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A Inglaterra muito além do 'fish and chips'

Cerca de dez dias atrás tive o prazer de, após alguns anos, voltar à Inglaterra, desta vez representando a Universidade Santa Cecília – UNISANTA em algumas atividades acadêmicas em Birmingham (reunião com docentes da Faculdade de Direito da Birmingham City University – BCU visando projetos de pesquisa conjuntos) e Londres (palestra para membros da UKELA – United Kingdom Environmental Law Association).

Algumas impressões sobre esta rápida estadia em terras inglesas eu realmente gostaria de poder compartilhar com vocês, caros amigos do blog Santa Gastronomia. 

Antes de mais nada, é de se destacar o poder de resiliência do povo britânico. Após recentes atentados nas cidades de Londres e Manchester, as coisas aparentam uma perturbadora normalidade. Não se percebe qualquer movimento diferente no metrô, nos pontos turísticos mais badalados, no centro financeiro ou em eventos de grande porte (no período estava acontecendo o ATP Finals – torneio com os oito melhores tenistas masculinos da temporada – na fantástica O2 Arena).

Isso não significa, nem de longe, que as autoridades não estejam atentas às movimentações dos grupos terroristas, mas sim, e apenas, que os ingleses parecem ter em seu DNA o poder de superar adversidades. Londres enfrentou intensos bombardeios durante a II Grande Guerra, e parece ter calejado o povo para seguir em frente, mesmo diante de sérias dificuldades. 

Londres está, como de costume, linda. A mescla de arquitetura, do clássico com o contemporâneo, faz desta capital uma das cidades mais interessantes do mundo. Culturalmente falando, é intensa. Espetacular, eu diria.

Mas vamos ao que interessa. E a gastronomia inglesa, vai bem? 

A Inglaterra, e o Reino Unido em geral, carregou durante muito tempo a fama de ter uma culinária horrorosa, baseada em pratos pouco apetitosos, e tendo como carro-chefe o fish and chips, nada além de peixe e batatas, fritos e boiando em óleo.

Talvez a má fama tenha mexido com os brios do povo britânico, pois hoje os mais populares programas de culinária do mundo são conduzidos por britânicos. Gordon Ramsay, Jamie Oliver e Nigella Lawson.

Londres, e outras cidades do Reino Unido são sinônimo de alta gastronomia. A primeira cidade conta com uma constelação de estrelas Michelin, destacando-se, por óbvio, seus três restaurantes com três estrelas no mais importante guia gastronômico mundial.

De fato, são imperdíveis os restaurantes dos chefs Alan Ducasse e Gordon Ramsay, este último, por sinal, inglês. O mais prestigiado chef francês do momento tem seu restaurante no Hotel Dorchester e o chef inglês no bairro de Chelsea. A mais recente conquista das três estrelas Michelan foi do restaurante japonês Araki, do chef Mitsuhiro Araki, com apenas nove lugares (um balcão onde o cliente aprecia o prestigiado chef preparar seus magníficos pratos da culinária nipônica).

Ao todo, o Reino Unido conta com 5 restaurantes três estrelas, 20 com duas estrelas e 150 com uma estrela, pelo guia Michelin.

Aliás, um desses restaurantes com uma estrela que vale ser conhecido é o Quilon, que está localizado no complexo do St. James’ Court Hotel, muito próximo dos metrôs St. Jame’s Park e Victoria Station. Trata-se de um restaurante indiano com toques contemporâneos que agrada muito. Não esqueçamos que a Inglaterra tem uma forte ligação com a Índia, e além de centenas de milhares de indianos morarem no Reino Unido, o fluxo de viajantes desta nacionalidade no país é intenso, o que faz com que haja grande variedade de restaurantes com esta apelação.

Abro um parêntese para destacar o bar do citado hotel, que conta com um exímio pianista de jazz no começo da noite, e onde você pode tomar bons drinks e fazer uma refeição leve e rápida. Ali perto, ainda, na Victoria Street, também há um dos tantos restaurantes do chef Jamie Oliver. Para mim, apenas mais um restaurante. Decoração e comida sem graça. Para ser mais ou menos, falta muito.

