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Mendoza

Confesso que ensaiei muito para conhecer a região vinícola de Mendoza, a mais importante da Argentina, e de onde saem cerca de 80% dos vinhos produzidos nesse país, apesar dos insistentes convites e ótimas referências de pessoas de gosto confiável. Priorizei outras regiões mais tradicionais, até que sucumbi a tantos apelos de amigos que desfrutam do mesmo gosto pelos prazeres do vinho, e acabei agendando, alguns anos atrás, a viagem. Uma semana depois de meu desembarque na interiorana Mendoza, capital da província de mesmo nome, a sensação era de raiva pelo tempo que perdi ao sonegar minha passagem por esta “Disney” dos amantes da boa mesa.

De fato, tanto os apreciadores de vinhos quanto da gastronomia, encontram em Mendoza um prato cheio para se esbaldar. Não bastasse as mais de 1500 vinícolas distribuídas em cinco subrregiões, que, por seu turno, se subdividem em outros tantos departamentos (vale consignar o protagonismo de Luján de Cuyo, Maipú e Tupungato), cada qual produzindo vinhos com características muito diversas em razão das mudanças de altitude, solo e outros elementos naturais que influenciam decisivamente no produto final, mais de uma centena delas está muito bem estruturada para receber os turistas que pretendem conhecer o processo de elaboração de seus vinhos, desde os vinhedos até o engarrafamento.

O interessante é estudar muito bem a região para poder se programar de forma a não “pagar mico”. Isso porque a província de Mendoza é muito grande, e por vezes as vinícolas que você quer visitar estão a distâncias que serão impossíveis de serem percorridas a tempo para cumprir os horários das reservas. Sim, com raríssimas exceções, você precisa proceder a agendamento prévio para realizar o tour e degustação nas vinícolas. Além disso, lembre-se que ninguém vai a Mendoza para tomar água mineral. Então, fique esperto se estiver dirigindo. O ideal é contratar um serviço especializado, que proceda às reservas, agrupando as vinícolas por áreas próximas, de sorte a otimizar o deslocamento, e lhe forneça um veículo com motorista. Para tours individuais ou em grupo, recomendo contato com Susana Moreiras (susanamoreiras17@hotmail.com). Ela faz simplesmente tudo, cabendo a você apenas se divertir. Nas vinícolas você só mexerá na carteira se quiser comprar algumas garrafas ou souvenires, pois ela acerta tudo, e você, acerta com ela ao final.

Algumas vinícolas são de visita quase obrigatória, dada sua importância e conhecimento do público brasileiro: Catena Zapata (com seu prédio magistral e seus vinhos icônicos), Bodega Aleanna – El Enemigo (projeto do enólogo chefe da Catena Zapata, Alejandro Vigil, com Adrianna Catena, e que conta com um excelente restaurante), Norton (pela importância de seu enólogo Jorge Riccitelli e o ótimo restaurante), Luigi Bosca (tradicional e com ótima degustação) e Trapiche (com sua sede localizada em um prédio histórico restaurado). Todavia, é preciso conhecer algumas joias como Achaval Ferrer (mais pela qualidade de seus vinhos, que você conhecerá numa ótima degustação), Alta Vista (empreendimento da família D’Aulan, que foi proprietária da renomada Champagne Piper Heidsieck) e Viña Cobos (que tem como um de seus proprietários o enólogo americano Paul Hobbs). Entretanto, não se pode descuidar em relação a vinícolas não tão conhecidas do público brasileiro, como Matías Riccitelli (puxou a genialidade de seu pai), Durigutti (uma grata surpresa, com uma ótima sala de degustações) , Mendel (uma vinícola bastante rústica, mas que recebe muito bem os visitantes, sem contar seus excepcionais Unus e Finca Remota) e Zorzal (pelo talento dos irmãos Michelini).

Na minha concepção, o ideal é que se faça três visitas com degustação ao dia (menos de duas, nem pensar), sendo que a última deve ser conjugada com almoço. Aliás, abramos aqui um parêntese para consignar que algumas destas vinícolas têm restaurantes excelentes, podendo de pronto nomear Norton, Vistalba, Chandon, Dominio del Plata (Susana Balbo), Zuccardi, Ruca Malen e Bodega Aleanna. Como regra, você sai da mesa por volta das 15 hs, chegando ao hotel entre 15:30 e 16 hs, o que ainda te dá tempo para dar uma volta na pacata cidade. Isso, obviamente, se você não estiver trançando as pernas ou estufado de tal maneira que não consegue dar dois passos.

