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Michel Legrand, morto no último sábado, compôs uma das trilhas mais bonitas da história: 'Verão de 42'

Entre as trilhas sonoras mais lindas que já ouvi, no topo da lista, está a de 'Houve uma vez um Verão' (ou 'Verão de 42'), uma delicada história sobre a descoberta do amor. A trilha, premiada com o Oscar, foi composta por Michel Legrand, compositor francês que morreu no último sábado (26) aos 86 anos.

Legrand ganharia ainda outros 2 Oscar, pelas trilhas de 'Yentl' e 'Crown, o Magnífico'. Legrand fez trilha para cinema (mais de 200), fez música erudita, fez jazz, compôs para Jean Luc Goddard, para Orson Welles, tocou com grandes nomes como Frank Sinatra, Edith Piaf e Miles Davis.

Sua morte é o desaparecimento de um dos grandes, dos maiores da história da música para cinema. Música maravilhosa como essa que compartilho, minha preferida dele.

SOBRE 'VERÃO DE 42'
Um filme que marcou minha juventude: 'Houve Uma Vez um Verão' - ou 'Verão de 42', que Robert Mullighan dirigiu em 1971 e tinha no elenco a brasileira Jennifer O'Neill. E tem a música-tema mais bonita da história do cinema!!!!

O filme conta a história de um menino de uma pequena cidade litorânea que se apaixona por uma mulher muito mais velha, casada. O marido dela está na guerra. Nessa cena, já ao final do filme, ele chega na casa dela no exato momento em que ela recebe a notícia de que seu marido morreu em combate.

A Jennifer O'Neil, bela atriz que protagoniza a história, objeto da afeição do menino, nasceu alguns meses antes da minha mãe. E, apenas por acaso, nasceu no Rio de Janeiro, embora nunca tenha morado no Brasil. Um detalhe picante de sua vida: se casou nove vezes! :-)

Algumas curiosidades sobre o filme:

1) Em uma cena do terrorzão 'O Iluminado', de Stanley Kubrick e Stephen King, a personagem de Sheeley Duval é mostrada assistindo ao filme;

2) Verão de 42 foi o sexto filme mais assistido de 1971;

3) Foi indicado para 5 Oscar, incluindo melhor canção e melhor trilha sonora. Ganhou o de trilha sonora;

4) A atriz Jennifer O'Neil conseguiu os direitos para levar às telas uma pretensa continuação do filme, baseada em um conto escrito por ela própria. Isso foi em 2002. Exatos 15 anos depois, essa idéia (felizmente) não saiu do papel. Verão de 42 merece continuar em nossa memória exatamente como foi criado!

 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quarta-feira, 30 jan 2019 18:25
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Por que minha aposta para o Oscar deste ano é em 'Green Book'

Tenho lido e ouvido muitos comentários que diminuem ‘Green Book – O Guia’ por ser raso e leve a respeito de um assunto que não deveria ser tratado dessa forma: o racismo. Discordo. Como o filme é leve, você o consome meio que desarmado, sem esperar certas coisas que acontecem. E isso pode ser mais impactante.

É mais ou menos no mesmo estilo de ‘Estrelas Além do Tempo’, filme de alguns anos atrás cuja atriz, Octavia Spencer, é a produtora executiva aqui. São filmes quase irmãos. Ambos baseados em histórias reais.

Mesmo que você ache o filme leve demais, é inegável que uma de suas principais qualidades são as boas interpretações. Mahershala Ali está espetacular como Don Shirley, um mimado e esnobe pianista erudito que resolve desafiar a si mesmo e realizar uma série de concertos no Sul racista dos Estados Unidos em plenos anos 50, um período em que havia lugares onde negros não podiam entrar.

Para conseguir fazer os concertos e voltar vivo para casa, Shirley precisa de um motorista, que vai cuidar da logística toda da coisa, e ao mesmo tempo de um guarda-costas. Qualidades que encontra em Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), um ítalo-americano que poderia ter saído de qualquer episódio de The Sopranos ou de O Poderoso Chefão e que guarda, ele próprio, um tanto de preconceito. No começo do filme, por exemplo, ele joga fora dois copos usados por dois trabalhadores negros que foram prestar algum serviço em sua casa (e que são resgatados pela esposa dele da lata do lixo). Os trejeitos de Viggo no papel, aliás, são parecidos com os de Vito Corleone. O jeito de falar idem.

