa, comum, para o dia a dia, mas que por vezes pode trazer algumas surpresas, a depender do produtor, pois muitos ótimos produtores da região também se dedicam a produzir vinhos mais baratos e, consequentemente, de fácil comercialização.

Na sequência, temos os Beaujolais Villages, oriundos de 38 vilarejos credenciados, e produzidos por cerca de 1.250 viticultores, e que já têm uma qualidade bastante superior aos outros dois anteriores, pois a matéria prima é oriunda de vinhedos mais qualificados, além das técnicas de viticultura serem mais rigorosas.

E, por fim, temos os Beaujolais Cru, que são produzidos em dez sub-regiões, onde as múltiplas condições para a plantação de uvas, o terroir, são especiais, e influenciam diretamente no produto final, que é realmente espetacular. Os Beaujolais em geral já são vinhos fáceis, pois a uva Gamay, de utilização obrigatória na produção desta denominação, é bastante frutada. Aos cru, entretanto, somam-se outros fatores positivos que influenciam no vinho, trazendo notas diferenciadas, que podem ser mineralidade, flores, especiarias, e uma intensidade (corpo) diferente, tornando-os muito mais complexos, como um grande vinho deve ser.

As sub-regiões dos crus são Morgon, Moulin-à-Vent, Fleurie, Juliénas, Côte de Brouilly, St-Amour, Chénas, Chiroubles, Brouilly e Régnié.


Muito embora reinem os tintos, há Beaujolais brancos, que são elaborados com a uva Chardonnay, mas que não têm sido trazidos com frequência para o Brasil.

Algumas importadoras brasileiras têm trazido vinhos Beaujolais de grandes produtores desta região francesa. Ficam a seguir algumas dicas:
• JUSS Millesimes (www.juss-millesimes.com.br) traz os vinhos de Yohan Lardy (com destaque para o seu Moulin-à-Vent Les Michelons , por R$ 180,00), Gilles Paris, Domaine de Charbonniere e Ivon Clerqet;
• Mistral (www.mistral.com.br) importa os ótimos vinhos de Joseph Drouhin;
• Decanter (www.decanter.com.br) traz os vinhos de Dominique Piron, com destaque para seu Côte du Py Morgon La Chanaise (em promoção por R$ 163,80);
• Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br) que importa os vinhos de Roland Pignard, destacando seu Régnié, por R$ 165,00;
• Chez France (www.loja.chezfrance.com.br) traz os vinhos de Brossette & Fils e do Château de La Terrière;

Agora é só comprar bons exemplares de Beaujolais e curtir. Ele cai bem tanto com comidas leves quanto com queijos e nuts.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:52Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:00
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