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Coronavírus e vinho

Não, querido leitor, o vinho não previne e nem combate a COVID-19, mas em tempos de clausura, convenhamos, de vez em quando tomar uma taça de vinho é bastante convidativo.

Algo que sempre me deu muito prazer foi tomar a taça de um bom vinho ouvindo música no sofá ou numa confortável poltrona, com luz baixa e pensando na vida, nos próximos projetos, ou simplesmente prestando atenção nos detalhes de cada instrumento musical que se harmonizam para compor a melodia. No campo da música cada um tem sua predileção, e eu sou bastante eclético neste campo (muito embora tenha um ou outro ritmo que não tenho afinidade), mas para compor a cena acima retratada, fico com o jazz, minha grande paixão. Duke Ellington, Oscar Peterson, Ahmad Jamal, McCoy Tyner e Herbie Hancock, pra ficar nos pianistas. Ella Fitzgerald, Nina Simone, Sara Vaughan e Diana Krall, na categoria das cantoras. John Coltrane, Wayne Shorter, Sonny Rollins, Charlie Parker, Stan Getz e Dexter Gordon, no saxofone. Se quiser ouvir grandes trompetistas, não deixe acionar Dizzy Gillespie, Miles Davis, Wynton Marsalis, Freddie Hubbard, Arturo Sandoval e Clifford Brown. E, por fim, se o contrabaixo for seu instrumento predileto, vá de Charles Mingus, Dave Holland, Ray Brown e Charlie Haden.

Agora, e que vinho deve estar dentro da taça? Bom, mais uma vez temos de dizer que gosto não se discute, mas se você seguir minha dica e for ouvir jazz, eu diria que não me consigo imaginar tomando vinhos de certas castas. Penso que um Pinot Noir da Borgonha ou Cabernet Franc argentino seriam ideais, por sua elegância, tal como as notas tiradas por estes grandes músicos que compõem o timaço de jazzistas. Cortes com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc podem ser extremamente equilibrados, tal como alguns Malbec argentinos, produzidos por vinícolas de ponta. Também consigo pensar num Brunello de Montalcino ou em um Supertoscano (blends da Toscana). Por outro lado, não me vejo ouvindo jazz e tomando um Barolo ou Malbec potente. São vinhos que combinam mais com comida do que com música. Talvez para ouvir Iron Maiden, muito embora, para mim, combine mais com uma boa cerveja ou um destilado que desça “queimando”.

Mas a pergunta que não quer calar é: de que adianta essas dicas, se não posso sair de casa para comprar, e mesmo que pudesse, as principais lojas de vinho estão fechadas? Ora, você fará exatamente o que todos estão fazendo com relação a praticamente todas as compras, vai pedir pela internet ou por delivery. Aliás, tempos atrás tive a oportunidade de escrever artigo sobre o tema no Santa Gastronomia. Que tal recordamos algumas das melhores lojas virtuais, e adicionar outras que surgiram de lá para cá?

Primeiro, gostaria de exortar todos vocês a, neste momento em que principalmente o comércio local, pode sofrer grandes abalos em razão da necessidade de fechamento para o público presencial, prestigiar as lojas da Baixada Santista certamente ajuda a manter a economia minimente aquecida, minimizando os eventuais danos a estas empresas. Quase todas as lojas que vendem vinhos nas cidades do Litoral paulista estão com serviços de delivery, sendo que podemos citar Laticínios Marcelo (tel. 3234-1861), Empório Porãozinho (tel. 3233-5249), Empório Villa Borghese (tel. 3301-1508), Grand Cru Santos (tel. 3307-0467) e Empório Casa Porto (tel. 3236-1558).

Bom, mas se a opção for a compra pela internet, não há como comentar sobre o assunto vinhos sem começar pelas lojas virtuais das importadoras Mistral, Grand Cru e Decanter, pois são, sem dúvida alguma, detentoras de grandes rótulos.

