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Confira a estreia de Darrell Champlin nos blogs do Santa: Sincrodestino

Quando fui convidado para integrar a seleta equipe de blogueiros do Santaportal, incorporando a ele textos produzidos sob a égide do Intelligentsia, o blog que escrevo há alguns anos, a surpresa foi rapidamente substituída por um profundo senso de responsabilidade mesclado com uma sensação de (re)início. O momento poderia ser caracterizado como um de “sincrodestino”, isso é, um evento sincrônico precedido de muitas supostas “coincidências” que, observadas, materializam um caminho novo a ser seguido. E eu vinha observando uma série dessas ditas casualidades ao longo das semanas que precederam a esse curioso truque do destino chamado viver.

Olhando para trás, pensando nos acontecimentos dos últimos anos, essa nova fase, que acolho como parte de um processo de aprendizado contínuo, me remeteu a outro momento importante de minha vida ocorrido antes, em uma outra conjuntura renovadora e importante em meu progresso como indivíduo.

Corria o ano de 2012, e o sincrodestino começou a dar sinais. Sabe aquele momento em que sua vida profissional mais se assemelha a uma cela solitária em prisão de segurança máxima e sua vida pessoal parecida com uma tarde em um salão de beleza, onde assunto não falta, e costuma ser o que você faz ou deixa de fazer?

Como disse Dalai Lama, “os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido”. Este era meu quadro, e não aconteceu da noite para o dia. Materializou porque deixei, já que a vida consiste sempre de uma série de opções e escolhas. E essas haviam sido as minhas.

Depois de passar uma boa temporada na corrida de ratos em busca do “ter”, finalmente tomei consciência que a vida na proverbial cadeia e salão de beleza havia dado o que tinha que dar. Havia entrado em um processo autodestrutivo crônico. Sim, fizera conquistas e, como sempre dizia àqueles que me cercam, ido bem além até do que almejava ou mesmo considerava possível quando adolescente. Vivia uma vida confortável, tinha contratos de longo prazo com empresas importantes, uma presença razoável na mídia, ora, até conhecia e convivia com figuras de esferas muito acima da minha. E estava curtindo aquilo, apesar do alto nível de esforço mental e espiritual necessário para me manter por ali. Era meu universo. Estava oco, mas, paradoxalmente, repleto, ainda que de valores alheios.

Como chegar até ali, deixar essa esfera também não aconteceu de um dia para o outro. Foi um processo que levou anos e ocorreu em decorrência de uma série de pequenos, mas importantes eventos pessoais.

Em retrospecto, a série de coincidências significativas já havia começado antes. Penso que tudo tenha começado quando li uma reportagem a respeito de como Paul McCartney se tornou vegetariano. Fui surpreendido por saber que, ao fisgar um peixe em uma pescaria, o cantor repentinamente pensou: “a vida deste peixe é tão importante para ele como a minha é para mim”. Eu nunca havia pensado nisso. Essa realização foi profundamente impactante e desencadeou uma série de outras dali para frente. Outro momento importante, os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, por exemplo, já haviam me levado a uma decisão consciente de parar de assistir a filmes de violência na TV, um processo que progrediu de tal forma que deixei de lado a TV aberta praticamente como um todo e retomei a leitura. Por sua vez, com o tempo isso trouxe de volta a prática da meditação.

Mas não há dúvida que os dois eventos que mais influenciaram minha reengenharia pessoal foram a rescisão, de minha parte, de um contrato de longa data que me deixara escravo das próprias circunstâncias, e o sequestro relâmpago, esse último trazendo a percepção derradeira de que “ser” é infinitamente superior a “ter”.

O processo tomou suas formas finais nos últimos três anos de minha vida. Em um esforço, agora consciente e objetivo, fiz um “downsizing” generalizado, cortando e eliminando o que fosse não essencial, redirecionei minha busca pela espiritualidade, voltei a escrever e a provocar a mim mesmo com ideias novas. Publiquei mais um livro cujo objetivo único era propagar o “wellness” (bem-estar) de outros. Renovei valores. Como McCartney, assumi o vegetarianismo, não como mero estilo de vida, mas como um conjunto de valores focados no respeito à e valorização da vida de todos que conosco coabitam este planeta. Busquei o desafio de me cercar de gente nova, do bem e para o bem e com intenções e ações semelhantes àquelas que tenho como meta pessoal, e de fato encontrei algumas pessoas (extra)ordinárias! Passei a procurar influenciar e, como não, ser influenciado conceitual e factualmente com e por emoções e pensamentos construtivos.

Acredito que se buscarmos, o Universo ajuda e, de fato, conspira em nosso favor, que o bem traz o bem e que o amor verdadeiro, primeiro por si e depois pelos outros, traz a fundação e pavimenta o caminho ao “nirvana” que cada um tem por dentro.

Fundamentalmente, somos o que e quem queremos, somos cocriadores da própria consciência quântica que estrutura toda a existência. Tudo é questão de escolha, e fazer as corretas nem é tão difícil assim. Hoje, para mim, menos é muito mais. Fiz uma reengenharia de minha vida para a minha vida.

Agora, escrever para o Santaportal, em uma parceria em informação, dá sequência a essa cocriação. Em meu espaço, você lerá sobre desenvolvimentos, descobertas e curiosidades científicas que percorrem a tênue linha que divide o conhecido do desconhecido, saberá mais sobre o estado da arte da pesquisa na psicologia positiva e da energia, ficará a par do que há mais novo no mundo do autoconhecimento e como a consciência vai além do corpo.

Embarque comigo nessa bela jornada em busca do saber!

Leia mais sobre os limites ciência, da espiritualidade e da consciência no Intelligentsia.

 

 

  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: terça-feira, 27 jun 2017 09:41Altualizado em: terça-feira, 27 jun 2017 10:27

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Sobre
Ciência, saúde, espiritualidade, meditação em textos escritos por quem entende do assunto: o antropólogo Darrell Champlin.