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Como as mídias sociais destróem seus relacionamentos (e também suas férias)

Se neste julho você ficou em casa porque tinha que trabalhar ou, pior, porque estava duro, pode ter ficado com a impressão que está sozinho na vida. E não é só porque seus amigos e conhecidos embarcaram para algum lugar, longe ou perto, mas porque foram e ficaram deixando rastros diários em suas contas de Facebook, Instagram - ou qualquer outra rede que de social nada tem -, rastros dos quais eles mesmos podem não ter lembrança alguma ou sequer ter vivenciado de fato.

Se está se sentindo assim, saiba que não é só sua impressão: os chamados “smartphones” e as mídias sociais transformaram completamente a experiência de viajar de quem foi e de quem ficou. Isso não é só porque se você teve a sorte de poder escapar um pouco tem que ficar se esquivando dos "paus de selfie" nas atrações turísticas, mas também porque, hoje, os turistas sequer olham para os monumentos, praças, ou obras de arte.

Em vez disso, viram as costas e perdem-se em sua própria imagem em uma telinha de alguns centímetros quadrados de superfície, numa eterna bajulação pessoal, absorvidos em sua própria imagem, pouco importando onde ou como estão. Estão tão alucinados com o melhor ângulo que, às vezes, até perdem o equilíbrio e caem no abismo, literalmente. É tão dramático que de quando em quando ouve-se falar do esperto que caiu de uma torre enquanto tentava se mostrar para outros. Mas esse não é o foco central desse texto.

Vivemos a era do puro narcisismo virtual e, hoje, a experiência da arte e da história foi substituída por outra, a da mera representação digital dessas coisas. Passamos mais tempo tentando imaginar como outras pessoas verão nossas aventuras do que de fato vivenciando e absorvendo-as como algo que terá valor emocional permanente.

Acredite se quiser, estudos mostram que o desejo de verificar e postar nas mídias sociais é mais forte até do que o desejo de transar, um que, na biologia evolucionária é equiparado apenas ao impulso de evitar a morte. Ambos transar e postar são impulsionados por uma necessidade de se conectar. Depois de nos alimentarmos, buscarmos abrigo e fugir de nossos predadores, nossa necessidade de pertencer e nos sentirmos ligados a outros de forma positiva é, sem dúvida, o principal preditor de bem-estar, felicidade, saúde e até mesmo de longevidade. Sem isso, corremos o risco real do adoecimento.

O curioso é que embora você possa não ter percebido isso, pois está absorvido demais no seu mundo particular do smartphone, tentar se conectar aos outros assim é contraproducente e tende à falha e catástrofe totais.

Exploro a seguir maneiras como nossas conexões virtuais estão arruinando nossos relacionamentos da vida real:

VOCÊ PERDEU O MOMENTO
Pare para pensar: o que você está fazendo nas mídias sociais? Já sei, “compartilhando momentos”, pensou. Momentos de alegria, amizade, humor, de beleza. Ironicamente, ao se envolver com as mídias sociais, são exatamente esses momentos que você perde. Eles passam sem você sequer perceber porque, em sua ânsia de se conectar virtualmente, acaba se desconectando de sua realidade presente e, muito pior, das pessoas que estão no aqui e agora.

Enquanto tentar ajustar e refinar seu sorriso para consumo público, você perde a experiência da felicidade de estar onde e com quem está. E depois de fazer a postagem, seu apego ao reforço positivo que consegue por meio de curtidas e comentários lhe manterá distante de outros e de você mesmo por ainda mais tempo, num ciclo vicioso que é retroalimentado por uma postagem aqui, uma curtida lá, mais uma postagem aqui, outra curtida lá. E todos temos um amigo que passa o dia mais preocupado com quantas curtidas teve de pessoas distantes do que com quem esteve em pessoa.