E, se você tiver um dragão dentro de seu estômago, o que lhe permite uma rápida digestão, ainda poderá curtir um belo jantar num dos tantos excelentes restaurantes de Mendoza, com destaque para os excepcionais 1884 (do mago das carnes Francis Mallmann), Azafran e Maria Antonieta.

No quesito hospedagem, a região também tem ótima estrutura, com hoteis boutique, hoteis luxuosos, hoteis mais funcionais, enfim, hoteis para todos os gostos. Me agradam o Park Hyatt e o Diplomatic, seja pelo serviço e instalações, seja pela excelente localização de ambos, o que permite passear pela zona comercial e gastronômica de Mendoza a pé. Os que pretenderem conhecer o Vale do Uco, de onde saem atualmente alguns dos vinhos mais prestigiados da Argentina, o ideal é achar um local para ficar na região (destaque para os chalés da vinícola Salentein e para o luxuoso The Vines Resort & Spa), para não ter de encarar uma viagem de volta a Mendoza, que, após visitas e degustações, pode se tornar puxada.

E se após tantas visitas você ainda não estiver com sua cota de vinhos estourada, a cidade de Mendoza oferece boas lojas para aquisição da bebida, notadamente de vinícolas que não recebem visitas, destacando-se a Sol y Vino, Wine O’Clock e Winery.

Em resumo, não faça como eu, que perdi tanto tempo (já recuperados, obviamente). Agende logo sua viagem para Mendoza e se delicie em uma das mais importantes regiões vinícolas do mundo.

 

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:12
  • MENDOZA   VINHOS   VINÍCOLA   
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Vinhos da Itália – Uma homenagem a um país em guerra contra um vírus

                                                    PARTE I – VINHOS DO PIEMONTE


A Itália é certamente um dos mais importantes países produtores de vinho do mundo, sendo a campeã mundial em volume de produção, com 46,6 milhões de hectolitros em 2019, um ano ruim, que impôs diminuição de 10% na produção mundial de vinho em razão de geadas e secas (na Itália foram 15% a menos de produção). E, dentre as inúmeras regiões vinícolas do país (elas estão espalhadas por todo o território italiano, incluindo as ilhas da Sicília e Sardenha), estão as destacadas regiões do Piemonte e da Toscana, que “brigam” pelo título de mais importante região vitivinícola.

Iniciamos nossa jornada em homenagem a este belíssimo país, devastado pelo coronavírus, pelo norte, justamente por se tratar de uma das regiões mais afetadas por esta pandemia, e, mais especificamente, pelo Piemonte, que abriga alguns dos mais importantes vinhos produzidos no mundo, os Barolo e os Barbaresco.

Geograficamente o Piemonte fica na parte mais ocidental da Itália, fazendo fronteira com a França, da qual sofreu muita influência, posto que a região inteira foi dominada durante anos pela Casa de Savoia (ou Casa de Saboia), que tinha ramificação francesa. Foram os gregos, entretanto, que introduziram a produção de vinho na região, seguidos, posteriormente, pelo Império Romano. Foi a partir do Século XVIII, entretanto, que surge aquele que se tornaria o vinho mais famoso da região, e um dos mais prestigiados de todo o mundo, o Barolo. Calcula-se que o Piemonte tenha uma área de 58.000 hectares de vinhedos, e produza cerca de 300 milhões de litros por ano.

A área piemontesa que tem maior destaque no mundo dos vinhos é a que se denomina de Langhe. É justamente nela que se encontram os ícones da região, os Barolo e os Barbaresco.

A denominação Barolo tem a pequena comuna de mesmo nome como ponto central (são apenas 679 habitantes e 5 km² de território), muito embora a principal cidade do Langhe seja Alba, famosa pelas trufas. A denominazione di orgirine controllata e garantita – DOCG Barolo se estende a outras subregiões, a saber, La Morra, Verduno, Roddi, Grinzane Cavour, Diano d’Alba, Castiglione Falletto, Serralunga d’Alba, Monforte d’Alba e Novello. Para que um vinho do Piemonte possa ganhar o rótulo Barolo, deve obrigatoriamente ser originário de uma dessas cidades e ser produzido 100% com a uva Nebbiolo. Se o vinho provier de outra cidade, ganhará a denominação de Nebbiolo, ou de uma outra DOC ou DOCG.

