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Os perigos ocultos do sexting e dos nude selfies

Que os ditos “smartphones” trouxeram grandes avanços e melhorias em termos de comunicação, de disponibilidade de informações imediatas e ao alcance do toque de um dedo, isso ninguém pode negar. A maioria da humanidade moderna utiliza esses aparelhos para tudo, desde ficar a par de notícias até saber a previsão do tempo, passando, claro, por jogos de todos os tipos e até para assistir a filmes. Entretanto, esse dispositivo inteligente, portátil e onipresente também trouxe uma série de potenciais riscos e perigos cada vez menos ocultos que minha geração sequer poderia imaginar.

Equipados com câmeras fotográficas cada vez mais potentes, com cada vez mais resolução e com cada vez mais recursos, os smartphones trouxeram a possibilidade não apenas de se capturar um momento, mas também de repassá-lo instantaneamente a uma ou a uma multidão de outras pessoas. Ao contrário de no passado, quando era preciso ter uma máquina fotográfica, filme e, para dificultar ainda mais, mandar revelar em algum lugar (ou ter um laboratório em casa) para poder pensar em distribuir, hoje, uma vez tirada e enviada a imagem, dali por diante ninguém sabe, ninguém viu o que acontecerá com ela.


Uma das práticas que está se tornando cada vez mais universal é hoje conhecida como "sexting" (a palavra mistura "sex" (sexo) e "texting" (envio de mensagem de texto)), que, no mínimo, contraria o bom senso e, diriam alguns, os bons costumes. E, apesar dos riscos de bullying e de consequências às vezes fatais de algo que quase sempre começa como mera brincadeira ou mesmo uma tentativa de conquista, essa ação virou muitíssimo comum.


Um recente estudo publicado pela Universidade de Utah revelou que 19,1% de 1.130 estudantes do ensino médio entrevistados admitiram ter enviado fotos pessoais em posições sensuais ou nus (também conhecidos como "nude selfie"), enquanto 38% afirmaram ter recebido imagens deste tipo. Para piorar, entre destes últimos, 20% disseram ter reenviado a foto para uma ou mais outras pessoas.


E os números aumentam consideravelmente entre moças adolescentes em fase de namoro, 83% das quais disseram ter mandado mensagens assim aos seus namorados ou “ficantes”, enquanto apenas 53% dos rapazes confessaram ter feito o mesmo com suas companheiras. Também curioso é que entre eles, 12% mandaram "sexts" para alguém com quem queriam transar, e outros 2,4%, para pessoas que tinham acabado de conhecer.


Outro estudo, realizado no Brasil e na América Latina pela Tele Amigas, eCGlobal Solutions e CMetricse CLIPS, concluiu que 40% das mais de 5 mil entrevistadas com mais de 18 anos de idade já haviam praticado o "sexting". Isso prova que isso está longe de ser prática isolada aos EUA e aos adolescentes. Casos se empilham aos tufos e cada vez mais viram assunto de página policial em denúncias de constrangimento e humilhação até, em muitos casos, chantagem, assédio sexual e o chamado "cyberbullying".


O "sexting" já foi responsabilizado por tragédias nos Estados Unidos e no Brasil, em especial entre os adolescentes, embora cause profundos transtornos também para adultos. Um caso particularmente comovente no país foi o de Jessica Logan, que cometeu suicídio por enforcamento aos 18 anos de idade, em 2008, depois que uma foto dela nua, que ela própria tirou e mandou para o namorado, foi enviada para centenas de adolescentes de colégios do estado de Cincinnati. Hope Sitwell, de 13, também se enforcou por motivos similares um ano depois.


No Brasil, há casos como o de uma adolescente de 16 anos de Veranópolis, na serra gaúcha, que se matou depois de um colega com quem teve um relacionamento espalhar uma imagem dela seminua por celular e nas redes sociais. Outro caso ocorreu no Piauí. Júlia Rebeca, de 17 anos cometeu suicídio depois da divulgação de um vídeo dela pelo WhatsApp. E casos que não envolvem morte, mas profunda dor e constrangimento são noticiados praticamente todos os dias pela grande imprensa.