Os momentos mais felizes de nossas vidas são quando nossas mentes estão no momento presente, não quando vagando em algum lugar. Verdadeiramente saborear uma experiência positiva - ou seja, imergir-se completamente nela - melhora a experiência e a felicidade que derivam dessa experiência. Quando você arma o "pau de selfie" ou ergue o braço em busca da melhor posição para mostrar a ponta do seu nariz, perde para sempre o momento presente, como se pressionasse "pause" bem na hora que está prestes a fazer sua maior comemoração virtual.

É VICIANTE
Em vez de derivar prazer de sua experiência e com as pessoas à sua volta, procura por ele (e por validação) no seu telefone. Os centros de prazer localizados em seu cérebro também respondem positivamente a novidades, novidades essas que as mídias sociais oferecem a cada segundo, em um fluxo constante de novas interações, novos lugares e novas imagens. Aí, você está em um lugar fisicamente, mas na realidade de outro quando tenta acompanhar o que aquela pessoa está fazendo, afinal, você não pode ficar de fora mesmo quando está fora. E o ciclo gira para a outra pessoa quando vê o que você fica o dia inteiro postando também.

Ironicamente, uma ferramenta que você utiliza para se conectar com outros faz você sentir isolado e obcecado com a "aparência" daquilo que você está fazendo, as respostas que você está recebendo, as impressões que você está dando. Aposto que você já ficou se questionando se o que escreveu ficou legal, ou chateado porque a foto de tal lugar maravilhoso ou prato delicioso não mereceu mais curtidas.

Conectar-se de verdade com outras pessoas traz inúmeros benefícios. O autofoco, por outro lado, está associado com ansiedade e depressão. Em vez de derivar prazer de suas férias, o dispositivo torna-se sua principal fonte de prazer. Enquanto isso, ele deixa você muito menos conectado e mais narcisista. Aí vem uma montanha russa de altos e baixos emocionais causados ??pela busca obsessiva por atenção de outros, muitos dos quais, por sua vez, em busca da mesma coisa.

DE FATO PREJUDICA RELACIONAMENTOS
Outro efeito revelado por um estudo recente é que quanto mais você publica aquilo que você está fazendo, mais dá aos outros o impulso de se afastar de você, quer por conta de um sentimento de ressentimento gerado por ciúmes ou inveja ou por considerarem você inoportuno, narcisista ou exibido. Ainda que essa possa não ser sua intenção original (de fato, você está buscando alimentar seu ego com as curtidas de outros), postar o que faz o tempo todo transmite um ar de arrogância e indiferença com sentimentos alheios, em particular daqueles que não tiveram a mesma “sorte” que você nas férias. Em vez de atrair seus amigos, você os afasta e, não incomum, de forma permanente.

Nessa conexão, uma pesquisa mostrou que a mera presença de um telefone celular enquanto duas pessoas conversam interfere com sentimentos de proximidade, conexão e comunicação. Uma das grandes marcas dos mamíferos, primatas e, em especial dos seres humanos é que somos criaturas profundamente sociais, antenadas e desejosos por nos conectarmos a outros. Entendemos as pessoas ao internalizarmos as menores mudanças em sua linguagem corporal e rostos. Espelhamos e imitamos esses movimentos automaticamente, criando uma sensação de compreensão para com os sentimentos dos outros. É por isso que você fica estremecido quando vê alguém cair na rua ou sente tristeza quando vê os olhos de alguém se enchendo de lágrimas.

Se os dispositivos interferem constantemente com suas conversas, você mina sua capacidade de se conectar com os outros, perde a centelha de emoção nos olhos de seu filho, o olhar de exasperação de seu parceiro, ou a tentativa de um amigo de compartilhar algo importante e da vida real com você. Em teoria, as mídias sociais têm como objetivo nos conectar com outros, mas na realidade funcionam como barreira.

É simples assim: você pode nem ter percebido isso, mas o impulso para dar aquela olhadinha no Facebook ou no Instagram domina até seus impulsos animais mais básicos, e isso tem um custo psicológico e até físico para você. E não é só a vontade de ficar “riscando” no seu celular ou girando o botão do seu mouse, mas de ficar mostrando aos outros suas conquistas (turísticas inclusive), de exibir sua vida lhe impede de ver e absorver os detalhes das vitórias que teve e das pessoas que conquistou em outro momento, um de mais plena atenção ao mundo real.