Em cada uma dessas subregiões há vinhedos excepcionais, que fornecem a fruta para grandes clássicos de Barolo, produzidos com uvas apenas deste local (single vineyard), ao invés de um blend de vários vinhedos. Em La Morra os destaques são os vinhedos Brunate (denominação utilizada por Vietti, Ceretto e Roberto Voerzio), Cerequio (denominação utilizada por Michele Chiarlo e Roberto Voerzio) e Rocche dell’Annunziata (produzido por Renato Ratti e Paolo Scavino, por exemplo). Em Barolo sobressaem-se os vinhedos Brunate (denominação utilizada pelos produtores Pietro Rinaldi e Marchesi di Barolo), Cannubi (denominação utilizada por Prunotto e Paolo Scavino) e Cannubi Boschis (denominação utilizada por Luciano Sandrone). Em Castiglione Falletto estão localizados os vinhedos Monprivato (denominação utilizada por Giuseppe Mascarello), Fiasco ou Fiasc (utilizado por Paolo Scavino) e Villero (denominação utilizada por Bruno Giacosa e Vietti). Em Monforte d’Alba são encontradas as denominações Bussia (utilizada por Aldo Conterno), Ginestra (utilizada por Domenico Clerico) e Mosconi (utilizada por Rocche di Manzoni). Já em Serralunga d’Alba temos as denominações Falletto (utilizada por Bruno Giacosa), Francia (utilizada por Giacomo Conterno) e Vigna Rionda (utilizada por Massolino e Podere Oddero).

Os vinhos produzidos na DOCG Barolo são potentes, e têm a fama de serem longevos (alguns não expressam suas principais características antes de 15 anos), podendo serem guardados por décadas e ainda assim manterem sua vivacidade e complexidade. E, apesar das subregiões acima anotadas estarem a poucos quilômetros de distância umas das outras, o diferente terroir pode mudar complemente o vinho, trazendo-lhe características próprias que levam os apreciadores a acreditar que se tratam de vinhos produzidos em locais muito distantes, apesar da característica comum que a Nebbiolo lhes empresta.

Alguns dos grandes produtores de Barolos são Aldo Conterno, Giacomo Conterno, Renato Ratti, Pio Cesare, Bruno Giacosa, Bartolo Mascarello, Michele Chiarlo, Ceretto, Elio Grasso, Giuseppe Mascarello, Paolo Scavino, Vietti e Roverto Voerzio.

A poucos quilômetros dali está a comuna de Barbaresco (638 habitantes e 7 km² de território), que dará nome a outra denominazione di origine controllata e garantita – DOCG que está entre as mais respeitadas do mundo.

Ali os vinhos também devem ser produzidos obrigatoriamente com 100% de uva Nebbiolo, mas, dadas as características do terroir encontrado nessa região, os vinhos tendem a ser menos potentes (com taninos menos intensos) e não suportarem o mesmo tempo de guarda do que os Barolo, muito embora os melhores exemplares de Barbaresco tenham tais qualidades.

A denominação Barbaresco exige que o vinho tenha sido produzido com uvas oriundas das comunas de Barbaresco, Treiso, Neive e uma parte do território de San Rocco Seno d’Elvio. Como toda DOCG, esta também é submetida a rígido controle, cuja lei regulamentadora impõe que o vinho tenha inúmeras características, tais como certo teor alcoólico, tempo mínimo de amadurecimento, tempo mínimo em barrica de carvalho etc. São 65 vinhedos classificados e oficializados, e que podem constar no rótulo, quando as uvas utilizadas para a produção do vinho foram originárias de apenas um deles.

Os vinhedos mais famosos de Barbaresco, e que produzem algumas de suas joias são Asili, Gallina, Montestefano, Pajè, Rabajà e Rio Sordo. Mas certamente não há como falar de joias desta região sem falar sobre os vinhos produzidos por Angelo Gaja, o grande nome de Barbaresco (mas que também produz vinhos em outras regiões, tais como Barolo e Moltalcino). Seus vinhos Costa Russi, Sorì Tildìn e Sorì San Lorenzo, provenientes dos vinhedos homônimos, são excepcionais. São vinhos para se tomar ao menos uma vez na vida.