Ao longo da viagem – e por causa das inúmeras dificuldades que enfrentam – uma forte e improvável amizade surge entre eles. Outros temas surgem nessa jornada que levam a reflexão um pouco além do racismo. Não vou falar para não estragar as surpresas.

Não tem, de fato, nada de novo. Não é revolucionário em nenhum aspecto. É cheio de clichês e telegrafa a maioria das cenas (é possível adivinhar tudo o que vai acontecer). Ainda assim curti bastante e achei a performance de Ali muito honesta, muito além da caricatura e merecedora de todas as atenções.

Falei lá no começo de como achei esse filme parecido com ‘Estrelas Além do Tempo’. Mas ao contrário de ‘Estrelas’, que saiu da festa do Oscar de mãos abanando, aposto que ‘Green Book’ leva a estatueta de Ator Coadjuvante para Mahershala Ali (que não por coincidência estava em ‘Estrelas’ e também no oscarizado ‘Moonlight’) e, mesmo não tendo seu diretor Peter Farrely (lembra dele? ''Quem Vai Ficar com Mary') indicado tem grandes chances de levar Melhor Filme. Já aconteceu antes, com Argo. E a Academia adora histórias baseadas em fatos reais, como esta. E cheias de bandeiras, também como esta. Green Book levou não só o Globo de Ouro como também o prêmio do Sindicato dos Produtores, um excelente indicativo para o Oscar. Minha aposta, hoje, seria nele.

 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quarta-feira, 30 jan 2019 11:57Atualizado em: quarta-feira, 30 jan 2019 20:32
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A burrice em Hollywood vem de longe... Você sabia que quiseram cortar 'As Time Goes By' de 'Casablanca'?

A burrice não começou, na indústria do cinema, agora. Não mesmo. Em 1941, já na fase final de produção, quiseram cortar 'As Time Goes By' de 'Casablanca'. Só não o fizeram porque Ingrid Bergman já estava rodando 'Por Quem os Sinos Dobram' e havia cortado o cabelo, inviabilizando a gravação de novas cenas. Aí ficou assim.

Na cena, Ingrid chega ao Rick's, não vê o Bogart, cola no pianista e pede para ele tocar 'As Time Goes By', que era a música do casal (e diz "play it, Sam. Play 'As Time Goes By'. A frase "Play It Again, Sam", famosíssima, nunca foi dita). Eles foram amantes no passado mas ela o deixou. E agora reaparece porque precisa de ajuda para salvar o marido dos nazistas. E quer ajuda de Bogart...

Ela pede a música porque sabe que se Bogart estiver por ali vai aparecer. Sam, o pianista, reluta, diz que não lembra mas acaba aceitando o pedido. Logo aparece Bogart, furioso, querendo tirar satisfações com seu funcionário por tocar uma canção proibida... e dá de cara com Ingrid... Essa cena me prova que Bogart não era um simples canastrão. Era sim um canastrão, mas com recursos. O misto de surpresa, ódio, emoção, amor e alegria que se vê na cara dele em pouquíssimos segundos é fantástico. Simplesmente memorável!

'As Time Goes By' não é a única canção que Dooley Wilson, o ator que faz Sam, canta em Casablanca. Entre outras, ouvimos uma que faz sucesso até hoje, em diversas versões: 'It Had To Be You'. Aliás, Dooley só canta, mesmo. O piano foi todo "dublado" na cena. Ele não tocava o instrumento, era cantor e baterista.

 

 

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: sexta-feira, 25 jan 2019 12:37Atualizado em: sexta-feira, 25 jan 2019 12:50
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George Simenon e seu Inspetor Maigret, uma boa opção para quem curte literatura policial

Entre toda a literatura policial que consumo, George Simenon é, de longe, meu favorito. Seu Inspetor (ou Comissário, dependendo da fase) Maigret é extremamente cativante e humano em todos os aspectos, muito mais do que outros detetives célebres da literatura. Me encantam especialmente sua ambientação, seus cenários, seus personagens fortes, complexos, e sua relação com a esposa, companheira de todas as horas. Maigret lida com os casos mais sujos, com as maiores maldades mas sua cabeça está, sempre, com ela, em casa. O sujeito fica de péssimo humor quando tem que viajar ou se atrasa em uma investigação e não pode jantar com a esposa.