Assim, em suas próximas férias, não ceda à tentação. Deixe seu "pau de selfie" em casa, delete os aplicativos de mídias sociais de seu smartphone e mergulhe na experiência da viagem e da vida. Ao fazer isso, poderá realmente fazer algo que merecerá uma postagem depois e, sobretudo, o compartilhamento real, presencial, físico em uma reunião com aqueles que lhe são queridos. E lembre-se: quando se reunir para falar de suas aventuras e ouvir as aventuras de outros, desligue o smartphone para não passar o encontro inteiro com vontade de postar também isso.

Leia mais sobre ciência, saúde e outras curiosidades no blog Intelligentsia .

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: segunda-feira, 17 jul 2017 13:12Altualizado em: segunda-feira, 17 jul 2017 18:01
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Insônia pode levar à doença de Alzheimer

Seres humanos dormem em torno de um terço de suas vidas, o equivalente a 25 anos ou mais, entretanto, estima-se que a média de horas de sono, que na era pré-lâmpada poderia chegar a 9 horas por noite, hoje caiu para pouco mais de sete e, para piorar, a decrescente quantidade de sono que temos é também de baixa qualidade. Nossos padrões de sono estão sendo afetados e profundamente alterados por toda uma gama de elementos, que vão desde o perturbador motoqueiro que se diz “segurança” da rua e passa buzinando embaixo de sua janela a cada 30 minutos durante toda a noite até o onipresente aparelho de TV ligado no seu quarto de forma perene e, hoje, igualmente ruim, o todo-poderoso e nefasto “smartphone” que passou a ocupar até o espaço antes dedicado aos relacionamentos com outras pessoas.

Estudos demonstram que a privação ininterrupta de sono mata, e que sono de má qualidade está diretamente relacionado a doenças coronárias e à obesidade. E se as notícias sobre os efeitos da insônia já eram ruins, há espaço para piorar. A mais nova descoberta do Centro de Pesquisa sobre a Doença de Alzheimer de Wisconsin (EUA) é que sono de baixa qualidade e sonolência durante o dia podem aumentar o risco de se desenvolver a doença de Alzheimer.

O estudo de auto-avaliação envolveu 101 sujeitos cognitivamente normais com idade média de 63 anos e todos com fatores de risco conhecidos para o Alzheimer, como histórico familiar ou evidência da presença do gene APOE, que é associado a uma chance maior de desenvolver a doença. Depois de responderem a questionários sobre sono, nos quais classificaram seus padrões de sono, dificuldades para dormir, sonolência durante o dia e sonecas tiradas, os sujeitos se submeteram a uma punção lombar e seus fluídos espinhais foram analisados para detectar a presença de indicadores de placas e emaranhados neurofibrilares característicos da doença, bem como marcadores de inflamação e danos às células nervosas.

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores concluíram que sono de baixa qualidade, problemas de insônia e sonolência durante o dia estão associados a um aumento na presença de indicadores da doença. Embora a associação direta entre a falta de sono e a demência ainda não esteja absolutamente clara, diversos estudos realizados com animais demonstraram que a capacidade do cérebro de eliminar toxinas como a beta-amiloide, a proteína tóxica que forma placas nos cérebros dos pacientes de Alzheimer, melhora. Acredita-se que isso possa acontecer com seres humanos também, pois a presença de depósitos de beta-amiloide no tecido cerebral é o primeiro estágio pré-clínico conhecido da doença de Alzheimer, e eles começam a aparecer muito antes do início dos sinais de demência.

É importante manter em mente que nem todas as pessoas que têm dificuldade para dormir estão predestinadas a desenvolver a doença de Alzheimer. Este estudo em particular analisou indivíduos com marcadores para doença e padrões ruins de sono, entretanto, ele é mais um de um crescente corpo de pesquisas que indica que sono de baixa qualidade pode ser uma das causas de demência, até porque outros mostraram uma associação entre interrupções crônicas do sono e o desenvolvimento de placas de beta-amiloide.