Moral da história? Nunca se deixe fotografar nu ou nua, pois gente sem escrúpulos abunda e, uma vez capturadas, você não terá como controlar o destino de suas imagens.

Leia centenas de outros textos parecidos em meu blog Intelligentsia.

 

 

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Os efeitos positivos de sentir e expressar gratidão em sua saúde

Há anos estudo a conexão corpo-mente e como de mais formas do que uma apenas temos muito mais capacidade de controlar nossa própria saúde do que em qualquer momento anterior jamais teríamos especulado. Principalmente nas duas últimas décadas, isso está sendo cada vez mais reconhecido em diversos níveis da pesquisa científica.

Nesse processo, já conseguimos deixar para trás a fase inicial, em que o desafio dos pesquisadores era provar que nossos pensamentos afetam nossos corpos. E uma abundância de pesquisas já demonstra isso. A próxima etapa focou em como padrões mentais tóxicos podem nos prejudicar. Agora chegou uma nova fase, uma em que a "psicologia positiva" é o principal foco e a gratidão é o exemplo prefeito desse ramo.

Em um estudo de 2003, um grupo de sujeitos de pesquisa manteve um diário pessoal ao longo de um período de dez semanas. Nele, classificaram seu humor, saúde física e outros fatores que contribuem para a felicidade. Eles foram orientados a descrever cinco coisas que haviam ocorrido na semana anterior pelas quais sentiam-se gratos (a condição de gratidão); ou então a fazer o contrário: descrever cinco aborrecimentos diários (a condição de aborrecimento) com os quais estavam descontentes.

Aqueles na condição de gratidão relataram um número menor de queixas de saúde e até passaram mais tempo se exercitando do que os participantes do grupo de controle. Estudos semelhantes mostraram emoções melhoradas quando alguém que sofre de uma doença crônica foca em uma "atitude de gratidão" em vez de se sentir negativo. Similarmente, a gratidão reduz os níveis de hormônios do estresse.

Agora que sabemos que a gratidão faz bem, ela entra na lista de coisas, onde já constam o amor e a empatia, que criam uma mudança bioquímica no corpo. Como a gratidão é uma atividade mental, foi uma grande descoberta mostrar como algo totalmente não-físico pode alterar a atividade física do cérebro. No geral, a lição é que o cérebro responde à retorno positivo e envia mensagens de melhoria de vida para todas as células do corpo.

Como você pode ativar o poder da gratidão em sua própria vida?

Os três estágios de gratidão
Há três estágios de gratidão, cada um mais eficaz do que o anterior. São eles:

1. Sentir-se grato pelas coisas boas de sua vida
2. Expressar sua gratidão às pessoas que melhoraram sua vida
3. Adotar um comportamento novo como resultado da interação com aqueles que ajudaram você

Todos já passamos pelo primeiro estágio – somos gratos por algo bom que aconteceu, muitas vezes no contexto de escapar de uma ameaça como um diagnóstico da doença que não passa de alarme falso. Para transformar esse sentimento em algo mais do que um momento passageiro, você precisa tornar a "atitude de gratidão" mais contínua. Manter um pequeno diário, como no estudo a respeito da gratidão, basta para desencadear os benefícios de saúde que a gratidão traz, e representa um bom começo para qualquer um.

segundo estágio é mais desafiador. É difícil se expressar para outra pessoa, especialmente porque muitos pensam que se abrir e expressar seu apreço lhe deixa mais vulnerável. É mais fácil se fechar dentro de sua concha. Mas quando você expressa gratidão a outra pessoa, forma-se um vínculo emocional, e vínculos emocionais são uma das principais características de pessoas verdadeiramente felizes. Alguns dos primeiros estudos de corpo-mente mostraram como a solidão e o isolamento - o oposto de conectar com outros - levaram a uma piora na saúde e a um risco maior de mortalidade. É hora de reverter nosso foco e enfatizar o lado positivo da equação, colocando conexões emocionais no topo da lista de cuidados pessoais.

terceiro estágio é o mais poderoso porque muda o futuro das pessoas. Quando sua gratidão leva você a mostrar mais compaixão, menos julgamento e a valorizar mais sua própria vida, você está preparando o palco para anos de reforço positivo. Ao adotar a gratidão como sua posição padrão, por assim dizer, você diz a seu cérebro que o retorno positivo superará o negativo. Sinais mistos levam a resultados mistos. Ao agir de forma consistente com sua atitude de gratidão, você estabelece um plano que, ao longo do tempo, leva a mudanças cerebrais que trazem benefícios de longo prazo.

