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Santos e a segregação racial

Santos costuma ser exaltada como a "melhor cidade do Brasil", ou a cidade com "a melhor qualidade de vida do país". Mas essa mesma cidade que carrega esses rótulos apresenta enormes contradições e desigualdades sociais, muitas vezes maquiadas e 'ocultas' pra uma parcela da população que as desconhece (ou prefere desconhecê-las).

Um desses aspectos é a segregação racial existente em nossa cidade. Você já reparou nisso? Imagino que não, mas alguns dados podem nos ajudar a pensar sobre o assunto.

Em estudo do jornal NEXO publicado em 2015 surgiu um dado estarrecedor sobre nossa cidade: Santos é a terceira cidade com maior segregação racial do Brasil.

Mas o que isso quer dizer?

Os dados mostram que nas periferias da cidade e em seus bairros mais pobres prevalecem os moradores auto-declarados pretos e pardos, enquanto nos bairros com melhor infraestrutura urbana prevalecem os moradores auto declarados brancos.

Isso não quer dizer que não existam moradores pretos nos bairros mais ricos, e tampouco que não existem moradores brancos nos bairros mais pobres (isso é até óbvio, mas às vezes até o óbvio precisa ser explicado pra não gerar intepretações errôneas).

Isso quer dizer que estatisticamente a chance de um morador da orla da praia ser branco, e de um morador das periferias ser preto é extremamente alta.

Essa distribuição racial e espacial dos moradores é fruto de vários processos históricos, de médio e longo prazo, que se sobrepõem ao longo do tempo.

Nosso passado de séculos de escravidão e o recente processo de especulação imobiliária da cidade, que aumenta o custo de vida e leva os moradores de baixa renda a se afastar cada vez mais da orla da praia são exemplos de alguns desses processos que deixam sua marca na história e levam à atual configuração da nossa cidade.

Sugiro então que cada santista repare e reflita um pouco em alguns aspectos dessa segregação racial que se expressam no nosso dia a dia. Por exemplo: da próxima vez que for a praia, repare na distribuição racial das pessoas ao seu redor; da próxima vez que for comer em uma lanchonete (ou um McDonalds, por exemplo) repare na distribuição racial das pessoas que estão do lado de lá e do lado de cá do balcão; da próxima vez que conversar com algum trabalhador de baixa renda (por exemplo, o porteiro do seu prédio) pergunte onde ele mora e como ele se desloca diariamente para o seu local de trabalho.

E pra além disso tudo: na próxima eleição municipal questione nossos representantes atuais sobre o porquê de nenhum deles tocar nessa questão e nem ao menos tentar lutar por uma cidade que seja verdadeiramente democrática.

 

 

  • Publicado por: Rafael Moreira
  • Postado em: terça-feira, 21 nov 2017 09:45

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