Se for determinado que uma melhoria dos padrões de sono também resulta em uma redução dos depósitos de beta-amiloide no cérebro, seria importante implementar intervenções para reduzir a probabilidade do desenvolvimento de um declínio cognitivo associado à demência e à doença de Alzheimer. Quer você tenha predisposição a desenvolver Alzheimer ou não, se você tem muita dificuldade para dormir, beirando na insônia, ou se é absolutamente insone, é urgente encontrar uma maneira de melhorar a qualidade de seu descanso. Existem muitas técnicas que podem ajudar e muito.

Embora o preconceito ainda impere, principalmente por falta de conhecimento sobre o que ela de fato é, uma das possíveis abordagens seria uma prática diária de meditação . De fato, a ciência que apoia isso está claramente demonstrada , pois meditar alivia o estresse, a depressão, a ansiedade, sintomas da síndrome pós-traumática e outros distúrbios relacionados ao humor o que, por sua vez, ajuda a pegar no sono. Se você quiser iniciar uma prática de meditação, meu livro iEu, como desacelerar uma mente turbinada na era da ansiedade , traz uma receita não apenas para reduzir seu estresse, mas técnicas milenares de meditação.

Você pode também experimentar essa coleção de meditações guiadas que ajudam a pegar no sono . Além disso, fique de olho aqui no Intelligentsia, pois em breve anunciarei workshops que lhe ensinarão não apenas como implementar a meditação diária em sua vida, mas também como melhorar seu sono e entender seus sonhos.

Lembre-se: dormir bem tem efeitos profundos que vão além de simples disposição para enfrentar mais um dia, trata-se de manter e melhorar sua saúde.  Leia mais sobre ciência, saúde e outras curiosidades no blog Intelligentsia .

 

Fonte: Huffington Post

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: segunda-feira, 10 jul 2017 09:26Altualizado em: segunda-feira, 10 jul 2017 19:46
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Estudo diz que Internet faz com que as pessoas se achem mais inteligentes do que realmente são

Há muito leio e reflito sobre como, principalmente na área de diagnósticos de doenças, pessoas que têm um sintoma qualquer e pesquisam na Internet o que pode ser, frequentemente não apenas conseguem se encaixar em alguma enfermidade, mas também acreditam poder se tratar sem qualquer auxílio de médicos. Invariavelmente estão erradas.

 

Mas não é só com relação à saúde que isso acontece. Como professor universitário, tenho visto cada vez mais alunos afirmarem “saber tudo” que há para saber sobre um dado tema ou mesmo com relação à sua futura profissão como um todo. De fato, deparei com um caso clássico desse complexo de superioridade intelectual ainda recentemente e, confesso, senti a sobrancelha esquerda erguer bem mais alto que a direita em uma resposta involuntária a um certo grau de indignação acadêmica. Na ocasião, uma aluna de primeiro ano afirmou querer fazer um trabalho sobre um determinado tema antropológico porque, afinal, pesquisou no Google e percebeu que “já sabia tudo sobre ele” e poderia fazê-lo com facilidade. Ledo engano o dela. Ledo engano da maioria que é induzida a assim pensar.

 

Um recente artigo publicado pelo Journal of Experimental Psychology: General revela que a possibilidade de pesquisar - e a disponibilidade de um corpo de informações gigantesco - na Internet faz as pessoas acreditarem ter bem mais conhecimento do que de fato têm. A pesquisa, que foi baseada em uma série de experimentos feitos por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mostrou que, depois de passar um tempo fazendo buscas na Internet sobre um tema, as pessoas tendem a superestimar em muito seu conhecimento a respeito dele. E, para piorar, até mesmo no que diz respeito a outros assuntos que sequer foram tópico da pesquisa que haviam acabado de realizar.