Uma ótima opção para a garotada e os amantes do Rock’n’Roll é o Hard Rock Cafe, que fica ao lado do Hyde Park. O citado restaurante foi o primeiro da rede mundial, e conta com peças históricas de grandes ícones da música. Aliás, do outro lado da rua, onde funciona a loja de produtos do restaurante, não deixem de visitar o minúsculo museu existente no porão, e que conta com raridades. É só pedir para os vendedores, e um guia lhe acompanhará até o andar de baixo da loja.

Se vocês forem amantes de queijos, então o Reino Unido é o lugar certo para se refestelar. A variedade de queijos é imensa, com destaque para o Blue Stilton e o Cheddar. Não deixe de provar a grande variedade desses dois queijos. O Cheddar maturado é uma coisa de louco. Nos bons hoteis, costuma-se servir uma boa variedade deles no café da manhã.

Também é bom lembrar que o Reino Unido, e principalmente a Inglaterra, é um dos maiores importadores de vinho do mundo, sendo muito boa a opção desta bebida em restaurantes e bares.

Para adquirir bons vinhos em Londres, dê uma passada na Hedonism Wines (vinhos raros e caros), na Amathus (bons preços e razoável variedade – destaque para os champagnes), na Harvey Nichols (loja de departamentos com uma ótima boutique de vinhos, com destaque para os espumantes ingleses – prestigiados e caros para os padrões de lá) e o templo do luxo na capital inglesa, a Harrods.

Não há como não dar destaque à loja de departamentos de altíssimo luxo Harrods. As principais marcas de roupa, tecnologia, perfumaria e cosméticos etc. têm stands nesta loja enorme, e que vale o passeio de uma manhã inteira. E, quando você chegar no departamento de alimentos e bebidas, seu queixo cairá. Você ficará completamente louco. Ensandecido. Você terá de exercer seu máximo autocontrole para que não estoure o cartão de crédito, pois os produtos com os quais você se deparará tirarão você do prumo.

A Harrods tem em seu estoque alguns dos melhores e mais caros vinhos do planeta, além de queijos (com ênfase nos ingleses e franceses), temperos, frutos do mar, pães e outras iguarias que deixa qualquer pessoa que gosta mais ou menos de gastronomia pirada. Imagine quem ama. 

E piora, pois todos os stands de gastronomia estão rodeados de vários restaurantes, amplamente frequentados por ingleses e turistas do mundo inteiro. Alguns contam com imensas filas. Resista!!!! Isso mesmo, resista. Como assim? Eles são absolutamente tentadores, mas não fazem jus ao preço astronômico que costumam cobrar. Portanto, respire, vá embora e ache um ótimo restaurante para almoçar ou jantar, onde você gastará metade e comerá muito melhor. Aliás, qualquer produto da Harrods parece ser mais caro do que em outros lugares. Os dois maiores problemas são saber onde achar o que você procura (ali você acha) e resistir à tentação (como acima já anotado).

Enfim, se você ainda pensava que a Inglaterra era um destino que não valia a pena, pois não teria como satisfazer sua exigência gastronômica, pode fazer as malas e partir em uma maravilhosa viagem, pois você passará muito bem.

Fernando Akaoui é Promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo, professor titular da Faculdade de Direito da UNISANTA e um apaixonado pelo mundo dos vinhos

 

 

  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: quarta-feira, 29 nov 2017 18:02Altualizado em: quarta-feira, 29 nov 2017 18:05

Comentários (3)

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Milene

• 30/11/2017 15:49

saudades
adorei o artigo.. deu saudades de Londres

Wagner

• 30/11/2017 12:45

Parabéns
Com esse texto fantástico e parece que estamos em Londres vivendo isso, fica a vontade de visitar essa cidade

Regina Reverendo Vidal

• 29/11/2017 20:51

Santagastronomia
Adorei sua explanação sobre Londres , a partir daí torna -se bem mais interessante . Quando for a Londres não vou me esquecer de consultar a sua matéria . Você escreve muito bem .

     
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