Valter Campanato/Agência Brasil Valter Campanato/Agência Brasil

Bolsonaro e a questão partidária

Bolsonaro segue em busca de um partido que dê espaço para a sua candidatura presidencial em 2018, mas os partidos do campo da direita, reticentes de terem essa marca na sua história, cada vez menos parecem querer tê-lo como filiado.

Depois de sair do PSC alegando que o seu partido havia se coligado com partidos de esquerda nas eleições municipais de 2016 (algo que seria intolerável do ponto de vista do político), o parlamentar foi aceito pelo PEN, partido que curiosamente também fez esse tipo de coligação nas mesmas eleições. O partido então fez uma grande cerimônia para abrigá-lo em sua legenda, tornou o político a principal estrela da sua propaganda eleitoral gratuita desse ano, cedeu a ele boa parte dos cargos de direção estadual do partido - o que por consequência dá a ele mesmo o poder de controlar boa parte dos recursos financeiros do partido para bancar suas viagens pelo país - e até mudou o nome da sigla para PATRIOTA, com o intuito de abocanhar a parcela nacionalista e conservadora do eleitorado brasileiro (campos que na maior parte da nossa história estiveram associados).

Porém, divergências quanto ao uso do fundo partidário do seu novo partido levaram o político a mais uma vez sinalizar que irá mudar de sigla. Cabe lembrar aqui também que a migração partidária não é algo novo para Bolsonaro, que durante a maior parte dos governos petistas fez parte do PP (ex-ARENA durante o Regime Militar), partido da base aliada da coalizão liderada pelo PT, campeão de indiciados na Operação Lava Jato e constantemente envolvido em escândalos de corrupção (algo que ao que parece nunca foi um problema para o parlamentar. Sabe-se também que o real motivo de sua saída do PSC foi a precária estrutura partidária que o partido lhe daria para sua possível campanha em 2018, o que o levou a buscar novos ares e isso talvez seja mais uma vez o motivo da sua saída do seu atual partido, o PATRIOTA.

Entre as legendas que o parlamentar cogita migrar estão o PSL. O partido, mais uma pequena legenda usada como partido de aluguel para ambições pessoais de aspirantes a políticos nos mais variados municípios (tal como o PEN/PATRIOTA, e o PSC) atravessa um processo de mudança interna, com a ascensão de um grupo autointitulado LIVRES. O grupo, porém, já se posicionou contra a filiação do parlamentar e o próprio flerte com o novo partido, ao que parece, pode ter sido muito mais um factoide criado pelo próprio parlamentar para tentar abrir espaço à força no partido.

Outra sigla à qual o político cogita se filiar é o PR. O partido tem uma bancada maior em comparação a todos os outros partidos aqui citados, com exceção do PP, o que lhe garantiria mais tempo de TV e uma estrutura organizativa maior do que aquelas proporcionadas pelos partidos pelos quais passou. As questões que agora devem ser feitas são: os caciques do partido aceitarão abrir espaço para uma liderança como ele? O partido aceitará ter em sua história a marca de lançar um candidato com visões tão extremas no campo da direita e que representam o atraso e o autoritarismo que até hoje lutamos para superar em nossa história?

Um dos aspectos que pesará na decisão dos líderes do partido para responder a essas questões com certeza será a cláusula de barreira. Caso o partido avalie que tem capacidade de superar a cláusula sem contar com Bolsonaro em seus quadros o político seguirá pagando o preço de ter uma postura tão anti-partidária, vendo as suas chances de concorrer à presidência nas eleições de 2018 ficarem cada vez menores. 

* Rafael Moreira é Doutorando e Mestre e Ciência Política pela USP. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pela mesma Universidade. 

 

 

Comentários (1)

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otacilio simoes

• 28/12/2017 22:00

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Mais um politico aproveitador da atual situação do pais 20 anos mamando agora aparece de salvador ainda bem que nem partido tem

     
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