 

Para os pesquisadores, as pessoas confundem muito o conhecimento que realmente têm com o conhecimento ao qual podem ter acesso enquanto navegam on-line. Para testar essa hipótese, foi organizada uma série de experimentos envolvendo voluntários. Em um, foi solicitado que um grupo de participantes buscasse na Internet respostas para várias perguntas. Já um segundo grupo não pôde utilizar a Internet nesta fase do experimento.

 

Em uma segunda etapa, os dois grupos tiveram que avaliar sua capacidade de discursar, por conta própria, sobre assuntos não relacionados aos primeiros. O grupo que teve acesso à Internet na primeira fase se mostrou muito mais otimista ao medir seus próprios conhecimentos sobre os assuntos do que aquele que não teve o mesmo acesso.

 

 

Inteligência superestimada
O que os testes mostraram é que os participantes que tiveram acesso à Internet superestimaram sua capacidade de responder às questões, mesmo quando eram tão difíceis que era impossível de encontrar informações sobre elas na Internet.

 

Os pesquisadores acreditam que os efeitos cognitivos de se ‘estar em modo de pesquisa’ na Internet podem ser tão fortes que as pessoas se sentem mais inteligentes do que são, mesmo quando as pesquisas que fizeram nada revelam. Assim, ao situarem erroneamente o conhecimento externo em suas próprias cabeças, as pessoas acabam exagerando, e muito, o trabalho intelectual que são capazes de fazer por conta própria.

 

Como docente, vejo isso todos os dias em sala de aula com uma geração que, por sorte ou azar, não viveu um dia sequer de suas vidas sem acesso à Grande Rede e raramente conclui (ou pior sequer começa) a leitura de um livro, quanto mais então frequenta as fileiras de prateleiras de uma biblioteca, local sagrado que desde tempos imemoriais, antes até da Alexandria, sempre foi o lar de todo o conhecimento acumulado pelas milhares de gerações de ancestrais humanos e que hoje é relegado à mística de outrora e ao acúmulo de poeira.

 

Em suma, a Internet é um recurso maravilhoso que, sem dúvida, facilita o aprendizado. Mas isso tem um preço, às vezes alto, especialmente quando se trata da saúde, pois as pessoas têm muita dificuldade em distinguir onde acaba seu conhecimento e inicia conhecimento externo que realmente não detêm. Para meu leitor fica a dica: consulte sempre um especialista.

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: quinta-feira, 06 jul 2017 10:27Altualizado em: quinta-feira, 06 jul 2017 10:28
  • inteligência   Internet   Pesquisa   
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10 coisas que você não deve postar sobre seu relacionamento no Facebook

Qualquer pessoa que preste o mínimo de atenção à sua volta percebe que de uns anos para cá, como farmácias em Santos, os tais telefones inteligentes, estranha e curiosamente chamados de “smartphones” em português, dominam todos os ambientes. São onipresentes em supermercados, lojas, nas calçadas, restaurantes e, sobretudo, nos lares das pessoas. De fato, o fenômeno espalhou de tal maneira que recente pesquisa mostra que mais de 40% dos estudantes brasileiros pesquisados têm propensão ao vício no uso desses aparelhos que, enquanto por um lado são uma ferramenta prática e útil, por outro criam um vácuo pessoal difícil de ser preenchido, em especial porque espera-se gratificação e retorno imediatos em redes sociais que de sociais nada têm.

Curiosamente, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre esse tema, conclui que a maioria daqueles que tende à dependência é mulher, solteira e de renda familiar alta ou média. Mas certamente não são só mulheres. Os dois gêneros viciam, principalmente em redes sociais como Facebook, WhatsApp e Instagram. Nelas, além de acompanharem o passo a passo de todos que consideram “alguém” (e mais ainda de seus desafetos), muitos acabam postando tudo sobre suas próprias vidas, escancarando as portas e as janelas de sua privacidade ao universo. Pior: quando estão em um relacionamento afetivo, publicam tudo sobre suas relações, um comportamento danoso não apenas para elas mesmas, mas também à outra pessoa e à própria relação.