Está claro que o caminho da gratidão é um dos mais naturais para se alcançar a inteireza, pois o corpo, a mente e o espírito são afetados em todos os níveis, tudo isso praticamente sem esforço algum. Experimente.

Fonte: Deepak Chopra

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: quarta-feira, 09 ago 2017 16:44Altualizado em: quarta-feira, 09 ago 2017 18:26
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Homens mentem mais e são mais dissimulados que mulheres (mas quem não sabia disso?)

Como já dizia o bom e velho Dr. House, naquele que foi um dos poucos seriados de TV dos últimos anos que me foi tragável assistir, todos, sem exceção, mentem. Esse não é um truísmo, ou verdade banal, até porque o problema é quanto se mente, e todos conhecemos mentiroso compulsivos. Outro fator, lógico, é por quais motivos as pessoas mentem.

Curiosamente, ao contrário do que muitas culturas pregam, diversas pesquisas comprovam homens saem disparado e ficam na frente nesse comportamento, e, para piorar, eles são mais falsos e dissimulados do que elas.

Na era da Internet e da satisfação instantânea de desejos, uma recente pesquisa publicada nos Estados Unidos mostrou o que já era óbvio para o observador mais atento: homens são menos sinceros, principalmente em relacionamentos online, que são cada vez mais comuns nos dias de hoje. Segundo o site do “Journal of Social and Personal Relationships”, mantido pela Universidade do Kansas, quando escondidos atrás da Grande Rede, eles mentem muito, escondem a idade, ajustam seus pesos de forma fictícia (quase sempre para menos) e, sobretudo, exageram quando narram suas reais condições sociais sob muitas circunstâncias diferentes.

Frequentar sites de relacionamentos por alguns dias revela que muitos dos perfis dos sempre galãs indicam que seriam são todos Brad Pits com a esperteza de um George Soros para investimentos, vivendo a utópica vida de um Bill Gates, mas com a perspicácia do Steve Jobs, a eterna malandragem do Lula e, claro, a sempre-presente compaixão do Papa Francisco. E tudo em um. E estão disponíveis. E estão interessados em passar horas em bate-papo furado em site de relacionamento! E com "qualquer uma".

Sociólogos acreditam que, além do simples fator genético que por si estimula competição, desde a infância o homem já é treinado culturalmente para mentir de forma a sobressair na multidão e evitar perder para concorrentes. Estudiosos dizem que essa característica tem direta relação com o machismo, fenômeno biocultural transmitido aos meninos logo cedo que antropólogos acreditam remontar à pré-história.

Isso é sustentado pelo chamado dimorfismo sexual, fato biológico de que fisicamente, e em muitas espécies de mamíferos, machos são bem maiores e mais fortes que fêmeas e, assim, se elas resistirem às suas abordagens ou forem pegas fazendo algo condenável, são repreendidas ou dominadas pela força bruta - talvez daí a imagem do chamado Homem das Cavernas com um porrete na mão arrastando a mulher que acaba de "caçar" pelos cabelos. Se proposta hoje, tal imagem seria politicamente incorreta, ainda que a prática continue firme pelo mundo afora.

Existe ampla literatura publicada que demonstra que homens traem mais do que as mulheres por questões biológicas de forma a garantir vantagens reprodutivas. Por isso, nesse sentido, acabam sendo mais falsos, manipuladores e mentirosos. Como em termos genéticos o investimento masculino em possível reprodução é baixíssimo, torna-se meta usar de todos os meios para convencer o sexo oposto a ceder para alguns momentos de diversão "barata". E mentiras e enganação sempre fazem parte do plano maior se for necessário lançar mão dessa abordagem.

