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O número da realidade

Tão bom e tão favorável para tanta gente, o número sete apareceu em profusão para o setor automotivo em abril e este deveria ser um fato alviçareiro...se o momento do mercado não fosse bastante controverso. A pandemia provocada pela COVID-19 e o consequente distanciamento social provocaram a esperada queda vertiginosa nos emplacamentos. A redução em abril foi de 77,7% em um comparativo com o mesmo mês em 2019 e 67% na comparação com março. No quarto mês do ano foram licenciados 51.362 veículos. No acumulado dos primeiros quatro meses de 2020, foram negociadas 801,5 mil unidades, 27,2% a menos em relação com o mesmo período de 2019.

A pancada, portanto, veio e não havia dúvidas de que viria. A pergunta que o setor automotivo ainda não respondeu nem para si próprio é como se levantar deste quase knock-out (ou nocaute mesmo). Este é o ponto que poderia – e deveria - ser pensado desde que as primeiras informações sobre um possível isolamento social começaram a surgir.

Há dois pontos favoráveis e dois nem tanto nesta questão. O que aparece a favor é a reação imediata do próprio setor ao aproveitar esta tecnologia que aproxima os distantes, informa um fato no exato instante em que ele acontece e torna público tudo o que parece privado: a internet foi o caminho encontrado pelos maiores do setor. As vendas on-line têm sido uma realidade e as lojas oferecem test drive e entrega dos carros na casa do cliente. Bingo! Ideal principalmente para quem não é concessionário e não tem a oficina em pleno funcionamento (o que gera uma receita). Foi desta maneira que mais de 50 mil veículos foram emplacados em abril.

O segundo ponto a favor: especialistas ouvidos pela A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) acreditam que os negócios efetuados, de fato, são entre 30% a 40% maiores do que o número de licenciamentos. Ou seja, é provável que as vendas reais em abril atingiram entre 65 mil a 70 mil unidades. Isso porque, com a desobrigação de emplacar o veículo zero km até 30 dias após a compra, muita gente está rodando sem o documento.

Agora, vamos às questões mais controversas. A primeira é que, por cultura, brasileiro gosta de ver o carro, chegar perto, sentir que será dele. E isso só acontece nas lojas. É verdade que a maior parte dos compradores em potencial têm todas as informações a respeito do carro que pensam em adquirir e vão às lojas para praticamente tomar café e fechar negócio, mas ainda há um considerável grupo dos que querem “ver com as mãos”.

O segundo ponto amedronta um pouco mais. Imaginemos que o isolamento social seja encerrado neste momento. O mercado vai precisar de um tempo para se recuperar em todos os setores. Isso quer dizer que dificilmente tanta gente pense em trocar de carro ou comprar seu primeiro veículo neste momento. E isso é mais do que preocupante.

 

 

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  • Publicado por: Paulo Rogério
  • Postado em: terça-feira, 05 mai 2020 11:45Atualizado em: terça-feira, 05 mai 2020 11:45
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O mundo automotivo dentro e fora da estrada! Pelo jornalista Paulo Rogério, especializado em automobilismo.