A verdade é que todos temos um casal de amigos desses. No Facebook aparecem aos tufos, e não conseguem parar de postar fotos piegas (hashtag: #abençoado) e de falar sobre seu outro. Embora possa parecer que o relacionamento é perfeito, que não reste dúvida de que o melhor sinal de um relacionamento saudável é nenhum sinal dele no Facebook ou em qualquer outra rede social.

Se você está a caminho do vício com o smartphone e, sobretudo, da perigosa obsessão com o controle de sua relação, reflita. Não é melhor preservar o que de mais importante você tem? Se largar do telefone é inconcebível e dá vertigem só de imaginar, pelo menos você pode evitar fazer o pior com ele. A seguir, listo dez tipos de postagens que você deve evitar. A regra vale para os dois.

1. Posts melosos sobre seu parceiro(a)
Em vez de se gabar das habilidades de seu marido como faxineiro e ficar dizendo que ele limpa a casa muito bem (será que isso existe mesmo?), elogie-o offline. Talvez ele até goste de suas declarações públicas de amor e admiração, mas é provável que seus amigos o ridicularizem por trás quando leem esse tipo de coisa sobre ele.

2. Postar fotos (especialmente as nada lisonjeiras) sem permissão
Nem todas as fotos que você tirou na festa do último final de semana devem ser postadas, especialmente aquelas em que sua mulher está com cara de quem não devia ter bebido tanto.

3. Posts que tiram sarro dos defeitos de seu marido ou mulher
Claro que pode ser engraçado seu marido ser um fracasso na cozinha! Mas só para você. Se está pensando em tirar sarro dele, peça permissão primeiro. Se ele for como a maioria dos outros, não achará isso nada engraçado.

4. Posts críticos sobre mau comportamento de seu marido ou mulher
Seu perfil no Facebook não é privada de banheiro de rodoviária. Guarde para si suas acusações sobre qualquer comportamento questionável e discuta o assunto com ele(a) na vida privada, com o perdão do trocadilho.

5. Postagens de fotos com legendas sobre o desempenho de seu marido ou mulher entre quatro paredes
Que bom que você acha que tem um(a) grande amante (ou não), mas seu marido ou sua mulher pode não gostar tanto de posts desse tipo quanto você. A sexualidade ainda é um assunto bem delicado para muitos. Não abuse.

6. Provocações sutis contra o (a) ex de seu parceiro(a)
Se você se sente muito incomodado que sua namorada ou namorado ainda tem ex-parceiros(as) entre seus amigos no Facebook, lave essa roupa suja com ele (ela), não com o (a) ex. Tecer comentários passivo-agressivos sobre o ex no Facebook só deixará você mal na fita; pode ser tentador fazer algum comentário, especialmente se a tal pessoa está se intrometendo em seu relacionamento, mas postar suas queixas sobre isso nas mídias sociais não passa de uma postura passiva-agressiva. Além do mais, todos têm passado!

7. Detalhes de suas brigas e discussões
Se não dá para discutir de pronto com seu “amor”, guarde qualquer queixa que tenha de relacionamento para discutir com seu terapeuta. Evite até os chamados amigos de “confiança”, pois quando fala para eles, eles falam para outros, que falam para outros, que falam para seu parceiro(a). Conflitos e disputas acontecem nos melhores relacionamentos, mas você não precisa postar para o mundo que não conseguiu dormir a noite toda por causa do ronco incessante dele (ou dela, pois, sim, conheci mulheres que são páreo duro até para os mais experientes lenhadores noturnos). Esse é apenas um exemplo, mas algumas coisas realmente precisam ser mantidas por trás dessas portas fechadas. Ainda que venha a fazer as pazes com o seu (sua) parceiro(a), não haverá mais como colocar o proverbial gato de volta no saco.