Esse maior custo biológico na reprodução não quer dizer, entretanto, que mulheres sejam passivas, não traiam e também não mintam para cobrir seus passos. Na verdade, o fazem com razoável frequência do ponto de vista estatístico e, mais curiosamente, principalmente quando estão ovulando, correndo, assim, o risco engravidar. Nesse caso específico, o grande lance é que quando elas mentem a respeito das evidências e suspeitas de traição colhidas pelo homem, costumam fazê-lo com mais habilidade. Por causa dessa esperteza, não incomum, homens acabam criando filhos que não são deles, um grande desastre do ponto de vista do investimento evolucionário. Homens, ao contrário, mentem de forma mais descarada por que se acham mais espertos do que as mulheres, mas não são e raramente conseguem esconder por muito tempo sua conduta.

Além dos motivos sexuais e reprodutivos, homens e mulheres mentem sobre coisas diferentes e em contextos diversos. Vale tudo. Em consonância com a linha de pensamento do Dr. House, em sua obra “Porque os Homens Mentem e as Mulheres Choram?”, os autores Bárbara e Allan Pease afirmam que todas as pessoas mentem, mas os homens o fazem principalmente por duas razões: obter um ganho ou evitar uma dor, mesmo que – e talvez especialmente – emocional. Um ex-presidente dos Estados Unidos, depois de pego mentindo sobre alguns aspectos de sua suposta atuação durante a guerra do Vietnã, se defendeu dizendo que as gravações de áudio haviam sido manipuladas.

Depois surgiram vídeos em que ele repetia as mesmas mentiras e, depois de ele os assistir, negou que fosse ele que aparecia nas filmagens, embora claramente fosse. Aliás, esse caso explícito de negação lembra esse blogueiro de centenas de casos recentes de corrupção por aqui onde os envolvidos sempre têm a mesma audácia de negar o óbvio e, para piorar, chegam a ter legiões de seguidores que também estão em estado continuo de negação e mentem para si mesmos ao não aceitar a enganação explícita.

Ainda que este blogueiro acredite que todas as evidências acima seja absolutos fatos, ele conheceu e teve relacionamentos afetivos e de amizade com (bem) mais mulheres compulsivamente mentirosas do que homens, algumas das quais enganariam facilmente qualquer polígrafo de tão bem treinadas a não esboçar qualquer reação fisiológica alguma mesmo à face da maior e mais estrondosas de todos os contos de fadas (ou duendes). Talvez seja exceção, não regra. Talvez, historicamente e em última instância, a fábula do Pinóquio tenha sido verdadeira.

 

 

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Como as mídias sociais destróem seus relacionamentos (e também suas férias)

Se neste julho você ficou em casa porque tinha que trabalhar ou, pior, porque estava duro, pode ter ficado com a impressão que está sozinho na vida. E não é só porque seus amigos e conhecidos embarcaram para algum lugar, longe ou perto, mas porque foram e ficaram deixando rastros diários em suas contas de Facebook, Instagram - ou qualquer outra rede que de social nada tem -, rastros dos quais eles mesmos podem não ter lembrança alguma ou sequer ter vivenciado de fato.

Se está se sentindo assim, saiba que não é só sua impressão: os chamados “smartphones” e as mídias sociais transformaram completamente a experiência de viajar de quem foi e de quem ficou. Isso não é só porque se você teve a sorte de poder escapar um pouco tem que ficar se esquivando dos "paus de selfie" nas atrações turísticas, mas também porque, hoje, os turistas sequer olham para os monumentos, praças, ou obras de arte.

Em vez disso, viram as costas e perdem-se em sua própria imagem em uma telinha de alguns centímetros quadrados de superfície, numa eterna bajulação pessoal, absorvidos em sua própria imagem, pouco importando onde ou como estão. Estão tão alucinados com o melhor ângulo que, às vezes, até perdem o equilíbrio e caem no abismo, literalmente. É tão dramático que de quando em quando ouve-se falar do esperto que caiu de uma torre enquanto tentava se mostrar para outros. Mas esse não é o foco central desse texto.

Vivemos a era do puro narcisismo virtual e, hoje, a experiência da arte e da história foi substituída por outra, a da mera representação digital dessas coisas. Passamos mais tempo tentando imaginar como outras pessoas verão nossas aventuras do que de fato vivenciando e absorvendo-as como algo que terá valor emocional permanente.

