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'It - A Coisa': tudo o que um filme de Stephen King deveria ser

Mais recente adaptação de Stephen King para o cinema, 'It - A Coisa' é tudo o que um filme de Stephen King deveria ser sempre. As relações humanas, os dilemas do início da juventude, os amores, a amizade e o companheirismo tão comuns na época de escola... é disso que o filme fala, com o 'plus' da criatura sobrenatural que assume a forma de um palhaço para, uma vez a cada ciclo de 27 anos, passa um ano atacando crianças e as devorando.

Ver isso na tela é um alívio: o autor sofre do mesmo mal de Nelson Rodrigues: para cada boa adaptação, que respeita a alma da obra, é lançada uma dezena de produções constrangedoras. Ir ao cinema para assistir a um Stephen King é se arriscar a ver uma das piores coisas já feitas por Hollywood. A lista das decepções é imensa e vai da própria primeira versão de 'A Coisa' a filmes absolutamente esquecíveis como 'Comboio do Terror', o constrangedor 'Sonâmbulos' ou 'O Apanhador de Sonhos'.

A máxima vale, inclusive, para o momento atual. Duas adaptações de King chegaram praticamente juntas às telas: A Torre Negra, que foi massacrado pela crítica e ignorado pelo público mesmo sendo um dos livros mais importantes do autor, e este terror que resgata o espírito de companheirismo infantil tão comum nas obras de King, inclusive em suas histórias 'sérias' como  'Conta Comigo'.

Justiça seja feita, destaco algumas das boas adaptações de King, como o icônico 'O Iluminado', 'Carrie, a Estranha' e também histórias que pouca gente sabe que são dele, como os ótimos 'Um Sonho de Liberdade', 'Conta Comigo', 'À Espera de um Milagre' e 'Louca Obsessão'.

É verdade que o sucesso do seriado 'Stranger Things' meio que baliza o formato da produção, mas isso é perfeitamente compreensível e desculpável, inclusive porque a própria série não tem nenhuma novidade e se inspira em tudo o que foi feito nos anos 80 por gente como Steven Spielberg, Joe Dante, Robert Zemeckis e outros.

Pois bem, volto ao argumento que usei lá no início: o filme é tudo que deveria ser. O desafio de adaptar mais de mil páginas foi vencido de forma muito competente pelos roteiristas. O centro da trama é o "Clube dos Perdedores", um grupo de estudantes de 13 anos, seis meninos e uma garota, que tem como ponto comum as agressões que cada um sofre, dentro e fora de casa.

Mas além do bullying, do abuso sexual e do hipercontrole travestido de proteção, o grupo enfrenta uma ameaça que aterroriza a cidade onde mora desde sua fundação, a tal criatura que mora no encanamento de esgoto da cidade e, de vez em quando devora crianças e jovens e se alimenta - além do corpo e da alma de suas vítimas - do medo que ela própria inspira.

Além da boa condução, o filme tem nas boas interpretações outro mérito. A garota Sophia Lillis é ótima, assim como o Pennywise (o vilão monstruoso) feito por Bill Skarsgård, infinitamente melhor que a risível e infame versão de Tim Curry. Os outros garotos também cumprem bem seus papéis e a relação entre eles dá um toque doce e até engraçado à trama.

O filme se concentra na primeira parte da história, quando os protagonistas estão no colégio. Mas seu sucesso de crítica e de público (arrecadou assombrosos US$ 117 milhões em seu fim de semana de estreia) já garante a continuação, que ainda não tem data prevista para começar e deve mostrar o grupo já adulto, voltando à cidade para enfrentar novamente a ameaça que venceu parcialmente na infância.

Um baita filme de terror que honra o fato de ter o nome Stephen King nos créditos. E uma bela homenagem aos anos 80. Indico para quem gosta do gênero.

 

 

  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: terça-feira, 12 set 2017 18:48Altualizado em: segunda-feira, 25 set 2017 16:56
  • Stephen King   cinema   It - A Coisa   

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