Outros grandes produtores de Barbaresco são Bruno Giacosa, Produttori del Brabaresco, Orlando Abrigo, Ca’del Baio, Cascina delle Rose, Ceretto, Pio Cesare, Poderi Colla, Marchesi di Grésy, Bruno Rocca, Sottimano e La Spinetta.

Mas o Piemonte não vive só da Nebbiolo, sendo as uvas Barbera e Dolcetto também importantes dentro do contexto regional, além das castas brancas Arneis, Cortese, Moscato Bianco, Malvasia e a francesa Chardonnay.

Grande parte dos mais prestigiados produtores do Langhe também produzem denominações como Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Langhe, Nebbiolo d’Alba, dentre muitas outras, e que se constituem em denominazione di origine controllata – DOC, sendo estes vinhos mais baratos e não tão prestigiados quanto os Barolo e Barbaresco.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:09
  • VINHOS   GUERRA   ITÁLIA   
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Região de Champagne: Borbulhas e muito mais

Ano Novo, casamento, aniversário, conquista de campeonato, promoção no emprego, nascimento de filho, formatura na faculdade e outros tantos momentos alegres nos remetem a qual bebida? Champagne, por óbvio. E por quê? Porque esta bebida e suas maravilhosas borbulhas (o perlage) estão associadas a felicidade. Ou seja, em momentos felizes, que merecem uma comemoração, bebemos champagne.

Esta conexão entre champagne e bons momentos é o resultado de uma muito bem sucedida estratégia de marketing dos produtores da região francesa de mesmo nome, única que pode utilizar esta denominação no mundo inteiro, muito embora alguns produtores mundo afora insistam em se apropriar indevidamente desta.

A bebida foi paulatinamente sendo adotada pelos produtores da região desde o século XVII, mais especificamente 1668, quando o monge beneditino Dom Pierre Pérignon teria descoberto a fórmula para se produzir vinho espumante, ao menos pelo método hoje conhecido como champenoise. Há, contudo, muita controvérsia sobre se de fato o citado religioso teria sido o precursor das borbulhas, posto que alguns apontam o ano de 1531 como sendo aquele em que monges, também beneditinos, da Abadia de Saint-Hilaire, perto de Carcassonne, teriam feito o primeiro espumante. Hoje, quase 100% da região vitivinícola se dedica à produção de champagne.

São cerca de 100 prestigiadas maisons e algo em torno de 19.000 pequenos produtores (vignerons), sendo que grande parte delas podem visitadas. Todavia, algumas se destacam, seja pela excelência da bebida que desenvolvem, seja pela beleza de suas instalações, aí incluídas suas caves.

Na seleta lista de prestigiados produtores, e que recebem visitação, encontram-se a Möet & Chandon, Veuve Clicquot, Bollinger, Taittinger, Pommery, Jacques Selosse, Louis Roederer, Pol Roger, Gosset, Billecart-Salmon, Charles Heidsieck, Perrier-Jouët, Laurent-Perrier, Ruinart, Henriot, Drappier, Duval-Leroy e Ayala. Certamente esta é uma lista reduzida, pois tantas outras poderiam ser mencionadas. A Krug, infelizmente, não recebe turistas.

Quem pensa, entretanto, que só de champagne vive a região, está muito enganado, pois muitas outras atrações lhe esperam, a começar pela importantíssima cidade de Reims (pronuncia-se Rãns), que foi fundada por gauleses, conquistada pelos romanos, prestigiada pela monarquia francesa e palco de muitas guerras, inclusive a II Grande Guerra Mundial (lá foi assinado o ato de rendição dos alemães em 07 de maio de 1945 perante os líderes dos exércitos aliados, dentre eles o general americano Dwight Eisenhower).

Esta bela cidade tem como principais atrações a imponente catedral de Notre-Dame de Reims, do início do século XIII, onde eram coroados os reis da França; o Porte de Mars, um arco que se constituía em um dos quatro portais da cidade na época de dominação romana; o Palais de Tau, um palácio do fim do século XV, que serviu de moradia de reis da França; e a Basílica de Saint Remi.

Não deixe de visitar, também, as cidades de Epernay (vale passar um dia inteiro), Avize, Aÿ e Châlon-en-Champagne. Todas elas, além de bucólicas e com algumas boas atrações turísticas, são sede de grandes vinícolas.

No campo da gastronomia, a região também não deixa a desejar. Não bastasse o fato de estar na França, o que, por si só já é garantia para comer bem, Champagne guarda alguns tesouros que valem muito para quem estiver disposto a gastar algumas centenas de euros. Falo dos restaurantes L’Assiette Champenoise e Le Parc, ambos localizados em hoteis.