O mais engraçado é que Maigret é o oposto de tudo o que George Simenon era. Simenon era um aventureiro, um cidadão do mundo, viciado em sexo, que se orgulhava de ter dormido com mais de 10 mil mulheres, incluindo aquele que talvez tenha sido seu grande amor, a cantora de jazz Josephine Baker. Se embrenhava em expedições pela África, frequentava a alta sociedade européia, foi presidente do juri do Festival de Cinema de Cannes, era amigo de Federico Fellini... uma vida agitada, enfim...

Na literatura, produziu um número impressionante de obras, que fica ainda mais assombroso quando se sabe dessa vida pouco caseira dele. Onde arranjou tempo para escrever mais de 400 livros e outras tantas centenas de contos (sendo 75 livros e 28 contos protagonizados pelo inspetor Maigret)? Sua autobiografia, ditada em um gravador pouco antes de sua morte em 1989, tem 21 volumes. Um espanto. É o autor belga e o quarto de língua francesa mais traduzido do mundo.

Na tevê e no cinema, Maigret ganhou diversas adaptações. Foi vivido por Rupert Davies, Michael Ganbon e, mais recentemente, pelo comediante inglês Rowan Atkinson, em série que ainda não chegou oficialmente ao Brasil. Vale visitar. Tenho certeza de que depois que você ler o primeiro não vai conseguir parar...

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: quinta-feira, 24 jan 2019 11:46Atualizado em: quinta-feira, 24 jan 2019 11:49
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Hanna Barbera, o estúdio dos desenhos mais queridos da tevê

ANIMAÇÃO - Talvez a única marca que rivaliza de fato com a Disney quando se mede o carinho dos fãs com animações, a Hanna-Barbera poderia nunca ter existido. O fato é que Willian Hanna e Joseph Barbera, que começaram criando Tom & Jerry para a MGM, sonhavam em trabalhar para Walt Disney. E, nos anos 40, Disney combinou uma reunião com a dupla em Nova York. Nunca apareceu.

Eles então decidiram criar seu próprio estúdio, o que só aconteceu de fato em 1957, e produzir seus próprios sucessos. E não foram poucos. Nestes quase 62 anos a Hanna Barbera foi responsável por uma infinidade de sucessos da TV. Desenhos que, mesmo com uma animação pobre, tinham humor e conquistaram os fãs.

Vamos lembrar de alguns? Flintstones, Jetsons, Manda Chuva, Dom Pixote, Pepe Legal, Scooby Doo, Zé Colméia, Leão da Montanha, Wally Gator, Tartaruga Touché, Lippy e Hardy, Maguila o Gorila, Jonny Quest, Formiga Atômica, Plic Ploc e Chuvisco, Lula Lelé, Xodó da Vovó, Homem Pássaro, Corrida Maluca, Bibo Pai e Bobi Filho, Josie e as Gatinhas, Urso do Cabelo Duro, Família Addams, Smurfs, Corrida Espacial, Ho Holimpicos, Super Amigos, Hong Kong Fu, Capitão Caverna e, mais recentemente, O Laboratório de Dexter, As Meninas Superpoderosas e A Vaca e o Frango. Só para citar alguns, pois foram dezenas e dezenas.

Hanna e Barbera ganharam 7 Oscar, 8 Emmy, um Globo de Ouro e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Sua empresa foi vendida nos anos 90 para a Turner e depois foi mudando de dono conforme a Turner era comprada. Hoje seu acervo pertence à Warner e a marca só existe no papel, para ser usada em recriações de seu acervo. Os desenhos da Hanna Barbera podem ser vistos no Brasil, hoje, no canal Tooncast. Willian Hanna e Joseph Barbera trabalharam com animação até o fim de suas vidas e sua produção mora no coração de muita gente!

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  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: segunda-feira, 21 jan 2019 09:47Atualizado em: segunda-feira, 21 jan 2019 09:50
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