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Estudo diz que Internet faz com que as pessoas se achem mais inteligentes do que realmente são

Há muito leio e reflito sobre como, principalmente na área de diagnósticos de doenças, pessoas que têm um sintoma qualquer e pesquisam na Internet o que pode ser, frequentemente não apenas conseguem se encaixar em alguma enfermidade, mas também acreditam poder se tratar sem qualquer auxílio de médicos. Invariavelmente estão erradas.

 

Mas não é só com relação à saúde que isso acontece. Como professor universitário, tenho visto cada vez mais alunos afirmarem “saber tudo” que há para saber sobre um dado tema ou mesmo com relação à sua futura profissão como um todo. De fato, deparei com um caso clássico desse complexo de superioridade intelectual ainda recentemente e, confesso, senti a sobrancelha esquerda erguer bem mais alto que a direita em uma resposta involuntária a um certo grau de indignação acadêmica. Na ocasião, uma aluna de primeiro ano afirmou querer fazer um trabalho sobre um determinado tema antropológico porque, afinal, pesquisou no Google e percebeu que “já sabia tudo sobre ele” e poderia fazê-lo com facilidade. Ledo engano o dela. Ledo engano da maioria que é induzida a assim pensar.

 

Um recente artigo publicado pelo Journal of Experimental Psychology: General revela que a possibilidade de pesquisar - e a disponibilidade de um corpo de informações gigantesco - na Internet faz as pessoas acreditarem ter bem mais conhecimento do que de fato têm. A pesquisa, que foi baseada em uma série de experimentos feitos por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mostrou que, depois de passar um tempo fazendo buscas na Internet sobre um tema, as pessoas tendem a superestimar em muito seu conhecimento a respeito dele. E, para piorar, até mesmo no que diz respeito a outros assuntos que sequer foram tópico da pesquisa que haviam acabado de realizar.

 

Para os pesquisadores, as pessoas confundem muito o conhecimento que realmente têm com o conhecimento ao qual podem ter acesso enquanto navegam on-line. Para testar essa hipótese, foi organizada uma série de experimentos envolvendo voluntários. Em um, foi solicitado que um grupo de participantes buscasse na Internet respostas para várias perguntas. Já um segundo grupo não pôde utilizar a Internet nesta fase do experimento.

 

Em uma segunda etapa, os dois grupos tiveram que avaliar sua capacidade de discursar, por conta própria, sobre assuntos não relacionados aos primeiros. O grupo que teve acesso à Internet na primeira fase se mostrou muito mais otimista ao medir seus próprios conhecimentos sobre os assuntos do que aquele que não teve o mesmo acesso.

 

 

Inteligência superestimada
O que os testes mostraram é que os participantes que tiveram acesso à Internet superestimaram sua capacidade de responder às questões, mesmo quando eram tão difíceis que era impossível de encontrar informações sobre elas na Internet.

 

Os pesquisadores acreditam que os efeitos cognitivos de se ‘estar em modo de pesquisa’ na Internet podem ser tão fortes que as pessoas se sentem mais inteligentes do que são, mesmo quando as pesquisas que fizeram nada revelam. Assim, ao situarem erroneamente o conhecimento externo em suas próprias cabeças, as pessoas acabam exagerando, e muito, o trabalho intelectual que são capazes de fazer por conta própria.

 

Como docente, vejo isso todos os dias em sala de aula com uma geração que, por sorte ou azar, não viveu um dia sequer de suas vidas sem acesso à Grande Rede e raramente conclui (ou pior sequer começa) a leitura de um livro, quanto mais então frequenta as fileiras de prateleiras de uma biblioteca, local sagrado que desde tempos imemoriais, antes até da Alexandria, sempre foi o lar de todo o conhecimento acumulado pelas milhares de gerações de ancestrais humanos e que hoje é relegado à mística de outrora e ao acúmulo de poeira.

 

Em suma, a Internet é um recurso maravilhoso que, sem dúvida, facilita o aprendizado. Mas isso tem um preço, às vezes alto, especialmente quando se trata da saúde, pois as pessoas têm muita dificuldade em distinguir onde acaba seu conhecimento e inicia conhecimento externo que realmente não detêm. Para meu leitor fica a dica: consulte sempre um especialista.

 

 

  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: quinta-feira, 06 jul 2017 10:27Altualizado em: quinta-feira, 06 jul 2017 10:28
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Ciência, saúde, espiritualidade, meditação em textos escritos por quem entende do assunto: o antropólogo Darrell Champlin.