Com relação ao L’Assiette Champenoise, trata-se de um 3 estrelas Michelin, localizado no interior do hotel de mesmo nome, em Tinqueaux (cidade grudada em Reims) e comandado pelo chef Arnaud Lallement. Ao entrar, aceite tomar um drink no bar do hotel, moderno e de muito bom gosto. Escolha um champagne em taça na imensa carta que será apresentada. Sem nenhum custo, lhe serão servidos alguns canapés que darão a noção do que está por vir no restaurante. O menu é sazonal, mas não deixe de provar a homard bleu (lagosta azul da Bretanha), que está sempre no cardápio. Peça para o sommelier harmonizar toda sua refeição com champagnes. É incrível descobrir como é possível tomar esta maravilhosa bebida desde a entrada até a sobremesa.

Já quanto ao Le Parc, restaurante do Hotel Les Crayères, é um 2 estrelas Michelin, mas que você não consegue entender como não alcançou a terceira, ainda. Está localizado numa propriedade esplêndida, que fica entre as maisons Veuve Cliquot e Pommery. Portanto, aconselho reservar para o almoço, agendando visita a ambas vinícolas, uma antes e uma depois da refeição (deixe um bom espaço de tempo para o almoço, pois você precisará). Nem pense em dispensar o convite para se sentar em uma das mesas do jardim, para um drink antes do almoço. Tome umas duas taças de champagne antes de entrar no lindo salão, onde você será paparicado até dizer “chega”, mas com uma discrição por parte dos atendentes, que você terá a impressão de que eles nem estão por perto. O menu degustação no almoço custa € 69.

Em resumo, vale muito uma esticada à região da Champagne, que está a cerca de 130 km de Paris, e perto de outra “joia da coroa”, que é a Borgonha. Portanto, faça as malas e prepare para brindar muitas vezes. Santé!!!!

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:56Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:58
  • VINHO   BORBULHAS   CHAMPAGNE   
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Beaujolais: Do preconceito às excelência

A Borgonha é reconhecida como uma das mais importantes regiões vitivinícolas, sendo certo que alguns dos vinhos nela produzidos estão entre os mais respeitados do mundo, notadamente aqueles produzidos na Côte des Nuits, que fica entra as cidades de Dijon e Nuits Saint Georges. Ali se encontram vinícolas e produtores do calibre de Romanée Conti, Domaine Ponsot, Domaine Faiveley, Domaine Meo Camuzet e Joseph Druhin, dentre inúmeros outros produtores de excelência.

São seis as subrregiões, a saber, Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise, Mâconnais e Beaujolais. Esta última, muitas vezes esquecida e localizada ao sul da Borgonha, tem ao longo do tempo sofrido injusta crítica com relação aos vinhos que produz, muito em razão dos produtos que no passado foram importados ao Brasil.

Numa época em que pouquíssimos vinhos eram importados, surgiram alguns exemplares dos Beaujolais Noveau, da mais inferior qualidade da região, mas que é vendido mundo afora a partir de uma excepcional estratégia de marketing, que faz com que as vendas se iniciem em data única (terceira quinta-feira de novembro). Este vinho, assim como os demais Beaujolais é feito 100% com uvas Gamay, mas segue uma técnica de vinificação mais simples, além das uvas não serem provenientes dos melhores vinhedos da região. O resultado final não poderia, realmente, ser o melhor, e isso acabou por deixar uma marca negativa nos vinhos da região, que estes, sinceramente, não merecem.

Com efeito, há muito tempo que Beaujolais é uma respeitada região produtora de vinhos da França, situação solidificada a partir de 1937, quando passou a ser uma Apelação de Origem Controlada – AOC ou appellation d’origine contrôlée.

Os vinhos Beaujolais podem ser divididos em Beaujolais Noveau, Beaujolais, Beaujolais Village e Beaujolais Cru.

O primeiro tipo, como já acima anotado, é de uma qualidade inferior, pois se trata de um vinho extremamente jovem, que não passa por envelhecimento em barricas de madeira, dado que é comercializado pouco tempo depois de sua fermentação.