A Mistral (www.mistral.com.br) tem um vasto catálogo de vinhos consagrados no Velho e no Novo Mundo, destacando-se o fato de que, por se tratar de uma das pioneiras na importação de vinhos de qualidade para o Brasil, conseguiu exclusividade de grandes produtores. Tem vinhos para todos os bolsos, e é a importadora exclusiva de alguns dos vinhos mais apreciados pelos brasileiros, que são os da vinícola argentina Catena Zapata.

Também com grande portifólio, e hoje considerada a segunda maior importadora de vinhos no Brasil, a Grand Cru (www.grandcru.com.br) tem loja física em Santos. Destaques para os vinhos espanhóis com excelente relação custo-benefício. São importadores dos vinhos argentinos Zorzal, que têm grande prestígio.

A Decanter (www.decanter.com.br) também tem uma loja física e uma enoteca no andar superior do Empório Villa Borghese. Assim como as duas importadoras anteriormente mencionadas, tem um catálogo de vinhos exclusivos muito grande, com destaques para os argentinos, chilenos e portugueses. Outras importadoras e lojas virtuais multimarcas também podem despertar interesse.

Se sua praia são os vinhos franceses, então você tem que navegar pelas lojas virtuais da importadora Juss Millesimes (www.juss-millesimes.com.br), que pertence ao ex-jogador de futebol Jussiê Vieira, que defendeu, dentre outros times, o Cruzeiro e o Bordeaux, da França. Foi justamente neste último time que o jogador se apaixonou por vinhos e, ao se aposentar em 2016, abriu uma importadora de vinhos, que, muito embora trabalhe com vinhos de outros países, concentra seu portfólio quase que exclusivamente nos franceses.

Os franceses também se fazem presentes, com exclusividade, na Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br), que importa vinhos de várias regiões da França, e, justamente por isso, tem algum achados bem interessantes.

Ainda em se tratando de França, a Clarets (www.clarets.com.br) é pra te deixar maluco, desde que você tenha a carteira recheada. Traz, também, vinhos de outros países, dentre eles o excelente argentino Achaval-Ferrer, além de ser a importadora daquelas que são consideradas as melhores taças de vinho do mundo, as austríacas Zalto. Dá até medo de lavar essas taças, pois são finas como uma casca de ovo, e sem emendas. Junto às alemãs Riedel, são as grandes vedetes do cristal para vinhos. Com a alta do euro, no entanto, os preços das taças não estão nada convidativos.

Quem quiser provar excelentes vinhos alemães, a Vindame (www.vindame.com.br) traz grandes rótulos deste país (além de França, Chile, Argentina e Espanha). Nada a ver com aqueles vinhos alemães da década de 80, de garrafa azul e gosto horrível. A Alemanha produz grandes vinhos brancos, notadamente da uva Riesling, e ótimos Pinot Noir (bem diferentes dos franceses ou chilenos). Vale a pena conhecer.

Caso você goste de prestigiar os vinhos brasileiros, sugiro compra-los diretamente dos sites das vinícolas. Dentre as gaúchas, os sites da Miolo (www.miolo.com.br) e da Famiglia Valduga (www.loja.famigliavalduga.com.br) se destacam, sendo que esta última vende vinhos de outros países, também. Mas a dica que tenho para dar é de alguns vinhos paulistas que têm arrancado muitos elogios, e que eu aprecio bastante, que são os da Vinícola Guaspari (www.vinicolaguaspari.com.br). Seus dois Syrah, denominados Vista da Pedra e Vista do Chá, bem como o branco da casta Viognier, denominado Vista do Bosque, são muito bons. Vale a compra.

A venda de vinhos pela internet hoje é muito ampla, notadamente porque os empórios têm entrado na disputa por esse mercado, despachando suas ofertas para todo o país. Confesso que mesmo comprando vinhos pela internet há muitos anos, nunca tive qualquer problema com relação à falta de entrega do produto. Sorte minha? Talvez. Mas acho que realmente a maior parte dos comerciantes de vinhos são honestos, e não querem de forma alguma perder uma clientela que cresce a cada ano no país.

Desejo a todos muita saúde, e que possamos brevemente estar fazendo brindes em bares e restaurantes, ou na casa de nossos amigos. 

 

 

  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: quinta-feira, 30 abr 2020 09:15

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