Acredite se quiser, estudos mostram que o desejo de verificar e postar nas mídias sociais é mais forte até do que o desejo de transar, um que, na biologia evolucionária é equiparado apenas ao impulso de evitar a morte. Ambos transar e postar são impulsionados por uma necessidade de se conectar. Depois de nos alimentarmos, buscarmos abrigo e fugir de nossos predadores, nossa necessidade de pertencer e nos sentirmos ligados a outros de forma positiva é, sem dúvida, o principal preditor de bem-estar, felicidade, saúde e até mesmo de longevidade. Sem isso, corremos o risco real do adoecimento.

O curioso é que embora você possa não ter percebido isso, pois está absorvido demais no seu mundo particular do smartphone, tentar se conectar aos outros assim é contraproducente e tende à falha e catástrofe totais.

Exploro a seguir maneiras como nossas conexões virtuais estão arruinando nossos relacionamentos da vida real:

VOCÊ PERDEU O MOMENTO
Pare para pensar: o que você está fazendo nas mídias sociais? Já sei, “compartilhando momentos”, pensou. Momentos de alegria, amizade, humor, de beleza. Ironicamente, ao se envolver com as mídias sociais, são exatamente esses momentos que você perde. Eles passam sem você sequer perceber porque, em sua ânsia de se conectar virtualmente, acaba se desconectando de sua realidade presente e, muito pior, das pessoas que estão no aqui e agora.

Enquanto tentar ajustar e refinar seu sorriso para consumo público, você perde a experiência da felicidade de estar onde e com quem está. E depois de fazer a postagem, seu apego ao reforço positivo que consegue por meio de curtidas e comentários lhe manterá distante de outros e de você mesmo por ainda mais tempo, num ciclo vicioso que é retroalimentado por uma postagem aqui, uma curtida lá, mais uma postagem aqui, outra curtida lá. E todos temos um amigo que passa o dia mais preocupado com quantas curtidas teve de pessoas distantes do que com quem esteve em pessoa.

Os momentos mais felizes de nossas vidas são quando nossas mentes estão no momento presente, não quando vagando em algum lugar. Verdadeiramente saborear uma experiência positiva - ou seja, imergir-se completamente nela - melhora a experiência e a felicidade que derivam dessa experiência. Quando você arma o "pau de selfie" ou ergue o braço em busca da melhor posição para mostrar a ponta do seu nariz, perde para sempre o momento presente, como se pressionasse "pause" bem na hora que está prestes a fazer sua maior comemoração virtual.

É VICIANTE
Em vez de derivar prazer de sua experiência e com as pessoas à sua volta, procura por ele (e por validação) no seu telefone. Os centros de prazer localizados em seu cérebro também respondem positivamente a novidades, novidades essas que as mídias sociais oferecem a cada segundo, em um fluxo constante de novas interações, novos lugares e novas imagens. Aí, você está em um lugar fisicamente, mas na realidade de outro quando tenta acompanhar o que aquela pessoa está fazendo, afinal, você não pode ficar de fora mesmo quando está fora. E o ciclo gira para a outra pessoa quando vê o que você fica o dia inteiro postando também.

Ironicamente, uma ferramenta que você utiliza para se conectar com outros faz você sentir isolado e obcecado com a "aparência" daquilo que você está fazendo, as respostas que você está recebendo, as impressões que você está dando. Aposto que você já ficou se questionando se o que escreveu ficou legal, ou chateado porque a foto de tal lugar maravilhoso ou prato delicioso não mereceu mais curtidas.

Conectar-se de verdade com outras pessoas traz inúmeros benefícios. O autofoco, por outro lado, está associado com ansiedade e depressão. Em vez de derivar prazer de suas férias, o dispositivo torna-se sua principal fonte de prazer. Enquanto isso, ele deixa você muito menos conectado e mais narcisista. Aí vem uma montanha russa de altos e baixos emocionais causados ??pela busca obsessiva por atenção de outros, muitos dos quais, por sua vez, em busca da mesma coisa.