8. Mensagens sobre “como será” quando chegar em casa
Resista! Não faça aquela postagem do tipo "mal posso esperar até você chegar em casa essa noite... ;)" É melhor mandar uma mensagem dessas por texto ou direto ao inbox do Facebook. Outras pessoas podem achar isso meloso ou até nojento. E não poste comentários sobre sexo! Embora seu marido possa até se sentir lisonjeado ao ler sua alusão velada sobre sua diversão vespertina, sua sogra pode ficar menos entusiasmada com isso e a professora de seu filho pode ficar meio chocada. Um recente caso desses provocado por uma conhecida minha acabou por arrastar o nome dela pela lama na família de seu namorado. As pessoas não entendem e não querem entender.

9. Comentários agressivo-passivos sobre seu cunhado, sogra, sogro...
Quando você vê um post sobre parentes dele ou dela metendo os bedelhos na vida do casal, é difícil resistir marcar seus amigos e escrever algo como "parece alguém que conheço..." Lute contra esse impulso da próxima vez. Não utilize sua lista de amigos para reclamar sobre os defeitos dos parentes de seu marido ou mulher. Não suponha que ao bloquear os parentes dele ou dela em sua mensagem eles não verão o que você tem a dizer. Suas palavras espalham rapidamente entre amigos de amigos e entre amigos de amigos de amigos. E elas voltarão para você mais rápido que imagina.

10. Lembretes para não esquecer de comprar leite a caminho de casa
O Facebook pode ser uma ótima ferramenta para conversar com amigos, mas não deve substituir uma conexão de verdade com o seu (sua) parceiro(a). Se você utiliza o Facebook para combinar quem buscará as crianças na escola ou para bater papo, está na hora de pensar sobre como pode retomar uma vida mais significativa offline. E ela existe e acontece enquanto você está preocupado com outras coisas!

Leia mais sobre os limites ciência, da espiritualidade e da consciência no Intelligentsia

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: segunda-feira, 03 jul 2017 08:53Altualizado em: segunda-feira, 03 jul 2017 18:13
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Confira a estreia de Darrell Champlin nos blogs do Santa: Sincrodestino

Quando fui convidado para integrar a seleta equipe de blogueiros do Santaportal, incorporando a ele textos produzidos sob a égide do Intelligentsia, o blog que escrevo há alguns anos, a surpresa foi rapidamente substituída por um profundo senso de responsabilidade mesclado com uma sensação de (re)início. O momento poderia ser caracterizado como um de “sincrodestino”, isso é, um evento sincrônico precedido de muitas supostas “coincidências” que, observadas, materializam um caminho novo a ser seguido. E eu vinha observando uma série dessas ditas casualidades ao longo das semanas que precederam a esse curioso truque do destino chamado viver.

Olhando para trás, pensando nos acontecimentos dos últimos anos, essa nova fase, que acolho como parte de um processo de aprendizado contínuo, me remeteu a outro momento importante de minha vida ocorrido antes, em uma outra conjuntura renovadora e importante em meu progresso como indivíduo.

Corria o ano de 2012, e o sincrodestino começou a dar sinais. Sabe aquele momento em que sua vida profissional mais se assemelha a uma cela solitária em prisão de segurança máxima e sua vida pessoal parecida com uma tarde em um salão de beleza, onde assunto não falta, e costuma ser o que você faz ou deixa de fazer?

Como disse Dalai Lama, “os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido”. Este era meu quadro, e não aconteceu da noite para o dia. Materializou porque deixei, já que a vida consiste sempre de uma série de opções e escolhas. E essas haviam sido as minhas.

Depois de passar uma boa temporada na corrida de ratos em busca do “ter”, finalmente tomei consciência que a vida na proverbial cadeia e salão de beleza havia dado o que tinha que dar. Havia entrado em um processo autodestrutivo crônico. Sim, fizera conquistas e, como sempre dizia àqueles que me cercam, ido bem além até do que almejava ou mesmo considerava possível quando adolescente. Vivia uma vida confortável, tinha contratos de longo prazo com empresas importantes, uma presença razoável na mídia, ora, até conhecia e convivia com figuras de esferas muito acima da minha. E estava curtindo aquilo, apesar do alto nível de esforço mental e espiritual necessário para me manter por ali. Era meu universo. Estava oco, mas, paradoxalmente, repleto, ainda que de valores alheios.

