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A incrível (e real) história de Chuck Wepner, o homem que inspirou Sylvester Stallone a criar o boxeador Rocky Balboa

Um supercampeão falastrão e provocador que resolve dar uma chance a um lutador já em fim de carreira, um branquelo simpático que parecia bastante fora de contexto naquele ambiente das grandes lutas. Uma luta que ninguém acreditava que poderia passar dos primeiros rounds mas que se arrasta por 15 longos rounds. Um nono round no qual o desafiante derruba o campeão, assombrando o mundo.

É esta a história da luta entre Chuck Wepner, um novaiorquino grandalhão nascido no início da segunda guerra mundial (em 1939) e o maior campeão dos pesos pesados da história do boxe, Muhammad Ali. Dizem que Wepner, logo após derrubar o campeão, voltou para seu corner e disse ao seu técnico: “Ligue o carro. Vamos ao banco. Estamos milionários”. E o técnico lhe respondeu: “Acho bom você virar. Ele se levantou. E parece muito bravo”.

E pelos seis rounds seguintes Wepner experimentou a ira de Ali. Ficou com a cara toda inchada e cheia de cortes. Teve o nariz quebrado. Mas se manteve em pé até o fim. Bem… quase.

No 15º e último round, faltando apenas 19 segundos para o fim da luta por tempo, Ali conseguiu derrubar Wepner e o juiz decretou nocaute técnico. O que não diminuiu em nada a grande conquista do desafiante. Depois da luta até houve uma polêmica a respeito da validade ou não do golpe que derrubou Muhammad Ali, mas nada disso tirou de Wepner o status de lenda eterna do boxe.

Quem estava no ginásio assistindo a esta luta histórica, em março de 1975, era um aspirante a ator sem muito sucesso nas telas, filho de um cabelereiro e de uma astróloga dançarina. Um tal de Sylvester Gardenzio Stallone, que havia estrelado no cinema em um filme pornográfico pelos 200 dólares que lhe permitiriam pagar os aluguéis atrasados e voltar a morar em seu apartamento após ter sido despejado.

O papel mais interessante de Stallone naqueles primeiros anos de carreira havia sido uma participação não creditada na comédia Bananas (foto ao lado), dirigida por Woody Allen (mas esta é uma outra história da qual vamos falar qualquer outra hora).

Pois bem: naquela luta entre Chuck Wepner e Muhammad Ali, ciente de toda a história que a envolvia, Stallone teve uma daquelas ideias luminosas. Saiu de lá tão impressionado que em três dias escreveu o roteiro daquele que seria seu maior (e talvez único) sucesso de crítica: Rocky, um Lutador.

O resto da história é conhecido: Rocky, um Lutador ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1976, conseguiu uma improvável indicação de Melhor Ator para Stallone e o lançou para o estrelato, transformando-o, ao lado de Arnold Schwarzenegger, no símbolo maior dos filmes de ação dos anos 80.

A relação entre Stallone e Wepner no início não era muito boa. O cineasta sempre negou a inspiração em Wepner, que chegou a processá-lo. A disputa judicial chegou ao fim com um acordo financeiro não divulgado. E os dois chegaram a se encontrar algumas vezes.

Stallone chegou a fazer uma segunda homenagem a Wepner no terceiro capítulo da saga Rocky (aquele em que o Garanhão Italiano luta contra Clubber Lang). Logo no início do filme, Rocky enfrenta o campeão de luta livre Hulk Hogan, que vence a luta atirando Rocky para fora do ringue. Foi uma referência à luta que Wepner fez, em 1978, contra o lutador de luta livre André, o Gigante. A luta também terminou com o boxeador jogado para fora do ringue.

Mas tudo começou naquele ringue de boxe, em 1975, com a luta entre Wepner e Ali. A história desta luta e de como inspirou o personagem Rocky Balboa se transformou em filme, produzido pelo canal americano ESPN, em 2012. Wepner está vivo até hoje e se dedica a uma loja de licores e vinhos que mantém com a esposa na mesma New Jersey onde nasceu. Ele tem 77 anos e ainda pode ser visto em grandes eventos do boxe.

 

 

  • Publicado por: Gustavo Klein
  • Postado em: sexta-feira, 09 jun 2017 10:15Altualizado em: sexta-feira, 09 jun 2017 20:52

Comentários (1)

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Arj

• 10/06/2017 04:12

Rocky III
Pegando carona na luta livre, após Rocky III, Hulk Hogan foi contratado pela World Wrestling Federation e anos mais tarde fez uma das lutas mais marcantes de todos os tempos justamente com André, o Gigante para um público presente de mais de 94mil pessoas.

     
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