O segundo tipo, o Beaujolais, é pouco envelhecido, e também suas uvas não proveem de vinhedos prestigiados. É um vinho de mesa, comum, para o dia a dia, mas que por vezes pode trazer algumas surpresas, a depender do produtor, pois muitos ótimos produtores da região também se dedicam a produzir vinhos mais baratos e, consequentemente, de fácil comercialização.

Na sequência, temos os Beaujolais Villages, oriundos de 38 vilarejos credenciados, e produzidos por cerca de 1.250 viticultores, e que já têm uma qualidade bastante superior aos outros dois anteriores, pois a matéria prima é oriunda de vinhedos mais qualificados, além das técnicas de viticultura serem mais rigorosas.

E, por fim, temos os Beaujolais Cru, que são produzidos em dez sub-regiões, onde as múltiplas condições para a plantação de uvas, o terroir, são especiais, e influenciam diretamente no produto final, que é realmente espetacular. Os Beaujolais em geral já são vinhos fáceis, pois a uva Gamay, de utilização obrigatória na produção desta denominação, é bastante frutada. Aos cru, entretanto, somam-se outros fatores positivos que influenciam no vinho, trazendo notas diferenciadas, que podem ser mineralidade, flores, especiarias, e uma intensidade (corpo) diferente, tornando-os muito mais complexos, como um grande vinho deve ser.

As sub-regiões dos crus são Morgon, Moulin-à-Vent, Fleurie, Juliénas, Côte de Brouilly, St-Amour, Chénas, Chiroubles, Brouilly e Régnié.


Muito embora reinem os tintos, há Beaujolais brancos, que são elaborados com a uva Chardonnay, mas que não têm sido trazidos com frequência para o Brasil.

Algumas importadoras brasileiras têm trazido vinhos Beaujolais de grandes produtores desta região francesa. Ficam a seguir algumas dicas:
• JUSS Millesimes (www.juss-millesimes.com.br) traz os vinhos de Yohan Lardy (com destaque para o seu Moulin-à-Vent Les Michelons , por R$ 180,00), Gilles Paris, Domaine de Charbonniere e Ivon Clerqet;
• Mistral (www.mistral.com.br) importa os ótimos vinhos de Joseph Drouhin;
• Decanter (www.decanter.com.br) traz os vinhos de Dominique Piron, com destaque para seu Côte du Py Morgon La Chanaise (em promoção por R$ 163,80);
• Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br) que importa os vinhos de Roland Pignard, destacando seu Régnié, por R$ 165,00;
• Chez France (www.loja.chezfrance.com.br) traz os vinhos de Brossette & Fils e do Château de La Terrière;

Agora é só comprar bons exemplares de Beaujolais e curtir. Ele cai bem tanto com comidas leves quanto com queijos e nuts.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:52Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:00
  • Beaujolais   Borgonha   Vinhos   
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A nova geração Mendocina

É inacreditável como a Argentina tem conseguido garantir a sucessão dos mais importantes enólogos do país com uma geração extremamente talentosa, e que já está obtendo resultados expressivos na produção de vinhos.

Nomes como Jorge Riccitelli (Norton), Santiago Achával (Achával Ferrer e Matervini), José Zuccardi (Zuccardi), Hubert Weber (Cavas de Weinert e Hubert Weber), Carmello Patti (Carmello Patti), Walter Bressia (Bressia), Mariano Di Paola (Rutini Wines), Susana Balbo (Susana Balbo Wines) e José Galante (Salentein) e Roberto González (Nieto Senetiner) ainda estão à frente da enologia de grandes vinícolas, e com resultados muito comemorados, mas há um time de jovens enólogos que têm uma postura diferenciado em relação à produção de vinhos, e que se concentra, basicamente, na ousadia.

Com efeito, é essa ousadia da nova geração que tem proporcionado ao mundo vinhos argentinos mais surpreendentes, fora do padrão, eu diria.

Muitos desses novos talentos já foram recrutados por grandes vinícolas como Catena Zapata e Zorzal (que atualmente é controlada pelo Grupo Belén – proprietário da chilena Morandé – e sócios argentinos e canadenses), caso de Alejandro Vigil e Andrea Mufatto e Juan Pablo Michelini, respectivamente.

Todavia, o mais interessante são os novos projetos a que este time de enólogos têm se dedicado. Vamos a alguns dos mais destacados.