Como chegar até ali, deixar essa esfera também não aconteceu de um dia para o outro. Foi um processo que levou anos e ocorreu em decorrência de uma série de pequenos, mas importantes eventos pessoais.

Em retrospecto, a série de coincidências significativas já havia começado antes. Penso que tudo tenha começado quando li uma reportagem a respeito de como Paul McCartney se tornou vegetariano. Fui surpreendido por saber que, ao fisgar um peixe em uma pescaria, o cantor repentinamente pensou: “a vida deste peixe é tão importante para ele como a minha é para mim”. Eu nunca havia pensado nisso. Essa realização foi profundamente impactante e desencadeou uma série de outras dali para frente. Outro momento importante, os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, por exemplo, já haviam me levado a uma decisão consciente de parar de assistir a filmes de violência na TV, um processo que progrediu de tal forma que deixei de lado a TV aberta praticamente como um todo e retomei a leitura. Por sua vez, com o tempo isso trouxe de volta a prática da meditação.

Mas não há dúvida que os dois eventos que mais influenciaram minha reengenharia pessoal foram a rescisão, de minha parte, de um contrato de longa data que me deixara escravo das próprias circunstâncias, e o sequestro relâmpago, esse último trazendo a percepção derradeira de que “ser” é infinitamente superior a “ter”.

O processo tomou suas formas finais nos últimos três anos de minha vida. Em um esforço, agora consciente e objetivo, fiz um “downsizing” generalizado, cortando e eliminando o que fosse não essencial, redirecionei minha busca pela espiritualidade, voltei a escrever e a provocar a mim mesmo com ideias novas. Publiquei mais um livro cujo objetivo único era propagar o “wellness” (bem-estar) de outros. Renovei valores. Como McCartney, assumi o vegetarianismo, não como mero estilo de vida, mas como um conjunto de valores focados no respeito à e valorização da vida de todos que conosco coabitam este planeta. Busquei o desafio de me cercar de gente nova, do bem e para o bem e com intenções e ações semelhantes àquelas que tenho como meta pessoal, e de fato encontrei algumas pessoas (extra)ordinárias! Passei a procurar influenciar e, como não, ser influenciado conceitual e factualmente com e por emoções e pensamentos construtivos.

Acredito que se buscarmos, o Universo ajuda e, de fato, conspira em nosso favor, que o bem traz o bem e que o amor verdadeiro, primeiro por si e depois pelos outros, traz a fundação e pavimenta o caminho ao “nirvana” que cada um tem por dentro.

Fundamentalmente, somos o que e quem queremos, somos cocriadores da própria consciência quântica que estrutura toda a existência. Tudo é questão de escolha, e fazer as corretas nem é tão difícil assim. Hoje, para mim, menos é muito mais. Fiz uma reengenharia de minha vida para a minha vida.

Agora, escrever para o Santaportal, em uma parceria em informação, dá sequência a essa cocriação. Em meu espaço, você lerá sobre desenvolvimentos, descobertas e curiosidades científicas que percorrem a tênue linha que divide o conhecido do desconhecido, saberá mais sobre o estado da arte da pesquisa na psicologia positiva e da energia, ficará a par do que há mais novo no mundo do autoconhecimento e como a consciência vai além do corpo.

Embarque comigo nessa bela jornada em busca do saber!

Leia mais sobre os limites ciência, da espiritualidade e da consciência no Intelligentsia.

 

 

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  • Publicado por: Darrell Champlin
  • Postado em: terça-feira, 27 jun 2017 09:41Altualizado em: terça-feira, 27 jun 2017 10:27
     
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Ciência, saúde, espiritualidade, meditação em textos escritos por quem entende do assunto: o antropólogo Darrell Champlin.