DE FATO PREJUDICA RELACIONAMENTOS
Outro efeito revelado por um estudo recente é que quanto mais você publica aquilo que você está fazendo, mais dá aos outros o impulso de se afastar de você, quer por conta de um sentimento de ressentimento gerado por ciúmes ou inveja ou por considerarem você inoportuno, narcisista ou exibido. Ainda que essa possa não ser sua intenção original (de fato, você está buscando alimentar seu ego com as curtidas de outros), postar o que faz o tempo todo transmite um ar de arrogância e indiferença com sentimentos alheios, em particular daqueles que não tiveram a mesma “sorte” que você nas férias. Em vez de atrair seus amigos, você os afasta e, não incomum, de forma permanente.

Nessa conexão, uma pesquisa mostrou que a mera presença de um telefone celular enquanto duas pessoas conversam interfere com sentimentos de proximidade, conexão e comunicação. Uma das grandes marcas dos mamíferos, primatas e, em especial dos seres humanos é que somos criaturas profundamente sociais, antenadas e desejosos por nos conectarmos a outros. Entendemos as pessoas ao internalizarmos as menores mudanças em sua linguagem corporal e rostos. Espelhamos e imitamos esses movimentos automaticamente, criando uma sensação de compreensão para com os sentimentos dos outros. É por isso que você fica estremecido quando vê alguém cair na rua ou sente tristeza quando vê os olhos de alguém se enchendo de lágrimas.

Se os dispositivos interferem constantemente com suas conversas, você mina sua capacidade de se conectar com os outros, perde a centelha de emoção nos olhos de seu filho, o olhar de exasperação de seu parceiro, ou a tentativa de um amigo de compartilhar algo importante e da vida real com você. Em teoria, as mídias sociais têm como objetivo nos conectar com outros, mas na realidade funcionam como barreira.

É simples assim: você pode nem ter percebido isso, mas o impulso para dar aquela olhadinha no Facebook ou no Instagram domina até seus impulsos animais mais básicos, e isso tem um custo psicológico e até físico para você. E não é só a vontade de ficar “riscando” no seu celular ou girando o botão do seu mouse, mas de ficar mostrando aos outros suas conquistas (turísticas inclusive), de exibir sua vida lhe impede de ver e absorver os detalhes das vitórias que teve e das pessoas que conquistou em outro momento, um de mais plena atenção ao mundo real.

Assim, em suas próximas férias, não ceda à tentação. Deixe seu "pau de selfie" em casa, delete os aplicativos de mídias sociais de seu smartphone e mergulhe na experiência da viagem e da vida. Ao fazer isso, poderá realmente fazer algo que merecerá uma postagem depois e, sobretudo, o compartilhamento real, presencial, físico em uma reunião com aqueles que lhe são queridos. E lembre-se: quando se reunir para falar de suas aventuras e ouvir as aventuras de outros, desligue o smartphone para não passar o encontro inteiro com vontade de postar também isso.

Leia mais sobre ciência, saúde e outras curiosidades no blog Intelligentsia .

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: segunda-feira, 17 jul 2017 13:12Altualizado em: segunda-feira, 17 jul 2017 18:01
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Insônia pode levar à doença de Alzheimer

Seres humanos dormem em torno de um terço de suas vidas, o equivalente a 25 anos ou mais, entretanto, estima-se que a média de horas de sono, que na era pré-lâmpada poderia chegar a 9 horas por noite, hoje caiu para pouco mais de sete e, para piorar, a decrescente quantidade de sono que temos é também de baixa qualidade. Nossos padrões de sono estão sendo afetados e profundamente alterados por toda uma gama de elementos, que vão desde o perturbador motoqueiro que se diz “segurança” da rua e passa buzinando embaixo de sua janela a cada 30 minutos durante toda a noite até o onipresente aparelho de TV ligado no seu quarto de forma perene e, hoje, igualmente ruim, o todo-poderoso e nefasto “smartphone” que passou a ocupar até o espaço antes dedicado aos relacionamentos com outras pessoas.

