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Insônia pode levar à doença de Alzheimer

Seres humanos dormem em torno de um terço de suas vidas, o equivalente a 25 anos ou mais, entretanto, estima-se que a média de horas de sono, que na era pré-lâmpada poderia chegar a 9 horas por noite, hoje caiu para pouco mais de sete e, para piorar, a decrescente quantidade de sono que temos é também de baixa qualidade. Nossos padrões de sono estão sendo afetados e profundamente alterados por toda uma gama de elementos, que vão desde o perturbador motoqueiro que se diz “segurança” da rua e passa buzinando embaixo de sua janela a cada 30 minutos durante toda a noite até o onipresente aparelho de TV ligado no seu quarto de forma perene e, hoje, igualmente ruim, o todo-poderoso e nefasto “smartphone” que passou a ocupar até o espaço antes dedicado aos relacionamentos com outras pessoas.

Estudos demonstram que a privação ininterrupta de sono mata, e que sono de má qualidade está diretamente relacionado a doenças coronárias e à obesidade. E se as notícias sobre os efeitos da insônia já eram ruins, há espaço para piorar. A mais nova descoberta do Centro de Pesquisa sobre a Doença de Alzheimer de Wisconsin (EUA) é que sono de baixa qualidade e sonolência durante o dia podem aumentar o risco de se desenvolver a doença de Alzheimer.

O estudo de auto-avaliação envolveu 101 sujeitos cognitivamente normais com idade média de 63 anos e todos com fatores de risco conhecidos para o Alzheimer, como histórico familiar ou evidência da presença do gene APOE, que é associado a uma chance maior de desenvolver a doença. Depois de responderem a questionários sobre sono, nos quais classificaram seus padrões de sono, dificuldades para dormir, sonolência durante o dia e sonecas tiradas, os sujeitos se submeteram a uma punção lombar e seus fluídos espinhais foram analisados para detectar a presença de indicadores de placas e emaranhados neurofibrilares característicos da doença, bem como marcadores de inflamação e danos às células nervosas.

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores concluíram que sono de baixa qualidade, problemas de insônia e sonolência durante o dia estão associados a um aumento na presença de indicadores da doença. Embora a associação direta entre a falta de sono e a demência ainda não esteja absolutamente clara, diversos estudos realizados com animais demonstraram que a capacidade do cérebro de eliminar toxinas como a beta-amiloide, a proteína tóxica que forma placas nos cérebros dos pacientes de Alzheimer, melhora. Acredita-se que isso possa acontecer com seres humanos também, pois a presença de depósitos de beta-amiloide no tecido cerebral é o primeiro estágio pré-clínico conhecido da doença de Alzheimer, e eles começam a aparecer muito antes do início dos sinais de demência.

É importante manter em mente que nem todas as pessoas que têm dificuldade para dormir estão predestinadas a desenvolver a doença de Alzheimer. Este estudo em particular analisou indivíduos com marcadores para doença e padrões ruins de sono, entretanto, ele é mais um de um crescente corpo de pesquisas que indica que sono de baixa qualidade pode ser uma das causas de demência, até porque outros mostraram uma associação entre interrupções crônicas do sono e o desenvolvimento de placas de beta-amiloide.

Se for determinado que uma melhoria dos padrões de sono também resulta em uma redução dos depósitos de beta-amiloide no cérebro, seria importante implementar intervenções para reduzir a probabilidade do desenvolvimento de um declínio cognitivo associado à demência e à doença de Alzheimer. Quer você tenha predisposição a desenvolver Alzheimer ou não, se você tem muita dificuldade para dormir, beirando na insônia, ou se é absolutamente insone, é urgente encontrar uma maneira de melhorar a qualidade de seu descanso. Existem muitas técnicas que podem ajudar e muito.

Embora o preconceito ainda impere, principalmente por falta de conhecimento sobre o que ela de fato é, uma das possíveis abordagens seria uma prática diária de meditação . De fato, a ciência que apoia isso está claramente demonstrada , pois meditar alivia o estresse, a depressão, a ansiedade, sintomas da síndrome pós-traumática e outros distúrbios relacionados ao humor o que, por sua vez, ajuda a pegar no sono. Se você quiser iniciar uma prática de meditação, meu livro iEu, como desacelerar uma mente turbinada na era da ansiedade , traz uma receita não apenas para reduzir seu estresse, mas técnicas milenares de meditação.

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Fonte: Huffington Post

 

 

  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: segunda-feira, 10 jul 2017 09:26Altualizado em: segunda-feira, 10 jul 2017 19:46

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Ciência, saúde, espiritualidade, meditação em textos escritos por quem entende do assunto: o antropólogo Darrell Champlin.