Alejandro Vigil tornou-se sócio de Adrianna Catena (filha do nome mais importante da vitivinicultura argentina, Nicolás Catena Zapata) e fundaram a Bodega Aleanna, que produz a linha de vinhos icônicos Gran Enemigo, cuja pontuação pelo crítico americano Robert Parker e pelo Guia Descorchados 2017 vai às alturas. Além disso, Alejandro e sua sócia montaram uma ótima estrutura para visitação, que inclui um belo restaurante, que frequentemente conta com a presença daquele distribuindo sorrisos e tirando fotos com os visitantes, no melhor estilo popstar.

Alejandro Sejanovitch, talentoso enólogo envolvido em vários projetos, sempre com seu amigo Jeff Mausbach, tais como Bodegas Teho, Buscado Vivo o Muerto, Estancia Los Cardones (neste projeto também participa Fernando Saavedra), Manos Negras e TintoNegro, tem obtido resultados expressivos, sem contar as notas altíssimas que tem recebido dos críticos de publicações especializadas.

Andrea Mufatto está à frente da enologia da Gen del Alma, vinícola da qual é proprietária em parceria com Gerardo Michelini, seu marido e também enólogo, e cujo vinho Seminare Malbec 2015 chegou aos obscenos 99 pontos no Guia Descorchados 2017 (vale provar, também, os vinhos Otra Piel e Ji Ji Ji). Também participa, em parceria com os irmãos Michelini (dentre eles Gerardo) do projeto Michelini i Mufatto, que já rendeu 96 pontos no Guia Descorchados 2017 a seu A Merced Malbec 2015. Por fim, Andrea é enóloga da Zorzal, juntamente com Juan Pablo Michelini, outro ás da nova geração de enólogos, e um dos Michelini Bros, que ainda detêm participação nesta importantíssima vinícola argentina, cujos vinhos Piantao e Eggo Tinto de Tiza merecem ser provados.

Leonardo Erazo é o proprietário e enólogo da prestigiada vinícola Alto Las Hormigas, mas mantém um projeto próprio na vinícola Revolver, que tem uma produção muito pequena, mas muito bem avaliada.

Matías Michelini, mais um dos Michelini Brothers, é sócio e enólogo da Passionate Wines, e considerado um dos melhores profissionais da atualidade na Argentina. A vinícola produz os excelentes Montesco – Agua de Roca e Vía Revolucionaria Piel. Não são vinhos fáceis de encontrar no Brasil, mas valem muito a pena. Ainda, comanda a produção da SuperUco, vinícola que possui com seus irmãos e Daniel Sammartino. Neste, produz os excepcionais Calcáreo Río de los Chacayes e Calcáreo Granito de Gualtallary, ambos varietais de Malbec e com super pontuação. E Matías ainda aparece como enólogo da Viña Los Chocos, de propriedade de Rodrigo Reina, que conta com bom portfólio.

Matías Riccitelli (filho do grande enólogo Jorge Riccitelli) tem a vinícola que carrega seu nome, e que produz os ótimos República del Malbec e The Apple Doesn’t Fall Far From The Three. Além disso, recentemente Matías foi convocado para prestar consultoria na Bodega Fabre Montmayou, que já contava com o Grand Vin, um corte de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot que vale muito a pena experimentar.

Mauricio Lorca e Gabriela Zavala são outros jovens talentos que estão à frente da enologia das vinícolas Enrique Foster (gosto muito de seu Edición Limitada) e Mauricio Lorca (que tem ótimos vinhos a serem degustados, dentre eles o Lorca Inspirado, um corte de Malbec, Syrah, Cabernet Franc e Petit Verdot).

Pablo Bassin é o enólogo da Mosquita Muerta Wines, projeto da Família Millán, cujos vinhos Mosquita Muerta Blend de Blancas e Blend de Tintas se destacam (gosto muito deste último), sem contar os ótimos Sapo de Otro Pozo e Pispi. Já provei, também, o Perro Calejero Blend de Malbec, que tam preço mais em conta, e gostei bastante. Também está à frente das vinícolas Toneles e Very Wines, do mesmo grupo familiar, sendo que a primeira também conta com ótimos resultados, principalmente com o cultivo da Malbec.

Estes são apenas alguns dos mais destacados enólogos argentinos da nova geração, sendo certo que muitos dos vinhos acima citados não são fáceis de serem encontrados no Brasil, e quando encontrados, não são baratos. Vale, portanto, uma viagem a Mendoza para conhecer estas vinícolas e provar as “joias” que eles estão produzindo.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:44Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:01
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