Estudos demonstram que a privação ininterrupta de sono mata, e que sono de má qualidade está diretamente relacionado a doenças coronárias e à obesidade. E se as notícias sobre os efeitos da insônia já eram ruins, há espaço para piorar. A mais nova descoberta do Centro de Pesquisa sobre a Doença de Alzheimer de Wisconsin (EUA) é que sono de baixa qualidade e sonolência durante o dia podem aumentar o risco de se desenvolver a doença de Alzheimer.

O estudo de auto-avaliação envolveu 101 sujeitos cognitivamente normais com idade média de 63 anos e todos com fatores de risco conhecidos para o Alzheimer, como histórico familiar ou evidência da presença do gene APOE, que é associado a uma chance maior de desenvolver a doença. Depois de responderem a questionários sobre sono, nos quais classificaram seus padrões de sono, dificuldades para dormir, sonolência durante o dia e sonecas tiradas, os sujeitos se submeteram a uma punção lombar e seus fluídos espinhais foram analisados para detectar a presença de indicadores de placas e emaranhados neurofibrilares característicos da doença, bem como marcadores de inflamação e danos às células nervosas.

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores concluíram que sono de baixa qualidade, problemas de insônia e sonolência durante o dia estão associados a um aumento na presença de indicadores da doença. Embora a associação direta entre a falta de sono e a demência ainda não esteja absolutamente clara, diversos estudos realizados com animais demonstraram que a capacidade do cérebro de eliminar toxinas como a beta-amiloide, a proteína tóxica que forma placas nos cérebros dos pacientes de Alzheimer, melhora. Acredita-se que isso possa acontecer com seres humanos também, pois a presença de depósitos de beta-amiloide no tecido cerebral é o primeiro estágio pré-clínico conhecido da doença de Alzheimer, e eles começam a aparecer muito antes do início dos sinais de demência.

É importante manter em mente que nem todas as pessoas que têm dificuldade para dormir estão predestinadas a desenvolver a doença de Alzheimer. Este estudo em particular analisou indivíduos com marcadores para doença e padrões ruins de sono, entretanto, ele é mais um de um crescente corpo de pesquisas que indica que sono de baixa qualidade pode ser uma das causas de demência, até porque outros mostraram uma associação entre interrupções crônicas do sono e o desenvolvimento de placas de beta-amiloide.

Se for determinado que uma melhoria dos padrões de sono também resulta em uma redução dos depósitos de beta-amiloide no cérebro, seria importante implementar intervenções para reduzir a probabilidade do desenvolvimento de um declínio cognitivo associado à demência e à doença de Alzheimer. Quer você tenha predisposição a desenvolver Alzheimer ou não, se você tem muita dificuldade para dormir, beirando na insônia, ou se é absolutamente insone, é urgente encontrar uma maneira de melhorar a qualidade de seu descanso. Existem muitas técnicas que podem ajudar e muito.

Embora o preconceito ainda impere, principalmente por falta de conhecimento sobre o que ela de fato é, uma das possíveis abordagens seria uma prática diária de meditação . De fato, a ciência que apoia isso está claramente demonstrada , pois meditar alivia o estresse, a depressão, a ansiedade, sintomas da síndrome pós-traumática e outros distúrbios relacionados ao humor o que, por sua vez, ajuda a pegar no sono. Se você quiser iniciar uma prática de meditação, meu livro iEu, como desacelerar uma mente turbinada na era da ansiedade , traz uma receita não apenas para reduzir seu estresse, mas técnicas milenares de meditação.

Você pode também experimentar essa coleção de meditações guiadas que ajudam a pegar no sono . Além disso, fique de olho aqui no Intelligentsia, pois em breve anunciarei workshops que lhe ensinarão não apenas como implementar a meditação diária em sua vida, mas também como melhorar seu sono e entender seus sonhos.

Lembre-se: dormir bem tem efeitos profundos que vão além de simples disposição para enfrentar mais um dia, trata-se de manter e melhorar sua saúde.  Leia mais sobre ciência, saúde e outras curiosidades no blog Intelligentsia .

 

Fonte: Huffington Post

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: segunda-feira, 10 jul 2017 09:26Altualizado em: segunda-feira, 10 jul 2017 19:46
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Sobre
Ciência, saúde, espiritualidade, meditação em textos escritos por quem entende do assunto: o antropólogo Darrell Champlin.