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Por que minha aposta para o Oscar deste ano é em 'Green Book'

Tenho lido e ouvido muitos comentários que diminuem ‘Green Book – O Guia’ por ser raso e leve a respeito de um assunto que não deveria ser tratado dessa forma: o racismo. Discordo. Como o filme é leve, você o consome meio que desarmado, sem esperar certas coisas que acontecem. E isso pode ser mais impactante.

É mais ou menos no mesmo estilo de ‘Estrelas Além do Tempo’, filme de alguns anos atrás cuja atriz, Octavia Spencer, é a produtora executiva aqui. São filmes quase irmãos. Ambos baseados em histórias reais.

Mesmo que você ache o filme leve demais, é inegável que uma de suas principais qualidades são as boas interpretações. Mahershala Ali está espetacular como Don Shirley, um mimado e esnobe pianista erudito que resolve desafiar a si mesmo e realizar uma série de concertos no Sul racista dos Estados Unidos em plenos anos 50, um período em que havia lugares onde negros não podiam entrar.

Para conseguir fazer os concertos e voltar vivo para casa, Shirley precisa de um motorista, que vai cuidar da logística toda da coisa, e ao mesmo tempo de um guarda-costas. Qualidades que encontra em Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), um ítalo-americano que poderia ter saído de qualquer episódio de The Sopranos ou de O Poderoso Chefão e que guarda, ele próprio, um tanto de preconceito. No começo do filme, por exemplo, ele joga fora dois copos usados por dois trabalhadores negros que foram prestar algum serviço em sua casa (e que são resgatados pela esposa dele da lata do lixo). Os trejeitos de Viggo no papel, aliás, são parecidos com os de Vito Corleone. O jeito de falar idem.

Ao longo da viagem – e por causa das inúmeras dificuldades que enfrentam – uma forte e improvável amizade surge entre eles. Outros temas surgem nessa jornada que levam a reflexão um pouco além do racismo. Não vou falar para não estragar as surpresas.

Não tem, de fato, nada de novo. Não é revolucionário em nenhum aspecto. É cheio de clichês e telegrafa a maioria das cenas (é possível adivinhar tudo o que vai acontecer). Ainda assim curti bastante e achei a performance de Ali muito honesta, muito além da caricatura e merecedora de todas as atenções.

Falei lá no começo de como achei esse filme parecido com ‘Estrelas Além do Tempo’. Mas ao contrário de ‘Estrelas’, que saiu da festa do Oscar de mãos abanando, aposto que ‘Green Book’ leva a estatueta de Ator Coadjuvante para Mahershala Ali (que não por coincidência estava em ‘Estrelas’ e também no oscarizado ‘Moonlight’) e, mesmo não tendo seu diretor Peter Farrely (lembra dele? ''Quem Vai Ficar com Mary') indicado tem grandes chances de levar Melhor Filme. Já aconteceu antes, com Argo. E a Academia adora histórias baseadas em fatos reais, como esta. E cheias de bandeiras, também como esta. Green Book levou não só o Globo de Ouro como também o prêmio do Sindicato dos Produtores, um excelente indicativo para o Oscar. Minha aposta, hoje, seria nele.

 

 

  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quarta-feira, 30 jan 2019 11:57Atualizado em: quarta-feira, 30 jan 2019 20:32

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