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Ousadia musical: a linha tênue entre o fracasso e o sucesso

No dia 10 de abril de 1970, Paul McCartney anunciou publicamente a dissolução do mais famoso conjunto musical de todos os tempos. Desde então, apresentar-se tocando música dos Beatles passou a ser sinal de ousadia e até mesmo sacrilégio, segundo beatlemaníacos radicais.

Um dos atos mais ousados já praticados com um clássico de Lennon e McCartney ocorreu em 04 de junho de 1967, no teatro Saville, em Londres, na última noite da primeira turnê de Jimi Hendrix na Inglaterra. Das mãos de Paul McCartney, o jovem guitarrista americano, aos 24 anos de idade, recebeu o exemplar do icônico álbum “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, que havia sido lançado dois dias antes.

Ciente de que Lennon & McCartney estavam na plateia, Hendrix não hesitou. Em minutos memorizou a música que dava título ao LP, subiu ao palco e abriu seu show com sua própria versão. Não só por isso Jimi Hendrix deixou seu nome registrado como um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Mas, sua ousadia, bem que pode ter contribuído favoravelmente.

Outros grandes nomes também ousaram com canções dos Beatles, como Joe Cocker e sua épica apresentação de “With A Little Help From My Friends” em Woodstock (1969) e Elton John, com “Lucy in the Sky with Diamonds”, no LP “Captain Fantastic” (1975). Centenas de músicos em todo o planeta gravaram canções dos Beatles, desde Frank Sinatra até as versões de Renato & Seus Blue Caps durante a Jovem Guarda. Suas músicas já foram tocadas por orquestras sinfônicas, por grupos da Bossa Nova, por sambistas e roqueiros de variadas matizes.

A boa nova vem com o grupo Blues Beatles, que no palco montado na esquina das ruas XV de Novembro e do Comércio, no Centro Histórico de Santos, encerrou na noite de domingo (09) o 3º Festival Santos Café. Ante a plateia heterogênea, como as que canções dos Beatles são capazes de reunir, o grupo impressionou favoravelmente com suas versões blues de obras como “Yesterday” e outras lendárias canções, arrancando aplausos e pedidos de bis.

O fechamento da memorável noite ficou por conta de “Hey Jude”, com participação do público cantando em alta voz, incluindo beatlemaníacos homéricos que lá estavam e que não arredaram pé. Vida longa à ousadia da banda Blues Beatles.

(*) Marco Damy é jornalista e músico

 

 

  • Publicado por: Marco Damy
  • Postado em: quarta-feira, 12 jul 2017 10:17Altualizado em: quarta-feira, 12 jul 2017 18:38
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