Sogras

Para uns, a segunda mãe. Para outros, uma cobra. Boa ou ruim, a sogra é figura presente na vida de quase todo mundo que encontrou sua cara metade. Como curiosidade fiquei sabendo que a homenagem foi criada em 1958,nessa época durante uma crise nacional,os salários atrasavam e as sogras davam aquela força segurando as pontas.No imaginário popular, a figura da mãe da esposa ou do marido é tema de uma infinidade de piadas, nem sempre elogiosas.

Minha avó dizia que sogra boa é aquela que fecha a boca e abre a bolsa,tem tudo a ver com a origem da data.

Mas nem quero me ater ao dia da Sogra gostaria de contar duas histórias que mostram duas faces de um relacionamento que pode ser ótimo ou péssimo,mas também depende muito do olhar e da necessidade das envolvidas.

Há alguns anos conheci uma jovem mãezinha que tinha verdadeiro horror da sogra,algo que inclusive atrapalhava seu relacionamento conjugal.

Passados vários anos,uma década talvez reencontrei essa moça num momento de extrema fragilidade emocional e qual não foi minha surpresa quando ela me contou que se não fosse aquela sogra que tanto detestou no passado ,ela teria desmoronado .

Comento isso só para reforçar a ideia de que as emoções devem ser amparadas e analisadas num contexto muito mais amplo do que o simplista,bom ou ruim,pois dependendo disso as pessoas acabam podendo mostrar e dar o melhor que tem ,apesar de que ao primeiro olhar os defeitos ou falhas gritem mais alto.

E aqui também transcrevo mais uma problema em relaçaõ a esse parentesco sensível e delicado,através um e mail que recebi de uma leitora.

Estou casada com um homem dominado pela mãe, chegamos ao ponto dela sair com as amigas e pedir para ele ficar  na casa dela tomando conta do cachorro no réveillon por causa dos fogos. Se eu reclamo fica notório que ele prefere atender a mãe do que  a mim. Como lidar com alguém que não enxerga que é manipulado?

Antigamente se dizia que antes de casar com uma mulher deveria ver como a sogra envelheceu, brincadeira machista que também é valida para os homens, não no sentido da beleza mas que serve para se ter uma ideia da dinâmica da família em que se vai entrar.

O primeiro conselho que te dou é não bater de frente. Não queira se impor sobre esse vínculo forte, mas doentio.

Mas é possível minimizar não sendo co -participante dessa obediência, com jeitinho vá fazendo suas escolhas, nem que seu marido não vá junto pois as suas ações é que vão faze-lo perceber que está abrindo mão de sua própria vida.

Pelo que percebo quando ele fica penalizado pelos desejos ou necessidades da mãe você também vai para o castigo. Talvez esse seja o ponto que saem querer você reforça, ficando junto e abrindo mão de suas necessidades.

Você deu exemplo do ano novo, em que também perdeu a comemoração por causa do cachorrinho da sogra, talvez se você tivesse ido para sua comemoração e deixado ele sozinho com o cãozinho desse um start nele, mas o que aconteceu foi que você aquiesceu e também ficou junto, infeliz e revoltado.

Mas não precisa esperar o fim do ano ,pode ser uma ida ao cinema por exemplo que ele desista por causa da mãe e você também perde o filme, é a hora de se colocar no seu desejo de ir ao cinema e ir sozinha, até que um dia ele acorde para suas próprias necessidades.

Na verdade é uma estratégia, amorosa para que ele perceba que a escolha entre prisão e liberdade é dele, e que o prato mais saboroso há que prevalecer.

Mas nãos e engane, o trabalho é árduo e lento, pois Freud já explicou em muitos de seus textos o quanto essa relação pode ser difícil de resolver quando não está bem clara. 

 

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  • Publicado por: Marcia Atik
  • Postado em: domingo, 28 abr 2019 07:21Atualizado em: segunda-feira, 29 abr 2019 19:43

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